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domingo, 29 de dezembro de 2013

"My wife is a gangster 2: The Legend Returns" (Jopong manura 2: Dolaon jeonseol, 2003)

A película está disponível online com legendas em inglês

Após o enorme sucesso de “My Wife is a Gangster” uma sequela teria de aparecer mais cedo ou mais tarde. Assim, volvidos dois anos, Eun-jin (Eun-kyung Shin) continua a gangster mais dura e temerária de todos. Após um confronto num telhado Eun-jin sofre uma queda que a deixa sem memória e a arrasta para uma vida muito diferente. Ela trabalha como moça de entregas num restaurante ao mesmo tempo que tenta descobrir a sua verdadeira identidade. Quem não parece muito feliz com essa possibilidade é Jae-chul (Jun-gyu Park) o dono do estabelecimento que vai tentando, sem grande sucesso, introduzir-se no coração e na cama de Eun-jin. Entram uns gangsters que querem arrasar o comércio tradicional para construir um centro comercial no local e revela-se a oportunidade ideal para Eun-jin (re)descobrir a sua vocação. Ele há coisas que nunca se esquecem e ser perito em artes marciais é algo que é capaz de não se perder da noite para o dia.

A estória, não é muito mais que a súmula de uma dezena de filmes anteriores, porque isto de escrever um argumento original dá muito trabalho. E não sucede sem alguns erros essenciais. Para os menos atentos, o titulo “My Wife is a Gangster”, implica que Eun-jin seja casada. No primeiro filme a vítima, perdão, o felizardo era Soo-il (Sang-Myeon Park), um solteirão que não sabia no que se estava a meter quando aceitou participar num casamento arranjado. Na sequela, este papel foi curiosamente eclipsado, não sendo referidas sequer as circunstâncias que ditaram o seu afastamento. O que significa que Eun-jin será divorciada. Cabe então a Jae-chul o papel de “marido”, sendo que as preferências de Eun-jin continuam tão vincadas como antes: “Que ninguém tente um contacto romântico ou o mais certo é levar um tabefe”. E a verdade é que ela não está fadada para muito melhor pois o dono do restaurante é tão pouco atraente quanto o anterior “parceiro” e este revela uma predilecção por tentar o contacto íntimo de cada vez que Eun-jin se encontra adormecida. Porque alguém iria achar semelhante comportamento romântico escapa-me por completo. Felizmente Eun-jin é uma mulher feroz e está mais do que à altura de impor um não, já que a alternativa seria a violação. Ao menos o pobre coitado do filme anterior era marido de Eun-jin, sendo que este se aproveita da amnésia dela para trabalhar a troco de um tecto e porventura ter alguém que o ajude com a filha adolescente. Junte-se pois a exploração laboral à lista de qualidades de Jae-chul.

Eventualmente Eun-jin recupera parte da memória e se é verdade que não há glamour associado à vida do crime, a alternativa, a de ser tratada quase como uma pessoa com uma deficiência mental não é muito melhor. Porquê sujeitar-se ao servilismo quando já foi tanto mais? Se em “My Wife is a Gangster” as personagens já estavam perigosamente perto do caricato, na sequela, isto é por demais evidente. Até Eun-kyung que oferecia ao papel uma dose de realismo credível à gangster dura mas sem noção dos factos da vida parece agora forçada e infeliz na personagem. Com o sucesso do primeiro filme, é como se tivesse entrado em curso um processo de infantilização das personagens e da narrativa até à linearidade. Pois, obviamente, se a narrativa for mais fácil de seguir, as piadas mais básicas e próximas da sexualidade ou do humor de casa de banho as audiências irão com certeza encontrar mais pontos de referência e como tal, afluir às bilheteiras. Ah, a ingenuidade.
As cenas de combate são o mais próximo de resgate de película embora as acrobacias sejam humanamente impossíveis. Aí entra o trabalho de arame que mantém a artificialidade constante do menino. Nem com uma breve aparição de Zhang Ziyi “My Wife is a Gangster” atinge a redenção. Quando muito soa a truque barato para capitalizar no sucesso (na altura em forte ascensão) da actriz chinesa. Boa. Pois precisam de toda a ajuda possível. Duas estrelas.

 Realização: Heong-sun Jeong
Argumento: Hae-cheol Choi e Heong-sun Jeong
Eun-kyung Shin como Eun-jin
Jun-gyu Park como Jae-chul
Se-jin Jang como Sang-eo Baek
Hyeon-kyeong Ryu como Hi-hyun Yun
Hyeon Ju como Gosachae
Mi-ryeong Cho como Eun-bang Geum
Jun-yong Choi como Jun-man
Seung-wook Kim como Wu-bung
Tae-hoon Kim como Tae-kyung
Hyeon-jeong Seo como Hyo-jeong

Próximo Filme: "Deranged" (Yeongasi, 2012)

domingo, 1 de dezembro de 2013

"Kiss me, Kill me" (Kilme, 2009)

Encontram facilmente o filme com legendas em inglês

A ideia da morte paira sobre ela desde que o homem por quem se apaixonou a rejeitou em definitivo. A morte paira sobre ele desde que aceitou um trabalho de assassino profissional. Eles vão encontrar-se quando ela o contrata para acabar com a miséria dela e o improvável acontece. Na morte, descobrem o amor. Ela, apesar de todos os esforços do assassino em mantê-la viva parece destinada a tentar de todas as maneiras possíveis levar até ao fim a missão de uma morte precoce. Quanto a ele, parece quase improvável que uma pessoa tão em controlo da vida profissional (afinal de contas ele mata pessoas!) seja tão desastroso na vida pessoal.

Jin-yeong Seo (Hie-jong Kang) está tão agarrada à morte que, se a inicio a sua casmurrice é digna de pena, torna-se irritante a partir do momento em que descobrimos o motivo por trás da sua decisão. Como pode uma rapariga nova agarrar-se assim à depressão? Já Hyeon-jun (Hyeon-jun Shin) vai além do habitual assassino profissional que descobre possuir sentimentos profundos acerca do seu alvo. Ele é uma personagem extremamente complexa, com motivos muito mais razoáveis para ponderar, ele próprio findar a sua vida. A mãe alcoólica é, de certo modo, uma versão mais velha de Jin-yeong, uma pessoa que desistiu e que é carregada pela vida, matando-se aos poucos mediante a droga da sua escolha, a bebida, que provoca, também ela, o adormecimento da psique de Hyeon-jun. Em última análise, Hyeon-jun escolheu aquela profissão porque tem problemas com a mãe. Ela é o seu modelo. E ele espera, inconscientemente talvez, que o trabalho que desempenha lhe traga a morte visto que ele não é capaz de o fazer. Mas chega de falar da morte, que este filme é sobre a vida.
“Kiss me, Kill me” apresenta personagens não muito simpáticos, apesar de nos fazerem rir entre sketches saídos de uma película puramente cómica. Depois do momento de gargalhada, lembramo-nos que um dos personagens tinha uma corda ao pescoço ou está rodeado de dezenas de latas de álcool vazias.
Duas almas sozinhas encontram-se e vivem felizes para sempre? Vejo pelo menos dois obstáculos: o facto de Jin-yeong não poder ficar sozinha muito tempo sob pena de tentar suicidar-se e esta ter pedido dinheiro a agiotas para encomendar a sua própria morte. Se sobreviver vai ter de pagar a dívida, com juros. Qualquer dos actores principais está à altura da tarefa de nos fazer compreender e apreciar, a seu tempo, personagens pouco acessíveis. E ainda bem que assim é senão, “Kiss me, Kill me” seria um affair bastante tedioso. Os filmes coreanos são conhecidos pelo ritmo vagaroso, mas este é o exemplo perfeito dessa crença. Se a audiência não estiver disposta a aguardar pela recompensa mais vale nem arriscar. A narrativa está ainda pejada de coincidências demasiado convenientes para ser verdade. Como se estivessem a adequar a realidade à ficção e não o contrário. O que podemos extrair destas opções é que “Kiss me, Kill me”, a despeito do enfoque num cenário negro tem alma de comédia romântica. E na verdade, não vejo como podia não apostar naquele ao fim de apenas um quarto de hora de filme. Não queria que a dor levasse a melhor sobre eles. Porque se até aqueles personagens têm hipótese de salvação, significa que há esperança para todos. Três estrelas.

