quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"5bia" aka "Phobia 2" (ห้าแพร่ง ou Ha Phrang, 2009)



Um ano volvido o sucesso estrondoso de "4bia", chega-nos "5bia", a sequela que volta a reunir três dos quatro realizadores da primeira película. Desta feita, aumentou a dose de terror com Songyos Sugmakanan autor do aclamado "Dorm" (Dek Hor, 2006) e Visute Poolvaralaks, produtor executivo de "Alone" (2007) na sua estreia directorial a juntarem-se à equipa. Nesta sequela não há o bónus extra da ligação entre as curtas. Não se sente a sua falta. "Phobia 2" só fez 64,4 milhões de baths na primeira semana de exibição, o que representou a melhor estreia de sempre no cinema tailandês. E se ainda duvidam da sua qualidade, figura na lista dos 10 melhores filmes de 2009 do Wise Kwai's Thai Film Journal, muito provavelmente o melhor blogue sobre cinema tailandês que existe por aí.

As curtas:

"Novice"

A primeira curta foca-se em Pey (Jirayu La-ongmanee) que após cometer um crime é forçado pela mãe a juntar-se a um grupo de monges na selva para evitar a prisão já que de acordo com a lei, os monges não podem ser presos. Pey não mostra compreensão do resultado das suas acções e revolta-se por ter sido deixado naquele lugar. Enquanto a lei não o encontra Pey permanece sobre o olhar vigilante dos espíritos que venera. Como Pey irá descobrir, ele pode escapar da civilização mas o Karma pode encontrá-lo em qualquer lugar...



"Ward"
Arthit (Danuwong Worrawech) teve um acidente de bicicleta que lhe deixou as pernas partidas e obrigou a pernoitar no hospital. Nessa noite, Arthit é deixado no quarto com um velho em coma. Este é um líder de um culto e estão à espera que os últimos familiares o vão visitar para poderem desligar o suporte de vida. Confinado à cama, Arthit cedo percebe que pode existir mais vida naquele quarto do que inicialmente julgava.


"Backpackers"

Um casal de turistas japoneses apanha boleia de um camionista num zona inóspita da Tailândia. O camião é conduzido por um homem de aspecto sujo e pouco afável e um jovem que o exorta a deixar os jovens na estrada. A viagem é conturbada, com o homem a ficar furioso com uma chamada e a existência de sons vindos da zona de carga. Acontece que esta não é uma carga normal e quando o condutor pára o camião para verificar a carga depara-se com uma montanha de corpos. Mas nem tudo é o que parece e quando os corpos regressam à vida, o que era uma simples boleia torna-se uma corrida mortal.




"Salvage"
Nuch (Nicole Theriault) é uma vendedora de carros pouco escrupulosa que manda arranjar carros acidentados para depois os vender como novos. Numa noite em que está sozinha no stand com o seu filho Toey (Peeratchai Roompol), o passado trágico dos carros acidentados irá regressar para a assombrar...

"In The End"

Os quatro amigos Ter (Nattapong Chartpong), Aey (Kantapat Permpoonpatcharasuk), Shin (Wiwat Kongrasri) e Phueak (Pongsatorn Jongwilat) fazem parte da equipa de filmagens do filme "Alone 2". Durante a gravação da última cena Gade (Phijitra Ratsameechawalit), a actriz que desempenha o papel de fantasma sente-se mal e é levada para o hospital por Aey. Ela regressa novamente para terminar a última cena. Entretanto, Aey é informado que Gade faleceu e informa os amigos do facto. Se ela está morta, quem é que está ali com eles?

Sobre os filmes:
Paween Purijitpanya, autor de "Tit for Tat", a segunda curta-metragem de "4bia" abre desta vez e com chave de ouro. Num registo quanto a mim superior ao anterior, Paween deslumbra mais uma vez com uma cinematografia e um rítmo muito próprios numa película de curtissíma duração. Jirayu La-ongmanee que desempenha o papel principal é muito bom a fazer o papel destestável de Pey, nem quando as consequências dos seus actos chegam até ele (e que consequências!), conseguimos sentir compaixão pelo jovem vilão. A segunda curta, do estreante Visute Poolvoralaks é o registo mais fraco. O que começa com uma boa premissa depressa se torna previsível. Quem é que passados alguns minutos não tinha já compreendido o que iria acontecer? Valha-nos a forte tensão que é montada num curto espaço de tempo. "Backpackers" também não é exactamente original com a premissa de "casal apanha boleia da pessoa errada" mas tem momentos verdadeiramente perturbadores. E vá lá, ao menos não temos o já típico fantasma de cabelos negros a pairar sobre os actores ou a aparecer nos sítios mais improváveis. "Backpackers" é também uma curiosa reunião: a de Songyos Sugmakanan com Charlie Trairat, o actor que dirigiu em Dorm, agora irreconhecível num corpo de homem. A próxima paragem é no stand de Nuch (Nicole Theriault) e diria eu, uma das curtas mais injustiçadas deste "5bia". O tormento de mãe de Nuch é muito provavelmente o medo mais real de todos os que estão retratados nesta sequela. É surpreeendente verificar que mesmo no outro lado do mundo, também persiste a ideia de que os vendedores de automóveis são uns intrujões. Quem é que não se identifica com isto? Excepto, talvez, os vendedores de carros. A história tem imagens geradas por computador q.b. e uns sustos bem proporcionados. A cena final, é de arrepiar a espinha de qualquer mãe. "In The End", atesta mais uma vez, a excelente capacidade de Banjong Pisanthanakun de não se levar demasiado a sério e de se rir do seu próprio trabalho [vejam as referências a "Alone" (2007) e Shutter (2004)]. Este realizador permite-se fazer troça do overacting nos filmes em geral e ao cliché em que se tornaram os fantasmas e banaliza-os, reduzindo ao absurdo o peso que as audiências lhes atribuem. Somos ainda brindados com a excelente química do quarteto de actores que tivemos oportunidade de conhecer na curta do primeiro filme, "In the Middle". Mais do que um filme de terror é uma crítica bem humorada ao cinema de terror em que as situações cómicas se seguem umas após as outras. "Phobia 2" não desilude, é uma sequela com o seu próprio mérito, em nada inferior ao título que lhe deu origem. Apresenta valores de produção tão bons ou superiores a "4bia" e os novos realizadores não comprometeram. Posto isto, só permanece uma questão: para quando "Phobia 3"? Quatro estrelas.



