Mostrar mensagens com a etiqueta Ficção Científica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ficção Científica. Mostrar todas as mensagens

domingo, 26 de agosto de 2012

"Natural City" (2003)


É natural que todas as atenções se virem para um filme quando o marketing faz anunciar um “Blade Runner” moderno. É uma herança muito pesada para honrar quando se trata do FILME para muitos e, invariavelmente, figura dos nos top’s de melhores filmes de sempre ou do género da ficção científica. Se bem que a ideia de um “Blade Runner” moderno se afigura interessante, a incapacidade deste filme em chegar às mesmas alturas não é mais do que uma constatação de uma expectativa prévia, inclusive de quem não é parte imparcial no caso.
“Natural City” desenrola-se no ano 2080, numa altura em que os cyborgs estão ao serviço do ser humano para serviços que variam entre o trabalho mais árduo ao prazer. Para o Homem ainda resta trabalho como o policiamento da população, no qual se incluem R (Ji-tae Yu) e Noma (Chang Yun), por estes dias mais ocupados a combater cyborgs que de algum modo conseguiram escapar à sua programação e viraram "rebeldes" e o tráfico destas entidades. Típico dos humanos: mesmo com tudo controlado não conseguem deixar de ser desconfiados. E é confiança a palavra-chave. A amizade entre os dois homens é abalada pela paixão avassaladora de R pela cyborg bailarina Ria (Rin Seo). Apesar de não ser vista com bons olhos a relação é tolerada, até ao momento em que R se torna trapalhão e começa a deambular dentro e fora da lei, associando-se a personagens duvidosos como o excêntrico Dr. Giro. Ele recorre mesmo ao próprio tráfico que combate, tudo para salvar Ria da morte certa: os seus 3 anos de validade estão quase a terminar. Onde é que já vimos isto? Na sua corrida contra o tempo, R torna-se cada vez mais desesperado e desconectado da realidade, negligenciado os deveres policiais que permitem a Cyper (Doo-hong Joo) um cyborg perigoso, aproximar-se de uma importante base de ADN. Entretanto, o Dr. Giro apresenta-lhe a solução na pele da prostituta Cyon (Jae-un Lee), mas o que terá de fazer para salvar a sua Ria implica ir muito além de uma ofensa menor.
“Natural City” é francamente artificial. Qualquer oportunidade é boa para recorrer ao ecrã verde. As imagens são de tirar o fôlego e com uma qualidade superior até a alguns filmes de grande orçamento americanos, onde se atreveram a ser preguiçosos com a imagem digital. Provavelmente o título do filme advém de uma grande noção de ironia de Byung-shun Min. Mas é nos actores que a sensação de artificialismo é mais evidente. R é frio e quando não o é, limita-se a ser um asno. Infelizmente, sintomas clássicos da paixão, R parece perder todas as faculdades mentais, tomando as decisões mais desafortunadas. Decisões que, como é óbvio, não se limitam ao microcosmos que criou, a bolha de R + Ria onde ele é feliz e, o exterior pode arder à sua volta que ele não será mais indiferente. R passa toda a duração da película num estado depressivo, tem atitudes reprováveis e, não é o facto de estar prestes a perder a amada que o vai tornar mais simpático. Onde o Deckard de Ford era apenas lacónico, R é detestável. E o que ele vê em Ria é um mistério já que ela tem a personalidade de uma planta. Ela passeia pelo ecrã parecendo bonita mas sem contribuir alguma coisa para a sua causa. Se ela desaparecer não fará grande falta ao mundo, entendem? A Rachael da Sean Young era sofisticada, inteligente, respirava sensualidade por todos os poros. A audiência queria que ela sobrevivesse. Quanto a Rin Seo, o seu papel não tem substância suficiente para que possamos afirmá-lo mas, Ji-tae Yu, actor de “Oldboy” e “Into the Mirror” tem capacidade dramática mais do que suficiente para um papel tão inferior.
Salvam-se Cyon (Jae-un Lee) e Noma (Chang Yun) que supostamente servem de apoio à narrativa central. Os restantes cyborgs não possuem emoção, não têm presença humana que justifique a sua continuidade, não são replicantes. Numa análise fria são objectos. É aqui que “Natural City” diverge naturalmente de Blade Runner. Existe uma ausência de humanidade nos personagens humanos e cyborgs que tornam o conflito inócuo. Somos rapidamente confrontados com a inexistência de um cyborg à semelhança de um Roy Batty (“Blade Runner”), não teremos direito a meia dúzia de falas imortais. “Natural City” é fantástico em termos visuais mas, 70% do tempo é um melodrama, à boa moda coreana. Os fãs fervorosos de “Blade Runner” não têm motivos para perder o sono, o trono continua seguro. Mas um sucessor merecia mais. Não acham? Duas estrelas

