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domingo, 13 de julho de 2014

"Cyrano Agency" (Sirano: Yeonaejojakdo, 2010)


Cyrano era aquele que se escondia nas sombras e entoava o seu amor para que alguém menos nobre que ele conquistasse a rapariga dos sonhos de ambos. Era alguém que deixava a insegurança advinda da sua fealdade (um nariz proeminente é algo assim tão feio?), disfarçar-se de altruísmo e intrometer-se na sua felicidade. Ele subestimava-se a si próprio e ao objecto da sua afeição. A sua Roxanne iria apaixonar-se por alguém com a bênção de Cyrano e ela iria viver feliz para sempre.


A agência Cyrano foi criada por Byeong-hoon (Tae-woong Uhm) e a trupe de actores Min-yeong (Shin-hye Park), Jae-pil (Ah-min Jeon) e Cheol-bin (Cheol-min Park) que lutam para manter o teatro onde faziam performances aberto. Para o salvar, nada melhor do que utilizar o talento para a representação e formar uma agência para através da decepção unir corações solitários à sua alma gémea. Eles revelam-se talvez melhores nesta linha de negócio do que a anterior e em breve são contactados pelo desajeitado Sang-yang (Daniel Choi) que quer conquistar a belíssima mas ferida Hee-joong (Min-jung Lee). A equipa entra em acção e transformam Sang-yang num solteiro elegível e desejável mas tudo se complica quanto Tae-woong descobre que o alvo do estratagema por ele desenhado é Hee-joong, um antigo amor, por quem ainda nutre sentimentos bem vivos. Byeong-hoon pensa que encontrou a oportunidade perfeita para se reconciliar com Hee-joong e resolver o que ficou por terminar, mas terá de enfrentar a desconfiança da equipa, em particular, da esperta como uma raposa Min-yeong. Entretanto, o cliente mantém-se às escuras relativamente às verdadeiras intenções de Byeong-hoon. “Cyrano Agency” apresenta algumas camadas mais que a estória retratada no cinema, entre outros, por Gérard Depardieu e Steve Martin. Desta feita é Byeong-hoon o Cyrano e Hee-joong a sua Roxane sendo que o fantasma entre ambos não reside em algo tão superficial quanto o nariz dele mas o passado. A relação falhada deixou feridas abertas e tanto Hee-joong como Byeong-hoon não conseguem manter uma relação no presente. É a chegada do novo pretendente que precipita a necessidade de resolução em Byeong-hoon, cujo historial amoroso é desvelado em flashbacks. Ao contrário do material que homenageia Sang-yang não é de modo algum inferior ao seu oponente. Ele é desajeitado sim e talvez não possua a carreira ideal mas os sentimentos por Hee-joong são reais e tenta compensar a ausência de inteligência no plano do amor com os serviços da agência. No entanto, a sua personagem nunca se demonstra pouco mais do que uma peça no jogo de Byeong-hoon. É pois na personagem de Hee-joong que reside a maior surpresa. Pela primeira vez, Roxane é mais do que uma donzela à espera de ser salva. Ela é inteligente e sabe o que quer. Não se deixa enlevar apenas porque criaram as condições para tal, ela deixa-se enlevar porque reconhece algum mérito em Sang-yang e sabe que chegou a altura de voltar a abrir o coração magoado. Min-jung Lee é a verdadeira heroína de “Cyrano Agency”. A sua interpretação fabulosa é uma bofetada para os que colocam a comédia abaixo do género dramático, no que à excelência dos desempenhos diz respeito. Com os olhos conta um milhão de histórias. Eles irradiam curiosidade, dúvida, determinação, enlevo, dor, desilusão e esperança renascida como um feliz arco-íris. Não sobra é muito para os restantes actores trabalhar. De facto Cheol-bin e Jae-pil que constituem peças fundamentais da engrenagem (eles permitem, através dos seus conhecimentos técnicos a montagem das cenas mais improváveis) e Min-yeong (Shin-hye) que tão bem contrapõe Byeong-hoon têm um papel diminuto para o seu potencial.
Pausa dramática de Byeong-hoon
A dada altura, numa espécie de moral antecipada são apresentados os efeitos da interferência dos actores na vida das pessoas e da sua predisposição para aceitar qualquer cliente mas nem assim, é colocada em causa a sua boa-vontade e dedicação. Alguns dos personagens querem salvar o teatro, outros apenas perseguem o amor. Como sentir antipatia por eles? Isto é ainda mais acentuado pela ausência de um verdadeiro vilão. As relações são complicadas, as pessoas podem sair traumatizadas mas ao final, mesmo que fora de cena, todos acabarão por ter um final feliz. Enquanto este não chega, divirtam-se com a encenação dos engenhosos estratagemas de sedução pela equipa. Até Cyrano teve eventualmente sorte. Três estrelas.
O melhor:
- Os planos engenhosos da agência Cyrano;
- Representação de Min-jung Lee e Tae-woong Uhm
- Divertido e comovente em doses equilibradas

O pior:
- A fraca utilização do extenso elenco
- Duração excessiva

Realização: Hyun-seok Kim
Argumento: Hyun-seok Kim
Tae-woong Uhm como Byeong-hoon
Min-jung Lee como Hee-joong
Daniel Choi como Sang-yang
Shin-hye Park como Min-yeong
Ah-min Jeon como Jae-pil
Cheol-min Park como Cheol-bin

Próximo filme: “Chantahly, 2012”


PS: O sucesso de “Cyrano Agency” foi tão grande que até deu origem a uma série com o mesmo nome. Se quiserem ver mais dos engenhosos planos da Agência Cyrano procurem a série televisiva disponível online.

domingo, 6 de julho de 2014

Jeritan Kuntilanak, 2009

Deliciem-se...

Reina (Garneta Haruni), Ferry (Andrew Ralph Roxburgh), Bimo (Zaki Zimah), Vivin (Joanna Alexandra) e Lila (Furry Citra) são cinco estudantes que decidem aproveitar a ausência dos pais de Reina para passar uns dias de descanso no casarão da família. O ambiente entre eles não é o melhor. A animosidade de Reina para com Lila é evidente, já que ela suspeita que Ferry esteja interessado na rapariga ao contrário dela própria e que o sentimento possa ser recíproco. Se Ferry não tivesse convidado Lila, a viagem podia ter sido uma boa oportunidade para Reina o conquistar em definitivo. Os planos de diversão são arruinados a meio da viagem quando Lila tem um grave ataque de asma e o grupo acaba por levá-la para a única casa que encontram num raio de quilómetros. Escusado será dizer que a coincidência não foi a mais feliz e a casa se encontra mal-assombrada. Lila desaparece e, em pânico os estudantes acabam por fugir deixando para trás a rapariga. Eles firmam um pacto de silêncio sobre o caso mas Yunita (Julia Perez) a irmã da rapariga desaparecida não aceita esta decisão e pressiona-os para que estes a ajudem a encontrar Lila. De volta ao campus e com um segredo terrível dentro de si, eles começam a ser assaltados por visões aterradoras que correm o risco de transitar para o mundo real.