Realização: Jong-hyeon Yang
Argumento: Jong-hyeon Yang
Hyeon-jun Shin como Hyeon-jun
Hie-jong Kang como Jin-yeong Seo
Hye-ok Kim como Yeo-kyeong Yun
Cheol-min Park como Man-su Lee
Seong-mo Jeong como Geum-su Na
Woo-chang Shim como Sang-bok Ahn

Próximo Filme: "King's Game" (Osama gemu, 2011)

domingo, 17 de novembro de 2013

"Phone" (Pon, 2002)


Ji-won (Ji-won Ha), uma jornalista destemida tem vindo a receber telefonemas ameaçadores desde que escreveu uma série de artigos baseados na investigação de um caso de pedofilia. O casal Ho-jeong (Yu-mi Kim) e Chang-hoon (Woo-jae Choi) de quem é amiga íntima decidem fazer o papel de bons samaritanos e oferecem-lhe estadia numa das suas casas, onde será difícil aos bandidos encontrá-la. Entretanto, Yeong-ju (Seo-woo Eun), a jovem filha do casal atende o telefone de Ji-won por ocasião de uma das chamadas misteriosas e inicia a demonstrar sinais de possessão. Ji-won é forçada a recorrer à sua mente inquiridora, à medida que os telefonemas se intensificam e a música “Moonlight Sonata” começa a ecoar insistentemente na sua cabeça.

Costuma-se dizer, ou pelo menos foi a informação que me venderam, que o mais difícil em cinema é trabalhar com crianças e animais. Quando uma ideia assim tão louca resulta o produto final pode ser surpreendente. A Aniston e o Owen Wilson que me perdoem mas por algum motivo a película é “Marley e eu” e não os “Grogan e o cão”. Em “Phone”, uma miniatura feminina ainda nem chegada à puberdade rouba o filme das mãos de Ji-won Ha, aquela que é uma das actrizes mais populares da Coreia do sul dos dias de hoje. Deve doer.
E os cineastas não tiveram grandes contemplações para com o “selo” da Disney. A pequena Seo-woo comporta-se como uma adulta sem espaço para subtilezas. Ela irradia ódio, histerismo, sedução, maquiavelismo em doses iguais, brutais. O desempenho faz crer que as emoções que exalta nas cenas com Yu-mi Kim e Woo-jae Choi são mais do que mero fingimento. Ela conhece as emoções com que está a trabalhar, emula mais do que a insinuação e ultrapassa-os em profundidade. É boa demais para uma actriz com menos de dez anos de idade e que praticamente não possui experiência. Quando ela não se encontra a trabalhar o ecrã, “Phone” é apenas mais um numa longa sucessão de hair movies, se bem que, com a vantagem da antiguidade que ainda o torna, ligeiramente superior a muitos que se lhe seguiram. Ji-won interpreta uma jornalista, como convém porque à protagonista cabe sempre a ingrata tarefa de investigar uma série de acontecimentos grotescos. Mais alguém se recordou de imediato do “Ring” (1998)? Há lugar a telefones assombrados um elemento também não inteiramente estranho já que “Phone” foi o instigador original da série de filmes “One Missed Call”. Uma música associada a sarilhos? Conhecida ou pelo menos vagamente reconhecível que é para garantir que ninguém do público esquece. Céus, não sei se alguma vez o vi no cinema… À excepção de “Cello” (2005) talvez. E os elevadores, não sei o que se passa com os elevadores asiáticos mas são todos arrepiantes. As luzes apagam-se ou piscam e invariavelmente o número de ocupantes aumenta (lamento dizê-lo), de modo não tradicional. Novo flashback, desta feita apenas uns meses antes, para o filme dos irmãos Pang “The Eye”. Que aconteceu à música de elevador horrível e aos vizinhos desagradáveis com quem nunca ocorre um desbloquear de conversa excepto pelo final da viagem, assim que já não são necessários dos países ocidentais?
“Phone” é tão aborrecido como os restantes hair movies ou tão divertido como os seus congéneres. É uma questão de perspectiva na verdade. O cliente de um restaurante tendo perante si toda uma variedade de pratos só realiza o pedido do costume se ainda não está cansado de pedir sempre o mesmo. Pois “Phone” não engana ninguém, os créditos iniciais são prova disto mesmo. Apresenta exactamente aquilo que este tipo de cliente espera, com uma ou outra variação: maior ou menor quantidade, se calhar uma disposição dos ingredientes diferente mas a essência é a mesma. No máximo “Phone” é um caso de estilo mais interessante do que a substância e nesse caso como fã assumida do género nada tenho a apontar. Três estrelas.
Realização: Byeong-ki Ahn
Argumento: Byeong-ki Ahn
Ji-won Ha como Ji-won
Yu-mi Kim como Ho-jeong
Woo-jae Choi como Chang-hoon
Seo-woo Eun como Yeong-ju
Ji-yeon Choi como Jin-hie


Próximo Filme: “Ong-bak 2” (2008)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

"Chaw" (Chawu, 2009)


É quase um ritual, quando se abordam filmes de monstros, mencionar o “Alien” (1979) e o “Predator” (1987). São clássicos e são, simplesmente o padrão de excelência para qualquer tipo com pretensões de cineasta que queria assustar o pessoal com uns fatos de borracha. A malta nova, se calhar, já está tão dessensibilizada que não encontra o factor M (Medo), nestas películas. Mas a verdade é que criar um filme com uma besta atemorizante, hoje em dia, é ingrato. É já se viu tudo e de todas as maneiras. Aqueles filmes constituem um marco, no que diz respeito aos alienígenas e, no campo dos animais temos tamanha variedade desde o tubarão (“Jaws”, 1975) passando por ovelhas (“Black Sheep”, 2006) até ao coelho (“Monty Python and the Holy Grail”, 1975). Parece que o desafio sempre foi o modo como as captar. Ora, estamos perante um jogo de vislumbres ora mostram-no assim que podem e do modo ostensivo possível. Os filmes que optam pela revelação célere tendem a optar pelo género da comédia negra e tentam dela capitalizar ao máximo. “Chaw”… é como um adolescente. A princípio sabe o que quer mas passado algum tempo confessa-se indeciso e, no fim, chega à conclusão que é uma criança grande e ainda lhe falta algo para a atingir a maturidade.

Depois de uma sequência inicial brutal (adorava deixar-vos aqui um spoiler mas tenho de me manter firme e rejeitar o engodo), que decidiram que “Chaw” seria uma comédia e, como tal, teriam de estupidificar o argumento e respectivos personagens. Os momentos de humor acabam por resultar na maior parte mas não deixa de ficar a sensação, durante bastante tempo de que algo não está certo. A mudança de rumo do horror à comédia é tão radical que uma pessoa não pode deixar de se interrogar o que poderia ter acontecido tivesse o material seguido noutra direcção.