Curta
#1: "Novice"
Realização: Paween Purijitpanya
Argumento: Paween Purijitpanya e Nitis Napichayasutin
Elenco:
Jirayu La-ongmanee como Pey
Ray MacDonald como monge
Chunporn Theppitak como monge mais velho
Apasiri Nitibnon como mãe de Pey

Curta #2: "Ward"
Realização: Visute Poolvoralaks
Argumento: Parkpoom Wongpoom e Sopon Sukdapisit
Elenco:
Danuwong Worrawech como Arthit
Chartpawee Treechartchawanwong como enfermeira

Curta #3: "Backpackers"
Realização: Songyos Sugmakanan
Argumento: Songyos Sugmakanan e Sopana Chaowwiwatkul
Elenco:
Charlie Trairat como Joi
Sutheerush Channukool como condutor do camião
Akiko Ozeki como turista japonesa
Teerneth Yuki Tanaka como turista japonês

Curta #4: "Salvage"
Realização: Parkpoom Wongpoon
Argumento: Parkpoom Wongpoon e Sopon Sukdapisit
Elenco:
Nicole Theriault como Nuch
Peeratchai Roompol como Toey

Curta #5: "In The End"
Realização: Banjong Pisanthanakun
Argumento: Banjong Pisanthanakun, Chantavit Dhanasevi e Mez Tharatorn
Elenco:
Marsha Wattanapanich como Marsha
Nattapong Chartpong como Ter
Kantapat Permpoonpatcharasuk como Aey
Pongsatorn Jongwilat como Phueak
Wiwat Kongrasri como Shin
Phijitra Ratsameechawalit como Gade
Nimitr Lugsameepong como Realizador

Próximo Filme: "Lawang Sewu Dendam Kuntilanak", 2007

domingo, 28 de agosto de 2011

"The Matrimony" (Xin zhong you qui, 2007)

Are you “in a mood for love”? Pois que eu estou e não, este filme não é do Wong Kar Wai, foi apenas menção aleatória que me ocorreu para vos despertar a atenção. Bem, a referência não é assim tão disparatada pois que vos trago uma história de amor. Uma história bela, trágica e quase assustadora de Hua-Tao Teng. Passada na China nos anos 30, a história gira em torno da desventura amorosa do cinematógrafo Shen Junchu (Leon Lai) que vê morrer à sua frente a sua amada Xu Manli (Fan Bing Bing). Destroçado, Shen fecha-se sobre si próprio e aceita fazer um casamento arranjado pela sua mãe com Sansan (Rene Liu) apenas para a descansar. Sansan é a típica rapariguinha apaixonada que tudo faz para agradar ao marido, mas que falha a todos os níveis. Rejeitada, ela não desiste de tentar obter as suas boas graças. Porquê? Não se percebe visto que na primeira meia hora de filme, Shen é taciturno e desagradável, roçando o odioso. Um dia Sansan encontra a chave para uma sala onde Shen a proibiu de entrar e não resiste à curiosidade. Lá, dá de caras com o fantasma de Manli que lhe sugere fazerem um pacto aparentemente satisfatório para ambas as partes. Se Sansan deixar Manli possuir o seu corpo esta poderá tocar novamente em Shen e Sansan poderá ser finalmente aceite. Claro que se estão à espera um filme de miúdas a formarem uma amizade além das fronteiras metafísicas, estão muito enganados. Manli é um espírito e se prestarem atenção aos filmes de fantasmas, os espíritos vestidos de vermelho, normalmente, não são os entes mais agradáveis deste mundo e do outro (“Rattle, Rattle” 2006, pessoal?). Além disso, elas partilham o mesmo objecto e amoroso e sejamos honestos, são mulheres. Onde é que alguma vez as mulheres se deram bem? “The Matrimony” recorda-me a novela “Rebecca” da Daphne Du Maurier também passada nos anos 30, na qual mesmo depois da morte, o fantasma de uma mulher persiste em não desaparecer da memória e em marcar a vida daqueles que lhe sobrevivem.
Quem me conhece saberá que não gosto de dramalhões nem de romances dignos de fazer chorar as pedrinhas da calçada. Sou da opinião que quem quer verdadeiro entretenimento vai ao cinema e quem quer chorar tem a vida real. Ora, como não sou fã de ir pagar 5 euros para chorar no cinema, evito as demonstrações melodramáticas ao máximo. Atenção, que concedo (quando o vejo), o mérito nos desempenhos dramáticos, ou não fossem a esses que 99,9999999999999% das vezes, aquela grande instituição que é a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas atribui os Óscares. Acontece que “The Matrimony” é um casamento feliz entre drama e o horror, sem se inclinar em demasia para um dos lados da balança. Segue o manual dos filmes de terror com “jovens de longo cabelo negro vingativas e/ou injustiçadas em vida” à risca. Mas tem qualquer coisa de original. Para começar, o suspense não é o prato forte da película. Hua-Tao Teng poupa-nos a um crescendo de tensão até à grande revelação do fantasma e ao invés, tira essa sugestão do caminho o mais cedo possível. Também, admitamos que a Fan Bing Bing tem uma carinha laroca, não faz lá muito sentido estar a escondê-la.
Adiante, a primeira cena em que se nota a magia do computador, durante a morte de Manli, é das coisinhas mais amadoras que andam por aí, o que 1) reforça a necessidade de se afastarem da utilização dos efeitos especiais apenas porque sim e 2) estabelece um triste contraste com a qualidade geral da película. De resto, o filme é tão envolvente e com uma atmosfera muito bem conseguida. Nomeadamente, a cinematografia, (uma grande vénia a Mark Lee), a recriação dos anos 30 e a palete de cores está bem apelativa. Visualmente está catita.
Quanto à narrativa, tem momentos de originalidade entre os habituais lugares-comuns do filme de fantasmas. Dá um pouco mais que fazer aos actores e permite um desenvolvimento das personagens. Não há uma procura do susto fácil, este apenas surge como desenvolvimento natural da narrativa. Quanto às actuações, Liu está excelente tendo direito a um background decente conquanto, de início, não seja mais do que uma peça de imobiliário que se intromete na história de amor de Shen e Manli. Quanto a esta última, encarna um espírito com motivações que vão além da superfície, afastando-se do habitual espírito unidimensional. Talvez a grande diferença entre este e outros filmes de fantasmas é que aqui o espectro não é uma mera coisa inserida para provocar o próximo susto, antes tem sentimentos e emoções com as quais sentimos empatia. Já Shen, é uma florzinha de estufa muito magoada, muito sofrida e deprimida, cujos encantos, tirando breves flashbacks, dificilmente se encontram para explicar o amor das duas mulheres. O que poderá ser considerada a maior fraqueza do filme é mesmo o final. Pode ser encarado de dois modos: se gostam de finais que fujam a clichés e que exijam reflexão deverão gostar se, pelo contrário, procuram uma solução satisfatória, o habitual final feliz que não dê que pensar é melhor apostarem noutro registo. “The Matrimony” não assusta muito, mas assusta bonito. Três estrelas e meia.
Realização: Hua-Tao Teng
Argumento: Qianling Yang e Jialu Zhang
Elenco:
Leon Lai como Shen Junchu
Fan Bing Bing como Xu Man li
Rene Liu como Sansan
Songzi Xu como Rong Ma

