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domingo, 16 de fevereiro de 2014

"Insidious: Chapter 2", 2013


Em cada ano surge um filme querido por uns quantos mas não tão querido que chegue às listas de melhor do ano. “Insidious: Chapter 2” tinha o potencial para entrar nessas listas (as de terror), arrastado pelo sucesso do seu antecessor. 2012 foi um ano difícil. Houve muita e boa oferta, especialmente, no que toca ao território indie “V/H/S 2”, “ABC’s of Death”, You’re next” e “American Mary” outros de investimento mais avultado e ainda assim inesperados como “The Conjuring”, também do realizador de “Insidious” mas não é como se alguém esperasse que o relâmpago atinge o mesmo local pela terceira vez.

Os Lambert recuperaram Dalton das garras do que quer que o prendia no “outro lado”. No entanto, a aflicção está longe do fim. Elise (Lin Shaye) a médium que ajudou Josh (Patrick Wilson) a resgatar Dalton foi assassinada e Renai (Rose Byrne) começa a denotar atitudes peculiares, pouco características no marido. Para quem viu o filme anterior, esta última constatação dificilmente será uma surpresa. Para os restantes, eis um conselho: “Insidious: Chapter 2” é tão sequela quanto uma sequela pode ser e, neste caso, não ter visionado o primeiro filme constitui um obstáculo à sua compreensão. Despender uns bons minutos de filme apenas tentando compreender a estória é capaz de não abonar a favor dessa mesma obra, digo eu. Ainda sim, “Insidious: Chapter 2” sofre de muitos mais problemas que o facto de ser uma continuação. Tendo Elise morrido e com um suspeito mais do que evidente é bastante estranha a atitude descontraída e desleixada da polícia face ao evento. Serve as conveniências de argumento? Sim. É realista? O menos possível. Qualquer agente com dois neurónios conseguiria chegar com facilidade à identidade do culpado. Conseguindo (sobre)viver com tal falha óbvia, conseguem aguentar 100 minutos de filme… “Insidious: Chapter 2” fragmenta-se em várias direcções, incluindo uma Renai que continua assombrada, desta vez a dobrar pois desconfia que a “entidade” que os ensombra ainda permanece com eles e o facto de Josh revelar um comportamento cada vez mais preocupante e Lorraine (Barbara Hershey) parte com os ajudantes de Elise numa senda para descobrir enfim, as raízes do mal que tocou a sua família.

Dita um dos lugares-comuns do cinema de terror que sempre que existe um qualquer fenómeno sobrenatural inexplicável, a dada altura, alguém tem um momento “ideia luminosa” e decide: “se calhar devia investigar por que é que me está a acontecer isto”. Isso sucede com Lorraine que depois de ter visto o filho Josh por uma assombração em criança e o mesmo repetir-se, agora, com o neto, decide, finalmente, que talvez fosse pertinente compreender as causas da assombração. Ei, mais vale tarde que nunca! E se a investigação não é aborrecida, Wan e Whannell apresentam mais do que bons e numerosos motivos para nos mantermos num estado de expectativa e sobressalto constante. Admito, com um misto de prazer e de culpa que os melhores momentos são aqueles em que depois de um rápido crescendo com aproximação da lente e aumento do som da música à mistura, nada sucede. Valem pelo crescendo da tensão e pela brincadeira com os nervos. A cena que antecede o que pode ou não ser um susto é, ela própria, assustadora. Isso é terror. Foi o que sucedeu com “Insidious” e se veria a repetir, com melhor efeito em “The Conjuring”. Esta dupla sabe do seu ofício. Eles sabem o que têm de fazer para colocar a audiência numa pilha de nervos. O que nos leva ao argumento. Enquanto cada momento brilha por si próprio, enquanto cena ou sequência do mais puro terror, estas peças, em conjunto, não funcionam como um puzzle, como um todo coerente. Há momentos que precisavam de ser afinados para melhor encaixarem no filme global. A exemplo disto, refira-se a dupla Specks (Leig Whannell)/Tucker (Angus Sampson) que apresentam os  poucos momentos de comédia do filme. Ou melhor, tentam, porque a comédia é forçada e no máximo só gera mais momentos de riso nervoso. Lá está, a incongruência, numa obra onde todos se encontram ultra-sensíveis, à espera de algo que os faça quebrar. E depois há todo um recurso a analepses e prolepses, tão recorrente que leva ao questionamento sobre afinal, que raio é que se está a passar no presente? Quanto à direcção assumida apenas posso traçar um breve paralelo a “The Pact” (2012), cuja racionalidade soa, apesar de tudo, mais credível que qualquer outra explicação que fosse apresentada. Três estrelas.


O melhor:
- O terror!
- Sentimento de nostalgia (cenário, adereços, cenas reminiscentes de clássicos)
- Enfoque em Barbara Hershey

O pior:
- A dupla Tucker/Specks
- Qual estória?
- Continuidade


Realização: James Wan
Argumento: James Wan e Leigh Whannell
Patrick Wilson como Josh Lambert
Rose Byrne como Renai Lambert
Ty Simpkins como Dalton Lambert
Lin Shaye como Elise Rainier
Barbara Hershey como Lorraine Lambert
Steve Coulter como Carl
Leigh Whannell como Specs
Angus Sampson  como Tucker

Próximo Filme: "Double Vision" (Shuang Tong, 2002)

domingo, 15 de dezembro de 2013

"V/H/S", 2012


Quem acompanhou o ruído gerado em torno de “V/H/S”, quase poderia pensar que esta antologia de terror trouxe algo de novo ao já testado género. Quase. Outros exemplos podem ser amplamente verificados neste blogue, através da etiqueta criada para o efeito. Quando muito, um estilo amador de câmara no ombro prevalente a todas as curtas e a surpresa por alguém ainda utilizar as bem velhinhas cassetes VHS (Video Home System). O mesmo país que gerou o brilhante “Creepshow” (1982) tem memória curta e é de modas pelo que o mais certo é V/H/S transformar-se noutro milagre da multiplicação de redundâncias à la “Saw” ou “Paranormal Activity”. Podem esperar, no mínimo, por uma terceira e quarta entradas (já existe uma sequela).

“Tape 56”
Um grupo de bandidos que gosta de filmar as façanhas criminosas que incluem o vandalismo e o assédio sexual e disposto a qualquer atividade que lhes dê a ganhar o próximo troco, é agora contratado para entrar numa casa e recuperar uma cassete VHS. Lá encontram um velho morto e em frente um leitor de cassetes. Enquanto o resto do bando se dedica a recolher todas as cassetes que encontra, um deles fica para trás e decide visionar uma delas sozinho…


“Amateur Night”
Shane, Patrick e Clint são três amigos pouco espertos que decidem alugar um quarto de hotel para uma noite de loucuras e filmá-las (claro). O grupo acaba por retornar com duas jovens, Lisa que está demasiado alcoolizada para levar os avanços sexuais de Shane até ao fim e Lily uma estranha rapariga que não faz segredo de admirar Clint. À medida que a noite avança os acontecimentos revelam-se inesperados e perigosos para o grupo de foliões.

“Second Honeymoon”
Sam e Stephanie são um casal que se faz à estrada para uma segunda lua-de-mel. Num parque de atracções Stephanie recebe a previsão astral de que irá brevemente reencontrar um amor perdido. Uma noite, uma estranha bate à porta do motel onde alugaram quarto a pedir boleia. Sam recusa e fecha-a do lado de fora. Nessa noite alguém entra no quarto do jovem casal e além de os roubar, prega-lhes umas partidas muito feias…


“Tuesday, the 17th”
Um grupo de amantes da natureza decide acampar. Apenas Wendy não parece estar muito entusiasmada com a aventura, recordando-se a cada nova atividade que encetam de acidentes ocorridos há algum tempo que vitimaram outros amigos. Então, qual estória saída de um conto de terror Wendy conta-lhes como um assassino matou os seus amigos numa excursão de campismo o ano passado. A ficção torna-se realidade quando alguém começa a persegui-los com intenções malévolas.