Sammaeri é uma pequena agrícola onde o acontecimento mais excitante é a feira de produtos orgânicos. Isto é, até serem encontrados os corpos trucidados de alguns aldeões. Decididos a parar com a carnificina um grupo de cidadãos, polícias e mercenários junta-se para caçar a besta responsável pelo evento. Entre estes encontram-se Il-man Chun (Hang-seon Jang) que tem desejos de vingança por a neta ter sido uma vítima do que acredita ser um javali gigante, Kang-soo Kim (Tae-woong Uhm) um polícia de Seul “promovido” para ali e Man-bae Baek (Je-moon Yoon) que sonha com a glória da caça. Nenhuma das personagens é memorável, ainda que o elenco seja sólido. Temo que seja a velha armadilha dos personagens descartáveis. Talvez por isso, não sejam abençoados com inteligência acima da média ou se detenham no ecrã por tempo suficiente para que se crie uma afinidade. E a polícia coreana demonstra ad nauseam a sua completa impreparação e incapacidade para lidar com situações de emergência, aqui para boa conveniência do argumento. Que faria se fossem voluntários? Para os mais atentos “Chaw” tem uma estória muito similar a filmes como “Jaws”, sendo que existem as primeiras mortes, desvalorização ou, se preferirem, descrença dos responsáveis da localidade devido a época importante para a sua sobrevivência económica, a constatação do óbvio à medida que a contagem de mortos aumenta, a contratação de especialistas para resolver o problema que falham redondamente e, mais para o fim, o bom herói relutante apanha os cacos. Os políticos só vêem cifrões à frente, os polícias são uns incompetentes e o herói nunca tem um pingo de vaidade. Tão, refrescante… Quanto à ameaça propriamente dita e, nos intermeios de comédia com terror, o “monstro” não se revela poderoso o suficiente para entrar nos pesadelos do homem comum. Além de que enquanto, a memória colectiva da cena em que javalis comedores-de-homens atacam um homem em “Hannibal” (2001), não se esvanecer o “monstro” de "Chaw" parecerá sempre por comparação um marco menor. Mas lá está, a besta é grande, o número de vítimas é significativo e são jogados todos os lugares-comum que resultaram anteriormente. Veredicto: Se apreciam filmes com bestas assassinas, "Chaw" acerta nas notas todas mas não o vejam com esperanças de grande originalidade. Duas estrelas e meia.

Realização: Jeong-won Shin
Argumento: Jeong-won Shin e Yong-Cheol Kim
Tae-woong Uhm como Agente Kim
Yoo-mi Jung como Soo-ryun
Hang-seon Jang como Il-man Chun
 Je-moon Yoon como Man-bae Baek
Hyuk-kwon Park como Detective Shin
Gi-cheon Kim como Chefe dos aldeões
Sang-hee Lee como Chefe da Polícia
Seo-hee Go como “mãe” de Deok-gu
Hye-jin Park como mãe do agente Kim
Yeon-hwa Heo como Mi-young
Yoon-min Jung como Agente Park

Próximo Filme: "Bun Man: The Untold Story" (Bat sin fan dim ji yan yuk, 1993)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

"Blind" (Beul-la-in-deu, 2011)


Soo-ah (Ha-neul Kim) é uma antiga recruta da polícia que cegou há três anos, na sequência de um acidente de viação. Ela ainda tem dias maus, dias em que os nervos lhe toldam a concentração e parece tão desamparada como no dia em que experienciou pela primeira vez a cegueira total e permanente. Soo-ah recusa-se a aceitar a ajuda do orfanato que a acolheu e, não se sabe se o motivo por trás desta atitude é o orgulho ou o facto de achar que não a merece, por não ser alheia à responsabilidade no acidente que a cegou a vitimou o “irmão”. Um dia apanha boleia do táxi errado. O condutor é um assassino em série e Soo-ah está prestes a tornar-se a próxima vítima quando atropelam algo. Soo-ah cedo suspeita que atropelaram uma pessoa e aproveita a confusão do acidente para se escapulir das garras do homem estranho, transformando-se na testemunha improvável do desaparecimento de uma jovem mulher.
Entretanto, surge Gi-seob (Seung-ho Yoo), um jovem desenraizado e extemporâneo que põe em causa as declarações de Soo-ah. Ele semeia a dúvida sobre a credibilidade de uma testemunha já frágil, ao mesmo tempo que faz a própria Soo-ah questionar as suas capacidades. Para o caso é destacado o desajeitado mas bem-intencionado detective Cho (Hie-bong Jo) cujo instinto parece estar a milhas de Soo-ah e do assassino. Estará numa invisual a chave para a captura de um assassino que tem conseguido iludir a polícia? “Blind” é comedido nas personagens mas não se poupa a esforços para as caracterizar. O assassino é calculista, dissimulado, aterrorizante e brutal. A construção da personagem está ligada ao que de pior se pode conceber na existência humana, é conscientemente unidimensional, como se não merecesse mais respeito. Acto consciente é, também, a exploração de Soo-ah como uma mulher que a despeito da incapacidade recém-descoberta explora o melhor dos seus outros sentidos e da sua intuição de polícia. Já Gi-seob utiliza o confronto como modo de escape a situações incómodas e impedir que os que estão à volta o magoem. Ela perdeu o “irmão” com quem foi criada no orfanato e Gi-seob constitui em simultâneo uma recordação penosa e uma nova oportunidade, dando espaço a um laço que poderá ser a fronteira intransponível para um assassino que não conhece o afecto. O detective Cho parece retirado a papel químico da polícia de outros filmes mas revela competência ligeiramente superior. Ele contribui para o mito de que as forças da autoridade sul-coreanas têm um QI bastante inferior ao da população média. Quase como se fosse um requisito para se tornarem polícias. Com uma taxa de crime das mais baixas dos países desenvolvidos é normal que a polícia seja no mínimo, relaxada. Junte-se um sistema penal onde as penas são consideradas leves pela população e o sistema judicial é considerado desclassificado em efeito cascata. O ecrã não é mais do que o reflexo do senso comum da população.

“Blind” é a segunda incursão do realizador Sang-hoon Ahn nas longas-metragens, cuja primeira obra, “Haunted Village” foi um thriller sobrenatural, também tendo por foco uma personagem feminina forte mas com uma narrativa menos coesa e mais improvável. Erm, thriller sobrenatural?! A cena da autópsia improvisada ao cadáver de um cão permanecerá para sempre comigo… Enfim, a julgar pelas duas obras Ahn não deve ter grande impressão do melhor amigo do homem. A personagem de Soo-ah tem ainda algumas idiossincrasias: tão depressa apresenta capacidades sobre-humanas como as alterna com atitudes incoerentes com o treino policial e fraca habituação à condição de invisual. Há deduções demasiado brilhantes para ser reais! O grande problema de "Blind" reside na distribuição desigual de cenas de tensão. Após a primeira metade do filme existe uma cena de perseguição no metropolitano que é uma das mais enervantes (no bom sentido), que vi nos últimos tempos. O final, por contraste é quase anticlimático.
Mas desengane-se quem pensa que “Blind” é mais um thriller genérico. Ou melhor, a indústria cinematográfica sul-coreana alberga um verdadeiro dom que respeita a resgatar uma estória das malhas da vulgaridade e, se a não reinventa, tem pelo menos habilidade para a moldar e polir, sólida como um rochedo. Os sul-coreanos são os melhores contadores de estórias negras, perigosas e envolventes da 7ª arte. Eles não sabem como não fazer um bom thriller de assassinos em série. Devia existir alguma lei científica quanto a isso. É tão certo quanto a existência da gravidade, provas aqui, ali e acolá. Por isso, se tencionam passar ao lado de “Blind” por entender que retrata mais uma mulher desamparada contra um vilão superior, cometem um grande erro. Só não vê quem não quer. Três estrelas.