“Jeritan Kuntilanak” apresenta a sintomatologia clássica de “férias correm horrivelmente mal” com “créditos constituem o momento mais assustador do filme”, “Há resmas de Kuntilanaks na Indonésia” e “encontre o pior actor do elenco”. O filme é todo um affair de “não se percebe muito bem o que está a suceder”. Porque é que o carro avaria numa primeira fase levando os estudantes a refugiar-se na casa e depois na fuga este já arranca é um daqueles mistérios que só convêm porque se tratar de um filme de terror, onde tudo é perdoado. Errado. Porque é que os adolescentes não recorrem à polícia ou contam aos familiares que tiveram medo e deixaram Lila lá sozinha, pedindo para a irem socorrer é algo que me ultrapassa. Como eles (quase todos) voltam à vida normal, como se nada se tivesse passado, é muito estranho. Porque é que a meio da película, os personagens que a princípio possuíam o protagonismo quase desaparecem é outra questão. Como é que ainda há quem ache piada a Zacky Zimah e que este com 30 anos ainda faça o papel de um estudante é algo que me ultrapassa. Apenas a irmã e Vivin sofrem com o desaparecimento da rapariga, uma por motivos óbvios, a segunda devido sentimentos de culpa. Haja alguém que tenha algo parecido com empatia! Até Ferry, o potencial interesse amoroso de Lila perde o interesse logo após a excursão fracassada. O mínimo que uma pessoa apaixonada pode fazer é demonstrar preocupação pelo objecto amoroso não?
Onde “Jeritan Kuntilanak” sofre realmente é com a execução infantil. Não é como se a estória fosse fenomenal ou desse para esticar os músculos da representação do limitado elenco. No entanto, a sensação de que as cenas foram concluídas num único take é demasiado forte para negar. Isso e a prevalência de sons que se devem assemelhar a algo de incrivelmente assustador enquanto as actrizes em trajos menores rodopiam sobre si próprias como se de baratas tontas se tratassem. O elenco é assombrado durante o dia, enquanto dormem e, em quase todas as assoalhadas da casa. O ciclo é repetido até à exaustão: uma personagem é ameaçada vezes sem conta e depois passa à seguinte. O enquadramento das cenas chega a ser replicado ao pormenor. Até ao bocejo. “Jeritan Kuntilanak” podia ter ser sido criado por quaisquer maçaricos e se calhar, com melhores resultados. Mais assustador? Apenas pensar que isso produzirá algum efeito nas audiências mais cépticas e/ou habituadas a ver filmes de terror. Meia estrela.



O melhor:
- Esquece-se facilmente
- Noventa minutos de ocupação para quem não tem nada que fazer
- Pode ser bom... Se fingirem que é uma sátira

O pior:
- Não é suficientemente curto
- Execução técnica (a todos os níveis)
- Menção especial aos actores, umas lições de representação se calhar não lhes fazia mal
- Imaginação que é feito de ti?

Realização: Koya Pagayo
Argumento: Shinta Rianasari
Julia Perez como Yunita
Garneta Haruni  como Reina
Andrew Ralph Roxburgh como Ferry
Zaki Zimah como Bimo
Joanna Alexandra como Vivin
Furry Citra como Lila

Próximo filme: “Cyrano Agency” (Sirano; yeonaejojakdo)

domingo, 15 de junho de 2014

Pee Mak Phrakanong, 2013


Passaram-se seis anos, desde que estreou “4bia”, uma pequena antologia de terror, que viria a juntar um dos quartetos com a química mais fantástica que já passou pelo ecrã e provou (caso ainda persistissem duvidas), que comédia e terror constituem um casamento mágico. 

“Pee Mak Phrakanong” foca a estória de Mak (Mario Maurer) um soldado que regressa para os braços da mulher que deixou grávida, Nak (Davika Horne) depois de ter sido forçado a ir combater para a guerra. Consigo traz quatro camaradas com quem firmou uma amizade para o resto da vida Ter (Nuttapong Chartpong), Aey (Kantapat Permpoonpatcharasuk), Shin (Wiwat Kongrasri) e Puak (Pongsathorn Jongwilak) respectivamente. (Desafio-vos a ler o nome dos actores em menos de 10 segundos!) Na aldeia o recém-chegado não é recebido da melhor forma: corre o rumor que Nak faleceu durante o nascimento do filho de ambos e assombra agora o local. Nak ignora os avisos e corre para o conforto do lar providenciado por Mak onde esta o recebe como se nada se tivesse passado. Os seus quatro amigos cedo apresentam as mesmas suspeitas que os aldeões mas, como avisar Mak que o amor da sua vida é um fantasma? Pior, como avisar Mak sem atrair a ira de Nak?

A estória baseia-se na lenda de Mae Nak, uma mulher que morre durante o parto mas se recusa a deixar o mundo dos vivos para atender ao marido Mak. Quem se opõe a tal ligação acaba morto até que Mak, por fim, descobre a verdade e foge. Segundo versões diversas da lenda, a alma de Nak é libertada mediante o ritual do exorcismo ou capturada num recipiente. A lenda é especialmente venerada como a prova mais forte do amor conjugal capaz de ultrapassar até a morte. Esta versão cienamtográfica é mais leve e reinventa a estória sem se afastar das linhas gerais e sem se escusar, no entanto, a momentos sinistros. “Pee Mak Phrakanong” ficou em boas mãos, pois tem associados Banjong Pisanthanakun e Chantavit Dhanasevi que colaboraram no argumento das antologias “4bia” e “5bia”, sendo que este último também protagonizou o não menos original “Coming Soon” e o quarteto cómico maravilha participou nas antologias já mencionadas. Todos habituados ao delicado acto de equilibrismo entre comédia e terror.

Confirma-se a falta a gravidade da lenda que inspirou o filme desde o primeiro sorriso, negro, do elenco, (a sério, uma marca de pasta de dentes podia ganhar rios de dinheiro tendo-os por representantes). É que nem a belíssima Davika Horne com a sua tez branca que faz concorrência às marcas de detergente, escapa a um sorriso destroçado! Some-se à dentição podre, penteados extraordinários que alternam entre a mais vulgar poupa, com uma altura que desafia a gravidade ao risco ao meio a terminar em autênticas asas! E para o caso da audiência temer fazer alguma observação sobre o facto, os actores antecipam-se e desdobram-se em piadas sobre o facto. A auto-consciência de um argumento é sempre divertida: “Isto é ridículo. E depois?” Na relação de Mak e Nak que é adorável e credível – despojem os actores de vestes parvas e comédia física e o que sobra é um jovem casal apaixonado –, é que se encontra o foco da estória mas é no quarteto fantástico que reside o segredo do sucesso deste filme. Os actores demonstram o grau de conforto de quem contracena há muitos anos em parceria. Delírio talvez, mas não seria estranho imaginar que existe de facto uma amizade entre eles. Embora o mais provável seja mesmo o talento natural para a comédia, aliado a uma excelente direcção. Com o argumento inteligente, que procura referências populares incluindo o “Rocky” (1976) ou “The Last Samurai” (2003), há espaço para o improviso e é notável o modo como os actores se alimentam da energia mútua para tornar as linhas de diálogo mais vivas. Mais, se conseguem atravessar cenas como a do jogo de mímica “Está um Fantasma entre nós”, a assombração de uma Casa Assombrada (sim, leram bem) e a fuga de canoa mais lenta de sempre que valem sobretudo pela comédia física é recomendável a visita de um médico pois têm um sério problema de falta de humor. Três estrelas e meia.
O melhor:
- A química do elenco
- Cenas de rir à gargalhada
- Comédia física

O Pior:
- A estória é sacrificada em prol da comédia (Isso é mau?)
- Caracterização dos actores. Havia necessidade de ir tão longe para produzir efeito cómico?

Realização: Banjong Pisanthanakun
Argumento: Banjong Pisanthanakun, Chantavit Dhanasevi e Nontra Kumwong
Mario Maurer como Mak
Davika Horne como Nak
Nuttapong Chartpong como Ter
Kantapat Permpoonpatcharasuk como Aey
Wiwat Kongrasri como Shin
Pongsathorn Jongwilak como Puak
Sean Jindachot como Ping


Próximo filme: "The Forbidden Door" (Pintu Terlarang, 2009)

Senhoras e senhores, o quarteto fantástico!

domingo, 25 de maio de 2014

"Just another pandora's box" (Yuet gwong bo hup, 2010)


São fãs de “Red Cliff” (2008-2009), “A Chinese Odissey” (1995), “Titanic” (1997) ou mesmo salpicos de “The Matrix” (1999)? Não se preocupem que “Just Another Pandora’s Box” apresenta todas estas estórias, ao mesmo tempo. Batidas, não mexidas.

