quinta-feira, 14 de março de 2013

"Clash" (Bay Rong, 2009)



Caso não saibam o Vietname é uma das pérolas perdidas do oriente. Em mais sentidos do que um. Ainda muitos anos virão antes que este país não seja sinónimo de guerra e de uma muito mal sucedida invasão americana. Mas começa a dar passos importantes, nomeadamente na 7ª Arte, cujos esforços começam a ser reconhecidos como a nova vaga do cinema vietnamita. Ultimamente começam a surgir grandes épicos, enquanto os filmes de artes marciais se vão tornando cada vez mais sofisticados. Ainda não chegaram ao absurdo de Hong Kong que quase já não sabe coreografar sem recurso ao arame e ao ecrã verde. Aqui a acção é bruta e crua. Um dos grandes impulsionadores do género é Johnny Tri Nguyen, duplo, actor, sex symbol e especialista em diversos estilos de artes marciais como o vovinam e lien feng kwon. A acompanhá-lo em “Clash” está a belíssima Veronica Ngo que ostenta um ar de anjo ferido que a torna uma Phoenix (Trinh) perfeita.
Trinh é ameaçada por Dragão Negro (Hoang Phuc Nguyen), o mestre do crime que a retirou do mundo da prostituição infantil para a transformar na assassina perfeita. Isto é, até ela ter uma filha e desejar abandonar o ciclo de morte e destruição. Ele "convida-a" a realizar um último trabalho. Se o cumprir terá a tão desejada liberdade e a filha de volta. O objectivo é resgatar um portátil com informação importante. Não que isso conte muito para a estória, o que interessa são as diversas oportunidades de confronto entre a equipa de mercenários montada pela Phoenix e os vilões que constituem, invariavelmente, estrangeiros tais como franceses e chineses. A maior parte dos actores safa-se nas cenas de luta, a pontaria é que continua um desastre. É preciso fazer várias centenas de disparos até se acertar em alguém? Onde eles foram buscar armas com capacidade para tal carregamento é que gostaria mesmo de saber. Ah e as típicas cenas de confronto a três metros de distância em que sofás e cadeiras continuam a ser bons objectos de protecção contra projécteis...  Melhor mesmo só quando os vilões partem garrafas na cabeça da rapariga e ela nem pestaneja porque ela é assim tão boa. Bem, ninguém disse que “Clash” era perfeito, nem que o desfecho não se visse a milhas mas é divertido. E dá para perceber que os cineastas viram filmes de Hollywood e de Hong Kong, que depois “poliram” e caracterizaram com motivos vietnamitas. A cena entre a Phoenix e Quan (Nguyen) é tão “True Lies” (1994) que dói. Claro que há cenas universais como a boazona a fazer golpes de um qualquer estilo de luta que não sabemos qual é, nem queremos saber porque ela tem um decote que mostra uma parte generosa de pele. Também não se pode acusar os senhores de não saber o que estão a fazer.
O problema é que as cenas entre as lutas não são suficientemente ricas para suster a atenção. Veronica Ngo é boa o suficiente mas o vilão é tão ridiculamente mau e exagerado que as cenas entre os dois nunca ganham a seriedade dramática para dizer que “Clash” é um filme de artes marciais com densidade. O inevitável romance também não tem sumo para pôr a audiência a fazer mais do que suspirar pelo facto de se ter criado um dos casais mais estupidamente atraentes de sempre. Já era hora de um juntarem um homem maravilhoso a uma feia. Já era hora de a mulher mais bonita do escritório se apaixonar pelo careca gordo. Mas não, é impossível. Tudo, desde as relações ao cenário deve ser artificialmente bonito: a Phoenix deve perder tempo para colocar sombra para criar aquele efeito esfumado no olhar e o Quan deve aproveitar a primeira oportunidade para abrir a camisa e nos fazer contar os seus abdominais firmes e rijos. O único aspecto não fabricado de “Clash” consiste no cenário selvagem e virginal vietnamita. Se há coisa que me deixa furiosa é o facto de os artistas terem matéria-prima rica e não a saberem aproveitar, “Clash” deixou a vontade de os ver desbravar mais território, de ir mais além. Os actores não são nulidades, os cenários são maravilhosos e há ali pequenos apontamentos, nomeadamente, naqueles momentos em que a história dos personagens se cruza com a história simultaneamente rica e trágica do país. Isso e as artes marciais mistas. Duas estrelas.

Realização: Le Thanh Son
Argumento: Johnny Nguyen e Le Thanh Son
Thanh Van Ngo (Veronica Ngo) como Trinh/Phoeniz
Johnny Nguyen  como Quan
Hoang Phuc Nguyen como Hac Long
Lam Minh Thang como Cang
Hieu Hien como Phong
Truong The Vinh como Tuan


Próximo Filme: “Mad Detective” (San Taam, 2007)

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