Realização: Sang-hoon Ahn
Argumento: Min-seok Choi e Andy Yoon
Ha-neul Kim como Soo-ah
Seung-ho Yoo como Gi-seob
Hie-bong Jo como Detective Cho
Yoeng-jo Yang como Myeong-jin

Próximo Filme: “Colic” (Colic: Dek hen pee, 2010

domingo, 19 de maio de 2013

"Ghost Sweepers" (Jeomjaengyideul, 2012)


Uljin é uma pequena localidade piscatória coreana que podia passar despercebida se não se desse o caso de ter um número de casualidades terrivelmente elevado. O poder local, convencido que a origem do mal tem origem em forças malévolas sobrenaturais, convida shamans de todo o país ao local para expurgar o mal que constitui um empecilho para o desenvolvimento da região. O que os shamans encontram é um verdadeiro fenómeno sobrenatural de vasto espectro, o sonho de uma vida para um amante das ciências do oculto. Ou talvez não. A maioria decide, como muitos outros antes deles desertar, mesmo que lhes seja oferecida riqueza para toda a vida. É o momento em que se separam os aldrabões dos profissionais… Sobram seis. O famoso professor Park (Soo-ro Kim), especialista em exorcismos; Shim-in (Do-won Kwak) que se afastou da fama para uma existência mais obscura; Suk-hyun (Je-hoon Lee), um engenheiro que acredita identificar espectros mediante a utilização da ciência; Wol-kwang (Kyung-mo Yang), um adolescente com a capacidade de prever o futuro; Seung-hee (Yoon-hye Kim) uma taróloga com a capacidade de ver as memórias “guardadas” nos objectos e Chan-young (Ye-won Kang), uma jornalista movida por motivos pessoais. Uma festa certo?

“Ghost Sweepers” não faz nenhuma tentativa de esconder os seus objectivos: estremecer nalgumas partes e rir a bandeiras despregadas noutras. Numa delas falha espetacularmente. Querem adivinhar?
Toda a construção da narrativa assenta na introdução aos personagens, cada uma distintiva. O guarda-roupa ajuda a esse trabalho mas as personalidades transparecem como, por exemplo o professor algures entre o ocultista dividido entre a nobre profissão e o estrelato, o engenheiro que pretende validar a existência de vida além-morte através do método científico mas se revela um homem frágil ou a jornalista com um exterior mais forte do que os óculos de massa grossa deixam antever. Por desenvolver ficam o monge Shim-in que possui um “terceiro olho” que lhe permite ver mais do que os colegas ou a taróloga giríssima mas perigosa. É difícil decifrar o que terá passado pela cabeça do argumentista Seong-hwi Kwon para deixar à margem duas das personagens com maior potencial. Como é possível descartar a capacidade de visão de fantasmas ou não explorar o facto de uma mulher atraente optar por um caminho solitário e com pouca credibilidade. Outra aposta fraca de caracterização é o traje jornalístico de Chan-young e os óculos da praxe. Será assim tão complicado marcar uma personagem na mente das audiências e conferir-lhe autenticidade sem a “vestir” como tal?
Ou o guarda-roupa é um engodo para esconder outras fraquezas de construção da personagem? Seria de pensar que teriam maior confiança numa actriz que entrou em filmes como “Hello Ghost” e “Tidal Wave”… Mas nem tudo são percalços. Os momentos de comédia, sobretudo os que assentam na inversão de papéis entre Suk-hyun e Chan-young são uma delícia. Ele como homem frágil e ela uma mulher mais dura que o exterior deixa ver. A transição para os momentos mais sérios é o que destrói a leveza que tinha sido conquistada com uma série de gags refrescantes. E depois apresentam tantas estórias secundárias que a dada altura percebemos que "Ghost Sweepers" não é nada o filme de amigalhaços shamans que nos quiseram vender. Porque é que nos fazem apaixonar por um filme e depois decidem que afinal não era o que pretendiam? “É um filme de terror! Ah e tal desculpem!” A sério Coreia?! A transição entre comédia e terror ou comédia e drama é um acto de equilibrismo que muito poucos conseguem atingir, vide “Hello Ghost”. Não é com certeza o realizador do “Chaw” (Javali gigante assassino) que vai conseguir acertar na fórmula. Fiquem-se pelo que sabem e fazem bem. Duas estrelas.

Realização: Jeong-won Shin
Argumento: Seong-hwi Kwon
Soo-ro Kim como professor Park
Do-won Kwak como Shim-in
Je-hoon Lee como Suk-hyun
Ye-won Kang como Chan-young
Kyung-mo Yang como Wol-kwang
Yoon-hye Kim como Seung-hee


Próximo Filme: "Paranormal Activity 2: Tokyo Night" (Paranomaru akutibiti: Dai-to-shô - Tokyo Night, 2010)

domingo, 5 de maio de 2013

TOP Saga “Whispering Corridors” (1998-2009)


Trailer de "Whispering Corridors" (1998)

Duas belas tardes, nos idos de março (notem bem a referência cinematográfica, hã?), muni-me das armas essenciais de qualquer cinéfilo que se preze: chocolate, uma manta, lencinhos renova, que isto nunca se sabe quando a lágrima se forma ao canto do olho e decidi-me a visionar a saga de terror coreano “Whispering Corridors”.

“Whispering Corridors” é um dos primeiros clássicos do final dos anos 90 que contribuíram para a insanidade temporária ao redor do j-horror e k-horror. A saga gerou cinco filmes, o último dos quais estreou apenas há alguns anos (2009) e, provavelmente encerrou um dos capítulos mais famosos do cinema de terror sul-coreano. Impressões: as estudantes de liceu são bastante desenvolvidas em termos de físico (ou isso ou já contratavam actrizes mais novas para os papéis, só um pensamento), contem com uma percentagem de 0,00000000000123% de testosterona neste filme, toda a gente a dada altura pensa em matar-se ou chega mesmo a suicidar-se, os colégios femininos são um inferno e os tipos que trataram do marketing dos filmes são uns génios. Se desejam descobrir em que se baseiam estas impressões sigam sem demoras para o TOP Saga “Whispering Corridors” do Not a Film Critic.

1) “Whispering Corridors 2” – Memento Mori (1999): Min-ah é uma colegial demasiado curiosa para seu próprio bem que encontra o diário esquecido de uma colega de turma. Ao invés de o devolver ela dedica-se a explorar cada página que foi decorada como se de um tesouro se tratasse por Shi-eun e Hyo-shin de quem corre o rumor de que estão envolvidas romanticamente. Quando Hyo-shin salta do telhado da escola para a morte, Min-ah e as colegas começam a ser alvo de eventos sobrenaturais cada vez mais aterrorizantes. Conseguirá Min-ah descobrir a ligação entre o diário e o fenómeno antes que seja tarde demais?

2) “Whispering Corridors” (1998): O último ano de secundário inicia-se com uma tragédia. Park, uma professora a quem as alunas chamavam pouco afectuosamente de “Velha Raposa” é encontrada morta por enforcamento, na escola por duas alunas. Jae-yi é a típica rapariga tímida em quem ninguém repara até ao último ano e Ji-oh é a jovem artista cheia de talento que os professores conservadores adoram odiar. Elas encontram numa sala de aulas desactivada o local onde estudar e criar arte sem ninguém as incomodar. Diz-se pela escola que o local é assombrado pelo fantasma de uma antiga aluna que morreu ali 9 anos antes e que esse evento poderá estar relacionado com a morte da professora Park.