“The Sick Thing That Happened to Emily When She Was Younger”
Emily conversa com o namorado James que se encontra noutro país através de webchat. Ela está sozinha e cada vez mais enervada. Barulhos, portas a ranger e a silhueta de uma criança a atravessar corredores levam-na a crer que a casa está assombrada. A somar aos truques de uma mente hiperactiva e assustada juntam-se as memórias de um acontecimento de infância que a deixou traumatizada. À distância James nada pode fazer para a ajudar.

“10/31/98”
Um grupo de amigos veste-se a rigor para uma festa de Halloween. O problema é que não sabem onde é. Sem querer entram numa casa onde pensavam que se ia realizar a festa e exploram-na para encontrar os foliões. Nada os podia preparar para o que iriam encontrar no seu lugar.



sábado, 17 de agosto de 2013

É um filme de monstros, duh!


Quando já todos deram a sua opinião (ainda que indesejada) sobre “Pacific Rim”, eis que o Not a Film Critic, surge atrasado e fora de contexto na luta pela 34959434879 crítica. Na verdade, o que motivou este arranque tardio, bem depois do tiro de partida foi o aparecimento obsessivo de algumas vozes condescentes: “o filme é mau e nós vamos explicar-vos porquê”. Que interessa que o público até pudesse gostar do filme? Mas é a velha história, o papel do crítico é: “traçar a luz sobre”, “indicar”, “encaminhar”, sem se entusiasmar demasiado com isso. Porém há alturas em que os iluminados, inspirados pela raiva do sucesso ou pelo facto de o seu objecto de ódio de estimação, constituir antes um grande amor, se esquecem de tecer grande luz ele. A conformidade e racionalidade sobrepõe-se à necessidade de informar aqueles que procuram as suas palavras para conduzir (nunca substituir), as suas opções de visionamento. Segue-se pois um período de decomposição à unidade mais mínima, mais miserável, para comprovar, a ele e aos outros por que é que “Pacific Rim” é mau. É o criticocêntrismo, misto de enfoque excessivo na crítica com o cepticismo advindo de já ter visto muitas, demasiadas obras. Curiosamente, num site com nome jocoso de que poucos parecem dar-se conta e tido como respeitável, o “Rotten Tomatoes”, apresenta uma taxa de aprovação de 71%. O horror. O crítico especialista Bob Grimm do conhecidíssimo “Reno News and reviews” diz tudo: “It’s stupid but I liked it”. Façamos um momento de silêncio para apreciar a imensidão destas palavras. Aqui, seguindo as tendências da moda, laivo infeliz de criatividade, vamos realizar o mesmo processo mas de uma perspectiva inversa. O Not a Film Critic vai provar que o “Pacific Rim” é um bom filme e que possui um grau de profundidade aceitável para que não o considerem acéfalo e sim digno do pagamento de um bilhete de cinema. Se não gostam de “Pacific Rim” porque é básico, então vamos procurar argumentos para provar que o filme é profundo e por conseguinte gostarem dele. Segue-se pois um conjunto de palavras previamente estudadas para conferir uma pseudo-intelectualidade ao conteúdo, que o torne pois, credível.

Sinopse: Do misterioso oceano Pacífico começa a emergir um conjunto de monstros que invadem em vagas sucessivas as áreas costeiras, deixando atrás de si um rasto de destruição. Depois de toda a artilharia conhecida falhar, a humanidade junta-se para iniciar o programa Jaeger, que visa criar robots à escala dos atacantes que sejam capazes de os neutralizar. À beira da derrota final o Marechal Petecoast (Idris Elba), convoca os últimos robots operacionais para um ataque derradeiro.

A defesa da criatura revelou-se mais difícil que o esperado pois, a cada novo dado, surgiam mais duvidas. Imaginem então, num cenário hipotético (o do filme vá), que as nações costeiras começam a ser atacadas por monstros que saem de uma brecha no Pacífico. Como lá chegaram não se sabe. Como nunca tinha ainda sido detectada ainda menos, mas façamos o esforço de acreditar. Por muito interessante que seja a corporização de um holocausto nuclear num monstro por uma nação traumatizada, à la “Godzilla”, a verdade é que para muitos este filme é ainda apenas sobre um monstro que invade uma cidade e destrói tudo o que lhe aparece à frente. Do mesmo modo “Pacific Rim” identifica um inimigo distante, o alienígena, porque as possibilidades são infinitamente mais interessantes. Além de que não existe o perigo (óbvio?) de o transformar numa metáfora qualquer que ofenda alguma nação do planeta.
Divago. Os monstros crescem em número e poder destrutivo. O poder bélico do Homem não está à altura destes seres. Claro, tantos anos a desenvolver armas químicas e nucleares contra atacantes invisíveis, como poderiam ter algo à altura de um monstro gigante? A ideia brilhante surge na forma de um robot gigante, uma “big, mean, fighting machine”, que consegue distrair, afastar das costas e aniquilar (na melhor das hipóteses), os monstros. O robot é operado por uma dupla que luta corpo-a-corpo com a besta, com a assistência de um centro de apoio distante que lhes fornece instruções de localização e atividade do alvo. Isto levanta logo à partida, uma série de questões. Porque é que o combate não é conduzido à distância? A tecnologia para o efeito já existe. Não me vão dizer que não é possível enviar instruções para a máquina realizar a parte mais simples que é seguir indicações de combate. Mais porque terá o Homem de estar envolvido no processo? Será algum complexo de Super-herói? Recorda-me aquela cena marcante do “Independence Day” (1996), em que os pilotos de aviões vários se sacrificam pela grande causa de combater os alienígenas e mandá-los para seja lá onde for que vieram. Já na altura o envio de aviões sem tripulação era uma impossibilidade… É assim tão insensato deixar a perícia do combate para uma entidade programada para tal? Alguns poderão argumentar que a máquina só iria “agir” dentro do que lhe foi “ensinado”, escapando-lhe a capacidade de improviso. Mesmo que esta se revele estritamente necessária por que não deixar o ónus para uma inteligência artificial? Medo que a máquina se rebelasse contra o criador? Hello?! A humanidade está a ser atacada por monstros gigantes e está a perder. A situação não pode ficar pior do que já está. Mas sim, admitamos que se o Homem tem grande capacidade de improviso, também é verdade que ele tem o talento de tomar decisões irreflectidas nos piores momentos possíveis, com consequências terríveis. O erro humano, esse, é um dado adquirido. Significa morte, a perda do combate, perdas de vidas, danos de milhares, já para não falar da perda irrevogável do robot.

