Realização: Peter Chan
Argumento: Peter Chan, Matt Chow, Jo Jo Yuet-chun Hui e Chao-Bin Su
Leon Lai como Yu
Eric Tseng como Wai
Eugenia Yuan como Hai'er
Ting-Fung Li como Cheung
Próximo Filme: Donnie Yen em Dose Dupla! "Ip Man" (Yip Man, 2008)
Pior do que um enredo óbvio só uma narrativa sem direcção. Daquelas que disparam em todas as direcções, a ver se uma cai nas boas graças da audiência. Estão apresentados a “The Wheel”. É a segunda curta-metragem da antologia "Three"e está a cargo de um Nonzee Nimibutr, que teve sucesso com o filme de terror “Nang Nak” (1999). “The Wheel” é um anacronismo, é a peça que não pertence. As outras curtas focam as relações entre os personagens e exploram o sentimento de perda enquanto "The Wheel" é sobre a maldição de uma marioneta... Tem um feel muito diferente das outras curtas-metragens e deita por terra qualquer tipo de transição suave entre as obras de “Three”. Comparativamente, é um trabalho de amadores. “The Wheel” passa-se numa pequena aldeia onde falece um velho mestre criador de marionetas. Diz-nos a narração inicial que as marionetas estão imbuídas com o espírito do seu criador. Este é o único que se pode apropriar delas. Quem quebrar esta regra incorre numa grande maldição. Como é óbvio, há sempre um parvo com a mania que é esperto e ignora o bom senso, sofrendo, por isso, as consequências.
Contra todos os avisos e conselhos de trabalhadores e família, o mestre Tong (Pongsanart Vinsiri) recusa-se a acreditar na existência de uma maldição e em separar-se dos valiosos bonecos. Guiado pela ganância, Tong vê as marionetas como um modo de melhorar o espectáculo da sua trupe de dança tradicional Khon e trazer-lhe riqueza. À sua volta, começam a haver acidentes e mortes mas nem assim ele se desvia dos seus objectivos. Temos direito a tudo: incêndios, afogamentos, possessões, paixões proibidas, homicídios… Então, os que o rodeiam reúnem-se para travar a maldição e destruir a marioneta. Pois… Era bom. Antes fosse assim. Nimibutr obriga-nos a assistir incrédulos a uma sucessão de acontecimentos evitáveis e ridículos que testam a paciência a um santo. E quando julgamos que a acção não podia piorar eis um balde de água fria, uma reviravolta que ninguém previa mas piora a experiência já de si penosa. Moral? É capaz de algo acerca de nos deixarmos cegar pela ganância e os outros à nossa volta sofrerem com isso, num ciclo vicioso de destruição - the wheel = roda. Lição: é o exemplo perfeito de quando um realizador decide fazer tudo sozinho e dá mau resultado. Pois Nonzee qual mestre de marionetas toma as rédeas da escrita, produção e direcção a seu cargo e o que resulta é uma obra banal, confusa e desinspirada. O tema dos bonecos assassinos não é novidade pelo que ao menos se esperava uma aprendizagem sobre as experiências anteriores. Decerto a experiência cinematográfica seria melhor se Nimibutr se estivesse rodeado por uma equipa competente e não se tivesse deixado guiar pelo narcisismo. A obra cinematográfica é um paralelo da vida real. Não é poético? "The Wheel" não é filme que faça falta numa antologia destas, muito menos em 40 minutos. Uma estrela.
A primeira curta foca-se em Pey (Jirayu La-ongmanee) que após cometer um crime é forçado pela mãe a juntar-se a um grupo de monges na selva para evitar a prisão já que de acordo com a lei, os monges não podem ser presos. Pey não mostra compreensão do resultado das suas acções e revolta-se por ter sido deixado naquele lugar. Enquanto a lei não o encontra Pey permanece sobre o olhar vigilante dos espíritos que venera. Como Pey irá descobrir, ele pode escapar da civilização mas o Karma pode encontrá-lo em qualquer lugar...
