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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"World of Silence" (Joyong-han saesang, 2006)

Se gostam de thrillers detectivescos com twists, então tomem atenção que tenho aqui algo especial para vós. Dirigido por Eui-seok Jo, "World of Silence" é um mistério à volta de meninas que começam a aparecer assassinadas, em circunstâncias muito estranhas. Elas são todas encontradas a envergar roupas estranhas e  a ostentar um ar pacífico como se tivessem tido o melhor tempo do mundo antes da morte... Agora, se o foco é a investigação policial? É e não é. Por muito interessantes que sejam os filmes em torno da investigação de um homicídio, às vezes falta-lhes um pouco de humanidade. É aí que "World of Silence" ganha pontos. Chamem-lhe thriller com alma se quiserem.
Temos um Detective Kim (Yong-woo Park), homem que já viu de tudo e cuja visão da lei é tudo menos a preto e branco. Até se dá ao "trabalho" de deixar fugir pequenos criminosos pelo gozo de os perseguir mais tarde. Não o entendam mal, Kim está bem resolvido. Apesar de o trabalho na força policial lhe consumir praticamente a vida toda, ele destrinça os pequenos delitos do grande crime. Mais resoluto e profissional do que Kim na caça de assassinos de crianças não haverá. Em paralelo temos um Jung-ho Ryu (Sang-kyung Kim), fotógrafo introvertido que adquire a custódia de Su Yeon (Bo-bae Han), uma menina do mesmo orfanato de onde as vítimas eram oriundas. Jung-ho é retratado como um homem misterioso e protector de uma vida, intencionalmente solitária para quem Su Yeon será somente um fardo. Além disso, Jung-ho possui umas capacidades brilhantes de dedução quase mediónicas até que apenas Su-Yeon começa a compreender. Assim se explica a paciência da criança perante a frieza e distanciamento de Jung-ho. Ou talvez seja apenas a forte carência afectiva de quem se encontra só no mundo. Jung-ho tam ainda o dom de se encontrar com o detective Kim nas circunstâncias mais suspeitas. Será ele o assassino? Será que ele alberga a sua própria vítima?
Kim encontra-se numa corrida contra o tempo para impedir que mais crianças sejam assassinadas e Jung-ho torna-se um suspeito natural. Ora, quando poderíamos pensar na criação de um duelo o argumento troca-nos as voltas. Valha-nos a imprevisíbilidade do enredo e o investimento nas personagens que a longo prazo se torna recompensador. Outro pormenor interessante é o assassino. Sem desvendar a sua identidade, a câmara foca as luvas de veludo a manusear bonecas e outros objectos. Mesmo sem o vermos ele está presente em cada passo da história como uma ameaça intangível ao longo de toda a narrativa. Mas a maior surpresa nem é a identidade do assassino, revelada no final da história, é mesmo o que dá o título ao filme. É digno de darmos uma palmada na cabeça e dizermos "Como é que eu não percebi isto?"
"World of Silence" é uma obra bem escrita, realizada e desempenhada que peca pelo rítmo lento e por uma cinematografia sem sabor. Diria mesmo que "não aquece nem arrefece". Podia ser pior. Claro. E melhor? Também. Mas satisfaz? Sim. A minha curiosidade mórbida foi plenamente satisfeita. Três estrelas e meia.

Realização: Eui-seok Jo
Argumento: Jin Han
Elenco:
Sang-kyung Kim como Jung-ho Ryu
Yong-woo Park como Detective Kim
Bo-bae Han como Su-Yeon

Próximo Filme: "Nightmare Detective 2" (Akumu tantei 2, 2008)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

"Cinderella", (Sin-de-re-lla, 2006)