A ligação à máquina é um dos aspectos mais interessantes e polémicos do processo. Por muito que del Toro negue a influência (ele deve julgar que os Geeks são el totós), o anime “Neon Genesis Evangelion” (1995) é estranhamente familiar. Os pilotos estão conectados à máquina mediante um sistema neural que lhes permite, entre outras coisas, aceder às mentes uns dos outros, ver as suas memórias. Eles atingem um nível de sintonia tal, que agem como um só. Isto esclarece, creio eu, leiga nestas coisas de funcionamento do cérebro (e, infelizmente, não tenho aqui um António Damásio ao lado para me explicar), porque é que um dos pilotos comanda as operações. Duas mentes não podem desatar a mandar informações díspares ao mesmo tempo, uma terá forçosamente de liderar. Portanto temos que o Herc Hansen lidera a equipa de pai e filho do robot Stryker Eureka, Yancy Becket a equipa de irmãos do "Gipsy Danger" e assim sucessivamente, numa espécie de mente dominante/mente dominada que, em qualquer dos casos, não abona nada a favor das mentes passivas. Há toda uma série de questões em torno do habitáculo para sobrevivência em ambientes hostis: espaço e oceano. Os robots adaptam-se às duas situações com uma facilidade surpreendente. Não se admirem se no futuro se encontrar um “Pacific Rim 2: Space Invaders” (não me julguem).

domingo, 20 de janeiro de 2013

"The Cabin in the Woods", 2011


Poucas coisas são uma constante nesta vida. Como aquela piada que tão bem nos recorda dessa realidade quando diz que a seguir à 3ª Guerra Mundial só vão restar as baratas e a Cher. Aqui no Not a Film Critic acrescentaria, vão restar as baratas, a Cher e… o Joss Whedon. Por entre séries que ninguém admitia ver mas eram um sucesso de audiências, séries que eram vistas por todos mas cujas estatísticas, revelavam afinal, um fracasso, qual Gloria Gaynor, ele foi sobrevivendo. Ele sempre teve um je ne sais quoi de ousado que apelava a uma parte da audiência e alienava a outra parte. Há quem precise tanto de ver um filme com o nome de Whedon associado como de trepanação. Pensem na Diablo Cody sem as drogas e o strip (sim, definitivamente sem strip, que a visão do Whedon nu não deve ser uma experiência agradável).
Mas enfim, algures lá no meio do seu jeitinho descarado do género, “sou um génio incompreendido”, ele tem umas ideias fixolas. “The Cabin in the Woods” é um desses momentos.
Todos os anos estreia pelo menos um filme onde um grupo de jovens adultos pouco abonados de massa cinzenta vão para o meio de um bosque onde acabam por a) ser assassinados à facada, b) comidos, c) abusados ou d) todas as alíneas anteriores. Whedon decidiu juntar-se este ano à corrida com um twist apesar de o trailer aparentar mais do mesmo. E de facto estão lá todos: o atleta, a loura burra mamalhuda (como convém), o drogado, a virgem e o bom rapaz. Escusado será dizer que com Whedon nada é o que parece e ele lança-se numa senda desesperada para quebrar convenções enquanto nos dá mais do mesmo. Até certo ponto funciona. Whedon não é o primeiro a brincar com esta ideia mas é o primeiro a usá-lo neste contexto. Aí recolhe algum mérito mas depois faz o que não devia. Cai na tentação de ser tão megalómano como os que lhe precederam e comete os mesmos erros. Os personagens revertem nos estereótipos que Whedon começou por criticar. Acabam por cumprir os destinos que lhes estavam destinados, passe a redundância. Existirá maior anticlímax?
O filme “morre” não quando percebemos que o jogo está viciado mas quando compreendemos que o argumentista nada faz para contrariar a cadeia de acontecimentos trágicos. E o pior de tudo é que o Whedon parecia ser aquele que iria contrariar a tendência e não teve coragem. Ainda não será desta que ele vai conquistar a audiência mainstream que há muito se anuncia. “The Cabin in the Woods” é tão pouco consensual que é presença comum em listas de melhores e piores do ano. Melhor pela desconstrução do género do terror. Pior por não atingir as alturas que anunciava. Aquele poster inspirado pelo M.C. Escher é qualquer coisa de extraordinário, artístico até. Fica a promessa por cumprir. Resta saber se Whedon ainda tem mais dentro dele.
E não digam o contrário por que não é verdade. Ele acobardou-se. Quem tem coragem faz pequenas gemas como “Tucker & Dale vs. Evil” (2011) e “Shaun of the Dead” (2004). Quem não tem acaba com “The Cabin in the Woods”. Três estrelas.

Próximo Filme: Mononoke (2007)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

"Dredd 3D", 2012


“Dredd 3D” podia apresentar-se como o mais recente saco de pancada onde discorrer sobre a minha relação amor-ódio com as adaptações de banda-desenhada dos últimos anos. Podia, mas não é. Gostava de pensar que existe uma certa ingenuidade quanto aos motivos que levam os fãs de comics a seguir religiosamente cada número dos seus heróis preferidos. O produto final é regra geral, tão editado, que os fãs mais fervorosos encontrarão poucas ou nenhumas parecenças com a banda-desenhada que o originou e, se encontra mais próximo daqueles que nunca ouviram falar do herói. “Dredd 3D” não é uma experiência do género, sendo ainda mais parecido com a banda-desenhada que o inspirou, que o fenomenal flop com o Sylvester Stallone e, que muito provavelmente não contribuiu para as receitas nas bilheteiras do filme de 2012. “Dredd 3D” destina-se aos adultos, com toda a violência gráfica que isso implica. Podia tecer considerações sobre “uma civilização pós-apocalíptica, na qual os bandidos estão em maior número que as forças da lei” mas, em quantos outros filmes já vimos isso antes? Não, os argumentos de “Dredd 3D” são outros. Admitamos que quase qualquer coisa que se oponha a um filme onde o Rob Schneider está encarregue de proporcionar os momentos de humor é melhor. O 3D, (pela primeira vez em muito tempo posso dizer isto e, até me vêm lágrimas aos olhos), é bem utilizado. Atente-se por exemplo às sequências onde água, fumo ou uma looooooooooooonga queda estão envolvidas. O herói, interpretado por um Karl Urban irreconhecível, (talvez seja melhor assim), nunca retira a máscara. A mística está na sua personagem, tão ciente do papel de “polícia, juiz e carrasco” que nunca se dá ao luxo de ficar com o flanco desprotegido ou de expor cidadãos inocentes ao perigo. E depois a estória. Se já viram “The Raid – Redemption”, o mais é certo é terem uma sensação de déjà vu. Para quem apreciou este último, “Dredd 3D” não será surpreendente mas não deixará de ser agradável. Se não gostaram do filme de artes marciais e nutrem gostos mais bélicos, dêem uma oportunidade a “Dredd 3D”.
O juiz implacável é instruído a levar a nova recruta Cassandra Anderson (Olivia Thirlby) para um dia no terreno. Com resultados abaixo da média, o mais certo é morrer logo no primeiro dia de trabalho, mas ela é uma caixinha de surpresas. E nós sabemos como adoramos personagens com truques na manga. Certo? Até o nome da moça soa bem, Anderson, como o nome de Neo na Matrix, o elemento que não pertence, ou que pertence a um plano superior ou de qualquer um dos três realizadores. A Lei de Murphy entra em acção e depressa uma operação de rotina dá lugar aos dois juízes encurralados num bloco de apartamentos com 200 andares e perseguidos por um gangue de traficantes assassinos, determinado a aniquilá-los. Quando me refiro à lei de Murphy não estou a falar do Alex Murphy do Robocop, se bem que… também ele usava um capacete que raramente retirava e perseguia os vilões mais implacáveis, no brutal universo de Verhoeven. Hmmmm…
De qualquer modo, esta foi a última vez que vi ser utilizada a desculpa de uma droga dura para justificar acção pura e dura. Que importa? Resulta. Uma droga com o nome espectacular de slo-mo (câmara lenta), pois sob o efeito dela o tempo parece nunca mais passar. E a vilã Ma-Ma (Lena Heady), sim a vilã é uma mulher - feministas deste mundo regozijem -, é malédica ao nível de uma velha que oferece fruta envenenada a crianças. Isto, sem mencionar a cara desfigurada e inexpressiva. Ela tem poucas ou nenhumas falas. Mas não é como se precisasse de proferir uma palavra para termos medo dela...
Por tudo isto, o que me escapa à compreensão é o facto de as audiências não terem aderido. A violência não tem de assustar ninguém dos cinemas, nem impedir alguém de utilizar meios menos legais para visionar o filme (não disse isto). Uma personagem de BD desconhecida é tão acessível como qualquer personagem criada de raiz. E não é como se o departamento de efeitos especiais tivessem cometido alguma falha grave. Não pretendo que milhões de pessoas estejam erradas e uma minoria certa quanto às suas opções cinematográficas mas, talvez, seja altura de repensar as opções e dar oportunidade a gemas que à partida estariam confinadas aos DVDs a 5 € no supermercado. Mais que não seja, façam-me lá a vontade, por que eu quero uma sequela. Sim?! Quatro estrelas.