Realização: Byung-chun Min
Argumento: Byung-chun Min
Ji-tae Yu como R
Jae-un Lee como Cyon
Chang Yun como Noma
Lin Seo como Ria
Eun-pyo Jeong como Croy
Doo-hong Joo como Cyper

PS: O trailer faz um excelente trabalho a esconder os problemas do filme. Parece melhor do que é.

Próximo Filme: "Shall we Dansu?", 1996

domingo, 17 de junho de 2012

"Prometheus", 2012



É muito difícil criar um filme de qualidade tão superior que marque indelevelmente a história do cinema. Ridley Scott já tem dois no currículo, o que é manifestamente mais, do que muitos bons realizadores alguma vez poderão almejar. E "Prometheus" prometia, passe o trocadilho. Os seus esforços mais recentes não refletem as alturas a que é capaz de chegar. E, perdoem-me, a não tão inocente comparação, mas a carreira de Scott pode, em certo grau assemelhar-se à de M. Night Shyamalan. Podemos desgostar da filmografia mais recente, (“G.I Jane”, “Gladiador”), mas ninguém lhe pode retirar o mérito de obras como “Blade Runner” ou “Alien”.
Os últimos anos têm sido parcos em boas ideias a oeste. Talvez seja culpa de um sistema instituído que não permite a muitos jovens argumentistas fazer-se ouvir. Quem sabe? Ou uma necessidade imperiosa de manter margens de lucro que obriga os estúdios a afastarem-se de projetos mais inovadores com medo de se tornarem o próximo “Waterworld” ou “John Carter” e preferem olhar para trás. Remakes, sequelas, prequelas… aí vamos nós! O vácuo criativo tem assim assegurado um revivalismo, que apresenta velhos clássicos a novas gerações, como revelou a primeira tentativa de regresso ao universo “Tron”, “Tron Legacy”. O filme de 1982 não foi um sucesso de bilheteira, mas adquiriu o estatuto de culto graças à VHS. “Tron” não será o melhor filme da década, ou sequer do género mas tem muitas ideias, de argumento e efeitos digitais, à época inovadores. Por isso, se o “Legado” pode ser considerado um tributo inferior ao original para os que viram a obra de 82, ele cumpriu, no entanto, a velha promessa de enfim, valorizar “Tron”, com nova sequela já prevista. No campo das promessas por cumprir, encontra-se, no primeiro lugar da fila o “Blade Runner”, uma obra manifestamente superior que ainda ninguém teve coragem de retomar. Não se deve mexer com os clássicos. Pois não, sobretudo quando os clássicos já são dos melhores filmes de sempre. Mas a avaliar pelo amor do universo de ficção em geral, pelo filme, que o toma como referência, com maior frequência do que o ignora e o amor dos fãs, parece ainda existir mercado. É a velha estória do marketing, se a vaca leiteira ainda tem leite, há que espremê-la toda.
“Alien” é um desses casos e, apesar do sucesso variável, a cada nova encarnação, a franquia parece mais longe de morrer. Afirmo e reafirmo, que “Alien Ressurrection” foi o maio desgosto da série e que “Alien 3” foi um mal necessário.  Eventualmente, algum realizador (saiu a fava ao Fincher), iria ter de fechar o ciclo criado por Scott: Ripley é uma personagem espantosa mas não é invencível. “Alien vs. Predator” é uma aventura completamente diferente, de junção com outro universo, que deve ser considerado apenas pela experiência, para alguns satisfatória, de por fim, juntar dois personagens favoritos do público e pô-los a combater até ao extermínio, sem grandes considerações quanto à mitologia da série.
Ora, se já se matou Ripley uma vez e já se apresentou o Alien ao Predador, o que é que se pode fazer mais? Voltar atrás no tempo, claro. Ridley voltou à menina dos seus olhos e preferiu fazer novas perguntas. Que importa para onde vamos se não sabemos de onde viemos? O Alien é já um caso banal e este argumento vira as atenções para o ser humano. Elisabeth Shaw (Noomi Rapace) é uma mulher obcecada com questões metafísicas. São os seres humanos o resultado de milhares de anos de evolução ou existirá um criador? Serão o produto do engenho de um ser superior? Se sim, qual é a sua agenda. Isto são preocupações de uma personagem que se sente perdida e que mais precisa de um psiquiatra e de colinho de que ter as respostas que procura com tanto ardor. Que fará quando tiver as respostas? Ela continuará viva e o seu pai continuará morto.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