Parem as trompetes. O que vão ver não é um filme da Disney. "Cinderella" nada tem da magia do original é antes uma brincadeira bem mais obscura do realizador Man-dae Bong. O motivo do título não é imediatamente perceptível, não há bichinhos cantantes, nem carruagens-abóbora e muito menos fadas-madrinhas. Ora, como dizia o ditado português: "uns são filhos, outros são enteados", deixo à vossa discrição se vêm o filme para compreender o significado da frase. Yoon-hee (Ji-won Do) é uma cirurgiã-plástica que passa a vida a corrigir os defeitos dos outros mas não olha para os seus. Vive no seu mundinho perfeito. Se bem que ele é tudo menos perfeito e um segredo terrível irá abalar a sua existência e a da sua filha Hyeon-su (Se-kyung Shin). Esta é uma rapariga fútil e mimada, a quem as amigas estão sempre a cravar consultas com a sua mãe Yoon-hee. Não sei se as cirurgias em miúdas de 16, 17 anos é comum na Coreia do Sul, mas espero que não. Ou pelo menos prefiro manter-me na minha ingenuidade. Numa cena, uma amiga de Hyeon-su decide que afinal uma cirurgia ao nariz é capaz de ser demais. Fica-se pelos olhos. Hã? Infelizmente, já não se pode fazer uma cirurgia sossegada e as amigas de Hyeon-su começam a testemunhar fenómenos sobrenaturais. Entretanto, Hyeon-su decide retomar o contacto com o pai, a quem não fala há bastantes anos. Que estranho segredo une estes eventos é a pergunta que se coloca.
Man-dae Bong explora, com alguma previsibilidade, o sobrenatural ao invés da história central que por si só já é bastante sombria. É uma pena. O conceito é engraçado e a metáfora da Cinderella está bem pensada. Para quê tomar a rota mais fácil? Os flashbacks vindos do nada também não funcionam. Apenas tornam o enredo confuso. Não são utilizados filtros de outra cor, nem sequer uma dream like quality, para fazer as transições de cena. Cabe ao espectador, adivinhar a ordem cronológica dos factos. Já o trailer é capaz de ser o argumento mais enganador no meio disto tudo. Ele faz "Cinderella" parecer mais assustadora do que na realidade é. Boa. Enganaram-me. As cenas com bons sustos não assim tantas e com os flashbacks pelo meio perdem o ímpeto. Tanto, que é necessário o empenhamento total da audiência no seguimento da narrativa para existir uma possibilidade de surgir um susto genuíno e não soar a um truque barato qualquer.
Os desempenhos na generalidade são ok. Ji-won Do no papel de mãe devota atormentada pelos seus próprios demónios não parece forçado. Será que a actriz é mãe? Quanto a Hyeon-su, está bem mas podia ter ido mais longe. Se fosse dislikeable a identificação com a história da Cinderella seria perfeita. Quanto às suas amiguinhas, não fazem ali nada. Estão para ali a ser miúdas mais ao menos parvas sem contribuírem grandemente para a história. Deve ser para dizer que a história não é só sobre Hyeon-su e a sua mãe.
Mas sempre é um filme de terror, como tal a cena das duas amigas no estúdio de arte é de arrepiar qualquer um. Enfim, "Cinderella" é uma boa ideia mas que à medida que avança vai-se degradando e acaba por se perder em pormenores escusados. Só não posso é armar-me em fada madrinha e agitar a minha varinha de condão, tornando Cinderella melhor do que é. Mais um filme de terror mais ou menos. É uma versão light de "Ringu" (1998) ou do "Ju-on" (2002). E para esse lugar já existem demasiados candidatos. Por se pôr na fila e não se querer tomar o lugar da frente "Cinderella" recebe duas estrelas em cinco.




