segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Dorm" (Dek Hor, 2006)

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Se viesse para aqui dizer-vos que "Dorm" é um filme de terror, estaria a ser redutora. Diria antes que é uma história dramática, tocante e assustadora em partes iguais. Pessoalmente, não me senti aterrorizada mas encontram-se aspectos perturbadores em pormenores que vão muito além do ranger de uma porta ou de uma sombra. "Dorm" é uma história feliz em pano de fundo dramático. Aos 12 anos, o jovem Ton Chatree (Charlie Trairat) é largado num colégio interno pelos seus pais, desejosos de uma educação exemplar que o conduza ao sucesso. Ton até há bem pouco tempo tinha a vida de uma rapaz normal: cama, comida, roupa lavada e a despreocupação que caracterizam a meninice. Quando os pais lhe anunciam esta mudança radical o seu mundo parece ruir. Não é para menos. O colégio é sinistro, a sua nova professora Pranee (Chintara Sukapatana) é muito rígida e os novos colegas parecem sentir o cheiro a "carne fresca", enchendo-lhe a cabeça de histórias de fantasmas. Ton ressente-se, refugia-se na solidão e revolta-se, em especial contra o seu pai, repetindo mentalmente, (como qualquer adolescente com o orgulho ferido), as suas ofensas. Mas a vida no colégio não é fácil, nem se avizinha que vá melhorar, até que um colega mais velho Wichien (Sirarath Jianthaworn) o toma debaixo da sua "asa" e lhe vai dando dicas sobre como (sobre)viver no colégio. Acontece que também Wichien esconde os seus próprios demónios.
Esta seria a altura em que a história iria assumir uma viragem para o absurdo e seríamos atacados por uma série de fantasmas de longos cabelos negros. No entanto, o argumento é mais ousado e adopta a via mais difícil. "Dorm" centra-se mais nas relações entre os personagens do que nos sustos fáceis e é a sua eficácia que permite conferir o ambiente pesado que (penso eu), os argumentistas ambicionavam. Em conjunto com  o seu amigo Wichien, Ton vai conhecer, pela primeira vez, a liberdade e descobrir que afinal o colégio não é tão castrador como pensava. A película é, acima de tudo, sobre as relações familiares, as dores do crescimento e a verdadeira amizade. Ton começa a sua viagem como uma criança e acaba um pequeno homem. Parece uma nova versão de "Stand by me" (1986). Passados todos estes anos, os rapazes de 12, 13 anos, são iguais a eles próprios, em qualquer parte do mundo. 
Contudo, e apesar destas surpresas agradáveis "Dorm" não está isento de erros de continuidade. Por exemplo, o cabelo de Ton ora está curto, ora está comprido, ora está curto de novo não seguindo o percurso cronológico da história. Um erro lamentável, tanto mais que no departamento dos efeitos especiais as coisas correm às mil maravilhas. O efeito conseguido, na cena da piscina é muito interessante. Além disso, o tom do filme, as cores, tudo parece conjugar-se perfeitamente para criar um efeito sinistro eficaz...   
Não tenho muito mais a acrescentar: o argumento é eficaz; as actuações são boas, aliás se fizeram uma pesquisa na Web verão que os actores principais ganharam prémios; a cinematografia é esplêndida e tem um bom rítmo, um acontecimento de cada vez, sem pressas para chegar à recompensa final. Só não aconselho a quem espera um filme de terror puro. O marketing do filme enfatiza bastante a questão do terror, quando de terror tem muito pouco. Nesse aspecto é capaz de desiludir alguns espectadores. Por outro lado, quem não aprecia histórias sobre o crescimento e prefere um rítmo mais intenso, também não ficará satisfeito. Assim, apresento umas cautelosas mas bem ponderadas três estrelas e meia.



Realização: Songyos "Yong" Sugmakanan
Argumento: Paiboon Damrongchaitham, Boosaba Daoreong e Visute Poolvoralaks II
Elenco:
Charlie Trairat como Ton Chatree
Sirarath Jianthaworn como Wichien
Chintara Sukapatana como Pranee
Suttipong Tudpitakkul como pai de Ton

Próximo Filme: "Whisper" (Bulong, 2011)

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