“Just Another Pandora’s Box” é um produto que podia ter sido manufacturado e cospido pela máquina de Hollywood. A única diferença é que o humor, regional, dificilmente poderá apelar a quem desconhece algum dos filmes reinterpretados nesta produção cantonesa.

Qing Yise (Ronald Cheng) é um bandido com um péssimo timing. Ele consegue enganar uma deusa para lhe roubar uma espada mística que decerto lhe irá valer um bom preço no mercado negro, mas comete o erro de a desembainhar mediante o embuste de outro Deus. Rose (Betty Sun) acorda para um Qing a empunhar a espada e jura persegui-lo para todo o sempre quer este queira ou não. É que ela jurou unir-se àquele que fosse capaz de a desembainhar. E aqui teríamos um bom título alternativo para o filme ("Perseguição sem Tréguas"?) já que Qing foge de Rose como o diabo da cruz, agindo até como se ela fosse hedionda (ela é das actrizes chinesas mais bonitas da actualidade). E aí reside parte da piada. A piada remanescente encontra-se nos inúmeros gags que atravessam eras e eventos históricos como a célebre batalha de Red Cliff, sempre com Qing a tentar escapar-se da Deusa carente, por entre aparições de personagens locais míticos como o feroz guerreiro Guan Yu. Após salvar o filho de Liu Bei (Yuen Biao) e inadvertidamente entregar a caixa mágica que lhe permite viajar no tempo ao vilão Cao Cao (Guo De-Gang) Qing vê-se forçado a colaborar com a longa lista de personalidades históricas para conseguir regressar ao seu próprio tempo. Dizem até os créditos iniciais que Jackie Chan, Stephen Chow, Jet Li, Chow Yun-Fat, Maggie Cheung, Zhang Ziyi e a Angelina Jolie, recusaram todos participar no filme. Se depois disto ainda estiverem à espera de um filme com algum grau de seriedade preparem-se para uma grande desilusão.

O elenco não chega para as inúmeras oportunidades de comédia que quase se atropelam umas após as outras. Quase que para evitar que a audiência perca o sorriso, são apresentados gags sucessivos, a ver se algum cola. Por outro lado, ninguém pode levar a sério grandes actores se estes surgirem em pouco mais que uma cena. Quando estivermos refeitos do choque já terá sido apresentado novo actor famoso / starlet / ídolo do cantopop actual. Melhor conselho que o de (re)ver os clássicos em que se baseia não existirá. Se bem que o facto de “Kung Fu Panda’s”, “Matrix” e “Titanic” (a personagem feminina até se chama Rose, duh!) e outros que tais surgirem em catadupa ajudam a uma melhor compreensão de que coisa estranha se encontra a passar no ecrã, mas estaria a mentir se considerasse que estes chegam para o efeito. Se tanto, no conjunto da película, estas cenas constituem os momentos mais fracos de “Just Another Pandora’s Box” pois fogem do nicho popular e mitologia locais em que a película se encontrava para tentar agradar a uma audiência mais vasta que por essa altura já desistiu do filme.
“Just Another Pandora’s Box” é aquele tipo de comédia auto-referencial que conhece as audiências que está a tentar atingir e nem sequer se preocupa em ser um pouco original. Para quê mexer em fórmula vencedora? Vale pelos cenários e pelas caras conhecidas que de estória tem muito pouco. Duas estrelas.

Realização: Jeffrey Lau
Argumento: Jeffrey Lau
Ronald Cheng como Zhao Yun
Betty Sun como Rose
Gigi Leung como Emaixadora do Turquestão
Athena Chu como Nuvem Roxa
Eric Tsang como Zhuge
Bo Huang como Zhou Yu
Yuen Biao como Liu Bei
Guo De-Gang como Cao Cao
Yi Huang como Xiao Qiao
Lik-Sun Fong como Guan Yu

Próximo Filme: "Dark Skies" (2013)

domingo, 18 de maio de 2014

"Bad Milo", 2013


O Milo não é um cão fiel (por favor não confundir com Milu). E mais depressa nos arranca a mão do que a lambe. O conceito de “Bad Milo!” encontra-se mais próximo de um filme pornográfico com triplo X do que a comédia de terror mediana. Apenas não esperem ver uma estrela porno com o rabo destruído. Não, isso é o Ken Marino…

Duncan (Ken Marino) é um tipo simpático, com o qual todos, em certa medida se podem identificar já que trabalha mais horas do que as que devia e em condições cada vez piores, o chefe é um parvalhão sem escrúpulos (que levante a mão quem nunca teve um chefe assim) e em casa, não está muito melhor, já que a mãe aproveita cada oportunidade para lhe perguntar porque é que ainda não lhe deu um neto e a esposa sente-se ansiosa com a possibilidade de não conseguir engravidar. Com tantos problemas a avolumar-se, não é de admirar que Duncan sinta dores abdominais crescentes. O desconforto é aliás, tão grande que apenas depois de visitas especialmente dolorosas e amnésicas à casa de banho, Duncan se sente aliviado. É aí que ele descobre dois factos peculiares sobre si próprio: 1) tem um demónio aka hemorroida assassino no intestino e 2) ele persegue com fervor homicida as causas de stress do seu “pai”. Com a ajuda de Highsmith (Peter Stormare), um terapeuta pouco convencional, Duncan vai tentar impedir que o demónio ataque novamente.

Tem uma premissa incrivelmente parva? Com certeza. “Bad Milo!” é como que um filme dos anos 80, que foi enfiado numa capsula no tempo e só agora foi (re)descoberto, ganhando o estatuto de culto. Tem um orçamento minúsculo, diálogo à altura daquela década, desempenhos descontraídos mas uma genica e uma vontade de abraçar o absurdo como há muito não se via. Tem uma imaginação como se tem observado apenas ultimamente no cinema independente [vide “Proxy” (2013) e “Contracted” (2013)] e o monstro é de borracha e não uma imagem gerada pelo computador de um geek qualquer! Coisa que a malta nascida nos anos 90 não deve conhecer. Exemplos como “The Thing” (2011) vêm à mente. Por trás da máscara do humor/terror de casa de banho, a ideia base de “Bad Milo!” é brilhante. É um facto científico que o stress tem sérios efeitos no corpo humano. Tem-se acidentes vasculares cerebrais, ataques cardíacos, tromboses, esgotamentos nervosos, uma lista infindável de efeitos nefastos no corpo humano... E são todas manifestações do nosso interior.

Os criadores de Milo foram apenas um pouco mais perversos ao insinuar que Duncan conseguiu aglomerar todo o stress que sentia num monstro vingativo. E se quisermos ser ainda mais provocadores, a ideia de alguém que não nós próprios punir quem nos causa angústia é deliciosa. O nosso apetite pela destruição é retratado numa situação implausível, podendo, para os mais atentos, passar despercebido. É aí que “Bad Milo!” é um pouco mais cerebral que o slasher médio saído dos anos 80. Refira-se no entanto, que Duncan é um homem de família e o seu “assassino” apenas escolhe como vítimas quem cometeu o erro de interacções infelizes para com ele. Apesar de Milo consistir numa manifestação é a Duncan que cabe a decisão final sobre o seu futuro: se vai continuar a internalizar o que sente ou se vai aceitar e procurar resolver os problemas que o afligem para uma existência futura mais saudável. Além disso “Milo” é assim apelidado pelo seu hospedeiro e tem um ar adorável (para uma hemorroida). Milo é fofinho e mesmo enquanto assassino é difícil não simpatizar com os seus grandes olhos à la “Puss in boots” do "Shrek 2" (2004). Desta vez ganha o vilão! Três estrelas.