Realização: Pete Travis
Argumento: Alex Garland, Carlos Ezquerra e John Wagner
Karl Urban como Dredd
Olivia Thirlby como Cassandra Anderson
Lena Heady como Ma-ma

Próximo Filme: "Zebraman", 2004

domingo, 5 de agosto de 2012

"Don't be Afraid of the Dark" (2010)



Assumir que Katie Holmes é a culpada pelo fracasso de todo e qualquer projecto em que está envolvida é tão comum, quanto fazer uma piada sobre a religião (com contornos de seita), da cientologia ou sobre saltar em sofás em programas de televisão, sempre que é mencionado o seu ex-marido, Tom Cruise. Por isso se esperam que as próximas linhas sejam dedicadas à destruição do trabalho da actriz lamento mas, mais vale passarem ao próximo texto. “Don’t be Afraid of the Dark” é, no entanto, literal. Carecem os motivos para termos medo do escuro e não é por pertencer ao elenco uma actriz (na altura), em fase descendente da carreira. 

Filha de pais divorciados, a pequena Sally (Bailee Madison) é desterrada pela mãe para junto de Alex (Guy Pearce), que se encontra mais preocupado com a renovação da mansão do século XIX, “Blackwood”, do que em exercer os seus direitos parentais. A juntar ao sentimento de abandono decorrente de uma mãe desconectada e um pai negligente, Sally tem ainda de lidar com Kim (Katie Holmes) que deve querer assumir o papel de nova mãe dela. Afectada pelas disfunções da sua família e num local que desconhece Sally torna-se o alvo ideal de um predador. Que local pode oferecer menos perigo que um lar? Pobre Sally.
O mal que “Don’t be Afraid of The Dark” refere é menos óbvio que de alguém querer molestar a frágil menina, de uma madrasta malvada ou sequer de um tratamento pernicioso por parte dos seus cuidadores ou mal-entendidos que provoquem uma explosão com consequências devastadores… Não. A malicia tem origem numa fonte bem mais fantasista. Não queremos desconforto entre os membros da audiência pois não?

Digamos que como Sally se sente sozinha no mundo, ela está disponível a aceitar uma realidade além da percepção dos adultos e abraça, com curiosidade, as pequenas vozes que saem de um velho fogão…
“Don’t be Afraid of The Dark” envolve elementos de contos-de-fadas com a estética dos anos 80, modernizada pela utilização do computador com resultados mistos. Se o recurso a uma lenda conhecida por todos e querida, em especial, pelas crianças é um ponto a favor, em ultima análise, a utilização da tecnologia digital faz cair por terra esse potencial. Nem o facto de ter o selo de Guillermo del Toro como produtor e co-argumentista o salvam. Para del Toro é um projecto falhado. Apenas a utilização de uma criança como objecto de desejo das forças do mal é eficaz na criação de desconforto da audiência. Desde um mais antigo “Poltergeist” (1982) com uma angelical Carol Anne à corajosa Ofélia de “Pan’s Labyrinth” (2006), comprova-se a afinidade dos espectadores com uma criança em perigo. Infelizmente é a natureza dessa mesma ameaça, em conjunção com um argumento deficiente e personagens pouco simpáticas que fazem de “Don’t be Afraid of The Dark”, uma sombra daquilo que podia ter sido. Digamos que os monstrinhos, mais depressa induzem a gargalhada que o medo. Até os ETs em “Critters” (1986) têm um design mais conducente ao ranger de dentes. Quanto aos desempenhos, toquem os tambores, por favor…

A pior performance pertence a Guy Pearce, com a honra de interpretar o pai mais sem noção, presunçoso, egoísta e narcísico dos últimos tempos na tela. Digamos que todas as ofertas a Sally não vêm sem uma contrapartida. Ele quer paz e sucesso que implica que a filha deixe de ser uma rapariga de dez anos normal. A sua compreensão dos eventos depende da apresentação de provas empíricas. Do mesmo modo, a concepção da filha é o resultado directo de relações sexuais praticadas entre dois adultos conscientes e nunca atribuído ao “milagre da vida”. A Bailee Madison é um talento em bruto. Terá muito que aprender mas é de louvar a capacidade de contracenar com apenas um ecrã verde a fazer as vezes de um personagem de carne e osso. Além disso ela está na idade “esquisita” de Sally. Ela não é nenhuma adulta mas também já não é uma criança alheia dos acontecimentos à sua volta. Quanto a Katie Holmes continua a não ser digna de uma entrevista para o “Inside the Actors Studio” mas evoluiu bastante desde os tempos de “Dawson Creek”. O papel de mãe assenta-lhe que nem uma luva. Será por acaso que Bailee Madison é muito parecida com Katie Holmes e, por associação, com a Suri Cruise?
Especulação à parte, “Don’t be Afraid of the Dark” é o filme standard com uma mansão assombrada e é por isso que, tendo, hipótese de escolha, é preferível por optar por um produto de qualidade superior. Duas estrelas.

Realização:  Troy Nixey
Argumento:  Guillermo del Toro, Matthew Robbins e Nigel McKeand
Bailee Madison como Sally
Katie Holmes como Kim
Guy Pearce como Harris

Próximo Filme: "Shaolin"  (Xin shao lin si , 2011)

