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domingo, 12 de maio de 2013

"The Unseeable" (Pen choo kab pee, 2006)




Chega uma altura na carreira de um cineasta tailandês em que ele tem de escolher difícil. Continuar a fazer os filmes que deseja fazer ou apostar num filme de terror para conseguir financiar projectos futuros. Atualmente Pee Mak Phrakanong (Pee significa fantasma), uma comédia de terror ou terror cómico, se preferirem, é o segundo filme mais visto de sempre do cinema tailandês. E a presença de filmes de terror tailandeses no top dos filmes mais vistos de sempre não é um acaso. Já antes, filmes como “Mae Nak”, “Dorm” ou “Shutter” tinham feito as delícias das audiências locais, recolhendo aclamação crítica internacional. Em comum? Realizadores cujo currículo se estende além do género que os deu a conhecer e captou todo o tipo de apoios futuros. “The Unseeable” é um desses infelizes acasos. Wisit Sasanatieng teve de baixar bastante o tom dos filmes anteriores, “Tears of the Black Tiger” e “Citizen Dog”, cuja utilização de cores saturadas podia ser apelidada de sonho Tecnicolor. Isso ou melhor da pop art de Andy Warhol, em especial a evocação do glamour de Hollywood dos anos 30. Com menores recursos e um argumento que não o seu basta dizer que a estória foi escrita por um dos membros da “Equipa Ronin” Kongkiat Khomsiri, que escreveu a tão popular série de filmes “Art of the Devil” e, mais recentemente, o desastroso “Dark Flight 407”. Só filmes de terror denotam um padrão?
A narrativa acompanha Nualjan (Siraphan Wattanajinda), uma rapariga do campo que se apaixona violentamente por um músico que surge na pequena localidade de Cholburi. Ele corteja-a e acabam por casar. Mas ele é um músico e terá de partir por uns dias em trabalho. Nunca mais retorna e uma Nualjan grávida decide procurá-lo. Eis que chega a uma antiga casa senhorial que parece parada no tempo. Entre estórias de terror contadas por uma empregada estranha, uma governanta digna de uma Mrs. Danvers da literatura, um homem que apenas cava buracos sob o olhar atento da lua e uma viúva amarga presa nos bons velhos tempos que não deseja abandonar os aposentos qual rainha de um castelo, o local não parece o ideal para uma grávida em final de termo. Ainda assim, onde é que ela pernoita?
Note-se que ela nem coloca a hipótese do marido estar morto ou de ter fugido para escapar às suas responsabilidades maritais. Pobre inocente. A ação decorre nos anos 30, um dos últimos redutos do realizador de "Tears of the Black Tiger", sendo que um dos poucos pormenores de interesse são a luta de classes. Os mais pobres têm tez mais escura e menos educação. Falta-lhes toda uma maneira de ser e de estar, acentuada por uma pele branca e leitosa qual marca de nascimento que só os da alta possuem, a crer no conservadorismo da época. Talvez por isso, os personagens de um nível inferior da sociedade surjam infinitamente mais acolhedores, "humanos" e, de certo modo, inocentes.
“The Unseeable” é um conjunto de acontecimentos que se vêm a milhas, a começar pelo título. O que aconteceu ao mistério? Ao suspense? Ao ficar nos píncaros? A roer as unhas? A esconder a face atrás das mãos? Nãooooooooo… embora dar um titulo óbvio e um trailer que desvenda os melhores momentos…

Que mania! Se vão mostrar o melhor no trailer é por que há uma tremenda falta de confiança de que conseguem vender o produto. Não. É porque sabem que o produto carece no departamento da qualidade.
Se para os realizadores tailandeses há um momento em que têm de reflectir sobre o caminho a adoptar sob pena de não conseguir fazer mais filmes também existe uma altura em que audiência se questiona se os argumentistas fizeram um pacto secreto sob o qual se comprometem a seguir, com mais ou menos desvios, a mesma narrativa. Primeiro a rapariga do filme vai parar, sabe-se lá por que obra do destino, a um local misterioso. Segundo ela toma a decisão de permanecer no sítio que não inspira assim tanta confiança. Acontece, faz parte dos homens tomar decisões estúpidas. O que não é tão perdoável assim é o que sucede num terceiro momento. A jovem é avisada em diversas ocasiões para não ter certos comportamentos. E o que ela faz é ignorar todos os avisos, quebrar todas as regras. E, em boa verdade, quem é que não sente uma ligeira satisfação pela desgraça que se abate sobre a transgressora? Duas estrelas.