Próximo Filme: "5bia" aka "Phobia 2" (ห้าแพร่ง ou Ha Phrang, 2009)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Super 8", 2011

"E.T. phone home"... Ups. Filme errado. Bem, mais ou menos. Quer dizer, as semelhanças estão lá: um conjunto de miúdos dos subúrbios, curiosos e corajosos, mais até do que os adultos. E um sentimento de nostálgia que nos faz sentir aquele quentinho no coração. E o J.J. Abrams deverá ter tido um curso intensivo na arte "Spielberg", realmente, se não soubesse mal daria pela diferença (mas dou). Não posso dizer que esta comparação seja má se considerarmos que, ultimamente, tudo o que é filme saído de Hollywood é um remake (na maioria das vezes, inferior ao original), uma "(in)evitável"sequela ou um filme da Marvel ou DC Comics, o que também não é muito bom se não apreciam histórias aos quadradrinhos. Eu própria também não daria grande atenção ao J.J. uma vez que tanto "Lost" e "Mission: Impossible III" não são assim tão bons. Vão perdoar-me, mas a série "Lost" é totalmente overrated. Um triângulo amoroso novelesco no meio de um argumento que não faz absolutamente sentido nenhum? Sou preconceituosa? Who Cares? Não existe pessoal que se torna uma máquina assassina quando falam mal de um Tarantino ou de um Kubrick? Divago.
Por esta altura a maioria dos cinéfilos que ainda não foram ver o Super 8 já saberão qual é a grande revelação do filme. Para os restantes, não serei eu a largar o spoiler (a ideia é verem o filme). Mas uma coisa posso revelar, super 8 é uma velhinha câmara de filmar de 8 mm. É a câmara que Charles (Riley Griffiths) utiliza para realizar o seu filme de zombies. Joel (Joe Lamb) está a cargo da maquilhagem e de outros aspectos técnicos como os adereços e a completar a equipa estão Cary (Ryan Lee), Martin (Gabriel Basso) e Preston (Zach Mills). Eles estão ali para ajudar Charles, cuja compulsão para terminar o filme é tão grande que chega colocar em causa a sua amizade. É a alínea do argumento que compreende qualquer coisa como lições sobre a amizade e as nossas prioridades na vida e coisas do género.
Alice Dainard (Elle Fanning) junta-se a este gangue de outsiders para desempenhar o único papel feminino da película caseira e revela um talento natural como actriz além de constituir um primeiro amor perfeito para Joel. Mas Super 8 não é sobre o filme de zombies nem sobre as aventuras do grupo de amigos. A meio da rodagem do filme, o de zombies entenda-se, acontece um terrível acidente ferroviário que é capturado pela super 8. Assustados com a possibilidade de ser apanhados pelos pais por terem saído de casa para rodar o filme, os amigos juram guardar segredo sobre o que viram naquela noite. Ah, a inocência da juventude... A seguir, surge toda uma série de desenvolvimentos habituais, rebeldia adolescente, conspirações governamentais, pais ausentes... E no entanto, resulta. Hey, já estou por tudo. Felizmente, o argumento é credível. Um pouco absurdo e ao mesmo tempo, se fosse possível acho que seria assim que as coisas se iriam passar.
Há uma prestação maravilhosa de Elle Fanning que logo no início do filme entra na personagem de Alice e deixa a todos, (equipa de filmagens e audiência) de boca aberta. Mas desaparece convenientemente para Joel se tornar um cavaleiro andante. É pena o talento de Alice não ser explorado: ela deseja tornar-se actriz? a representação é uma forma de escape da sua relação tumultuosa com o pai? Truque de argumento dispensável. Não vão pôr o docinho à frente do nosso nariz para depois o fazer desaparecer por artes mágicas... Quanto a Joe Lamb é a encarnação do perfeito actor adolescente Spieberguiano. Prevejo boas coisas no seu futuro. Super 8 não é um filme de Spielberg. J.J. Abrams tenta lá chegar mas não passa de uma cópia (bem conseguida, não se deixem enganar). Super 8 é uma obra que se destaca pela sua ingenuidade e inocência. É um bom filme de Verão e traz um sentimento de nostálgia para quem foi criança ou adolescente durante os anos dos grandes filmes de aventura. Felizmente, não há nenhum super herói mascarado à vista e para variar não são só os adultos que se divertem. Super 8 é um feel good movie sendo ironicamente original no meio dos filmes de Verão deste ano. Quatro estrelas.