Realização: Man-dae Bong
Argumento: Kwang-soo Son
Elenco:
Ji-won Do como Yoon-hee
Se-kyung Shin como Hyeon-su

Próximo Filme: "4bia" aka "Phobia" (สี่แพร่ง ou See Phrang, 2008)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Dorm" (Dek Hor, 2006)

 
Se viesse para aqui dizer-vos que "Dorm" é um filme de terror, estaria a ser redutora. Diria antes que é uma história dramática, tocante e assustadora em partes iguais. Pessoalmente, não me senti aterrorizada mas encontram-se aspectos perturbadores em pormenores que vão muito além do ranger de uma porta ou de uma sombra. "Dorm" é uma história feliz em pano de fundo dramático. Aos 12 anos, o jovem Ton Chatree (Charlie Trairat) é largado num colégio interno pelos seus pais, desejosos de uma educação exemplar que o conduza ao sucesso. Ton até há bem pouco tempo tinha a vida de uma rapaz normal: cama, comida, roupa lavada e a despreocupação que caracterizam a meninice. Quando os pais lhe anunciam esta mudança radical o seu mundo parece ruir. Não é para menos. O colégio é sinistro, a sua nova professora Pranee (Chintara Sukapatana) é muito rígida e os novos colegas parecem sentir o cheiro a "carne fresca", enchendo-lhe a cabeça de histórias de fantasmas. Ton ressente-se, refugia-se na solidão e revolta-se, em especial contra o seu pai, repetindo mentalmente, (como qualquer adolescente com o orgulho ferido), as suas ofensas. Mas a vida no colégio não é fácil, nem se avizinha que vá melhorar, até que um colega mais velho Wichien (Sirarath Jianthaworn) o toma debaixo da sua "asa" e lhe vai dando dicas sobre como (sobre)viver no colégio. Acontece que também Wichien esconde os seus próprios demónios.
Esta seria a altura em que a história iria assumir uma viragem para o absurdo e seríamos atacados por uma série de fantasmas de longos cabelos negros. No entanto, o argumento é mais ousado e adopta a via mais difícil. "Dorm" centra-se mais nas relações entre os personagens do que nos sustos fáceis e é a sua eficácia que permite conferir o ambiente pesado que (penso eu), os argumentistas ambicionavam. Em conjunto com  o seu amigo Wichien, Ton vai conhecer, pela primeira vez, a liberdade e descobrir que afinal o colégio não é tão castrador como pensava. A película é, acima de tudo, sobre as relações familiares, as dores do crescimento e a verdadeira amizade. Ton começa a sua viagem como uma criança e acaba um pequeno homem. Parece uma nova versão de "Stand by me" (1986). Passados todos estes anos, os rapazes de 12, 13 anos, são iguais a eles próprios, em qualquer parte do mundo. 
Contudo, e apesar destas surpresas agradáveis "Dorm" não está isento de erros de continuidade. Por exemplo, o cabelo de Ton ora está curto, ora está comprido, ora está curto de novo não seguindo o percurso cronológico da história. Um erro lamentável, tanto mais que no departamento dos efeitos especiais as coisas correm às mil maravilhas. O efeito conseguido, na cena da piscina é muito interessante. Além disso, o tom do filme, as cores, tudo parece conjugar-se perfeitamente para criar um efeito sinistro eficaz...   
Não tenho muito mais a acrescentar: o argumento é eficaz; as actuações são boas, aliás se fizeram uma pesquisa na Web verão que os actores principais ganharam prémios; a cinematografia é esplêndida e tem um bom rítmo, um acontecimento de cada vez, sem pressas para chegar à recompensa final. Só não aconselho a quem espera um filme de terror puro. O marketing do filme enfatiza bastante a questão do terror, quando de terror tem muito pouco. Nesse aspecto é capaz de desiludir alguns espectadores. Por outro lado, quem não aprecia histórias sobre o crescimento e prefere um rítmo mais intenso, também não ficará satisfeito. Assim, apresento umas cautelosas mas bem ponderadas três estrelas e meia.



Realização: Songyos "Yong" Sugmakanan
Argumento: Paiboon Damrongchaitham, Boosaba Daoreong e Visute Poolvoralaks II
Elenco:
Charlie Trairat como Ton Chatree
Sirarath Jianthaworn como Wichien
Chintara Sukapatana como Pranee
Suttipong Tudpitakkul como pai de Ton

Próximo Filme: "Whisper" (Bulong, 2011)
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