quarta-feira, 25 de maio de 2011

"Noroi - The Curse" (Noroi, 2005)

É certo e sabido, para quem já leu apreciações anteriores que não sou fã de filmagens de estilo câmara no ombro. Não sou. A imagem fica tremida, perdem-se acontecimentos, confundem-se outros e fico com uma terrível dor de olhos. Isto não invalida que, em alguns casos, considere que esta abordagem faça sentido. Em "Noroi", funciona e bem. Simplesmente uau. Cheguei a ler alguns comentários de pessoas que viram o filme na Web que variam entre o "sujei as calças" e "não meteu medo nenhum". Aposto que estes últimos dormiram acompanhados nessa noite. "Noroi" é um mockumentary, filmado à moda de "The Blair Witch Project" (1999), de que a propósito também gostei, mas as semelhanças ficam-se por ai. A película é de Koji Shiraishi, que não é estreante no Not a Film Critic (ver "Carved - a slit-mouthed woman" (2007), com um registo de qualidade inferior.
A princípio a história parece trivial, Masafumi Kobayashi (idem), um jornalista especialista em fenómenos do paranormal desaparece em circunstâncias mistériosas, deixando para trás o material da última reportagem em que estava a trabalhar: "Noroi". Tudo começa com a aldeia Shimokage prestes ser submersa com a construção de uma nova barragem, onde os habitantes decidem recriar, pela última vez, um ritual se apaziguamento dos espíritos. Pouco tempo depois, o nosso jornalista recebe uma carta de uma senhora que diz ouvir sons estranhos vindos da casa da vizinha...
"Noroi" está compartimentado em uma sucessão de acontecimentos cronológicos que alternam entre as entrevistas de Kobayashi e os programas de televisão japoneses com os seus personagens caricaturais e exageros. Estas transições são eficazes tanto mais que não se perde tempo com informações desnecessárias, todos os acontecimentos são relevantes para o encaixar das peças do puzzle e desvendar o fenómeno. Dá a sensação de estarmos a ver um documentário real de jornalismo de investigação de Kobayashi e da sua equipa. E como "The Blair Witch Project" nos deu a conhecer, o que parece real, parece muito mais assustador. Estas alternâncias também fornecem um alívio para as cenas de tensão e de carregamento de baterias para o que aí vem.
"Noroi" sucede onde muitos outros falham. Cenas nas quais se visualiza o material recolhido são perturbadoras pelo que põem a descoberto, num crescendo contínuo de terror psicológico. E à medida que o final se aproxima, rápido e brutal como é, damos por nós embrenhados na máxima de Kobayashi: "Eu quero a verdade. Não interessa quão assustadora, eu quero a verdade."
Os arrepios poderão surgir até muito depois de o filme terminar. Vemos Kobayashi a iniciar um trabalho de investigação "chapa 3" e assistimos quando as informações que vai obtendo se tornam cada vez mais perturbadoras, à medida que vai penetrando no folclore japonês e alguns psíquicos vão sendo "recrutados". O elenco é sólido: Kobayashi é extremamente likeable na sua busca incessante pela verdade; Marika Matsumoto (ídem) desempenha uma psíquica que atraí eventos sobrenatuais mais do que gostaria e com quem, (não duvido) muitos elementos da audiência irão desenvolver um forte sentimento de protecção diria até paternal . Já Mitsuo Hori (Satoru Jitsunashi), o segundo psíquico, cresce em nós, demonstrando mais talento em linguagem facial e gestual que muitos actores numa vida inteira de palavras. Clap, clap, clap. Já a jovem Kana Yano (Rio Kanno), mais do que uma psíquica com capacidades extraordinárias e potencial ilimitado é uma infeliz vítima das circunstâncias. Damn it, tv shows!
No entanto, "Noroi" não está isento de falhas, é anormalmente longo para uma película desta natureza, com 115 minutos. Apesar da vontade de não perder o fio à meada, dei por mim a desejar que os acontecimentos se desenrolassem mais rapidamente. Uma outra questão que pode ser um pouco confusa para a audiência é o número de actores. Apesar de o núcleo central ser relativamente pequeno: Kobayashi, o seu câmara e três psíquicos (e já estou a ser simpática), é fácil a dada altura perdermo-nos nos personagens. Em algumas cenas, a utilização de imagens criadas digitalmente poderá ser posta em causa. Seriam mesmo necessárias? O filme já é bastante atmosférico, tal como é. Acrescentam realmente algo? Felizmente, os problemas são suficientemente inócuos para que sejam atribuídas, com alguns arrepios, quatro estrelas.



Realização: Koji Shiraishi
Argumento: Koji Shiraishi e Naoyuki Yokota
Elenco:
Masafumi Kobayashi (idem)
Marika Matsumoto (idem)
Rio Kanno como Kana Yano
Satoru Jitsunashi como Mitsuo Hori
Tomono Kuga como Junko Ishii

Próximo Filme: "Sick Nurses" (Suay Laak Sai, 2007)

1 comentário:

  1. ñ sei se foi algum erro do site q estava assistindo o filme, mas acabou do nada (kk'). enfim, vou tentar ver o q aconteceu. no mais e fã q sou dos filmes de suspense asiáticos, gostei do que vi até então e recomendo. sua crítica foi impecável, bgda.
    bj'
    may

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