domingo, 8 de julho de 2012

"The Raid - Redemption" (Serbuan Maut), 2011

Querem conhecer a estrela do cinema de acção da próxima década? Não precisam procurar mais longe que na Indonésia. O realizador galês Gareth Evans apresenta Iko Uwais. Giro? Um rapaz normal diria. Excelente actor? Isso ainda está por se ver. Intenso Carisma? Nem por isso. Mas ai se ele sabe lutar… Ele domina o contacto físico como poucos. Bem, o Yayan Ruhian, ou “Mad Dog” em “The Raid - Redemption” é melhor lutador e mais espectacular só que a natureza não foi simpática para com o senhor. Ele não é abonado em termos de beleza e de altura. Mas também não é o tipo de pessoa que gostaria que lesse este último comentário. Digamos que as suas capacidades atléticas impõem respeito e este não é um individuo que se deseje ver chateado… “The Raid – Redemption”, é o epitome máximo da expressão: “location, location, location”! Recordam-se da saga “Diehard”, na qual um Bruce Willis, ainda jovem, domina cenários desde um arranha-céus a um aeroporto? Lembram-se do negrume que escondia uma entidade do outro mundo, na nave Nostromo em Alien? Ou talvez estejam familiarizados com a gruta, imprópria para quem tem medo do escurso em “The Descent”. Gareth Evans fez o trabalho de casa e demonstra uma das invasões mais brutais e, porventura, mais espectaculares na história do cinema. Notem que esta é a segunda afirmação ousada que faço na sequência de um só filme! Interessados?
Vinte polícias de elite dão chamados a cumprir missão complicada: capturar e prender um senhor do crime da sua fortaleza criminosa, um edifício de 30 andares, a partir do qual opera as suas operações criminosas e que se encontra guardado por centenas de bandidos dispostos a lutar pelo seu quinhão. A eficácia da missão policial depende da velocidade e descrição mas com olhos vigilantes em cada esquina, tal revela-se impossível. Os polícias vêem-se apanhados numa emboscada e, alerta cliché: o caçador torna-se a presa. Para escapar com vida terão de deixar atrás de si um rasto de corpos. Daí resultam quase 100 minutos de acção ininterrupta, nua e crua. A arte marcial silat, na sua essência, um mecanismo de auto-defesa, é brutal e há que reconhecer o trabalho irrepreensível dos duplos. Por vezes, torna-se difícil não imaginar que eles se terão magoado a sério. Ser atingido por cadeiras, arrastado com um trapo e projectado contra móveis e tijolos não é para qualquer um. E quando não há materiais de arremesso, os personagens são amplamente armados com pistolas, espingardas, metralhadoras e catanas! “The Raid – Redemption”, assegura uma fonte inesgotável de cenas de ameaça à integridade física dos personagens, aos fãs inveterados de artes marciais! E, apesar, da eventual comicidade que o facto de se levar uma dezena de murros e pontapés em zonas sensíveis do corpo e, mesmo assim, os personagens se manterem de pé, podia ter, “The Raid – Redemption”, consegue escapar ao absurdo. Este festim de pancada, não deixa de ter meia de dúzia de papéis bem definidos, por entre as hordas de criminosos com uma motivação que não ultrapassa o desejo de assassinar os invasores. Existe Tama (Ray Sahetapy), o senhor do crime que não admite uma “infestação” na sua casa; Andi (Donny Alamsyah), o braço-direito pragmático, “Mad Dog”(Yayan Ruhian), o psicopata que encontra a maior diversão no confronto corpo-a-corpo, Jaka (Joe Taslim), o jovem comandante que nem por isso deixa de ostentar medo nos olhos; Wahyu (Pierre Gruno), um polícia com uma agenda obscura, o jovem herói numa primeira missão que não pode deixar de regressar a casa para a mulher grávida…
Há uma sensação de perigo iminente enquanto os sobreviventes da guerra que se abateu sobre eles vagueiam pelos corredores. E não é menos claustrofóbico que um filme de terror assumido pois não se sabe o que se esconde por trás de cada porta, ou no contorno de cada esquina.
Ah, já mencionei que a banda-sonora de “The Raid – Redemption” inclui o Mike Shinoda dos Linkin Park? As batidas do seu sintetizador estão perfeitamente ajustadas à acção implacável. Pois, o que resulta menos bem na película? Se a acção está próxima da perfeição houve aspectos mais básicos que escaparam à mesma análise clínica da coreografia. Por exemplo, os polícias parecem bonecos de teste. Para uma equipa de elite, seria de pensar que exercessem maior resistência. Além disso, quem é que, sabendo que há atiradores furtivos se vai colocar à frente de uma janela? Sabendo por fim, das verdadeiras intenções perversas de algumas personagens, quem é que, mesmo assim, coloca a sua confiança e, vida nas suas mãos? São pormenores como este que fazem de “The Raid – Redemption”, apenas um filme muito bom. Mas agora que já detectámos os erros há espaço de manobra para melhorar na sequela. Quatro estrelas.

Realização:  Gareth Evans
Argumento:  Gareth Evans
Iko Uwais como Rama
Joe Taslim como Jaka
Donny Alamsyah  como Andi
Yayan Ruhian como Mad Dog
Ray Sahetapy como Tama
Tegar Satrya como Bowo

Próximo Filme: "Lady Vengeance" (Chinjeolhan geumjassi, 2005)

domingo, 17 de junho de 2012

"Prometheus", 2012



É muito difícil criar um filme de qualidade tão superior que marque indelevelmente a história do cinema. Ridley Scott já tem dois no currículo, o que é manifestamente mais, do que muitos bons realizadores alguma vez poderão almejar. E "Prometheus" prometia, passe o trocadilho. Os seus esforços mais recentes não refletem as alturas a que é capaz de chegar. E, perdoem-me, a não tão inocente comparação, mas a carreira de Scott pode, em certo grau assemelhar-se à de M. Night Shyamalan. Podemos desgostar da filmografia mais recente, (“G.I Jane”, “Gladiador”), mas ninguém lhe pode retirar o mérito de obras como “Blade Runner” ou “Alien”.
Os últimos anos têm sido parcos em boas ideias a oeste. Talvez seja culpa de um sistema instituído que não permite a muitos jovens argumentistas fazer-se ouvir. Quem sabe? Ou uma necessidade imperiosa de manter margens de lucro que obriga os estúdios a afastarem-se de projetos mais inovadores com medo de se tornarem o próximo “Waterworld” ou “John Carter” e preferem olhar para trás. Remakes, sequelas, prequelas… aí vamos nós! O vácuo criativo tem assim assegurado um revivalismo, que apresenta velhos clássicos a novas gerações, como revelou a primeira tentativa de regresso ao universo “Tron”, “Tron Legacy”. O filme de 1982 não foi um sucesso de bilheteira, mas adquiriu o estatuto de culto graças à VHS. “Tron” não será o melhor filme da década, ou sequer do género mas tem muitas ideias, de argumento e efeitos digitais, à época inovadores. Por isso, se o “Legado” pode ser considerado um tributo inferior ao original para os que viram a obra de 82, ele cumpriu, no entanto, a velha promessa de enfim, valorizar “Tron”, com nova sequela já prevista. No campo das promessas por cumprir, encontra-se, no primeiro lugar da fila o “Blade Runner”, uma obra manifestamente superior que ainda ninguém teve coragem de retomar. Não se deve mexer com os clássicos. Pois não, sobretudo quando os clássicos já são dos melhores filmes de sempre. Mas a avaliar pelo amor do universo de ficção em geral, pelo filme, que o toma como referência, com maior frequência do que o ignora e o amor dos fãs, parece ainda existir mercado. É a velha estória do marketing, se a vaca leiteira ainda tem leite, há que espremê-la toda.
“Alien” é um desses casos e, apesar do sucesso variável, a cada nova encarnação, a franquia parece mais longe de morrer. Afirmo e reafirmo, que “Alien Ressurrection” foi o maio desgosto da série e que “Alien 3” foi um mal necessário.  Eventualmente, algum realizador (saiu a fava ao Fincher), iria ter de fechar o ciclo criado por Scott: Ripley é uma personagem espantosa mas não é invencível. “Alien vs. Predator” é uma aventura completamente diferente, de junção com outro universo, que deve ser considerado apenas pela experiência, para alguns satisfatória, de por fim, juntar dois personagens favoritos do público e pô-los a combater até ao extermínio, sem grandes considerações quanto à mitologia da série.
Ora, se já se matou Ripley uma vez e já se apresentou o Alien ao Predador, o que é que se pode fazer mais? Voltar atrás no tempo, claro. Ridley voltou à menina dos seus olhos e preferiu fazer novas perguntas. Que importa para onde vamos se não sabemos de onde viemos? O Alien é já um caso banal e este argumento vira as atenções para o ser humano. Elisabeth Shaw (Noomi Rapace) é uma mulher obcecada com questões metafísicas. São os seres humanos o resultado de milhares de anos de evolução ou existirá um criador? Serão o produto do engenho de um ser superior? Se sim, qual é a sua agenda. Isto são preocupações de uma personagem que se sente perdida e que mais precisa de um psiquiatra e de colinho de que ter as respostas que procura com tanto ardor. Que fará quando tiver as respostas? Ela continuará viva e o seu pai continuará morto.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Hunger Games" (2012)