"Attack the Block", 2011



Posso dizer que no universo das más traduções de títulos à portuguesa “ETs in da bairro”, está lá bem no topo. Tipo: uau. De modo literal seria algo como “Ataque ao bloco de apartamentos”. Esta foi a maneira de serem engraçadinhos ou espirituosos, se atendermos ao grupo de protagonistas.
Estamos mais que habituados a filmes nos quais os aliens invadem a terra e a humanidade só não é exterminada por um triz. Eles são sempre retratados como seres de suprema inteligência e os seres humanos, são uns pobres desgraçados que têm de utilizar todo o tipo de recursos para sobreviver. Invariavelmente, quem é “invadido” são os norte-americanos, a maior potência mundial nos anos 90 vá, que agora o século XXI é da China e se os invasores forem minimamente inteligentes começam por atacar a nação que pode constituir maior ameaça. Mas vá lá, pela primeira vez, lá se lembraram de criar uns alienígenas que não são a espécie mais brilhante do universo e criar antagonistas à altura: um gangue de adolescentes que até os próprios vizinhos aterrorizam. É caso para dizer “meteram-se com os tipos errados”.

Nascidos e criados num bairro a sul de Londres na Inglaterra e, sem perspectivas de algum dia sair de lá, Moses (John Boyega) e o seu bando atravessam as ruas da cidade nas suas bicicletas, procurando passar um bom bocado e gamar aqueles que cometerem a imprudência de se cruzar com eles.
Não será muito difícil imaginar que eles venham de lares desfeitos e famílias monoparentais que os deixam ao abandono durante dias inteiros, para prejuízo da sua educação e valores fundamentais. Notavelmente, estes jovens conseguem transformar o preconceito da sociedade em compaixão e apoio declarado perante um inimigo temível. Só um inimigo comum poderia unir pessoas tão diferentes com um bando, uma enfermeira, um hipster à procura da próxima broca e o dealer do bloco de apartamentos.
“Attack the block” é a prova de que não é necessário criar grandes cenários para um filme de acção. Dentro do bloco de apartamentos, nas rampas de acesso sinuosas e acessos labirínticos circulam uma série de miúdos com a destreza de um duplo que salta de edifícios ou carros em andamento. Às vezes menos é mais.
Um meteorito cai na terra e o gangue cruza-se com um bicho que não é desta Terra, cedo descobrem que este não é o único e que eles são tudo menos amigáveis. O que começa como diversão de miúdos acaba por se tornar um confronto pela terra. Onde “Attack the Block” sucede é no equilíbrio entre os géneros da comédia e do drama. Mas não é parecido com nada que se tenha visto antes. Nem o grupo de resistentes pertence aos militares como vimos em tantos filmes como “O dia da Independência” nem são um grupo de crianças inocentes como vimos em “Super 8”, acabando por funcionar como uma mescla bem-sucedida e mais realista. A justificação para a “invasão” parece muito mais natural, seguindo as ciências da vida e da natureza e não uma explicação demasiado rebuscada e por isso mais artificial. Os próprios alienígenas têm um design simplista que funciona. Definitivamente não pensem no Alien do H. R. Giger ou num predador. Quanto aos actores há um toque de hiper-realismo nas suas actuações, desde a enfermeira com demasiado trabalho entre mãos que chega a casa a horas ridículas ao gangue de jovens com o dialecto muito próprio de bairro. Destaque-se o jovem John Boyega que demonstra um espectro de emoções acima da média para um estreante no cinema. A personagem mais caricatural é sem dúvida a de Ron, o dealer drogado que é interpretado por Nick Frost. Depois das suas presenças em “Shaun of the Dead” e “Hot Fuzz”, não lhe atribuir um papel cómico seria uma ofensa às suas capacidades como cómico natural. Depois temos Luke Treadaway como Brewis, um dos personagens mais cool e que acabou por sair do filme como um sex symbol em potência, com o seu hipster simpático. De resto, a sucessão louca de acontecimentos apoiado numa fórmula comédia vs. drama e a banda-sonora de Steven Price que compõe o urbe londrina finaliza um dos filmes mais divertidos de 2011. Três estrelas.