Realização: Jacob Vaughan
Argumento: Benjamin Hayes e Jacob Vaughan
Ken Marino como Duncan
Gilian Jacobs como Sarah
Mary Kay Place como Beatrice
Toby Huss como Dr. Yeager
Peter Stormare como Highsmith

Próximo Filme: "Just another pandora's box" (Yuet gwong bo hup, 2010)

domingo, 27 de abril de 2014

"The Ghosts must be crazy", (Gui ye xiao 2011)

Desliguem os telemóveis durante o visionamento por favor

O híbrido de terror e comédia chegou para ficar. A horrédia (por que é a tradução de um neologismo nunca soa tão bem como na língua original?), “The Ghosts must be Crazy” segue-se à não menos louca antologia “Where got Ghost?” (2009) e encontra-se algures entre a comédia negra chico-esperta, para exemplos vide “The Cabin in the Woods” (2012) e a gargalhada de criar dores de barriga de “Tucker & Dale vs. Evil” (2010), mas mais perto desta última.


“The Ghosts must be Crazy” é um jogo de atenção pois quase todos os personagens de “Where got Ghost” regressam com variações das estórias que interpretaram nesta “prequela”, não necessariamente por ordem cronológica ou com alguma conexão lógica sequer. A antologia anterior reunia três segmentos: “Roadside got Ghost”, “Forest got Ghost” e “House got Ghost”, sendo que para “The Ghosts must be Crazy” recuperou estas duas últimas (e muito bem que eram as melhores) com um twist: desta feita Jack Neo limitou-se ao papel de argumentista-produtor e Mark Lee estreia-se como actor e realizador em simultâneo.

As curtas:
“The Day Off” – Dois reservistas preguiçosos estão empenhados em escapar ao penoso exercício anual e tentam convencer o novo Comandante a conceder-lhes baixa médica. Entretanto, um pobre coitado que estava mesmo doente e necessitava de ir para o hospital vê o pedido de internamento recusado pelo Comandante que acredita que todos o querem enganar para escapar ao dever. Quando esta decepção fracassa recorrem a técnicas de guerrilha para sabotar o treino. Mesmo que consigam enganar o seu comandante, as forças do sobrenatural nunca tiram folga…

“The Ghost Bride” – Um homem deseja atrair boa fortuna e decide tentar alcançar o seu objectivo através do jogo, acabando por fazer um pacto com o sobrenatural. Ele fica rico mas despreocupado e esquece-se de cumprir a sua parte do acordo. Os fantasmas não dormem e aquilo que deram podem tão facilmente retirar, isto, se ele fizer a única coisa que lhe pedem: casar com uma noiva fantasmas…

Sobre os filmes:
Desta feita prevaleceu o bom senso de “menos é mais”. Com menos estórias, com certeza as duas narrativas que escaparam ao corte serão mais trabalhadas e cuidadas certo? A resposta é negativa. “The Day Off” recupera a excelente química da dupla de actores John Cheng e Wang Lei que recuperam os papéis de Ah Nan e Ah Lei respectivamente, dois reservistas que não foram fadados para a tropa e utilizam todos os artifícios possíveis para escapar às tarefas duras que lhe são exigidas. Onde as interacções dos actores soavam antes pouco naturais, constituem agora os pontos altos da narrativa, apenas ultrapassados pelas tiradas brilhantes de Encik Muthu (David Bala). As aparições desta personagem nos vários filmes de Jack Neo são tão acarinhadas que Muthu até já virou meme! “I die! You die! Everybody dies!”

“The Ghost Bride” é apenas mais uma variação de crime e castigo. Sejamos sinceros. Quem é que pensava que recorria a métodos muito questionáveis para enriquecer, não fazia o que lhe competia para honrar a sua parte do acordo e não esperava algum tipo de retribuição? É preciso ser um bocadinho condescendente para não pensar que a audiência iria ter o mesmo raciocínio. Mas isso nem é o pior porque, ultrapassando a fraca estória, os efeitos gerados por computador são muito maus, aliás, demasiado maus para a quantidade de vezes que surgem no ecrã. Uma pessoa questiona-se se todo aquele (mau) aparato era necessário para contar uma história tão simples. Além disso, podia sempre alegar que Mark Lee dá uma mulher muito feia, mas isso não basta para ignorar o facto de que a “The Ghosts must be crazy” nada falta de más interpretações (sobretudo de personagens secundaríssimas), argumentos queijo-suíço, edição paupérrima e lições de moral – “Se escolheres tomar a mão do demónio, um grande preço terás de pagar”. Por isso é de estranhar que "The Ghosts must be crazy" seja tão surpreendente, um pequeno pecado mesmo, a contra-gosto que não dá para negar. Duas estrelas.


O melhor:
- Actores principais (com notáveis excepções)
- A primeira curta-metragem
- David Bala como Muthu
- O cabelo de Mark Lee

O pior:
- Argumento
- Os efeitos são “especiais” e não digo isso num bom sentido.

“The Day Off”
Realizador: Boris Boo
Argumento: Jack Neo e Ho Hee Ann
John Cheng como Ah Nan
Wang Lei como Ah Lei
Chua en Lai como Comandante
David Bala como Encki Muthu

“The Ghost Bride”
Realizador: Mark Lee
Argumento: Jack Neo e Ho Hee Ann
Henry Thia como Ah Hui
Mark Lee como Ah Hai / Chen Xiaojuan
Tay Yin Yin como ex-namorada de Hui

Próximo Filme: "Tales from the Dark - Part I"


domingo, 30 de março de 2014

"The Tower" (Tae-woo, 2012)



Em 1974 “The Towering Inferno” explodia nos ecrãs americanos e suscitava a curiosidade mórbida de audiências que experienciavam um dos grandes e primeiros filmes catástrofe da história do cinema. Em 2012 “The Tower” repete a fórmula de catástrofe e drama humano a rodos, com iguais resultados, na Coreia do Sul.

É véspera de Natal e o senhor Jo (Cha In-pyo), empresário megalómano dono de duas torres gémeas de 108 andares, que rasgam imponentes os céus de Seul, decide que a sua mais recente prova de exibicionismo e ostentação será brindar os habitantes dos edifícios com neve. Não há quaisquer vestígios de ocorrência do fenómeno nos boletins meteorológicos mas isso não é pormenor que o detenha. Dois helicópteros irão largar neve artificial do topo dos edifícios, ao seu sinal, contra todas indicações de rajadas de vento, vindas de pessoas bem mais sensatas que ele. Entretanto, prossegue a vida quotidiana nas torres, sendo apresentada a panóplia de heróis improváveis que irão enfrentar em breve, a prova mais dura das suas vidas. Dae-ho (Sang-kyung Kim) é o gestor altamente eficiente das torres mas que é incapaz de revelar os seus sentimentos por Yoon-hee (Yi-jin Son) a encarregada do restaurante VIP que também demonstra uma óbvia atracção por ele. Em cena entra Ha-na (Mi-na Cho), a filha de Dae-ho, demasiada esperta para a idade que os vai auxiliar a revelar aquilo que sentem um pelo outro. Nunca parece um processo mesquinho quando é despoletado por uma criança não é? Em simultâneo o Capitão dos bombeiros Young-ki (Kyung-gu Sol) prepara-se para usufruir da primeira folga em muito tempo e o jovem Seon Woo (Ji-han Do) apresenta-se para o primeiro dia de trabalho e aquele que será um baptismo de fogo… literalmente.