Diz que depois do fim há sempre alguma coisa. No caso, serão uns jogos da fome. Enquadrado num cenário pós-apocalíptico, 24 participantes de doze distritos competem entre si, num jogo mortal televisionado para gáudio da população do Capitólio. A expressão “pós-apocalíptico” sempre foi, para mim, um mistério dado que apocalipse significa o fim dos tempos. Visto que a maioria do pessoal não recebeu o comunicado com essa informação, bota apocalipse para frente tipo: em tudo o que são filmes do género de ficção científica. Assumindo, a correcção da palavra apocalipse ao tema em causa fica pois, definitivamente comprovado que os humanos são piores que as baratas. Não há modo de as erradicar. E se lhes arrancarmos a cabeça, ainda sobrevivem durante nove dias.
Ora então nesse tal futuro não tão utópico como querem fazer crer os simbolismos mal dissimulados de “The Hunger Games”, treze distritos revoltaram-se contra o Capitólio. A revolta foi esmagada e só restaram doze distritos, condenados até ao fim dos tempos, passe a expressão, a entregar dois “tributos” cada ao Capitólio, para um programa de televisão onde jovens entre os 12 e os 18 anos combatem até à morte até restar um único sobrevivente. Num ritual anual chamado a ceifa, são escolhidos um homem e uma mulher que serão os representantes do seu distrito nos jogos da fome. A pergunta que vos tem assolado até aqui: porquê jogos da fome? Porque os distritos são pobres. Há pessoas a morrer de fome fora da capital. Cada distrito subjugado ao poder do vencedor da guerra ocorrida 75 anos antes constitui a sua fonte de riqueza. Por exemplo, do distrito 12, onde reside uma certa Katniss (Jennifer Lawrence), o Capitólio retira minérios. Assim se vê, um retrato do mundo evoluído versus o subdesenvolvido, no qual os ricos extraem com todo o direito ou, como tal pensam, a matéria-prima dos pobres. Enquanto a memória de uma revolta estiver suficientemente presente na memória de um Capitólio, este usá-la-á para entreter as massas. Enquanto os pobres se sentirem fracos, com fome e demasiado trabalho nos corpos esquelécticos, eles serão “justamente” punidos pela sua ofensa anterior. É neste contexto que a jovem Katniss se voluntaria para os jogos da fome após o sorteio ter calhado em sorte à sua irmã de apenas 12 anos, Primrose (Willow Shields). Desde logo vemos uma rapariga vencedora. Ela não se resigna perante as adversidades. Ela é uma lutadora. E sabemos isso, desde o primeiro momento em que a vimos no ecrã. Acompanhamos a sua ida para a capital, onde é coberta de luxos que nunca mais voltará a usufruir e treinada para sobreviver e matar. Por fim, assistimos à sua ida com Peeta (Josh Hutcherson), o rapaz selecionado com ela, para o terreno dos jogos.
Até aqui refreei uma vontade louca de falar de “Battle Royale” (2001), filme do qual “The Hunger Games” foi mais do que levemente inspirado. Isso constitui um problema? Não. “The Hunger Games” é menos polémico e o seu público-alvo diferente. Ambos sobrevivem por si próprios. Considerando os defeitos de “The Hunger Games”, nem por isso deixa de ser um filme acima da média. Mas falava-se em defeitos. Jennifer Lawrence é uma das mais recentes estrelinhas destinadas a brilhar com luz intensa. Ela é um talento, no entanto, a sua presença em “The Hunger Games” ainda carece de alguns apontamentos. Jennifer, cara redondinha como é, não se adequa à imagem de uma rapariga atacada pela fome. Não advogo as imensas flutuações de peso dos actores. Contudo, menos uns dois quilos já tornariam Jennifer mais imersa na personagem. Depois, Jennifer é muito forte sendo que passa por arrogante no ecrã. Embora se compreenda a revolta de Katniss com todo o espectáculo que envolve a morte de crianças e adolescentes e pessoal de roupas e penteados estranhos que aplaudem a selvajaria, a sua aura é de pouca vulnerabilidade, qual animal encadeado pelos faróis de um carro. Afinal de contas, só pode sobreviver um entre 24 escolhidos. Quais são as probabilidades de ser ela a regressar para casa? Quais, quando até há distritos que treinam os seus jovens desde pequenos para sobreviver aos jogos? Mais, sobreviver para quê? Para regressar ao mundo da fome, depois de ter conhecido os luxos do Capitólio. Para uma família que simultaneamente a aguarda e a inveja por tudo quanto conheceu, num sítio que nunca irão visitar? A parte dos jogos é infelizmente demasiado breve. Mal se chegam a conhecer os oponentes. E a simpatizar com eles. A estória de Rue, uma rapariguinha pequena que combate nos jogos ao lado de Katniss é por demais breve. Queria tê-la conhecido como fora apresentada no livro. E os vilões? Por piores que sejam, têm no máximo 18 anos e sofreram lavagem cerebral. São estes apontamentos que sabem a pouco. A transposição para a tela foi óptima dadas as circunstâncias mas uma pessoa não pode deixar de se perguntar, dado exemplos como o de Harry Potter, se não valeria a pena partir o livro em dois e espremer tudo para uma maior satisfação. Três estrelas.

Realização: Gary Ross
Argumento: Gary Ross, Suzanne Collins e Billy Ray
Jennifer Lawrence como Katniss Everdeen
Willow Shields como Primrose Everdeen
Josh Hutcherson como Peeta Mellarke
Wes Bentley como Seneca
Stanley Tucci como Caeser Flickerman
Donald Sutherland como Presidente Snow
Woody Harrelson como Haymitch
Liam Hemsworth como Gale Hawthorne
Elisabeth Banks como Effie Trinkett

Próximo Filme: "Death Note” (Desu Nôto 2006)

domingo, 15 de janeiro de 2012

"Tucker & Dale vs. Evil", 2010



Dale: Tuck, what happened to your face?
Tucker: I sawed into a bee's nest.
Dale: Pshhh. Why?

"Tucker & Dale vs. Evil" está repleta destas gemas. Poderia continuar a citá-los a noite toda. Nada como uma comédia terrífica para fazer uma pausa do cinema asiático. Tucker e Dale é a comédia mais refrescante desde "Zombieland" (2009) e explora o (para mim), ainda pouco desbravado com sucesso, território da comédia de horror. "Evil Dead" (1981), não conta, já faz demasiado tempo.
Os argumentistas foram buscar todos os estereótipos possíveis e imaginários sobre os hillbillies/campónios e fizeram uma enorme festa com eles. Muito se fez das características inerentes dos hillbillies no cinema americano e não será coincidência que os filmes em que "melhor" são retratados sejam de terror. Tanto que quase se tem medo de parar num local remoto e pedir informações a um dos "nativos". O retrato típico da cena é: área deserta, um homenzinho de aspecto sujo, mal-encarado ou em alternativa, muito solicito, demasiado solícito, que nos aconselha a tomar um atalho. Hmmm... Não me parece. "Dimwitted, sex crazed maníacs", quase poderia ser uma citação por debaixo do slogan de qualquer desses filmes. Mas Tucker e Dale olham de frente estes estereótipos e esmagam-nos. Ao invés de serem feios, porcos e maus à la "Deliverance" (1972) e "I spit on your grave" (1978) são uma versão actualizada mais fofinha e adorável. Ok, o Tucker não tanto mas o Dale é perfeitamente integrável na sociedade dita civilizada. Os dois actores escolhidos assentam nas personagens como se de uma segunda pele se tratasse: o Tyler Labine vem da série underrated diga-se, "Reaper" e o Alan Tudyk que qualquer fã do universo "Firefly" conhecerá melhor que eu. Sobretudo Tudyk sabe vender o personagem. Terá ele um pouco de hillbilliy?
Tucker e Dale são dois amigos que vão passar uns dias de férias à cabana, recém-comprada por Tucker no meio do bosque. Assim, uns diazinhos de descanso, com muita cerveja e pescaria à mistura. Ou então não, que a cabana está a cair aos bocados e eles vão passar os dias a arranjá-la. Aliás, têm de ter especial cuidado porque a cabana tem, inclusivamente, uma série de pregos saídos da madeira que aquilo é uma armadilha mortal. Belas férias, hã? Seja como for, o seu descanso é perturbado por uma série de jovens universitários barulhentos que estão ali para fazer uma farra. Entre eles encontram-se os personagens habituais: rapariga bem-comportada, uma loura burra e o universitário convencido. Os seus mundos colidem e as reacções não podiam ser mais diversas. Os universitários vêm Dale e Tucker como dois campónios brutos e assustadores e os nossos heróis vêm-nos como algo que nunca poderão almejar ser ou atingir. Bem, não ajuda que Dale vá cumprimentar Allison (Katrina Bowden), com uma foice na mão emitindo grunhidos estranhos. Seja lá de onde for que eles vieram não devem ter passado muito tempo a socializar fora do seu círculo mais imediato.
O que torna "Tucker & Dale" tão especial é o facto de a acção se desenrolar à volta de um equívoco. A dupla de argumentistas pegou na premissa hillbillies vs. jovens universitários e começaram pelo básico: "E se fosse tudo um grande mal-entendido?" Os amigos de Allison têm a brilhante ideia de irem para o rio nadar de noite e ela assusta-se com a presença de Tucker e Dale numa pescaria, cai e bate com a cabeça. Como bons samaritanos que são eles apressam-se a salvar Allison e gritam para os seus amigos "Nós temos a vossa amiga!" Obviamente, que a coisa soa mal do outro lado: "Eles têm a Allison!!!" Claro que a partir daqui se irão gerar uma série de mal-entendidos e de infortúnios que vão acentuar as diferenças e a rivalidade entre os dois grupos. Embora, uma pessoa empalar-se sozinha possa ser considerado um evento infeliz, não deixa de ser um acidente. Mas, as suas cabeças apanhadas pela histeria já só vêem a pior das alternativas e é o escalar da situação. Eu agradeço, que é gore e situações hilariantes umas atrás das outras. Até larguei uma lagrimazita de tanto rir. Gostei. Tudyk e Labine estão perfeitos nos papéis e têm química juntos. Quero um dvd com as cenas cortadas e os comentários dos actores. Quero uma sequela y'all! Quatro estrelas em cinco.