Realização: J.J. Abrams
Argumento: J.J. Abrams
Elenco:
Joe Lamb como Joel Courtney
Riley Griffiths como Charles
Elle Fanning como Alice Dainard
Kyle Chandler como Jackson Lamb


Próximo Filme: "The Matrimony" (Xin zhong you qui, 2007)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Resultados da votação #5

And the Winner is... Creepy girl! Pois é, a quinta votação incidia sobre o vosso personagem mais temido no mundo do cinema e anuncio, sem surpresa alguma, que ganhou uma morta oriunda do J-horror. Em primeiro lugar, com 50% dos votos (2 votos), ficou a rapariga de longos cabelos negros, em segundo lugar houve um empate com canibais e serial killers a recolherem, cada um, 1 voto (25%). Não deixem de votar e manifestar as vossas preferências. Como habitual, na sidebar à direita há nova votação.

domingo, 21 de agosto de 2011

"The Host" (Gwoemul, 2006)

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Às vezes só apetece ver um filme de monstros grande, feio e furioso. Um filme que não envolva muito esforço intelectual. Algo, que entretenha durante hora e meia, duas horas e que passado uns minutos já tenha desaparecido completamente das nossas mentes. Joon-ho Bong, realizador do thriller de sucesso “Memories of Murder (2003), decide mudar de registo com um filme de monstros que teve um sucesso monstruoso: “The Host” é o filme mais visto de sempre nos cinemas sul-coreanos.
Esta película vem na linha de um “Godzilla” (1998), com a espécie humana, mais uma vez, a assumir as culpas sobre os males que atrai sobre si própria. Neste caso, a criatura não resulta de mutações geradas por uma bomba atómica mas algo mais familiar, descargas ilegais de resíduos tóxicos no rio Han, que atravessa Seul. Se é verdade que “Godzilla” é um produto grande e grosseiro, “The Host” nada tem de incompetente. Seguindo a mesma premissa do filme anterior, “The Host” sucede onde o outro falhou: juntar com sucesso comédia, thriller dramático e sátira social. Também se contém e resiste à apresentação de soluções simples, dignas de uma sessão da tarde com direito a pipocas. Infelizmente, não está isento de problemas. Já vimos que é a humanidade que comete um erro de proporções épicas mas estamos a falar, exactamente, de quem? Ora de quem mais? E.U.A. Quando se fala nesta nação só podem resultar dois enredos, ambos extremos. Ou temos um enredo direccionado para o ultra-nacionalismo fundamentalista patriótico ou para a demonização do gigante com um forte complexo de superioridade. O papel dos coreanos no meio disto tudo é a anuência, impotência e até burrice. Não será o retrato mais atraente do sistema social e político da Coreia do Sul mas diz que é uma sátira. Isto aborrece-me porque é demasiado fácil atribuir culpas aos americanos. Quando, a meio do filme, é necessário encontrar um vilão, em paralelo com o óbvio monstro, ainda que por breves instantes, o escolhido é um americano. Admito que a meio do filme também são explorados os actos heróicos de um americano mas estes em nada diluem os efeitos dos erros dos seus compatriotas.
Mas já me alonguei em considerações que se afastam da essência de “The Host”, que é tão-somente um filme sobre uma besta que destrói tudo quanto se atravessa no seu caminho. Quando se cria uma aberração esta é normalmente destituída de moral e no reino animal por muito que não se consiga perceber exactamente o que ela é, o seu instinto é bem familiar: sai do seu covil para se alimentar! A moralidade só existe na família Park, um avô e o seu filho que são donos de um roulote de venda de comida nas margens do rio, a neta estudante e os seus tios, um universitário desempregado e uma arqueira medalhada. Quando o monstro emerge das águas e leva a menina, a família que nem sempre concorda, une-se para a salvar. Com o monstro surge também outro vilão: todo o sistema que não acredita que Hyun-seo esteja viva e que os apelos de seu pai Gang-du, interpretado magistralmente por Kang-ho Song, não passam de delírios de um homem com um atraso mental. É irónico que um sistema cuja existência se deve à necessidade de protecção da população seja aquele que impede que isto mesmo suceda. É também assustador se pensarmos nisso.
Além do pânico gerado pelo surgimento da besta cria-se também desinformação e o rumor da existência de um vírus que afecta todos aqueles que entraram em contacto com o monstro. Isto serve de fundo para interesses tais como a utilização de armas biológicas e a lógica oposição da população, um pouco como a situação actual em Fukushima face ao nuclear, se preferirem. Dizia eu que no meio de todas estas questões políticas, temos desempenhos fortes, sobretudo de Kang-ho Song que faz de homem com uma óbvia debilidade mental, de Hie-bong Byeon que desempenha o papel de avô de Hyun-seo (Ah-sung Ko) e dela própria. Também o monstro está bem conseguido embora, com a certeza de que o que estava a ver era totalmente criado por computador. Senti a falta de um aspecto um pouco mais orgânico do monstro mas, nesta questão, confesso que estou a ser picuinhas. As cenas de Hyun-seo no covil do monstro são muito boas, em tensão e desconforto, cria-se aquela atmosfera atemorizante desejada. “The Host” não é só bom, é um manual de como os bons filmes de monstros deviam ser feitos. Só vos faço UM pedido, NÃO vejam a versão dobrada em inglês! Quatro estrelas.


  
PS: Não estavam com certeza à espera que pusesse aqui imagens do monstro pois não?