Passa-se uma boa meia hora depois das primeiras apresentações e inúmeras imagens de tirar a respiração das torres e paisagem adjacente a demonstrar porque aquela é uma catástrofe à espera de acontecer: a festa de natal tão ou mais importante que a segurança que faz os seus encarregados esquecer as suas responsabilidades, a indiferença desconcertante do dono das Torres perante regras básicas de protecção dos seus inquilinos e as inúmeras falhas de concepção na construção e sistemas desenhados para combater, sei lá, incêndios que consumam os edifícios por inteiro! Então, da forma mais previsível que se possa imaginar, já que a catástrofe foi sendo desenhada a par e passo, para até os menos perspicazes compreenderem o que se está a desenrolar à frente dos seus olhos, os helicópteros colidem contra as torres que irrompem num mar de chamas. Os residentes entram em pânico, os irresponsáveis tentam escapulir-se e heróis nascem. Podem esperar manifestações românticas melodramáticas, salvamentos impossíveis e cenas envolvendo a cristandade mais cómica de que há memória. Sim, uma pessoa tem a certeza que está a visionar um filme sul-coreano quando os momentos mais divertidos são proporcionados por um grupo de devotos cristãos.

“The Tower” carrega todos os pontos de pressão conhecidos, a sugestão de crianças em perigo, a ideia de amores nunca consumados, a morte de pessoas cujo mero aparecimento no ecrã causam boa disposição são mais do que suficientes para nos colocar numa pilha de nervos. Estes momentos, intermediados por chamas e fumos rápidos, furiosos e imperdoáveis, explosões e desabamentos, propiciam cenas de grande tensão que são depois estendidas até ao limite do razoável de modo a garantir que é impossível abandonar o visionamento do filme. Com um orçamento diminuto para os padrões de Hollywood, “The Tower” é um empreendimento notável e, em nada inferior aos filmes catástrofe da congénere americana. Com um argumento tão fraco quanto o filme mediano do género, revela ao menos um elenco sólido com muito mais do que dois ou três actores agradáveis à vista e capazes de verter um rio de lágrimas se solicitado. O apelo emocional é em tudo similar, com um punhado de personagens entre o simpático e o divertido a perecer mas segue as regras do jogo. Em alguma altura a audiência teria de se entristecer com um ou dois danos colaterais de personagens que ficaram a conhecer um pouco melhor para em seguir estremecerem com um salvamento tal, que minutos depois já se esqueceram do que aconteceu. A mais pura demonstração de domínio das artes do espectáculo visual combinada com o drama sacarino dominado por um vasto elenco não são uma novidade mas quem disse que para entreter era preciso modificar alguma coisa? Três estrelas.


O melhor:
- A sucessão de indícios de catástrofe iminente
- O elenco
- Os efeitos especiais
- O grupo de devotos cristãos

O pior:
- Personagens unidimensionais
- Cenas que se arrasssssssssssstammmmmmmmmmmmmm
- Os gritos. Meu Deus! Os gritos!
- A implausibilidade de algumas situações. (Sei que é um filme-catástrofe mas ainda assim…)

Realização: Ji-hoon Kim
Argumento: Sang-don Kim e Jun-seok Heo
Kyung-gu Sol como Capitão Young-ki Kang
Sang-kyung Kim como Dae-ho Lee
Ye-jin Son como Yoon-hee Seo
In-kwon Kim  como Sargento Byung-man Oh
Ji-han Do  como Seon-woo Lee
Min-ah Jo como Ha-na Lee

domingo, 23 de março de 2014

"Kung Fu Hustle", 2004

Aquele momento em que se torna muito difícil negar o estereótipo de “todos os chineses praticam Kung Fu”. 

Agora que já consegui a vossa atenção com esta provocação, deixem-me contar-vos como “Kung Fu Hustle” foi realizado por Stephen Chow, o mesmo realizador do inesquecível “Shaolin Soccer” (2001). Mesmo aqueles que não apreciam futebol encontraram um motivo de encanto em “Shaolin Soccer”, onde monges empregam o seu talento extraordinário para o Kung Fu num jogo de futebol contra uma equipa de super-atletas dopados. Passada na cidade de Xangai dos anos 30,“Kung Fu Hustle”, apresenta uma dupla de pequenos criminosos liderados por Sing (Stephen Chow) que aproveita a recém-criada fama do gangue do Machado para tentar extorquir os moradores de um bairro ainda intocado pela chegada dos vilões. Oportunidade perfeita para dar um golpe certo? Errado, os moradores não só sabem defender-se como se revelam superiores aos capangas de Sum (Danny Chan), o líder do gangue e os dois pequenos criminosos vêm-se no meio de uma guerra com um resultado imprevisível.

Para quem viu “Shaolin Soccer”, “Kung Fu Hustle” é mais do mesmo no que toca ao humor a tempos, demasiado regional para audiências estrangeiras e nas artes marciais exageradas ao cubo. Os actores são capazes das manobras mais arriscadas, não tanto devido à formação na arte da luta como por todos os artifícios cinematográficos que podem ocorrer a quem deseja fazer dos confrontos uma hipérbole. Apenas não esperem cenários bucólicos ou sentimentais como as de “Hero” (2002) e “Crouching Tiger, Hidden Dragon (2000) que fizeram as delícias de audiências por todo mundo.

Mas “Kung Fu Hustle” não é uma completa paródia. Estreia-se com cenas de violência gratuita e morte, onde os ricos e poderosos tudo podem contra aqueles que nada têm. São meros veículos para a obtenção de mais riqueza e cujo sofrimento é indiferente. E contra poucas ou nenhumas perspetivas de melhoria de vida, juntar-se ao gangue, soa, apesar de tudo a uma hipótese viável e mais segura para obtenção de algum tipo de estatuto. Não é como se os bandidos fossem muito diferentes do empresário de inícios do século XXI, a questão é que a sua acção, violenta e condenável como é, sempre se realiza às claras, por contraste com uma grande mão invisível que tudo destrói, através de manobras de bastidores alheias ao capital alheio.
O que eles talvez não esperassem foi que encontrassem oposição num pequeno bairro suburbano. Estas questões sucedem nas entrelinhas, pois o cenário é dominado por sequências tão díspares quanto uma senhoria de rolos na cabeça (Yuen Qiu) e cigarro soldado ao canto da boca que espanca o marido (Yuen Wah) por causa das suas escapadelas românticas. E quando falo em espancar não digo estas palavras com leveza. Mas a maioria das cenas têm uma tal leveza de espirito que é impossível levar a sério os confrontos entre os moradores. Aliás, “Kung Fu Hustle” funciona melhor dentro do perímetro do bairro, no qual, os habitantes se encontram mais preocupados com a sua vidinha do que no se passa lá fora. Revelar mais seria tirar a piada a “Kung Fu Hustle”, por isso, sentem-se, encostem-se e desfrutem de fantásticas cenas coreagrafadas por Yuen Woo-ping, o mestre milagreiro por trás do cinema de kung fu de Hong Kong desde finais dos anos 70 e “Matrix” (1999) assim como a referências tão fantásticas como a esses filmes que poderão ou não conhecer, velhos golpes de artes marciais reimaginados no séc. XII e… os “Looney Tunes”. Três estrelas.
O melhor:
- O casal de senhorios
- Recriação dos anos 40,
- A coreografia das cenas de artes marciais

O pior:
- Demasiado artificialismo em algumas das lutas
- Cartoon autêntico. Ainda indecisa sobre se isso será bom ou mau.