Um casal de turistas japoneses apanha boleia de um camionista num zona inóspita da Tailândia. O camião é conduzido por um homem de aspecto sujo e pouco afável e um jovem que o exorta a deixar os jovens na estrada. A viagem é conturbada, com o homem a ficar furioso com uma chamada e a existência de sons vindos da zona de carga. Acontece que esta não é uma carga normal e quando o condutor pára o camião para verificar a carga depara-se com uma montanha de corpos. Mas nem tudo é o que parece e quando os corpos regressam à vida, o que era uma simples boleia torna-se uma corrida mortal.
Os quatro amigos Ter (Nattapong Chartpong), Aey (Kantapat Permpoonpatcharasuk), Shin (Wiwat Kongrasri) e Phueak (Pongsatorn Jongwilat) fazem parte da equipa de filmagens do filme "Alone 2". Durante a gravação da última cena Gade (Phijitra Ratsameechawalit), a actriz que desempenha o papel de fantasma sente-se mal e é levada para o hospital por Aey. Ela regressa novamente para terminar a última cena. Entretanto, Aey é informado que Gade faleceu e informa os amigos do facto. Se ela está morta, quem é que está ali com eles?
Uma jovem está condenada a pasar os dias em casa a recuperar da perna partida num acidente de táxi. Com amigos e família fora, o seu único modo de comunicar com o mundo é o telemóvel. Na sua solidão Pin começa a receber mensagens de um estranho que a deseja conhecer. A sua hesitação inicial é ultrapassada à medida que o aborrecimento toma conta dela. Com o passar dos dias, o estranho simpático começa a mandar mensagens cada vez mais perturbadoras e Pin assusta-se quando ele lhe diz que vai passar lá por casa...
"Tit for Tat" [título tailandês - "Deadly Charm" (Yan Sang Tai)]
"Dumplings" é a contribuição chinesa para a trilogia de curtas de horror "Three...Extremes" sequela de "Three" (Saam Gaang, 2002). Esta experiência do horror asiático junta os realizadores Fruit Chan, (Hong Kong - China), Park Chan-Wook (Coreia do Sul) e Takashi Miike (Japão) que apresentam entre os três, obras como "Don't Look Up" (2009), "Thirst" (2009) e "13 Assassins" (2010). Uma colaboração de sonho portanto. Ou se preferirem, um grande pesadelo assustador.
À mera menção do ingrediente alguns hão-de estremecer na cadeira, outros mesmo hão-de parar o visionamento do filme. Muitos, não olharão para bolinhos de massa cujo conteúdo desconhecem com os mesmos olhos... Mas o que me impressiona mesmo é a reacção, ou melhor ausência de reacção de Li, perante os bolinhos de cor rosa bebé. A sua indiferença é perturbadora. Nem mesmo o nojo de meter os bolinhos na boca sabendo aquilo que são a detém. Vêmo-la mastigar, ouvimos o conteúdo a estalar nos seus dentes e a ser sorvido... Criaturinha amoral. Faz pensar sobre a sanidade mental da personagem. A beleza vale perder a alma? E quando voltamos a vê-la, Li parece resplandecente, sem qualquer exagero de maquilhagem, apenas uma abordagem brilhante da câmara e a capacidade de representação de Chin Wah. Quanto à "Tia" Mei é refrescante, parece indiferente ao problema moral que os seus bolinhos acarretam e vai angariar os seus ingredientes como uma comum dona de casa vai à mercearia. O horror de Chan funciona muito melhor pela via da psique do que pela demonstração. Tem algumas imagens terríveis mas o que a audiência adivinha e antevê, por si só, é bem capaz de mexer com os seus sentimentos e estômagos. Ele semeia e instala desde logo uma sensação de desconforto para as curtas seguintes. E por isso, vale ouro. Quatro estrelas.