Realização: Joon-ho Bong
Argumento: Joon-ho Bong, Won-jun Ha e Chul-hyun Baek
Elenco:
Kang-ho Song como Gang-du Park
Hie-bong Byeon como Hie-bong Park
Hae-il Park como Nam-il Park
Doona Bae como Nam-joo Park
Ah-Sung Ko como Hyun-seo Park

Próximo Filme: "Super 8", 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"Good Will Evil" (Xiong Mei, 2009)

Sabem aqueles filmes que quando acabam de ver não têm reacção? É do género: "ah, já acabou?" "Good Will Evil" é assim. Começou bem mas lá para o final quase que tive de me beliscar para ver se sentia algo. Aliás, comecei esta apreciação sem saber o que vos dizer. É que é assim indiferente estão a ver? Não amo este filme mas também não me provoca emoções negativas por aí além. "Good Will Evil" é uma película de 2009 com Terri Kwan que temos oportunidade de (re)ver desde "The Heirloom". Terri interpreta Yi-hsi, mulher de Wen Cheng (Leon Dai), um político local que para bem da sua carreira política decide adoptar uma criança. Dá-lhe aquele ar de homem do povo estão a ver? Ah e também para fazer companhia à sua mulher que passa tanto tempo sozinha enquanto ele "trabalha" que corre o risco de criar macaquinhos no sotão. A criança escolhida é Tien (Cindy Chi Hsin-Ling), a primeira criança que se lhes esbarra no caminho. Literalmente. Como isto de escolher logo à primeira nunca dá bom resultado, Yi-hsi põe em causa a sua decisão logo que começam a aparecer bonecas desmembradas e a menina resiste aos seus mimos. Até aqui nada de muito diferente, até bem parecido com o filme "Acácia", embora o novelo se desenrole de maneira muito diferente. Agora a sério, o que é que se passa com os asiáticos e os novelos de lã vermelhos?
Durante bastante tempo interrogamo-nos sobre a mensagem que nos estão a transmitir: será que Tien é a semente do demónio, será que ela tem uma boneca assassina ou é um espírito que a acompanha. A resposta, seja ela qual for, será sempre insatisfatória. "Good Will Evil" caminha a passos lentos mas precisos na construção de um grande clímax e quando este chega é tudo menos climático. Os personagens também não são likeable. Terri interpreta uma personagem vulnerável e até um pouco parvinha num intenso conflito em torno da maternidade e do seu próprio passado. Se consegue transmitir o conflito interno de Yi-hsi, também é verdade que a sua subserviência e ausência de reacção às tiradas do marido são irritantes. Já Wen Chen é egoísta, vicioso e todos os aqueles adjectivos que uma mulher nunca gostaria de atribuir ao seu marido. Será que foi o primeiro homem que lhe apareceu à frente? De qualquer modo, se a ideia do argumento era que a audiência criasse uma imagem tão má de Wen Chen os meus parabéns, conseguiram. Não tenho grande coisa a dizer de Tien a não ser que ela é adorável. (Aparte: ai como lhe apertava as bochechinhas mimosas!) Já a quantidade de falas que ela tem não é gigante para que pudesse fazer um estudo do desenvolvimento da personagem. Mas admito que ela puxa as lágrimas com facilidade.
A ínicio adorei o pormenor da música "Twinkle Twinkle Little Star" em versão desconcertante. Com o tempo a repetição perde o efeito. Também o contexto do seu surgimento podia ter sido melhor explorado. A dupla de realização Yu-fen Lin e Ming-chan Wang podia ter dado lugar a algo de único ou de extraordinário em "Good Will Evil" só que foi apenas uma oportunidade perdida. Na película nada existe de memorável. E acredito que daqui a umas semanas não me irei recordar deste filme. Forgettable to say the least. Uma estrela e meia.


Realização: Yu-fen Lin e Ming-chan Wang
Argumento: Jin Han
Elenco:
Terri Kwan como Yi-Hsi
Cindy Chi Hsin-Ling como Tien
Tammy Chen como Chung Li-hsin
Leon Dai como Tseng Wen-cheng
Lu Yi Ching como mãe de Chung Li-hsin 

Próximo Filme: "The Host" (Gwoemul, 2006)

domingo, 14 de agosto de 2011

"Nightmare Detective 2" (Akumu tantei 2, 2008)

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Podia fazer uma piadola vulgar com a sugestão deste "Nightmare Detective" poder entrar nos meus sonhos sempre que lhe apetecer mas vou seguir a via do politicamente correcto. O detective é Kyoichi Kagenuma, interpretado por Ryûhei Matsuda, vulgo pretty boy japonês. "Nightmare Detective 2", como decerto já terão compreendido, é uma sequela do título com o mesmo nome de 2006 e igualmente dirigido por Shinya Tsukamoto. É lá que conhecemos Kyoichi Kagenuma, um vagabundo com a habilidade espantosa de ler pensamentos e penetrar em sonhos alheios. O que pode ser muito engraçado visto de fora é uma maldição para Kyoichi. Porque esta capacidade digna de um super-herói acaba por ser uma sentença para a vida. Temos pois, um herói relutante. Esta sequela centra-se menos no que ele pode fazer pelos outros e mais nos seus próprios demónios internos. Um Kyoichi atormentado por fantasmas do passado é incomodado com os pesadelos de Yukie (Yui Miura), que de colegial inocente tem muito pouco. Uma partida cruel praticada em conluio com outras duas colegas assusta a frágil Yuko Kikugawa (Hanae Kan). Esta exerce a sua vingança começando por surgir nos sonhos das suas atormentadoras. Quando os sonhos começam a atravessar a fronteira para a realidade, Yukie recusa-se a adormecer...
A resposta natural de Kyoichi numa primeira abordagem é recusar ajuda a Yukie. Também, quem é que o ajuda a ele? Quem o salva dos seus próprios demónios? Mas, logo depois este "detective relutante", aceita a missão onde encontra um paralelismo com a sua própria vida. Shinya Tsukamoto opta por uma abordagem mais introspectiva que o habitual mistério de terror com resultados igualmente eficazes. As sequências de sonho são perturbadoras e uma, em particular, é uma longa sequência de um suspense tremendo. Se bem que Kyoichi é um herói hesitante, não consigo deixar de pensar que a sua inacção inicial é negligente. O conceito deste filme, tirando a busca pessoal do detective, acaba por ser muito barulho por nada. Se Yukie e as suas amigas têm tomado a atitude correcta o quanto antes, muita desgraça seria evitada.
A cinematografia não é nada que não se tenha visto antes. A câmara, propriamente dita, oferece-nos muita vez, uma perspectiva na primeira pessoa, inconstante como um ser humano pode ser. Às vezes, chega mesmo a ser estonteante o rodar 180º para a esquerda, para a direita, para cima e para baixo, como se estivessemos todos dentro de um navio, prontos para vomitar as tripas. Contudo, serve os propósitos da narrativa. "Nightmare Detective 2" é talvez um quarto de hora mais longo do que deveria mas não deixa de ter umas ideias interessantes, uma história, na generalidade, bem conseguida e actuações competentes. "Nightmare", tem muito por onde explorar e daria, à vontade, para uma série detectivesca. Duas estrelas e meia.