3) “Whispering Corridors 4: Voice” (2005): Young-eon passa os dias a treinar canto com a professora ou se deixa ficar até bem tarde de noite, no estúdio da escola. Um dia ela ouve um barulho e ao investigar, acaba por ser assassinada com uma pauta de música. Ela transforma-se num fantasma condenado a vaguear os corredores da escola até conseguir alcançar um qualquer tipo de resolução que lhe permita passar para o outro lado. A sua única esperança é a melhor amiga Sun-min que parece ser capaz de a ouvir do além. Recorrendo às últimas memórias antes da morte e a investigação no mundo dos vivos de Sun-min tentam descobrir quem está por trás da sua morte.

domingo, 31 de março de 2013

"Death Bell 2" (Gosa 2, 2010)



Um dos slogans para este filme podia ser: “adolescentes idiotas continuam sem saber dominar regras básicas de sobrevivência”. Isso, ou então é um universo qualquer em que não vêem filmes de terror. Podiam ver o “The Cabin in the Woods” (2011), por exemplo, a ver se aprendiam algumas coisinhas. Desculpem alguma coisa mas custa-me ver a juventude reduzida a uma cambada de ignorantes sem inteligência ou artificio. Se o futuro se reduz a uma juventude com as capacidades intelectuais equivalente à dos personagens deste filme a Coreia do Sul espera uns próximos anos complicados.
“Death Bell 2: Bloody Camp” trilha o mesmo caminho do antecessor: um slasher onde os alunos de uma escola são carne para canhão, com a promessa de mais sangue e mortes ainda mais elaboradas. A estória deste filme não tem ligação à do filme de 2008, dando apenas uma piscadela de olhos aos eventos anteriores. Tae-yeon (Seung-ah Yoon), a estrela da equipa de natação da escola é encontrada morta na piscina. Suspeitando que a rapariga se atirou da prancha superior, as autoridades declaram a morte acidental. Entretanto, a meia-irmã dela Se-hee (Jiyeon Park), que também frequenta essa escola passa um mau bocado às expensas de Ji-yoon (Ah-jin Choi) e as suas amigas. Após o assassinato da professora de natação, os alunos descobrem que estão encurralados na escola e sem hipótese de ajuda do exterior. A única hipótese de sobrevivência reside em serem capazes de solucionar quem é o assassino e o seu motivo… Como ali parece não haver duas pessoas com mais de dois neurónios entre elas, as mortes sucedem com alguma frequência. Mais por culpa da sua própria inabilidade do que por uma inteligência extraordinária do assassino. Eles dedicam mais tempo às quezílias de miúdos que não têm mais nada que fazer e a tomar atitudes desprovidas de sentido como separar-se e apontar o dedo aos que percepcionam como mais fracos. Do género: “pode ser que o assassino esteja mais interessado em apanhá-lo do que a mim” ou “se o assassino for atrás dela dá-me tempo para fugir”… Não ficam extremamente orgulhosos da humanidade nestas alturas?
“Death Bell 2: Bloody Camp” sofre sobretudo por ser a sequela de um filme francamente superior à maioria dos filmes de terror que andam por aí. Esta sequela é um esforço desleixado. Não aprenderam nada com o primeiro filme que tinha uma estória minimamente compreensível, um par de protagonistas sólidos e com quem se simpatizava com facilidade e encenação das mortes bem construída. Em “Death Bell” sofria-se com antecipação de uma próxima vítima cuja entidade nunca era óbvia. A tensão era crescente e desde que a semente era plantada até ao golpe final era um martírio, não só pelos requintes de malvadez mas pela incapacidade de prever se estudantes e professores seriam capazes de juntar esforços com sucesso para salvar a vítima. “Death Bell 2: Bloody Camp” afasta desde logo a possibilidade de união entre os estudantes, tornando a tarefa de todo em todo mais simples para a mente malévola por detrás dos crimes e menos excitante para os espectadores. O enredo é muito mais intricado e faz ainda menos sentido que o primeiro filme. Só no último quarto de hora é que finalmente se compreendem os porquês da trama. Por essa altura, não só a probabilidade de acreditarmos no que estamos a ver é diminuta como já nem interessa.
Os personagens são em demasia e demasiado desinteressantes, malcriados e insolentes. Jiyeon Park que interpreta a única personagem com quem nos devíamos identificar é terrível no papel de Se-hee. Onde a representação do filme anterior era respeitável, aqui está ao nível de alunos do primeiro ano do curso de representação que foram lá parar por engano. A sua presença não é de todo inocente. Ela é considerada jeitosa na Coreia do sul e é membro do grupo de k-pop T-ara. Se bem se recordam, em “Death Bell”, a companheira de banda Eun-jung Ham era uma personagem-chave. A diferença está em que enquanto esta última é uma boa actriz, Jiyeon, bem… E eu adoro um bom golpe de marketing como o próximo, quando resulta. É um tédio. Um slasher que é um tédio? Sim, leram aqui primeiro. Duas estrelas.
Realização: Seon-dong Yoo
Argumento: Hye-min Park, Jeong-hwa Lee e Gong-ju Lee
Ah-Jin Choi como Ji-yoon
Jeong-eum Hwang como Eun-su Park
Chang-wuk Ji como Soo-il
Su-ro Kim como Seong-sang Cha
Hyeon-sang Kwon como JK
Bo-ra Nam como Hyeon-a
Eun-binPark como Na-rae
Ji-yeon Park como Se-hee
Un-son Ho como Jung-bum
Seung-ah Yoon comoTae-yeon
Shi-yoon Yoon como Kwan-woo

Próximo Filme: "Riding Alone for Thousands of Miles" (Qian li zou dan qi, 2005)

domingo, 10 de março de 2013

"Death Bell" (Gosa, 2008)


Há poucos cenários com maior potencial para o macabro e tenebroso que uma sala de aulas coreana. A ambição desmedida e alta competitividade são lugar-comum neste sistema educacional. É um lugar onde ser bom não chega. Ser bom não é suficiente para receber um elogio. Ser bom é apenas um motivo para se ser encorajado a fazer mais e melhor. O objectivo é ser o melhor da turma e, depois disso, o melhor da escola. A meta: chegar às universidades mais prestigiadas para aceder aos melhores cargos. Menos que isso é um fracasso. Que tal isto para pressão? “Death Bell” inicia-se num desses períodos extenuantes. Os alunos já se encontram na recta final de exames mas existe ainda um último desafio antes das férias de Verão: um grupo de estudantes ingleses vai visitar a escola e dois professores têm a tarefa de preparar os vinte melhores alunos da escola, uma elite excepcional, para impressionar os visitantes. Eis que quando todos já saíram para aproveitar as férias e os escolhidos iniciam mais uma série de exames toca a campainha da escola e a televisão da sala liga-se. Uma das alunas está num tanque que se está a encher rapidamente de água. Nas paredes do tanque uma equação. Uma voz sobrehumana dita as regras: eles terão de resolver a equação ou a rapariga morre. Se tentarem sair da escola morrerão. E com o desaparecimento dos telemóveis e corte de comunicações estão impossibilitados de contactar o exterior… Parece urgente o suficiente?