Realização: Eli Craig
Argumento: Morgan Jurgenson e Eli Craig
Elenco:
Tyler Labine como Dale 
Alan Tudyk como Tucker
Katrina Bowden como Allison
Jesse Moss como Chad
Próximo Filme: "Muoi: The Legend of a Portrait"

domingo, 25 de setembro de 2011

"Masters of Horror - Imprint", 2006

Há algum tempo que queria ver "Imprint", o 13º episódio  da primeira temporada da série para televisão “Masters of Horror”. Não podia ter ficado mais deliciada quando descobri que “Imprint” não chegou a ser transmitido nos E.U.A. tal o conteúdo perturbador. Entretanto o episódio saiu em DVD, com um “banido” em letras garrafais (querem melhor publicidade?). Até podia dizer que os americanos são uns grande mariquinhas, mas não é para menos, “Imprint” aborda temas difíceis e tabus como a prostituição, violação, incesto, pedofilia, tortura… E depois de ver, percebo porque é que foi censurado. Isto vai soar um pouco saloio mas “Imprint” deixa mesmo uma impressão! As cenas de tortura, em particular, são muito fortes. Não me vou alongar sobre o seu teor, o trailer não faz propriamente segredo, contudo, posso adiantar que tem a marca inequívoca de Miike. Enquanto outros realizadores se centram na sugestão para logo a seguir transitarem para as reacções das personagens, Miike apresenta longas sequências dos actos brutais que parecem uma eternidade. Ele não é realizador de passar da entrada directamente para a sobremesa. Ele degusta devagar e com prazer o prato principal.
 
“Imprint”, tendo apenas um episódio de uma hora apresenta valores de produção altíssimos, mais até que muitas longas-metragens. A caracterização subtil, o guarda-roupa sumptuoso e a maquilhagem têm nota 10. Também o gore acaba por ter uma subtileza inquietante. Infelizmente, “Imprint” também tem os seus problemas. A representação é na generalidade péssima. Entre o overacting de alguns actores e o sotaque de outros – o elenco é japonês – o filme desce uns bons furos em qualidade. Que me perdoem os fãs de Billy Drago (Christopher) cuja actuação é horrenda. Drago é um excelente vilão. Ele encarna o vilão contido, o vilão louco e o vilão sádico como ninguém e, nesse campo, ninguém o bate. Ele sabe utilizar a sua teatralidade natural e aplicá-la às personagens só que noutro registo. O herói apaixonado lamento, não lhe fica bem. Ele interpreta Christopher, um jornalista que viaja pelo Japão à procura da sua amada Komomo (Michie Ito), a quem prometeu levar para a América. Na sua busca, Christopher vai parar a uma ilha maldita, de demónios e prostitutas, onde conhece uma mulher desfigurada que lhe diz que Komomo se suicidou. A mulher é interpretada por Youki Kudoh que é uma das poucas actrizes japonesas a dominar o guião e a proferir o discurso num inglês e dicção quase perfeitos. Algures lá no meio surge um monge que é demasiado mau para ser verdade. Note-se que ele se limita a repetir as sílabas foneticamente. Como é possível?
O argumento é igualmente fraco. A história não é facilmente perceptível e preocupam-me as motivações de Christopher e de Komomo. Sobretudo esta última que se agarra ao sonho de que o seu amado a vá buscar, a ela, de entre tantas, uma prostituta. Não existe uma  backstory que indique como se conheceram ou se amaram e como ficou a ligação tão forte que explique que ele atravesse mares para a ir buscar… Questiono-me se não seria mais eficaz um argumento mais sólido com um registo mais contido. Miike não tinha de mostrar todos os truques que tinha na manga. Recorde-se que na altura em que rodou este episódio, Miike ainda era recordado como o realizador do filme de culto “Audição” (1999) e talvez tenha sentido necessidade de se afirmar. Isto não era de todo necessário. Só no ano passado lançou o aclamadíssimo “Thirteen Assassins”. Com certeza, outros bons filmes virão. Mas como ia dizendo, saiu-lhe o tiro pela culatra e ficámos com um filme japonês, falado em inglês que (na altura) ninguém acabou por ver! O resultado é uma bizarria perturbadora. Analisando “Imprint” do ponto de vista do gore provavelmente atribuiria uma classificação de 5 estrelas. Ora, como tem tantos outros aspectos imperfeitos “Imprint” recebe apenas duas estrelas.

Realização: Takashi Miike
Argumento: Mike Garris, Daisuke Tengan e Shimako Iwai
Youkie Kudoh como Mulher
Michie Ito como Komomo
Billy Drago como Christopher

PS: Os DVDs da série já estão disponíveis em Portugal mas se pretenderem também podem adquirir a primeira temporada (volumes I e II) aqui
Próximo Filme: "The Detective" (C+ jing taam, 2007)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