Realização: Shinya Tsukamoto
Argumento: Shinya Tsukamoto e Hisakatsu Kuroki
Elenco:
Ryûhei Matsuda como Kyoichi Kagenuma
Yui Miura como Yukie Mashiro
Hanae Kan como Yuko Kikugawa
Wako Andô como Mutsumi
Miwako Ichikawa como Itsuko Kagenuma

Próximo Filme: "Good Will Evil" (Xiong Mei, 2009)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"World of Silence" (Joyong-han saesang, 2006)

Se gostam de thrillers detectivescos com twists, então tomem atenção que tenho aqui algo especial para vós. Dirigido por Eui-seok Jo, "World of Silence" é um mistério à volta de meninas que começam a aparecer assassinadas, em circunstâncias muito estranhas. Elas são todas encontradas a envergar roupas estranhas e  a ostentar um ar pacífico como se tivessem tido o melhor tempo do mundo antes da morte... Agora, se o foco é a investigação policial? É e não é. Por muito interessantes que sejam os filmes em torno da investigação de um homicídio, às vezes falta-lhes um pouco de humanidade. É aí que "World of Silence" ganha pontos. Chamem-lhe thriller com alma se quiserem.
Temos um Detective Kim (Yong-woo Park), homem que já viu de tudo e cuja visão da lei é tudo menos a preto e branco. Até se dá ao "trabalho" de deixar fugir pequenos criminosos pelo gozo de os perseguir mais tarde. Não o entendam mal, Kim está bem resolvido. Apesar de o trabalho na força policial lhe consumir praticamente a vida toda, ele destrinça os pequenos delitos do grande crime. Mais resoluto e profissional do que Kim na caça de assassinos de crianças não haverá. Em paralelo temos um Jung-ho Ryu (Sang-kyung Kim), fotógrafo introvertido que adquire a custódia de Su Yeon (Bo-bae Han), uma menina do mesmo orfanato de onde as vítimas eram oriundas. Jung-ho é retratado como um homem misterioso e protector de uma vida, intencionalmente solitária para quem Su Yeon será somente um fardo. Além disso, Jung-ho possui umas capacidades brilhantes de dedução quase mediónicas até que apenas Su-Yeon começa a compreender. Assim se explica a paciência da criança perante a frieza e distanciamento de Jung-ho. Ou talvez seja apenas a forte carência afectiva de quem se encontra só no mundo. Jung-ho tam ainda o dom de se encontrar com o detective Kim nas circunstâncias mais suspeitas. Será ele o assassino? Será que ele alberga a sua própria vítima?
Kim encontra-se numa corrida contra o tempo para impedir que mais crianças sejam assassinadas e Jung-ho torna-se um suspeito natural. Ora, quando poderíamos pensar na criação de um duelo o argumento troca-nos as voltas. Valha-nos a imprevisíbilidade do enredo e o investimento nas personagens que a longo prazo se torna recompensador. Outro pormenor interessante é o assassino. Sem desvendar a sua identidade, a câmara foca as luvas de veludo a manusear bonecas e outros objectos. Mesmo sem o vermos ele está presente em cada passo da história como uma ameaça intangível ao longo de toda a narrativa. Mas a maior surpresa nem é a identidade do assassino, revelada no final da história, é mesmo o que dá o título ao filme. É digno de darmos uma palmada na cabeça e dizermos "Como é que eu não percebi isto?"
"World of Silence" é uma obra bem escrita, realizada e desempenhada que peca pelo rítmo lento e por uma cinematografia sem sabor. Diria mesmo que "não aquece nem arrefece". Podia ser pior. Claro. E melhor? Também. Mas satisfaz? Sim. A minha curiosidade mórbida foi plenamente satisfeita. Três estrelas e meia.

Realização: Eui-seok Jo
Argumento: Jin Han
Elenco:
Sang-kyung Kim como Jung-ho Ryu
Yong-woo Park como Detective Kim
Bo-bae Han como Su-Yeon

Próximo Filme: "Nightmare Detective 2" (Akumu tantei 2, 2008)

domingo, 7 de agosto de 2011

"14 Blades" (Jin yi wei, 2010)


Enquanto via "14 Blades" só me ocorria o seguinte pensamento: "ai senhores quanta destruição! Havia lá necessidade de partirem o mobiliário todo?" "14 Blades" é um filme de artes marciais disfarçado de épico que se passa na China durante a Dinastia Ming. Jin yi wei é um grupo de assassinos a quem foram desde crianças ensinadas técnicas mortais para defender o imperador! Qinglong (Donnie Yen) é o líder deste grupo de elite e o mais forte dos lutadores o que lhe vale a posse da caixa das catorze lâminas, especializadas na morte, tortura e quando a missão falha o suícidio.

