domingo, 11 de dezembro de 2011

Ciclo Sul-Coreano: "Ouija Board" (Bunshinsaba, 2004)


Se não fosse um horror seria uma tragédia. Na Coreia do Sul é comum os actores fazerem carreira em séries de televisão. Alguns nunca chegam a entrar na grande tela. Nem é preciso, a não ser que queiram chegar a uma audiência ainda maior. Lá, as séries merecem um respeito que noutros sítios não se lhes reconhece. Têm qualidade, não constituem um mero veículo para se conseguir uma carreira no grande ecrã. Conduzir uma série em televisão é fazer carreira. Como tal, compreende-se que os filmes coreanos comportem uma componente dramática muito forte. É-lhes inato. Não é pois de espantar que que vários actores de “Ouija Board” tenham experiência televisiva em séries dramáticas prévias ao filme. Se querem saber um pouco mais sobre o universo televisivo sul-coreano, perguntem-lhe a ela. Poucos sabem tanto sobre a televisão asiática nomeadamente, Coreia do Sul, Japão e China e, ainda por cima, em língua portuguesa. No que me diz respeito, creio que participar no filme “Ouija Board”é um downgrade na carreira de um actor. Ninguém precisa de mais um filme sobre mortas despenteadas no currículo. O realizador e argumentista Byeong-ki Ahn tem no seu percurso vários filmes, adivinhe-se lá, sobre moças mortas de cabelo desalinhado. O seu melhor esforço foi “Phone” (2002), que até vai ser alvo de (mais) um remake em Hollywood. Ele descobriu a fórmula do sucesso e limita-se a replicá-la a cada novo projecto. O resultado é um filme tão pouco original que tive de parar o visionamento três vezes, tal o efeito de sedativo. Tenho uma teoria, rebuscada talvez, que o objectivo dos filmes de terror é provocar insónias e não curá-las, mas é apenas a minha opinião.
“Ouija Board” situa-se na província, para onde uma mãe e a filha Yu-jin (Se-eun Lee) oriundas de Seul se mudam. Ali, a jovem citadina torna-se rapidamente o alvo preferido das rufias de serviço. Deve ser por ela ter vindo da grande cidade, estão a ver? Ou se calhar são os grandes, expressivos olhos de Yu-jin a causa de tanta inveja. Enfim, é aquele grupinho muito popular mas que, por algum motivo, ninguém grama. Algures, a lógica de Yun-jin lhe diz que a melhor forma de se livrar dos maus-tratos é lançar uma maldição sobre as vilãs. Reportar aos pais ou aos professores o comportamento vil das meninas? Alguma vez? Não. O mais racional é invocar um espírito maldito para fazer o trabalhinho sujo. Yun-jin reúne-se com outras colegas vítimas de bullying e improvisam uma espécie de jogo do copo (a tal Ouija Board). Yun-jin, qual médium experiente, avisa-as para não abrirem os olhos pois algo de mau pode suceder só que ela própria acusa a pressão do momento e comete esse erro. Elas conseguem invocar com sucesso um espírito e que resultados obtêm! Soubera eu uns anos mais cedo… Infelizmente, o espírito é assim a meios que excessivo, já que as rufias começam a surgir mortas com sacos na cabeça, queimadas até ao irreconhecimento. Digo eu, que não era caso para tanto mas se calhar o que está a suceder às meninas más, não tem nada que ver com o bullying que Yun-jin e as colegas sofrem nos dias de hoje. Entretanto, existe um par de professores simpáticos que querem fazer algo para ajudar as alunas. No entanto, estão de mãos atadas face a um conselho directivo irredutível. Também não ajuda muito o facto da professora nova Eun-ju Lee (Gyu-ri Kim), se enganar em plena aula e chamar In-suk Kim (Yu-ri Kim), uma aluna que já não é vista há 30 anos. Junte-se um segredo terrível e temos o típico filme sobre um espírito vingativo.
A história está pejada de influências anteriores: invejas, abuso, preconceito, sexo… Os personagens dividem-se entre os estereótipos habituais: a rapariga inocente, o professor compreensivo, rufias e os personagens com um passado misterioso. Está lá enfiada toda a última década do cinema. Quando isso sucede o factor medo evapora-se. Mas o grande problema da película nem é Byeong-ki Ahn. Ele repete a fórmula mágica por que o público-alvo ainda não se cansou do género: leiam-se adolescentes em idade escolar. A audiência identifica-se com as personagens de uniforme que tropeçam na magia negra. Muito me admiro se depois da sessão de cinema muitos jovens não tiverem ido experimentar o jogo do copo. E não se pode censurar Byeong-ki Ahn por dar à sua audiência o que ela quer. O género carece urgentemente de ser revitalizado. Infelizmente, isso não acontecerá à custa dos repetidos apelos de cinéfilos. Os “Ouija Board” por esse mundo fora, só irão desaparecer quando a população virar as costas ao género e preferir sucedâneos mais bem cozinhados. Até lá, perseguirei estóica (cof cof) por entre os inúmeros fantasmas vingativos para vos dar a conhecer os melhores filmes de terror coreanos. Duas estrelas.

Realização: Byeong-ki Ahn
Argumento: Byeong-ki Ahn
Se-eun Lee como Yu-jin Lee
Gyu-ri Kim como Eun-ju Lee
Yu-ri Lee como In-suk Kim
Seong-min Choi como Jae-hun Han
Próximo Filme: "Sector 7" (7 Gwanggu, 2011)

3 comentários:

  1. Para dizer a verdade achei o filme aborrecido. Até nem está mal feito mas tem uma tremenda falta de imaginação...

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