Realização: Stephen Chow
Argumento: Stephen Chow, Huo Xin, Man-keung Chan e Kan-cheung Tsang
Stephen Chow como Sing
Danny Chan como Sum
Yuen Wah como Senhorio
Yuen Qiu como Senhoria
Bruce Leung como “A Besta”
Xing Yu como Coolie
Chiu Chi-ling como Fairy
Dong Zhihua como Donut
Lam Chi-chung como Bone
Eva Huang como Fong

Próximo Filme: "Tower" (Ta-weo, 2012)

domingo, 9 de março de 2014

"Sawako Decides" (Kawa no Soko kara Konnichiwa, 2009)


Antes de “Mitsuko Delivers”(2011) houve “Sawako Decides” (2010), apenas um exemplo numa linha de filmes de Yuya Ishii, sobre mulheres pragmáticas com grandes decisões a tomar nas suas vidas. Uma das primeiras ideias que sobressaem aquando do visionamento de “Sawako Decides” e, para quem está familiarizado com “Mitsuko Delivers”, é que os títulos destas obras podiam ser trocados com facilidade. Enquanto Mitsuko passa uma película inteira a tomar decisões por todos e com implicações nessas mesmas vidas, mesmo quando não lhe é pedida tal ajuda, por entre “cool’s” e “ok’s”, Sawako (Hikari Mitsushima) finalmente apresenta resultados, se calhar, aquilo por que família e amigos esperaram durante 5 anos. Senão, vejamos, Sawako encontra-se no quinto trabalho em part-time em 5 anos, nos quais teve igual número de namorados. A mais recente conquista? Um divorciado com uma filha de 4 anos, que gosta de fazer crochet, recém despedido de um trabalho como designer de brinquedos.
E para fazer Sawako sentir-se ainda melhor, o tio Nobuo (Ryo Iwamatsu) liga-lhe constantemente para regressar à terra natal Kawaminami e tomar conta do negócio da família, já que Tadao (Kotaro Shiga), o pai dela tem uma cirrose em estado terminal. Como ela não tomasse nenhuma decisão, o namorado Kenichi (Endo Masashi) decide que Sawako irá responder ao apelo, independentemente, de quaisquer sentimentos dolorosos associados a esse regresso. Por muito interesseiro ou idiota que o namorado seja, a verdade é que a culpa reside em Sawako, incapaz de se comprometer, nas suas relações, no trabalho. É que ela não se acha nada de especial e, pela maior parte, também não acha ninguém extraordinário, as coisas são o que são e nada se pode fazer contra elas. Se não soubesse, diria que Sawako era portuguesa, tal a atitude de resignação. Tanto que, quando Sawako regressa e todos a acolhem mal, à excepção do tio e um trabalhador (porventura cioso de um trabalho que teme vir a perder), os nervos estão à flor da pele. Como é possível uma pessoa deixar-se espezinhar assim? Que trauma? Que sentimento de culpa?

Algures Sawako foi uma criatura com sonhos, que fugiu da terra natal com o capitão de uma equipa local para a grande cidade, onde a aguardava com toda a certeza a continuidade na fábrica familiar e uma vida rotineira, sem grandes variações ou entusiasmo. Não é imediatamente perceptível, e bem que podemos ficar na ignorância se o que os aldeões sentem é despeito por ter abandonado uma oportunidade segura e ademais a responsabilidade pelo negócio, ou o facto de ela ter tido coragem para largar tudo por uma vida de incerteza. Algo que eles nunca seriam capazes de fazer. Sawako não é capaz de o compreender, pelo menos não no início. O seu destino bem que pode ser aquele que a sua infância augurava, mas tem de ser Sawako a desejá-lo e a lutar por ele. E não os que a rodeiam a forçá-la a isso. Das duas uma, ou todos à sua volta são mestres manipuladores que desejam secretamente que Sawako tome as rédeas da fábrica ou Sawako é afinal, tão teimosa como o pai, do qual se distanciou tantos anos antes e irá tomar uma decisão que afectará toda a sua vida futura, apenas porque pode. A estória é bastante negra e a tempos deprimente. As imagens de uma Sawako no presente a emborcar cervejas encontram paralelo ali mesmo no quarto ao lado, no pai a morrer por causa de um fígado que já não consegue lutar contra os excessos do passado. E se ela é a personagem principal, que dizer do namorado que praticamente a abandona e à própria filha durante parte da película? Em “Sawako Decides” não sucede nada de extraordinário, de facto ficarão surpreendidos com a vulgaridade dos acontecimentos. Mas é esse o fulcro da questão: em que grau é que identificamos com pessoas e situações quotidianas, a tentar sobreviver. E mais perigosa ainda, a realização de que nem todos são especiais e estão destinados a fazer algo incrível. Quatro estrelas.

O melhor:
- Excelentes interpretações
- A vida real no seu pior melhor
- Momentos cómicos numa estória maioritariamente depressiva
- Argumento


O pior:
- Até os caracóis têm um maior sentido de ritmo,
- A ausência de reacção de Sawako pode ser irritante


Realização: Yuya Ishii
Argumento: Yuya Ishii
Hikari Mitsushima como Sawaka
Endo Masashi como Kenichi Arai
Ryo Iwamatsu como Nobuo
Kotaro Shiga como Tadao
Kira Aihara como Koyako Arai


Próximo Filme: "Epitaph" (Gidam, 2007)

domingo, 2 de fevereiro de 2014

"Heaven and Hell" (Wong Jorn Pid, 2012)


Parece que ainda ontem “Dumplings” de “Three… Extremes” (2004) e “Phobia” (2008) pareciam recuperar o subgénero através de uma boa dose de arrojo, criatividade e imagens fortes. Esses eram os tempos… Seguiu-se uma sucessão de réplicas com personagens ostensivamente semelhantes, talvez com outros nomes e noutros cenários, essencialmente a mesmas estórias recontadas numa tonalidade diferente. “Heaven and Hell” apresenta tonalidades a preto e branco e às vezes cinzentas. As três estórias apresentadas apresentam uma única característica em comum: as imagens são captadas pelas câmaras de segurança instaladas nos edifícios respectivos. Em “Ghost Legacy” duas irmãs siamesas únicas herdeiras vivas que se conhece de Khun para conhecer a sua última vontade, expressa no testamento. Cedo percebem que o avô Khun, que mal conheciam era obcecado com a sua segurança, tendo instalado um sistema de vigilância em todas as divisões da casa. Enquanto não conhecem os conteúdos do testemunho torna-se óbvio que elas não são desejadas ali e que não é claro quem é que observa e quem está a ser observado. O velho Khun também não se mostra grandemente interessado em deixar que alguém fique com as suas possessões, ainda que já não se encontre neste mundo… “Ghost Legacy” é um enredo demasiado enredado para 20 minutos de filme e, que não abona a favor de quase nenhuma das personagens. As gémeas são demasiado reminiscentes da curta-metragem “Alone”(2007) desde a parecença das jovens actrizes ao pormenor dos acessórios. Uma tem óculos porque aparentemente há sempre uma intelectual num conjunto de gémeas. A diferença maior é pois no estilo, que “Ghost Legacy” é um filme mudo. Apenas não tem um acompanhamento sonoro mais do que esporádico, tornando a curta-metragem num visionamento longo e penoso. Existe ainda um contraste perturbador entre as expressões dos actores e as linhas de diálogo que estampadas no ecrã alimentam alguma esperança de seguimento da estória. Onde um actor deveria emular agressão há um olhar de complacência, onde uma actriz deveria demonstrar medo, surge desafio. Onde a pós-produção devia completar o processo, preencher os buracos, torna-se o seu maior fracasso. Elimina quaisquer propensões artísticas que o realizar pudesse ter.
“Heaven 11” passa-se numa menos glamorosa loja de conveniência. Dois novos empregados relatam como já faleceram ali quatro empregados antes. Uma maldição qualquer assombra aquele lugar e, se não tiverem cuidado eles poderão ser as próximas vítimas. Isso explica o pouco tempo de permanência de cada empregado. Um deles é Jick (Patcharee Tubthong), filha do patrão que se entretém durante as longas horas de plantão, em conversas telefónicas e na internet com as melhores amigas Noo e Sam. O que se segue são invejas e intrigas próprios da idade, que poderão ter consequências muito sérias, sobretudo se empurradas por fantasmas que não pretendem passar a eternidade sozinhos. Temas como romance, amizade, ciúme, bullying formam um compêndio de culpas e troca de acusações que podiam funcionar melhor se se tratasse de um filme independente ao invés de uma curta-metragem. Mas o melhor devem ser mesmo as breves cenas cómicas, como a imagem de um homem másculo que se transforma num medricas perante uma situação de morte iminente e uma empregada vesga pouco esperta que tem tiradas tão fabulosas como “Tenho ar de quem precisa de sexo telefónico?” Tais linhas de diálogo quebram a tensão crescente mas ajudam a elevar uma película que até ali se revelava meramente mediana.
Cara de poucos amigos
“Hell no. 8” foca um elevador assombrado e dois técnicos muito divertidos que se calhar é melhor despacharem-se a fazer a manutenção do dito. Ao que parece uma mulher foi ali esfaqueada pelo ex-companheiro e… ali ficou. É o segmento mais divertido e prova, mais uma vez que no que face a fantasmas de mulheres assassinadas, os homens encontram-se sempre em desvantagem. (Só é pena que elas só façam valer os seus argumentos depois de mortas). Misóginos, pervertidos e um pouco destravados, mas o absurdo torna-os tão divertidos que vê-los vítimas de uma mais uma descabelada parece é um desperdício. Enfase na palavra “parece” porque há mais estória do que as primeiras aparências podiam fazer crer. E sempre tem a vantagem do cameo da personagem mais engraçada do filme anterior. Mais uma antologia desigual, mais uma antologia desnecessária. Duas estrelas e meia.
O melhor:
- Homenagem ao cinema mudo
- Todas as falas da empregada vesga
- Alguém sabe onde foram desencantar os técnicos e a empregada vesga? São hilariantes.