Qinglong é chamado a cumprir uma missão e acaba por ser traído e acusado de alta traição. Qinglong não se deterá a nada para trazer a lume a conspiração e destruir os seus autores. E temos filme wu xia (herói que segue um código de honra muito próprio, protege os fracos e os oprimidos e combate a corrupção!). Só lhes digo que se meteram com o tipo errado, quanto a vós não sei mas traír o melhor assassino que existe não me parece uma ideia muito inteligente. Mas e daí não teríamos as belíssimas cenas de luta que um estóico Donnie Yen nos proporciona e que constituem o melhor do filme. Além da coreografia foram utilizados efeitos gerados por computador e, por vezes, em exagero, cenas à lá "Crouching Tiger, Hidden Dragon" (Wo hu cang long, 2000). Não se vêm os actores a voar por cima das árvores nem a caminhar sobre a água mas quase. Não fiquei muito impressionada com a utilização dos efeitos especiais, sobretudo em torno da malévola Tuo Tuo (Kate Tsui) a filha adoptiva do Príncipe Qing (Sammo Hung Kam-Bo) que é um dos conspiradores. Se as ideias são boas não posso dizer que a concretização esteja óptima. Os efeitos são brevemente engraçados mas depois torna-se demasiado óbvia a utilização do computador. Um efeito mais orgânico seria, digo eu, mais agradável à vista. Ainda outra nota sobre Tuo Tuo: não é que a vilã tem rastas? E a sua arma de eleição tem o sibilar de uma cobra. Estes pormenores, a somar ao guarda-roupa e à maquilhagem tornam Tuo Tuo que nem aparece assim tanto no filme tirando os instantes finais a personagem mais inesquecível. As armas utilizadas também são interessantes com a caixa das catorze lâminas a ser uma verdadeira caixinha de surpresas. Não percebo grande coisa de história bélica mas as lâminas XPTO e ainda o uso de bestas duplas e triplas e de espadas boomerang estão algo de incrível.

Da actuações não se pode dizer grande coisa pois que não existe grande argumento. Qinglong é o tipo de herói trágico calado que como viremos a saber tem um passado que o afecta bastante mas, tirando isso, há pouco ou nenhum desenvolvimento dos personagens. Apenas Qiao Hua (Zhao Wei) uma jovem que Qinglong encontra no caminho tem direito a uma backstory decente. É que Qiao Hua tem um noivo que a traí mas é suposto ela casar-se então, vive o dilema entre aceitar as convenções da sociedade da época ou permanecer livre para encontrar o amor verdadeiro. E quando Qinglong surge... Bem, estão a ver o filme. "14 Blades" é um thriller sem grande originalidade mas é também uma grande história de amor, épica estão a ver? No meio ainda se metem bandidos, príncipes, conselheiros traidores e uma vilã que apesar de não dizer mais do cinco frases seguidas é fascinante. "14 Blades" é um épico imperfeito, não na dimensão mas numa história simplória, nos efeitos especiais pouco concretizados, ritmo lento e música esquecível. Não consigo ultrapassar os anacronismos num filme de época e muito menos a péssima edição que penaliza bastante a continuidade. Apesar destes defeitos o valor de entretenimento compensa largamente a sua visualização. Duas estrelas e meia.

Realização: Daniel Lee
Argumento: Daniel Lee, Kwong Man Wai, Tin Shu Mak e Ho Leung Lau
Elenco:
Donnie Yen como Qinglong
Zhao Wei como Qiao Hua
Chun Wu como Judge
Kate Tsui como Tuo Tuo
Yuwu Qi como Xuan wu
Sammo Hung Kam-Bo como Príncipe Qing

Próximo Filme: "World of Silence" (Joyong-han saesang, 2006)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Resultados da Votação #4

1.º "Kung Fu Panda 2" (Quatro estrelas) - 2 votos, 50%
2.º Three...Extremes - Cut (Três estrelas) - 1 voto, 25%
3.º My Ex (Meia Estrela) -  1 voto, 25%

Bem me parecia que o Panda do Kung Fu não agradava apenas a miúdos. Este mês, a votação da vossa crítica favorita recaíu, pela primeira vez, sobre uma produção não asiática. A partir de agora têm novo desafio: digam quais os personagens do cinema que vos metem mais medo! Fantasmas? Zombies? Serial Killers? Meninas de longos cabelos negros? Têm estes e muitos mais, têm até dia 15!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

"4bia" aka "Phobia" (สี่แพร่ง ou See Phrang, 2008)



Seis anos depois de "Three" (2002) um esforço colectivo internacional que nos apresentou três das melhores curtas-metragens que o cinema de terror já viu, chega-nos a resposta tailandesa. "4bia" é uma antologia de quatro filmes de terror realizada pelos autores de "Shutter" (2004), "Alone" (2007) e de Body #19 (2007). Não podia ter ficado mais satisfeita com a vossa escolha na votação do ínicio do mês de Julho. Não conhecia quaisquer dos filmes sugeridos pelo que a descoberta de "4bia" foi uma novidade para mim tal como será para vocês.


As curtas:
"Happiness" [título tailandês - "Loneliness" (Ngao)]
Uma jovem está condenada a pasar os dias em casa a recuperar da perna partida num acidente de táxi. Com amigos e família fora, o seu único modo de comunicar com o mundo é o telemóvel. Na sua solidão Pin começa a receber mensagens de um estranho que a deseja conhecer. A sua hesitação inicial é ultrapassada à medida que o aborrecimento toma conta dela. Com o passar dos dias, o estranho simpático começa a mandar mensagens cada vez mais perturbadoras e Pin assusta-se quando ele lhe diz que vai passar lá por casa...

"Tit for Tat" [título tailandês - "Deadly Charm" (Yan Sang Tai)]
Apanhados com erva pelo director da escola e face à possibilidade de expulsão, um grupo de jovens descarrega a toda a sua raiva no jovem delator Ngit. Depois de um último espancamento brutal, Ngit implora que o deixem ir em paz mas a barbárie não pára. Um dia, um Ngit alterado encontra os autores do seu sofrimento e decide lançar-lhes uma maldição...