Realização: Joe Cornish
Argumento: Joe Cornish
John Boyega como Moses
Jodie Whittaker como Sam
Luke Treadaway como Brewis
Alex Esmail como Pest
Franz Drameh como Dennis
Leeon Jones como Jerome
Simon Howard como Biggz
Nick Frost como Ron

Próximo Filme: "Prometheus", 2012

domingo, 15 de abril de 2012

"Silk" (Gui si, 2006)



Até no cinema existe a chamada “injustiça crónica”. Seja por distribuição incompetente ou a incompreensão de um conceito de terror e de ficção científica que não o estabelecido, certas obras nunca obtêm o sucesso e respeito que merecem. O filme taiwanês “Silk” não está isento de falhas, mas não reconhecer a sua premissa singular é um erro tremendo.
O argumento parte de um pressuposto simples: “E se fosse possível capturar um fantasma?”. Localizada em Taiwan, uma equipa de cientistas, liderada pelo enigmático Hashimoto (Yôsuke Eguchi ) capturou uma criança fantasma num prédio com a sua criação, a Esponja Menger. Esta tecnologia funciona como uma espécie de buraco negro. É capaz de desafiar a gravidade e até capturar a energia espectral, conseguindo aprisionar espectros. O desenvolvimento da tecnologia também permite ao olho humano, visualizar fantasmas. Esta equipa opera sob um manto de secretismo, a mando do Governo Japonês, que financia o projecto mais pelas vantagens economicistas e bélicas. Apenas Hashimoto demonstra o desejo obsessivo de compreender a vida após a morte e até, se possível, entender como a replicar. Para tal, contrata Tung (Chen Chang), um sniper com a habilidade especial para ler lábios de modo a descobrir mais informações sobre o fantasma. A sua entrada causa um conflito no seio da equipa, que vigia 24 horas por dia, o fantasma enclausurado num quarto. Su (Barbie Hsu) teme pela descoberta e até roubo do trabalho que fizeram até ali e vê Tung como um elemento invasor.
“Silk” explora, no mínimo, a possibilidade de uma ponte entre o mundo dos vivos e o mundo espectral. Há muitas variáveis interessantes a esse propósito. Dá como certa a existência de uma sobrevivência residual após a morte e vai mais além, admitindo que podemos ver e até comunicar com os mortos. E que mundo de oportunidades se expande. E se pudéssemos comunicar com os nossos tentes queridos depois da morte? E se conseguíssemos explicar alguns mistérios irresolúveis pelos vivos? E se existisse a capacidade de prolongar a vida após a morte? Tung envolve-se emocionalmente com a estória da criança fantasma pois ele próprio está a passar por uma fase de sofrimento. A sua mãe, que sofre de esclerose múltipla encontra-se num estado de coma permanente. E se ele a puder, afinal, salvar? A doença da sua mãe, também está a afectar a sua relação com Wei (Karena Lam), pois ele não considera justo assumir uma relação com ela, quando tem a responsabilidade de cuidar de uma pessoa doente. O seu conflito é habilmente explorado por Hashimoto que põe a sua agenda pessoal acima das possibilidades científicas da descoberta. Tung é devido à sua situação pessoal movido por questões de piedade do que de interesse pessoal. Como é que aquela criança se tornou um fantasma? Por que está sozinho e não fez a transição para outro estado?
A ciência por trás da descoberta não é demasiadamente explorado mas não é esse o móbil do filme. No entanto, não deixa de ser uma hipótese interessante para possuirmos uma perspectiva única sobre o mundo dos espectros. Durante a maior parte do filme, há a invulgar perseguição das passadas do fantasma e não uma série de sustos provocados por uma qualquer ofensa que os vivos lhe tenham efectuado. Com a mudança de foco há uma pequena desilusão, pois cai-se em todos os lugares-comuns, de fantasmas que surgem nas situações mais estranhas e perseguem certos humanos nem se compreende bem porquê. “Silk” passa pelos estados de terror, ficção científica, thriller e drama, como se o ensejo de agradar a todas as audiências fosse superior ao de manter uma estória coesa. Contudo, a espaços, qualquer dos géneros funciona brevemente, seja com os instantes iniciais de um encontro inesperado com uma presença feroz, a explicação do funcionamento da Esponja Menger, a perseguição de um fantasma enfurecido e as estórias dramáticas que acompanham quer o menino fantasma quer Tung, induzindo a audiência a sentir compaixão por ambos. Subjacente a tudo isto está uma linha de seda, uma linha apenas visível devido à tecnologia desenvolvida pela equipa secreta que permite ver onde começa a ligação dos mortos aos vivos. Pena que a linha da coesão esteja demasiado emaranhada no desejo de agradar a todos. No entanto, não deixa de ser uma lufada de ar fresco no género de terror e ficção científica do cinema taiwanês e, porventura, mundial se, se atreverem a procurar tal gema no extremo oriente. Três estrelas e meia.
Realização: Chau Bin-su
Argumento: Chau Bin-su
Chen Chang como Tung
Yôsuke Eguchi como Hashimoto
Karena Lam como Wei
Barbie Hsu como Su
Bo-lin Chen como Ren
Chun-Ning Chan como Mei
Kuan-Po Chen como criança fantasma