O pior:
- Contraste entre a imagem e a legenda
- Falta de rítmo
- “Homenagem” a “Alone” (2007)
- “Heaven 11” ser uma curta-metragem
- Descabelada vingativa. Bocejo.

Realização: Yuthlert Sippapak e Tiwa Moeithaisong
Argumento: Kiattisak Sriratnonsung, Kosess Chalidtiporn, Taweewat Wantha e Kiradej Ketakinta
Natta Bangkhomnet como Siamesa 1
Nattaya Bangkhomnet como Siamesa 2
Akarin Akaranitimaytharatt
Theeradanai como Pricha
Patcharee Tubthong como Jick
Adirek "Uncle" Wattleela  como policia
Artir Wiboonpanitch
Panita Thumwattana

Próximo Filme: "Neighbour n.º 13" (Rinjin 13-gô, 2004)

domingo, 29 de dezembro de 2013

"My wife is a gangster 2: The Legend Returns" (Jopong manura 2: Dolaon jeonseol, 2003)

A película está disponível online com legendas em inglês

Após o enorme sucesso de “My Wife is a Gangster” uma sequela teria de aparecer mais cedo ou mais tarde. Assim, volvidos dois anos, Eun-jin (Eun-kyung Shin) continua a gangster mais dura e temerária de todos. Após um confronto num telhado Eun-jin sofre uma queda que a deixa sem memória e a arrasta para uma vida muito diferente. Ela trabalha como moça de entregas num restaurante ao mesmo tempo que tenta descobrir a sua verdadeira identidade. Quem não parece muito feliz com essa possibilidade é Jae-chul (Jun-gyu Park) o dono do estabelecimento que vai tentando, sem grande sucesso, introduzir-se no coração e na cama de Eun-jin. Entram uns gangsters que querem arrasar o comércio tradicional para construir um centro comercial no local e revela-se a oportunidade ideal para Eun-jin (re)descobrir a sua vocação. Ele há coisas que nunca se esquecem e ser perito em artes marciais é algo que é capaz de não se perder da noite para o dia.

A estória, não é muito mais que a súmula de uma dezena de filmes anteriores, porque isto de escrever um argumento original dá muito trabalho. E não sucede sem alguns erros essenciais. Para os menos atentos, o titulo “My Wife is a Gangster”, implica que Eun-jin seja casada. No primeiro filme a vítima, perdão, o felizardo era Soo-il (Sang-Myeon Park), um solteirão que não sabia no que se estava a meter quando aceitou participar num casamento arranjado. Na sequela, este papel foi curiosamente eclipsado, não sendo referidas sequer as circunstâncias que ditaram o seu afastamento. O que significa que Eun-jin será divorciada. Cabe então a Jae-chul o papel de “marido”, sendo que as preferências de Eun-jin continuam tão vincadas como antes: “Que ninguém tente um contacto romântico ou o mais certo é levar um tabefe”. E a verdade é que ela não está fadada para muito melhor pois o dono do restaurante é tão pouco atraente quanto o anterior “parceiro” e este revela uma predilecção por tentar o contacto íntimo de cada vez que Eun-jin se encontra adormecida. Porque alguém iria achar semelhante comportamento romântico escapa-me por completo. Felizmente Eun-jin é uma mulher feroz e está mais do que à altura de impor um não, já que a alternativa seria a violação. Ao menos o pobre coitado do filme anterior era marido de Eun-jin, sendo que este se aproveita da amnésia dela para trabalhar a troco de um tecto e porventura ter alguém que o ajude com a filha adolescente. Junte-se pois a exploração laboral à lista de qualidades de Jae-chul.

Eventualmente Eun-jin recupera parte da memória e se é verdade que não há glamour associado à vida do crime, a alternativa, a de ser tratada quase como uma pessoa com uma deficiência mental não é muito melhor. Porquê sujeitar-se ao servilismo quando já foi tanto mais? Se em “My Wife is a Gangster” as personagens já estavam perigosamente perto do caricato, na sequela, isto é por demais evidente. Até Eun-kyung que oferecia ao papel uma dose de realismo credível à gangster dura mas sem noção dos factos da vida parece agora forçada e infeliz na personagem. Com o sucesso do primeiro filme, é como se tivesse entrado em curso um processo de infantilização das personagens e da narrativa até à linearidade. Pois, obviamente, se a narrativa for mais fácil de seguir, as piadas mais básicas e próximas da sexualidade ou do humor de casa de banho as audiências irão com certeza encontrar mais pontos de referência e como tal, afluir às bilheteiras. Ah, a ingenuidade.
As cenas de combate são o mais próximo de resgate de película embora as acrobacias sejam humanamente impossíveis. Aí entra o trabalho de arame que mantém a artificialidade constante do menino. Nem com uma breve aparição de Zhang Ziyi “My Wife is a Gangster” atinge a redenção. Quando muito soa a truque barato para capitalizar no sucesso (na altura em forte ascensão) da actriz chinesa. Boa. Pois precisam de toda a ajuda possível. Duas estrelas.

 Realização: Heong-sun Jeong
Argumento: Hae-cheol Choi e Heong-sun Jeong
Eun-kyung Shin como Eun-jin
Jun-gyu Park como Jae-chul
Se-jin Jang como Sang-eo Baek
Hyeon-kyeong Ryu como Hi-hyun Yun
Hyeon Ju como Gosachae
Mi-ryeong Cho como Eun-bang Geum
Jun-yong Choi como Jun-man
Seung-wook Kim como Wu-bung
Tae-hoon Kim como Tae-kyung
Hyeon-jeong Seo como Hyo-jeong

Próximo Filme: "Deranged" (Yeongasi, 2012)

domingo, 1 de dezembro de 2013

"Kiss me, Kill me" (Kilme, 2009)

Encontram facilmente o filme com legendas em inglês

A ideia da morte paira sobre ela desde que o homem por quem se apaixonou a rejeitou em definitivo. A morte paira sobre ele desde que aceitou um trabalho de assassino profissional. Eles vão encontrar-se quando ela o contrata para acabar com a miséria dela e o improvável acontece. Na morte, descobrem o amor. Ela, apesar de todos os esforços do assassino em mantê-la viva parece destinada a tentar de todas as maneiras possíveis levar até ao fim a missão de uma morte precoce. Quanto a ele, parece quase improvável que uma pessoa tão em controlo da vida profissional (afinal de contas ele mata pessoas!) seja tão desastroso na vida pessoal.