"In The Middle" (Kon Klang)
Quatro jovens numa tenda contam histórias para se assustarem. No meio da brincadeira, Aye diz aos amigos que se ele morresse, o primeiro a quem iria assombrar seria a pessoa do meio. Eles riem-se e não o levam a sério. No dia seguinte, o barco onde faziam rafting vira-se e Aye desaparece no meio dos rápidos. Desesperados, os seus amigos procuram-no por toda a parte mas não o encontram. Nessa mesma noite um gelado Aye aparece na sua tenda mas aparenta estar diferente. Cedo os seus amigos percebem que algo não está bem e viram-se para Ter, era ele que na última noite tinha dormido no meio...


"The Last Flight" [título tailandês - Flight 244 (Teaw Bin 244)]
Uma hospedeira é obrigada a fazer parte da tripulação no voo 244, no qual segue a princesa Sophia do Kurquistão. Esta assedia-a e maltrata-a durante todo o voo até que finalmente se sente indisposta. A princesa acaba por morrer e a hospedeira Pim é obrigada a seguir no próximo voo e assegurar que nada acontece ao corpo...


Sobre os filmes:
"4bia" começa logo bem com o genérico. Marca posição e ali ficamos a saber que o que vamos ver é terror. A primeira curta é de Youngyooth Thongkonthun, mais conhecido pelas comédias e o underdog do colectivo, quanto ao género de terror. Mas abre as hostilidades e de que maneira, com uma actuação solitária, brilhante de Maneerat Kham-uan (Pin) e um crescendo de terror que culmina num grande susto digno de sujar a roupa interior. Pin surge na maioria das cenas bored to death, a lutar contra a solidão com a ajuda do telemóvel e a ceder às suas reacções. Na verdade, age como qualquer rapariga na vida real. Sentimos a sua ansiedade pela próxima mensagem, o gosto pelo flirt e a perturbação com o sentimento de invasão de privacidade que admitamos, numa altura ou outra já sentimos. Acresce o facto de nos sentirmos tão presos como Pin no seu apartamento e temos filme. "Happiness" é subtil, gradual e não cansa. Perfeito para uma curta. "Tit for Tat" é o oposto da primeira. É sempre a abrir, frenético no género de terror in your face. Não será a curta mais original das quatro pelas semelhanças com "Final Destination" (2000) mas cumpre em 25 minutos. É também o segmento com mais gore e mais distintivo. A edição, as cores gritantes, o constante jogar de ângulos contrastam com a "monotonia" da antologia. Só os efeitos especiais me parecem um pouco exagerados e enfiados à pressa o que, em última análise, não afecta por aí além o produto final. Para quem prefere um ritmo mais acelerado, verão em "Tit for Tat", um doce. "In The Middle", está lá no meio, literalmente, mas é tudo menos mediano. Com um mix de comédia e de horror que funcionam muito bem, Banjong Pisanthanakun apresenta-nos quatro rapazes que ao fim de cinco minutos conseguimos distinguir claramente. Temos aqui personagens com mais personalidade do que muitas longas-metragens conseguem alcançar. De todas as curtas, "In The Middle" é o que melhor imagino como filme de longa duração. O timing cómico está óptimo, a representação está boa, a interacção entre os personagens muito bem conseguida e as referências a diversos filmes, como Shutter demonstram uma boa dose de humor e a capacidade de Banjong de brincar com o seu próprio trabalho. É refrescante e, na minha humilde opinião, a curta mais bem conseguida das três. Quanto a "The Last Flight", digamos que a história não será a coisa mais imprevisível que já se viu mas agarra-nos de tal forma que queremos, de qualquer modo, chegar ao fim. A hospedeira Pim (sem desmerecer as suas capacidades de representação), é um show de beleza e as suas interacções com a princesa Sophia são as melhores do filme. A troca de olhares gélidos e violência de sentimentos latente, por breves que sejam, é sublime. "The Last Flight" é um final digno desta antologia de terror. "4bia" é refrescante e não comparável a "Three" (2002) e a sua sequela. Semelhanças só no conceito, em termos de terror não podiam estar mais distantes. "4bia" nada tem da terrível sugestão perturbadora de "Dumplings" ou do surrealismo de "Box". E há uma subtil ligação entre as curtas-metragens, que dão a sensação de não estarmos a ver quatro filmes totalmente diferentes. Pontos para quem conseguir juntar o puzzle ou, se preferirem e não conseguirem encontrar as pistas no filme, a seguir à ficha técnica podem encontrar um spoiler*. Não há nenhuma dúvida por estes lados. "4bia" é uma obra boa e coesa e por isso merece quatro estrelas e meia.
Curta #1: "Happiness"
Realização: Youngyooth Thongkonthun
Argumento: Youngyooth Thongkonthun
Elenco:
Maneerat Kham-uan como Pin
Wirot Ngaoumphanphaitoon como Ton

Curta #2: "Tit for Tat"
Realização: Paween Purikitpanya
Argumento: Paween Purikitpanya,Vanridee Pongsittisak, Amornthep Sukumanont e Eakasit Thairaat
Elenco:
Apinya Sakuljaroensuk como Pink
Nattapol Pohphay como Ngit
Witawat Singlampong como Diaw
Chon Wachananon como Yo
Shindanai Kanoksrithaworn como Ball
Nottapon Boonprakob como Toot
Teerapon Panyayuttakarn como Ace

Curta #3: "In The Middle"
Realização: Banjong Pisanthanakun
Argumento: Banjong Pisanthanakun
Elenco:
Nattapong Chartpong como Ter
Kantapat Permpoonpatcharasuk como Aey
Pongsatorn Jongwilat como Phueak
Wiwat Kongrasri como Shin

Curta #4: "The Last Flight"
Realização: Parkpoom Wongpoon
Argumento: Parkpoom Wongpoon e Sopon Sukdapisit
Elenco:
Laila Boonyasak como Pim
Nada Lesongan como Princesa Sophia
Plai Paramej como Capitão

Próximo Filme: "14 Blades" (Jin yi wei, 2010)

PS: Se gostaram deste filme, terão uma agradável surpresa no final do mês.

Spoiler*

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