Próximo Filme: "Poetry"

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Super 8", 2011

"E.T. phone home"... Ups. Filme errado. Bem, mais ou menos. Quer dizer, as semelhanças estão lá: um conjunto de miúdos dos subúrbios, curiosos e corajosos, mais até do que os adultos. E um sentimento de nostálgia que nos faz sentir aquele quentinho no coração. E o J.J. Abrams deverá ter tido um curso intensivo na arte "Spielberg", realmente, se não soubesse mal daria pela diferença (mas dou). Não posso dizer que esta comparação seja má se considerarmos que, ultimamente, tudo o que é filme saído de Hollywood é um remake (na maioria das vezes, inferior ao original), uma "(in)evitável"sequela ou um filme da Marvel ou DC Comics, o que também não é muito bom se não apreciam histórias aos quadradrinhos. Eu própria também não daria grande atenção ao J.J. uma vez que tanto "Lost" e "Mission: Impossible III" não são assim tão bons. Vão perdoar-me, mas a série "Lost" é totalmente overrated. Um triângulo amoroso novelesco no meio de um argumento que não faz absolutamente sentido nenhum? Sou preconceituosa? Who Cares? Não existe pessoal que se torna uma máquina assassina quando falam mal de um Tarantino ou de um Kubrick? Divago.
Por esta altura a maioria dos cinéfilos que ainda não foram ver o Super 8 já saberão qual é a grande revelação do filme. Para os restantes, não serei eu a largar o spoiler (a ideia é verem o filme). Mas uma coisa posso revelar, super 8 é uma velhinha câmara de filmar de 8 mm. É a câmara que Charles (Riley Griffiths) utiliza para realizar o seu filme de zombies. Joel (Joe Lamb) está a cargo da maquilhagem e de outros aspectos técnicos como os adereços e a completar a equipa estão Cary (Ryan Lee), Martin (Gabriel Basso) e Preston (Zach Mills). Eles estão ali para ajudar Charles, cuja compulsão para terminar o filme é tão grande que chega colocar em causa a sua amizade. É a alínea do argumento que compreende qualquer coisa como lições sobre a amizade e as nossas prioridades na vida e coisas do género.
Alice Dainard (Elle Fanning) junta-se a este gangue de outsiders para desempenhar o único papel feminino da película caseira e revela um talento natural como actriz além de constituir um primeiro amor perfeito para Joel. Mas Super 8 não é sobre o filme de zombies nem sobre as aventuras do grupo de amigos. A meio da rodagem do filme, o de zombies entenda-se, acontece um terrível acidente ferroviário que é capturado pela super 8. Assustados com a possibilidade de ser apanhados pelos pais por terem saído de casa para rodar o filme, os amigos juram guardar segredo sobre o que viram naquela noite. Ah, a inocência da juventude... A seguir, surge toda uma série de desenvolvimentos habituais, rebeldia adolescente, conspirações governamentais, pais ausentes... E no entanto, resulta. Hey, já estou por tudo. Felizmente, o argumento é credível. Um pouco absurdo e ao mesmo tempo, se fosse possível acho que seria assim que as coisas se iriam passar.
Há uma prestação maravilhosa de Elle Fanning que logo no início do filme entra na personagem de Alice e deixa a todos, (equipa de filmagens e audiência) de boca aberta. Mas desaparece convenientemente para Joel se tornar um cavaleiro andante. É pena o talento de Alice não ser explorado: ela deseja tornar-se actriz? a representação é uma forma de escape da sua relação tumultuosa com o pai? Truque de argumento dispensável. Não vão pôr o docinho à frente do nosso nariz para depois o fazer desaparecer por artes mágicas... Quanto a Joe Lamb é a encarnação do perfeito actor adolescente Spieberguiano. Prevejo boas coisas no seu futuro. Super 8 não é um filme de Spielberg. J.J. Abrams tenta lá chegar mas não passa de uma cópia (bem conseguida, não se deixem enganar). Super 8 é uma obra que se destaca pela sua ingenuidade e inocência. É um bom filme de Verão e traz um sentimento de nostálgia para quem foi criança ou adolescente durante os anos dos grandes filmes de aventura. Felizmente, não há nenhum super herói mascarado à vista e para variar não são só os adultos que se divertem. Super 8 é um feel good movie sendo ironicamente original no meio dos filmes de Verão deste ano. Quatro estrelas.


Realização: J.J. Abrams
Argumento: J.J. Abrams
Elenco:
Joe Lamb como Joel Courtney
Riley Griffiths como Charles
Elle Fanning como Alice Dainard
Kyle Chandler como Jackson Lamb


Próximo Filme: "The Matrimony" (Xin zhong you qui, 2007)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