“Death Bell” segue a tradição de armadilhas extremamente elaboradas à la franchise “Saw”, onde os protagonistas estão bem cientes das consequências do fracasso em concretizar as “instruções”. Há um enorme engenho por trás das mortes e “Death Bell” é um dos poucos filmes de terror que felizmente não cai no habitual truque do fantasma vingador. Há alguém realmente inteligente e maléfico a planear o esquema tenebroso, o que é capaz de ser, a meu ver ainda mais assustador. De facto, toda a encenação por trás das mortes recorda “Bloody Reunion”, um filme bastante superior em termos de enredo mas não menos importante pelo impacto visual. “Death Bell” foi realizado por um homem do mundo dos videoclipes e é para a imagem que ele tem apetência, não nos iludamos. Por que sim, persiste a tradição de personagens idiotas com ideias completamente descabidas: “embora separar-nos?”, melhor ainda, “estamos todos a morrer, embora virar-nos uns contra os outros?” Mas este filme foi criado para servir um público mais jovem. Uma sala de raparigas pré-adultas em uniforme escolar e rapazes capazes de fazer qualquer uma sucumbir ao seu charme masculino contribuem para uma obra que sabe que vive mais da forma que de conteúdo. Entre os principais motivos de atracção para a audiência jovem encontram-se o jovem actor e modelo Kim Bum (eu não disse que quase não há gente feia naquele sítio?) que faz o papel do rebelde Hyeon e a heroína com um bocadinho mais de cérebro que os génios que a rodeiam I-na (Gyu-ri Nam).
Esta última, tão ou mais conhecida pela polémica confrontação pública que opôs a sua agência de entretenimento e os membros da sua ex-banda a ela própria assim como as inúmeras cirurgias plásticas a que se submetem. Ela é o sonho de qualquer cirurgião plástico e um dos principais argumentos a favor da cirurgia estética. Digamos que a vida dela no espectro público foi bastante beneficiada pelas alterações cosméticas a que se submeteu. De destacar ainda a presença da Eun-jung Ham das T-ara num curto mas importante papel. “Death Bell”, com apenas 88 minutos de duração é altamente eficaz a chegar do ponto A ao ponto B. Não se detém em pinceladas dramáticas como tantas vezes sucede no cinema sul-coreano. Apresenta as personagens importantes, quase todas reduzidas ao estereótipo, foca os ataques não mais do que o tempo necessário e concentra-se na resolução da trama. Ora porquanto o como seja extremamente elaborado é o porquê que mais deixa a desejar. Se o motivo está ao alcance de qualquer pessoa com dois neurónios é o quem que mais intriga. A esse respeito, a intransigência da edição será um dos grandes culpados. Há momentos em que as transições de cena são pouco fluídas e apesar de não se perder o sentido, persiste a ideia que um pouco mais de conteúdo teria ajudado a conferir mais sumo à estória. Mas não podemos ser muito esquisitos. Foi uma hora e vinte minutos de diversão que me prometeram e cumpriram. Três estrelas.
Realização: Hong-Seong Yoon
Argumento: Hong-Seong Yoon e Eun-kyeong Kim
Beom-soo Lee como Chang-wook Hwang
Gyu-ri Nam como  I-na
Kim Bum como Hyeon
Yeo-eun Son como Myong-hyo
Eunjung Ham como Ji-won


Próximo Filme: “Clash” (Bay Rong, 2009) 

quinta-feira, 7 de março de 2013

"Hello Ghost" (Helowoo goseuteu, 2010)


A futurologia não se encontra entre as capacidades fantásticas aqui do burgo mas se apostasse que 8 em cada 10 pessoas que viram este filme gostaram, não estaria muito longe da verdade.
É um filme para chorões, sem margem para dúvidas. Não posso aconselhar a uma pessoa que se diga verdadeiramente sensível a visionar este filme sem uma caixa de lenços em cada um dos lados ou, um braço másculo e um peito quente onde se encostar nos momentos mais críticos, enquanto sussurra “pronto, pronto já passou”. Por que haveria uma pessoa de querer ver um filme que nos faz chorar baba e ranho? Por princípio, talvez muitos não queiram mas “Hello Ghost” sabe dosear na perfeição os momentos de drama e comédia. A dada altura, já não saberão se o sorriso é triste ou se, se deve a um dos muitos momentos adoráveis que permeiam esta comédia dramática sobre o falhado que se deseja matar e acaba com quatro fantasmas “atrelados” a si. A cena inicial não podia retratar uma imagem de maior desespero: um homem só, numa sala como no mundo, tenta matar-se. E falha. E volta a tentar. E não o deixam por que não tomou os comprimidos suficientes ou por que o acudiram a tempo. A partir daí ganha momentum e a esperança começa, paulatina, a crescer. Pois, por que Sang-man (Tae-yun Cha) chega a estar morto durante alguns minutos mas sobrevive graças à intervenção médica.

Com esta nova hipótese de sobrevivência advêm também quatro fantasmas safados que querem utilizar o corpo dele para os seus próprios fins. Isto gera os momentos mais engraçados já que cada vez que um fantasma entra no corpo de Sang-man ele adquire os seus tiques e vícios. No caso do velhote, ele fica com ar de pervertido que gosta de olhar para mocinhas de modo pouco inocente; no caso do fumador, além de ele se iniciar nesse vício pouco saudável, ganha uma franja à Bieber (última vez que menciono o puto rebelde neste blogue, prometo); quando é a vez do miúdo a gula vem ao de cima; enquanto a chorona, bem, é auto-explicativo além de que ganha trejeitos femininos pouco abonatórios da sua maneira de estar. Ah e já disse que o actor principal é o mesmo da grande comédia, mais vezes referida e revisitada do cinema coreano de todos os tempos, “My Sassy Girl” (2001)? Não? Ainda dizem que os relâmpagos não acertam duas vezes no mesmo sítio… Mas havia qualquer coisa que me deixava, não sei, à deriva e descobri bastante tempo depois de ver “Hello Ghost”. Então não é que o mesmo cenário se repete em “Heart and Souls” (1993) com o maravilhoso Robert Downey Junior pré drogas-destroem-a-vida-até-ao-regresso-mais-fantabulástico-de-sempre? A minha opinião quanto à peça coreana não se altera, pelo menos, não em termos de qualidade. O elemento originalidade cai por terra. Felizmente (e eu quis tanto gostar deste filme) há outras características redentoras. Deixam-me afirmar que é uma película com alma sem todos aqueles questionamentos metafísicos que a acompanham? Se calhar é a frase mais vaga e inócua para ajudar alguém a decidir-se a ver um filme mas, quando algo nos faz rir e chorar com sentimento, não se diz que toca a alma?
“Hello Ghost” também é um momento cultural maravilhoso para a Coreia, abordando tantos assuntos como a solidão, a depressão, o suicídio, o colectivismo, a importância da família, a existência de vida depois da morte e, depois, claro, há um breve passeio pela culinária, pelas actividades culturais... Há tanto por descobrir deste país no filme que só por isso, para quem for um apaixonado da cultura coreana ou estiver a frequentar o curso de estudos asiáticos é um encanto. De todos os personagens, mesmo assim, a protagonista é capaz de ser uma das mais desinteressantes. A enfermeira com um coração de ouro que revela uma relação conflituosa com o pai podia ter sido interpretada por qualquer outra actriz. Ela é quase desinteressante por comparação com os fantasmas e o adorável falhado Sang-man. E nem é por considerar que Yen-won Kang é má actriz. Quem consegue competir com personagens exagerados ao cubo?
“Hello Ghost” é tão mas tão adorável que seria capaz de derreter o inferno. Tão adorável que… céus, tenho de ir já a correr ver um filme de terror. Quatro estrelas.