"Insidious", 2011

Ora, vamos ser directos sim? A verdade é que vi "Insidious" há umas boas semanas, talvez na segunda semana de exibição nas salas de cinema portuguesas. E a minha vontade de fazer esta apreciação tem sido, bem, próxima de zero. Também senti o mesmo de "Tron: Legacy" (2010) mas não viram por aqui nenhuma menção ao filme pois não? Foi o que pensei. A somar à surpreendente dose de preguiça que me assolou também não sabia por onde começar uma vez que nem uma opinião formada tinha. Claro que poderia começar com algo do género: "Insidious" é uma homenagem aos velhos filmes de terror com casas assombradas, trazendo mesmo a sensação revivalista de filmes como o "Poltergeist" (1982)... O que não seria de todo verdade mas uma mentira descarada. "Insidious" não é revivalista. É uma cópia de "Poltergeist". Em certos aspectos é. Mas não insistamos mais nisso. O que me perturbou verdadeiramente não foi o terror (ok, isso também, já lá iremos), foi a incoerência esquizofrénica da película. Começa bem, acelera e depois já não vai tempo de meter os travões. Todo o nexo e tensão bem arquitectados anteriormentesão desgraçados por um 3º acto inconsequente.
Entretanto, vejamos a história: Renai (Rose Byrne) e Josh (Patrick Wilson) são um casal que se muda para uma casa nova com os seus três filhos. Com a criançada toda com menos de 10 anos e na idade das descobertas e das birras, Renai é uma mãe estoirada. Para não variar, Josh é um pai que aproveita o trabalho para se escapar à árdua tarefa de pôr ordem em casa. Um dia, o seu filho Dalton (Ty Simpkins) vai ao sotão, onde cai e bate com a cabeça. A principio ele parece bem mas nessa noite cai num sono profundo e não acorda. De acordo com os médicos, Dalton está num sono do qual, não se sabe quando irá acordar. Com um filho fora de combate, Renai é forçada ainda mais a dedicar-se ao seio familiar e à lida da casa, onde começa a reparar em fenómenos estranhos. Quanto a Josh, ele isola-se ainda mais e não quer lidar com a situação. A casa está mais assustadora a cada dia que passa: aparecem objectos fora do sítio, sombras e ruídos estranhos, sentem-se presenças que não são deste mundo... Sentir a aflição de Renai quando estes acontecimentos ocorrem perto das crianças é digno de se ver. No entanto, a melhor cena do filme está em algo absolutamente banal. A porcaria do alarme dispara durante  a noite e, meus senhores, se a cena não vos der arrepios eu não estou aqui a fazer nada... Enfim, até este momento a escrita tinha sido refrescante e vagamente criativa até para um género que já conheceu tantas e tantas versões. A partir daí é o descalabro. Bem, até ao fim mete medo claro, mas a história é tão absurda que dá vontade de sacudir o argumentista Leigh Whannell que até teve direito a mais do que um cameo como um daqueles caçadores de fantasmas que se vêm no canal Discovery assim como ao realizador James Wan (yep, a dupla maravilhosa de "Saw", 2004 e não, não estou a ser irónica), até eles nos dizerem o que lhes passou pela cabeça.
Quanto a Rose Byrne e Patrick Wilson têm actuações regulares, nada de extraordinário. A Rose Byrne alterna cenas arrepiantes com outras previsíveis e o Patrick Wilson parece, a espaços, que não sabe muito bem onde está. Nada de preocupante, "Insidious" sobrevive mais da atmosfera do que nos actores. A solução para a assombração é pavorosa e o modo de se livrarem dela é tão mais absurdo. Do modo como terminou, só pode dar em sequela que ainda estou para decidir se vou querer ou não ver. A minha frustração no meio disto tudo é que o filme assusta, mesmo quando o enredo se torna ridículo. O meu lamento é que podia ter sido tão bom... Seja como for, tão cedo não vou (re)vê-lo, não creio que os meus nervos estejam ainda refeitos... Duas estrelas e meia.

Realização: James Wan
Argumento: Leigh Whannell
Rose Byrne como Renai
Patrick Wilson como Josh
Ty Simpkins como Dalton
Lin Shaye como Elise
Leigh Whannell como Specs

Próximo Filme: "Masters of Horror - Imprint", 2006

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Super 8", 2011

"E.T. phone home"... Ups. Filme errado. Bem, mais ou menos. Quer dizer, as semelhanças estão lá: um conjunto de miúdos dos subúrbios, curiosos e corajosos, mais até do que os adultos. E um sentimento de nostálgia que nos faz sentir aquele quentinho no coração. E o J.J. Abrams deverá ter tido um curso intensivo na arte "Spielberg", realmente, se não soubesse mal daria pela diferença (mas dou). Não posso dizer que esta comparação seja má se considerarmos que, ultimamente, tudo o que é filme saído de Hollywood é um remake (na maioria das vezes, inferior ao original), uma "(in)evitável"sequela ou um filme da Marvel ou DC Comics, o que também não é muito bom se não apreciam histórias aos quadradrinhos. Eu própria também não daria grande atenção ao J.J. uma vez que tanto "Lost" e "Mission: Impossible III" não são assim tão bons. Vão perdoar-me, mas a série "Lost" é totalmente overrated. Um triângulo amoroso novelesco no meio de um argumento que não faz absolutamente sentido nenhum? Sou preconceituosa? Who Cares? Não existe pessoal que se torna uma máquina assassina quando falam mal de um Tarantino ou de um Kubrick? Divago.
Por esta altura a maioria dos cinéfilos que ainda não foram ver o Super 8 já saberão qual é a grande revelação do filme. Para os restantes, não serei eu a largar o spoiler (a ideia é verem o filme). Mas uma coisa posso revelar, super 8 é uma velhinha câmara de filmar de 8 mm. É a câmara que Charles (Riley Griffiths) utiliza para realizar o seu filme de zombies. Joel (Joe Lamb) está a cargo da maquilhagem e de outros aspectos técnicos como os adereços e a completar a equipa estão Cary (Ryan Lee), Martin (Gabriel Basso) e Preston (Zach Mills). Eles estão ali para ajudar Charles, cuja compulsão para terminar o filme é tão grande que chega colocar em causa a sua amizade. É a alínea do argumento que compreende qualquer coisa como lições sobre a amizade e as nossas prioridades na vida e coisas do género.
Alice Dainard (Elle Fanning) junta-se a este gangue de outsiders para desempenhar o único papel feminino da película caseira e revela um talento natural como actriz além de constituir um primeiro amor perfeito para Joel. Mas Super 8 não é sobre o filme de zombies nem sobre as aventuras do grupo de amigos. A meio da rodagem do filme, o de zombies entenda-se, acontece um terrível acidente ferroviário que é capturado pela super 8. Assustados com a possibilidade de ser apanhados pelos pais por terem saído de casa para rodar o filme, os amigos juram guardar segredo sobre o que viram naquela noite. Ah, a inocência da juventude... A seguir, surge toda uma série de desenvolvimentos habituais, rebeldia adolescente, conspirações governamentais, pais ausentes... E no entanto, resulta. Hey, já estou por tudo. Felizmente, o argumento é credível. Um pouco absurdo e ao mesmo tempo, se fosse possível acho que seria assim que as coisas se iriam passar.
Há uma prestação maravilhosa de Elle Fanning que logo no início do filme entra na personagem de Alice e deixa a todos, (equipa de filmagens e audiência) de boca aberta. Mas desaparece convenientemente para Joel se tornar um cavaleiro andante. É pena o talento de Alice não ser explorado: ela deseja tornar-se actriz? a representação é uma forma de escape da sua relação tumultuosa com o pai? Truque de argumento dispensável. Não vão pôr o docinho à frente do nosso nariz para depois o fazer desaparecer por artes mágicas... Quanto a Joe Lamb é a encarnação do perfeito actor adolescente Spieberguiano. Prevejo boas coisas no seu futuro. Super 8 não é um filme de Spielberg. J.J. Abrams tenta lá chegar mas não passa de uma cópia (bem conseguida, não se deixem enganar). Super 8 é uma obra que se destaca pela sua ingenuidade e inocência. É um bom filme de Verão e traz um sentimento de nostálgia para quem foi criança ou adolescente durante os anos dos grandes filmes de aventura. Felizmente, não há nenhum super herói mascarado à vista e para variar não são só os adultos que se divertem. Super 8 é um feel good movie sendo ironicamente original no meio dos filmes de Verão deste ano. Quatro estrelas.


Realização: J.J. Abrams
Argumento: J.J. Abrams
Elenco:
Joe Lamb como Joel Courtney
Riley Griffiths como Charles
Elle Fanning como Alice Dainard
Kyle Chandler como Jackson Lamb


Próximo Filme: "The Matrimony" (Xin zhong you qui, 2007)
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