"World Invasion: Battle Los Angeles", 2011

Los Angeles. O centro do Mundo. Ou assim nos querem fazer crer. Nisto dos filmes de invasões alienigenas, Lisboa parece sair sempre incólume. Já o mesmo não se pode dizer do Rio de Janeiro. Pobre, belo Rio. Mas vá lá, sermos pequeninos sempre tem as as suas benesses.
Tudo começa com uma chuva de meteoritos. Aparentemente, meteoritos de dimensões gigantescas que são detectados com meses, se não mesmo anos de distância, só se tornam do conhecimento público algumas horas antes de entrarem na nossa atmosfera. Não faz mal, eu consigo viver com isso. É impossível impedir o seu impacto com a superfície terrestre mas, felizmente, só acertam nos oceanos. Can anyone say hurrah?
Ora, sucede que estes não são os meteoritos típicos, vocês sabem, aqueles que caem aleatoriamente e bem que poderiam acertar, digamos a Venda das Raparigas. Neste filme não, eles caem à frente das grandes cidades costeiras do planeta. (Pausa para respirar). O...K... É estranho mas também consigo viver com isso.
Em algumas horas começa a invasão do que se supõem ser alienigenas. Se a película se fica pelos 116 minutos bem que podia ter mais cinco minutos. Os instantes iniciais são provavelmente, os mais mal aproveitados de sempre. Estão a ver o poster do filme com os surfistas? O ataque podia começar com um grande Bang! Não, ficamo-nos por uma televisão com má emissão e por muito que vejamos as reacções de quem está em segurança não provoca o mesmo impacto. Claro que a resposta não se faz esperar. E é nesta que o filme se centra. Na americana, quero dizer. E de Los Angeles. Um pelotão do exército, entre tantos outros é destacado para a acção. Com ou sem nenhuma história anterior, sabemos que estes homens incluem um virgem, um pai de familia, um que perdeu alguém na guerra, um prestes a reformar-se, etc, etc. Mas não o têm todos os filmes? As suas vivências anteriores são o que menos interessa, assim como nada se sabe da agenda dos invasores. Who cares?
Numa cidade devastada pelo inimigo, o nosso pelotão americano, de heróis americanos, tem de cumprir uma missão dir-se-ia mundana, em solo americano. Não me canso de repetir americano, porque o resto do mundo é totalmente posto de parte. Não devem ter tanques e caças e navios de guerra. Aliados? Coitados. Como num "Independence Day" (1996), cabe-lhes a eles, heróis anónimos, salvar o dia e livrar o planeta do extermínio. São homens e mulheres normais que passam pelos mais diversos estados de espírito à velocidade de uma câmara frenética. Os soldados passam por situações de meter medo ao mais experiente e alguns caem. Isto demonstra alguma coragem e à-vontade com o risco dos cineastas por deixarem partir personagens com os quais já tinhamos criado alguma empatia, tornando, o cenário de guerra mais real.