Realização: Young-tak Kim
Argumento: Young-tak Kim
Tae-yun Cha como Sang-man
Yen-won Kang como Yun-soo
Moon-su Lee como o Fantasma velhote
Chang-seok Ko como Fantasma fumador
Young-nam Jam como Fantasma chorona
Bo-geun Cheom como Criança fantasma

Próximo Filme: "Death Bell" (Gosa, 2008)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

"The Wig" (Gabal, 2005)


Mais uma entrada para a molhada da brigada de cabelos negros certo? Errado. “The Wig” é mais uma versão do onryo (fantasma vingativo) que pulula o cinema asiático e muito mais. Quando o reinado de uma entidade de terror que vale por si própria termina, a película necessita de mais em que se apoiar e nesse aspecto “The Wig” tenta escapar à corrente dominante. Mais próximo de “A Tale of Two Sisters” (2003) do que um “Ringu” (1998), “The Wig” foca-se na relação de duas irmãs, enquanto aguardam pela morte de uma delas com cancro em estado terminal. Ji-yeon (Seon yu)é a irmã mais velha que vê a irmã mais nova, a decair a cada novo dia enquanto tenta preparar-se para o inevitável. Como boa irmã, tenta minorar a miséria de Su-yeon (Min-seo Chae), comprando-lhe uma peruca para cobrir a careca provocada pela quimioterapia e cedendo a todo o tipo de indulgências. Ji-yeon sofre com a morte precoce iminente que a roubará de experiências como viver um primeiro amor. Não bastasse o facto de a irmã mais nova estar prestes a falecer e sem nada poder fazer, Su-yeon vive ainda atormentada com o acidente de viação que lhe retirou a voz e um namorado que foi incapaz de lidar com a nova situação. Não fosse o Not a Film Critic um blogue que privilegia o terror e diriam estar perante um dramalhão. Também é. Mas isso não é propriamente novidade. No que dia em que o cinema coreano decidir apostar num cinema mais convencional, sem o habitual enfoque dramático, perde a identidade.
Filmes com objectos inanimados que subitamente adquirem vida são de alto risco. Ou apostam na risada assente na premissa absurda e levam o conceito até às últimas consequências ou são tão sérios que a ideia morre à nascença. “The Wig” encontra-se entre os dois extremos. A peruca nunca se torna um elemento autónomo, apenas o catalisador para o melodrama de terror (ou terror melodramático, este é complicado de classificar)! Lume brando é a expressão que melhor define “The Wig”. Os sustos são espaçados e nem sempre previsíveis.  O drama é uma constante. O que também é uma constante é a interrogação sobre o que se está a passar. Enquanto o estado de Su-yeon é bastante óbvio, a mudez de Ji-yeon é uma enorme fonte de distração. Nos primeiros minutos de filme uma pessoa pensa que os argumentistas são minimalistas, depois vem a possibilidade de Ji-yeon estar em estado de choque com a doença da irmã, seguindo-se a ideia de que afinal ela é uma mulher fria ou, se calhar, sempre foi muda mas… Porque é que não avisaram?! Então, vindo do nada surge um flashback que demonstra um acidente horrendo que explica como é que a irmã mais velha perdeu a fala e, consequentemente o namorado. Claro que depois, qualquer simpatia que se pudesse ter pelo naco de carne asiático é eclipsada. Ah! “Ele é um estupor, como pôde deixá-la naquele estado?” Tudo razões do coração que, bem vistas as coisas, de nada valem. Como reagiriam se a mulher amada perdesse a voz para todo sempre? Se bem que esse nem é o menor dos problemas do homem… Já que Su-yeon surge mais insinuante que nunca e deseja tê-lo, o mais possível. Último desejo de uma mulher moribunda? Ou possessão demoníaca pela cabeleira? Embora, alguém pode censurar uma mulher que sabe que vai morrer muito brevemente de ter uma aventura final?


O trabalho das actrizes é soberbo. Enquanto Ji-yeon fala com recurso ao olhar e à gestualidade, Su-yeon alterna entre uma fragilidade e força renovada que demonstra uma tremenda evolução na personagem. A sua actuação, além caracterização, permite-nos entender com clareza quando ela é a doente terminal e quando é a mulher sedutora com ânsia de prazer. A representação da dupla é negada por um argumento cobarde já que “The Wig” tem pelo menos dois finais. O primeiro incide no fenómeno sobrenatural que ninguém adivinha, já só mais de metade da duração do filme é que surgem as primeiras indicações sobre a peruca “assombrada” e o outro numa explicação racional, ilustrada vezes sem conta. O público, ao contrário, do que devem pensar, não é ignorante e consegue juntar as pistas até à conclusão óbvia. Tudo o mais são artifícios para uma película que já tinha terminado durar, durar, durar. O toque melodramático final, quando chega nada mais é do que uma tremenda irritação. Tanto quiseram fazer que perderam a beleza da simplicidade que lhe estava subjacente: duas irmãs e o seu modo de lidar com uma tragédia. Três estrelas.
Realização: Shin-yeon Won
Argumento: Sung-won Cho, Hyun-jung Do e Shin-yeon Won
Min-seo Chae como Su-hyeon
Seon yu como Ji-yeon

Próximo Filme: Casshern, 2004 

domingo, 9 de dezembro de 2012

"City Horror - Song of the Dead"


O terceiro capítulo da série sul-coreana realizada para televisão tenta demarcar-se das estórias anteriores através de um regresso ao passado. Enfase, no tentar por que, para todos os efeitos, um filme sobre espíritos continua a ser um filme sobre uma assombração, seja ontem ou hoje. Algures no ano 500, a General Bai Lan conduziu o seu exército contra uma pesada derrota face a Sun Law. A sua fama de impiedosa e o medo de que pudesse regressar além campa faz com que uma bruxa lance um feitiço sobre ela. Nos tempos actuais, Wai Lai e o produtor Wing encontram num antigo estúdio a melhor opção para as suas carreiras deslocar. Entre os velhos papéis do local, Wing encontra uma canção inacabada e decide completá-la. Entretanto, Wai começa a ter visões de uma mulher de vermelho e procura o apoio de Wing mas ele está demasiado envolvido com o seu mundo interior, como se estivesse possuído. Qual a ligação entre a aparição e a canção misteriosa? Se a conexão entre estórias não fosse por demais óbvia… Mas esse ainda é o menor entre os problemas (demasiados), que “Song of the Dead” apresenta.
A canção dos mortos surge do nada e para lá regressa. Qual é o significado da canção? Por que é tão especial que se torna a ponte entre o passado e o presente? Além disso, alguém me consegue explicar, se Bai Lan é que foi amaldiçoada e viu o seu espírito prisioneiro, o que faz um dos seus soldados nos dias de hoje? Isto, só em termos de argumento, já que no que se refere à sonoplastia e cenografia, “Song of the Dead” fica uns bons furos abaixo de um trabalho aceitável efetuado por alunos do 3º ano do curso de cinema. Parece que o orçamento explodiu nas cenas de batalha e respectivos figurinos, o que fez com que as cenas, na atualidade e no próprio estúdio sofressem bastante. É de aplaudir a utilização em determinados momentos da luz e da sombra para esconder a escassez de meios. Nem o elenco completa o cenário, passeiam-se pelo ecrã como sombras, como se fossem artigo secundário de um evento principal que nos escapa a todos.  Recordam-se daquele ditado do senhor Wilde no qual ele dizia: “falem bem, falem mal, mas falem de mim”? Quer-me parecer, volvida uma década que não há memória desta canção dos mortos. Uma estrela.