Jin-yeong Seo (Hie-jong Kang) está tão agarrada à morte que, se a inicio a sua casmurrice é digna de pena, torna-se irritante a partir do momento em que descobrimos o motivo por trás da sua decisão. Como pode uma rapariga nova agarrar-se assim à depressão? Já Hyeon-jun (Hyeon-jun Shin) vai além do habitual assassino profissional que descobre possuir sentimentos profundos acerca do seu alvo. Ele é uma personagem extremamente complexa, com motivos muito mais razoáveis para ponderar, ele próprio findar a sua vida. A mãe alcoólica é, de certo modo, uma versão mais velha de Jin-yeong, uma pessoa que desistiu e que é carregada pela vida, matando-se aos poucos mediante a droga da sua escolha, a bebida, que provoca, também ela, o adormecimento da psique de Hyeon-jun. Em última análise, Hyeon-jun escolheu aquela profissão porque tem problemas com a mãe. Ela é o seu modelo. E ele espera, inconscientemente talvez, que o trabalho que desempenha lhe traga a morte visto que ele não é capaz de o fazer. Mas chega de falar da morte, que este filme é sobre a vida.
“Kiss me, Kill me” apresenta personagens não muito simpáticos, apesar de nos fazerem rir entre sketches saídos de uma película puramente cómica. Depois do momento de gargalhada, lembramo-nos que um dos personagens tinha uma corda ao pescoço ou está rodeado de dezenas de latas de álcool vazias.
Duas almas sozinhas encontram-se e vivem felizes para sempre? Vejo pelo menos dois obstáculos: o facto de Jin-yeong não poder ficar sozinha muito tempo sob pena de tentar suicidar-se e esta ter pedido dinheiro a agiotas para encomendar a sua própria morte. Se sobreviver vai ter de pagar a dívida, com juros. Qualquer dos actores principais está à altura da tarefa de nos fazer compreender e apreciar, a seu tempo, personagens pouco acessíveis. E ainda bem que assim é senão, “Kiss me, Kill me” seria um affair bastante tedioso. Os filmes coreanos são conhecidos pelo ritmo vagaroso, mas este é o exemplo perfeito dessa crença. Se a audiência não estiver disposta a aguardar pela recompensa mais vale nem arriscar. A narrativa está ainda pejada de coincidências demasiado convenientes para ser verdade. Como se estivessem a adequar a realidade à ficção e não o contrário. O que podemos extrair destas opções é que “Kiss me, Kill me”, a despeito do enfoque num cenário negro tem alma de comédia romântica. E na verdade, não vejo como podia não apostar naquele ao fim de apenas um quarto de hora de filme. Não queria que a dor levasse a melhor sobre eles. Porque se até aqueles personagens têm hipótese de salvação, significa que há esperança para todos. Três estrelas.

Realização: Jong-hyeon Yang
Argumento: Jong-hyeon Yang
Hyeon-jun Shin como Hyeon-jun
Hie-jong Kang como Jin-yeong Seo
Hye-ok Kim como Yeo-kyeong Yun
Cheol-min Park como Man-su Lee
Seong-mo Jeong como Geum-su Na
Woo-chang Shim como Sang-bok Ahn

Próximo Filme: "King's Game" (Osama gemu, 2011)

domingo, 3 de novembro de 2013

"Dark Flight 407 3D", 2012


A ideia de uma centena ou mais de pessoas desconhecidas despenderem várias horas dentro de um passaroco gigante com um mínimo de liberdade de movimentos já é desconfortável. Se a isso juntarmos a possibilidade de uma ave entrar por uma das turbinas do aparelho, de ocorrer uma situação de negligência ou indisposição súbita dos pilotos que estão por trás de uma porta da qual nem um vislumbre ou de um tarado qualquer passar-se a meio da viagem, eis a vontade de viajar parece tornar-se subitamente mais reduzida. Demasiado pode correr mal… No ar, ninguém pode correr, ninguém escapar. Qual caixinha de surpresas, onde qualquer factor levado ao extremo pode gerar uma situação explosiva. Está-se à mercê de quaisquer circunstâncias imprevistas e da capacidade da tripulação e do apoio técnico, distante, produzir soluções. Posto isto, o avião parece o cenário ideal para um thriller de terror, certo?
Regressar ou não regressar ao trabalho, eis a questão.

New (Marsha Wattanapanich) é uma hospedeira de regresso ao trabalho após um acidente terrível que vitimou bastantes pessoas e a conduziu a anos de terapia intensa. Ela sente-se preparada para voar novamente mas, vítima do destino ou uma dose brutal de azar, este avião é demasiado reminiscente daquele que a traumatizou. Os mortos regressaram do além e querem arrastar os passageiros com eles. Será que alguém acreditará nela antes que seja tarde demais?
Ai tanto medo que nós temos. Uhhhhhhhhhh!
Acredito que falecer num acidente do género não seja a experiência mais agradável deste (e do outro) mundo mas, a sobreviver sob a forma espectral, não estou a ver onde é que atrair gente inocente para a morte provocasse algum tipo de alívio ou satisfação, pela condição de espírito. Uns exagerados estes fantasmas. A justificação prende-se com o facto conveniente do avião ter sido construídos com as peças do avião do acidente anterior. Ah e com o desejo de levarem New com eles. Como se atreveu ela a sobreviver? Felizmente, as suas acções extremadas quase são perdoadas pela circunstância de grande parte dos passageiros actuais serem de maus a horríveis. Há a mulher que faz do marido um capacho e utiliza a filha como moeda de troca para os caprichos do momento, a miúda de Hong Kong extremamente sexy porque pelos vistos tem de haver lá alguém com ar de meretriz sem que o público refile, um monge (últimos ritos e coisas do género, dão sempre jeito), o comissário de bordo efeminado, o jovem másculo que há uns anos teve um romance com New e ficou acidentalmente fechado no compartimento de bagagem, uns estrangeiros, um rastafariano... E pouco mais, que o voo 407 vai quase vazio. São mais os lugares vazios que os ocupados. Na Tailândia deve ser difícil arranjar figurantes, não?
E o prémio de melhor cena do filme vai para...

“Flight 407 3D” apresenta dificuldades que custam a aceitar ou o marketing não o apresentasse como o primeiro filme tailandês em três dimensões. Se isso é verdade… Diz que em 2012 estreou “Mae Nak 3D” e não teço mais comentários sobre esse assunto. Marsha Wattanapanich não tem nem o destaque nem o desempenho que merece. A sua personagem é apresentada como a principal mas a espaços é deixada de lado para dar lugar ao impacto da assombração sobre os outros passageiros. E quando surge, ela alterna entre o pensativo e a apatia. Como se ela tivesse desistido antes mesmo de começar. O argumento é tão mau que Marsha faz os possíveis por passar despercebida quando não está a efetuar um desempenho digno de uma daquelas actrizes que são descobertas em centros comerciais. Depois de participar no brilhante “Alone”, “Flight 407 3D” é um erro atroz. A grande mácula deste filme encontra-se precisamente na utilização da tecnologia 3D que não se justifica e apenas serve de engodo para apelar aos mais distraídos. O potencial do cenário é descartado por oposição à crença de que o 3D faz tudo mas não serve de desculpa para uma película sem quaisquer méritos e que sucede no hilário, ao invés do medo que o marketing prometia inspirar. Uma estrela e meia.

Realização: Isara Nadee
Argumento: Kongkiat Khomsiri, Chanin Panthong, Nattamol Peanthanom e Nattapot Potchumnean
Marsha Wattanapanich como New
Peter Knight como Bank
Paramej Noiam como Jamras
Patcharee Tubthong como Gift
Anchalee Hassadeevichit como Phen
Thiti Vechabul como Prince
Namo Tongkumnerd como Wave
Sisangian Sihalath como Ann
Jonathan Samson como John
Kristen Evelyn Rossi como Michelle´

Próximo Filme: "Phone" (Pon, 2002)
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