A partir daqui começam os problemas com o elenco, em particular, com a Michelle Rodriguez (Elena Santos) e o Michael Peña (Joe Rincon). Começando por Michelle, ela aperfeiçoou o papel de mulher durona à la "Private Vasquez" (Aliens 2, 1986). Com tantos papéis assim, ela não tem de se preocupar com o encarnar uma personagem tipo, ela é uma actriz tipo. Fê-lo em "The Fast and The Furious" (2001), "Resident Evil" (2002)... É só escolher. Por outro lado, é interessante verificar que ela tornou a personagem um pouco mais sofisticada e vulnerável com o pouco material que lhe foi dado para trabalhar. A espaços, quase que poderia ser tomada por donzela em apuros. Quanto a Peña, o eterno secundaríssimo, merecia melhor. Ainda não foi este o seu filme.
Entretanto, no meio de tanto fumo e explosão, que mal dão para nós, audiência, percebermos o que se está a passar, o pelotão consegue passar do ponto A para o ponto B, sem vêr um palmo à frente do nariz. Ah, graças a Deus pelos mapas, que eu ainda não tive o prazer de conhecer L.A. Ainda bem que o filme não está em 3D senão ainda menos se conseguia ver. Que eu saiba, não se faz repeat ou rewind nas salas de cinema. Quero ainda partilhar convosco uma cena absurda reminiscente de "The Lord of The Rings: The Two Towers" (2002), em que os heróis partem numa cavalgada por entre um número massivo de orcs, destruindo meio exército, à vontade. Quem precisa de um exército, quando se tem meia dúzia de homens que valem por centenas? Também se dispensam os discursos pseudo-lamechas de encorajamento. Não é como se não os tivessemos visto antes e muito melhores. A sério. A sua terra está a ser atacada, amigos e familiares poderão estar mortos ou feridos. De que mais motivação necessitam? Já os E.Ts são feios mas também é complicado perceber como é que eles são, com tanto fumo, detritos e o raio da câmara que não pára. Parecem uma mistura de alforreca com... qualquer coisa.
"Battle Los Angeles" não é um filme para todos os gostos, nem sequer é revolucionário. Os desempenhos estão dentro do possível que é uma algaraviada técnica, umas quantas asneiras e caretas feias, enquanto disparam contra tudo o que mexe do outro lado da barricada. Por isso, duas estrelas, sem querer afirmar que este é um bom filme. Não é. Mas se me entreteve durante os 116 minutos de duração? Sure. why not?

Realização: Jonathan Liebesman
Argumento: Christopher Bertollini
Elenco:
Aaron Eckhart como Sgt. Michael Nantz
Ramon Rodriguez como William Martinez
Bridget Moynahan como Michelle


Próximo Filme:"Bedevilled" (Kim Bok nam salinsageonui jeonmal, 2010)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...