Realização: Gyu Hwan Lee
Argumento: Alex Garland, Carlos Ezquerra e John Wagner
Ri-su Ha, Hyun-jin Kim, Tae-hwa Seo e Ga-yeon Kim


Próximo Filme: “The Good, the Bad, The Weird” (Joheunnom nabbeunnom isanghannom, 2008)


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"City Horror - The Evil Spirit" (2002)


Sabem aqueles acontecimentos que são tão traumáticos, tão dolorosos que só queremos fugir e nunca mais olhar para trás? Mas, qual pesadelo, regressa para nos assombrar? Cha é uma rapariga do campo que fugiu para a grande cidade, onde consegue vingar na sétima arte. A pretexto de mais um trabalho Cha é reconduzida para a terra natal. Muitos dos que conheceu já faleceram, outros tantos parecem levar vidas estagnadas. Um pé à frente do outro para sobreviver, que a vida ali não tem grandes alegrias. As perspectivas são nulas e nem todos podem ir para a cidade como a pequena misse citadina…
E enquanto ela e a sua equipa vai perturbando as aparentes águas calmas do local, ela recorda uma menina que teve uma morte prematura. Onde as outras crianças da aldeia viam uma garota estranha ela via uma potencial amiga, de quem tinha pena por ter perdido a mãe. Até que um dia tudo se desmoronou, um erro desfez sonhos e eles afastaram-se, perderam-se numa vida que podia ter sido de sucessos. Agora que Cha regressou, Yah desperta de um sono atormentado. Finalmente, todos pagarão pelo mal que lhe fizeram.
Espirito maléfico? É curioso como tudo o que não é “natural”, é logo automaticamente rotulado de maléfico. É quase facto universal que raparigas com cabelo negro e descabeladas não são sintoma de boas coisas por vir. Mas vamos lá analisar por um momento as meninas. Quase todas tiveram mortas horríveis e a grande maioria nem sequer foi especialmente bem tratada em vida. Por que não haveriam de retornar para se vingar dos vivos? É suposto que vão para o céu e perdoem os que as magoaram e até lhes causaram, por vezes, a morte? A piedade é para os vivos. E não conhecendo fronteiras na morte, tenham medo. Tenham muito, muito medo. O resto é a estória habitual com um final igualmente previsível. Se bem que, terei ali visto laivos de “Shutter” (2004)? Juro que se mais algum episódio da série tiver “inspirado” outras obras, ganharei um novo respeito sobre a série.
“The Evil Spirit” não se afasta um milímetro dos temas recorrentes do cinema sul-coreano. O cenário é o  microcosmos habitual, aldeia/vila/localidade mais ou menos isolada, na qual a população local vive embrenhada na sua própria realidade e não possui capacidade psicológica acolher outras realidades, chegando até a repudiar qualquer tipo de influência exterior. Possuem pois, regras implícitas auto-impostas que às vezes se substituem à própria lei, deixando margem para que cometam os actos mais obscenos sem medo de punição. Subjacente, está ainda o binómio homem/mulher que só parece funcionar quando o género masculino tem o ascendente sobre o feminino. Se ela não for subjugada pelo homem é considerada louca. Se ela for independente e liberal, parece sempre existir algum tipo de crítica ao seu estilo de vida. E claro, numa micro-sociedade tão opressora como pode a mulher não se rebelar, mesmo que só além do corpo, no meio metafisico, o único local onde parece ser consensual que ela é mais forte? Do género: “vêm como nós até consideramos o sexo feminino poderoso?” Sim, mas tiveram de o transformar num ser maléfico. Ao menos os que forçam a mulher a fazer coisas que não quer, assumem aquilo que são. Hipócritas!
Para mal da audiência “The Evil Spirit” nunca é mais do que os temas que lhe estão subjacentes, nunca é mais do que a historieta de terror que não funciona assim tão bem por que, pronto, a pequena vilã é adorável e, não estão mesmo á espera que tenhamos medo quando se vê uma actriz obviamente pendurada por cabos? Duas estrelas.

Actores: Kei Yung Lee e Kai Wing Cho

Próximo Filme: "A Designar (Porque a sério, isto está mesmo difícil de adquirir filmes"

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

“City Horror – Scream” (2002)


Não, o filme anteriormente anunciado (“The Good, The Bad, The Weird”) não se transformou por via mágica numa mini-série de terror. Existiram… Problemas técnicos e fiquemos por aí. Ei, ao menos é made in Coreia. Pronto, pronto, não há modo de mascarar o facto de “Scream”, um episódio feito para televisão ser infinitamente inferior ao western cómico de Jee-woon Kim. A isto, meus amigos, chama-se cativar os leitores para cá voltarem à procura desse filme, fiquem atentos!
“Scream” (nada a ver com o clássico do Wes Craven, atenção) é uma surpresa daquelas de “onde é que já vi isto antes?” mas, ao contrário. Então não é que “The Cut” (2007), do qual já tivemos oportunidade de abordar antes. É que, se fizeram as contas “Scream” tem menos 5 anos que a película feita para tela. Daí resulta que “The Cut” consegue ser menos original do que pensava e que é apenas uma versão polida do que pode ser um potencial episódio de culto. Mais, significa que, em 2002, com “Ju-on – The Grudge” a bombar e “Ringu” com capacidade para queimar os últimos cartuchos “Scream” e a descabelada de serviço ainda conseguiam fazer gelar espinhas.
Meia dúzia de estudantes de medicina é convocada a meio da noite para preparar os cadáveres para a próxima aula de anatomia. Vão dissecar corpos. O que é sempre interessante. Ou melhor, aquela altura em que depois de enterrar a cabeça nos livros e descobrir que têm crânio para decorar tudo e mais alguma coisa no corpo humano, não têm estômago. Fixe. Algures naquela interacção acordam algo que devia ter permanecido adormecido e um dos corpos retorna, (do mundo dos mortos, passe a redundância, sim), para acabar com os estudantes: um a um, como nos filmes. Uma das conclusões imediatas que posso retirar vendo uma “simples” série de televisão coreana é que eles não têm gente feia. Por outro lado, o conceito de estudantes lá é um bocado estranho. Grande parte dos actores não passa por ter idade para frequentar a faculdade de medicina. Por outro, para potenciais médicos ou investigadores na área da medicina, não são especialmente perceptivos ou inquisitivos. São meras criativas passivas. As mortes também não particularmente brilhantes. Ocorrem fora de cena. Ora, onde um bom realizador criaria suspense para que o que sucede fora do alcance do olhar esteja repleto de suspense, “Scream” é básico, morno, desinteressante. E na verdade, nem os nomes das personagens se sabe por altura dos créditos, tal foi a experiência. E os gritos?! Creio que para um episódio com o nome “Scream” das primeiras coisas que se fazem no casting é pôr os actores a gritar. Digamos que essa parte lhes deve ter passado ao lado.
Sabem aquelas noites frias em que só apetece ficar debaixo de um cobertor e consumir doses massivas de televisão? É isso e ser um fã do género terror pouco exigente. Serve e pouco mais. Duas estrelas.


Argumento: Gyun-huan Lee
Jae-huan Na, Ho-kyung Go, Chae-yeon Kim, Gee-hyun Kim, Hyun-gyun Lee, Tai-woong Lyu, Yong-woo Park, Soo-yung Song


Próximo Filme: “The Good, the Bad, The Weird” (Joheunnom nabbeunnom isanghannom, 2008) Será que é desta?

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