Realização: Wisit Sasanatieng
Argumento: Kongkiat Khomsiri
Siraphan Wattanajinda como Nualjan
Supornthip Choungrangsee como Madame Runjuan
Tassawan Seneewongse como Somchit
Sombatsara Teerasaroch como Choy

Próximo Filme: "Ghost Sweepers" (Jeomjaengyideyl, 2012)

domingo, 21 de abril de 2013

"Secret Sunday" (9 Wat, 2010)


Há qualquer coisa de mágico na câmara de Saranyoo Jiralak que se encontra algures entre o naturalismo digno de um National Geographic e o programa de viagens dedicado ao turismo religioso. A sensação permanente de voyeurismo intruso é o que distingue “Secret Sunday” de um documentário. As cenas de jovens citadinos cheios de estilo a irromper por entre os raios de sol que acariciam as paredes de templos milenares trazem a certeza de arte. Estátuas, fotografias, animais, as árvores de uma floresta, até o pneu de um automóvel… Ajudam a contar a viagem de uma vida para um casal e o monge a quem deram relutantemente boleia.

“Secret Sunday” (não me perguntem a razão de ser do nome porque até ao momento ainda não percebi), cujo título na Tailândia é 9 wat, literalmente, nove templos, narra a estória de Nat (James Alexander Mackie) e a sua namorada Phoon (Siraphan Wattanajinda) que se propõem a a percorrer nove templos em sete dias para expurgar o mau karma de Nat a conselho da mãe deste. A senhora, uma budista devota, acredita que o filho está rodeado de energias negativas e que ele deve procurar o caminho da religião para alcançar a salvação. Nat acede a fazer a viagem mais pelo desejo de férias do que por uma crença profunda nas convicções da mãe. Já Phoon questiona mas não recusa a sugestão pois não é ateísta além de que tem as suas próprias preocupações egoístas. O seu caminho cruza-se com o de Sujitto (Pradon Sirakovit) um monge budista que parece saber algo mais sobre o que está a afligir o casal do que eles próprios e que também está ligado ao passado de Nat... Este podia ser o início perfeito de uma viagem de descoberta para um ateu, uma agnóstica e um crente mas 9 wat, a despeito da óbvia ligação religiosa trilha outros trajectos. “Secret Sunday” é um road-movie com um mix de thriller sobrenatural. Phoon é a protagonista e com razão já que à sua presença magnética, se juntam um styling espectacular, nomeadamente o cabelo curto pintado de louro platinado e roupas saídas da última colecção primavera/verão que a fazem sobressair entre a multidão tailandesa. A sua personagem representa a oportunidade perfeita para apresentar a jovem moderna, independente e um pouco promiscua na tela. Phoon representa uma imagem indesejável para a jovem tailandesa tradicional, escapando à caracterização da maioria das personagens femininas que pululam os ecrãs do país, puras, crentes e respeitáveis. No entanto, é deixado para o julgamento do espectador se Phoon surge como uma manobra arriscada de trazer uma personagem um pouco mais colorida para o grande ecrã ou, se o sofrimento da jovem decorre do seu comportamento pouco convencional.
Nat e Sujitto, até ao último quarto de hora de filme praticamente não apresentam qualquer conflito, com a agravante de que Nat nunca demonstra mais do que um feitio irascível e qualidades de boy toy que explicam o inicio da relação e o seu potencial de fim. Nat recusa terminantemente a existência da divindade enquanto o monge aceita cegamente a sua existência, pelo que a sua maneira de ver o mundo nunca é, até ali, questionada. É Phoon quem se apercebe das nuances e sofre por causa disso. Isto não quer dizer que qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade se aperceba de espíritos a olhar por cima do ombro ou de outras coisas que não existem no plano real. Não, isso já faz parte do filme. E também aí se encontram as maiores fraquezas de “Secret Sunday”. A introdução do sobrenatural é absolutamente desnecessária. Muitas das cenas são assustadoras ou quedam-se lá perto mas era perfeitamente plausível que Phoon e Nat fossem atormentados (apenas), devido ao passado e aos segredos que guardam. As suas motivações e medos também podiam ser conduzidos pela fase de vida em que se encontram. Já estão juntos há algum tempo e pode ter chegado a altura de explorar se a sua relação deverá ter continuidade ou se esta união deixou de fazer sentido. Uma road-trip onde uma série de peripécias os leva a questionar o percurso de vida e o futuro que pretendem seguir. Mas considerando o mercado tailandês o elemento terror possui um tal nível de atracção que leva a que sejam produzidos muitos filmes direccionados para esse tipo de público e, com bastante frequência, sejam produzidos muitos que pecam pela falta de qualidade. É por isso, lamentável, que no meio dessa montanha de obras, gemas como esta permaneçam por descobrir. Três estrelas e meia.
Realização: Saranyoo Jiralak
Argumento: Saranyoo Jiralak
James Alexander Mackie como Nat
Siraphan Wattanajinda como Phoon
Pradon Sirakovit como Sujitto


Próximo Filme: "Forbidden Siren" (Sairen, 2006)

PS: Não fui eu que vos disse que este filme está disponível, na integra, no youtube com legendas em inglês.

domingo, 11 de novembro de 2012

"Art of the Devil 3" (Long Khong 2, 2008)



Antes dos filmes “Saw” (2004), se tornarem uma instituição e os filmes de tortura, chamem-lhe torture porn se quiserem, a ver se me importo, já a Tailândia fazia as delícias do mercado interno de terror. É apenas natural que, uns meses após a estreia de “Saw”, o país lançasse “Art of the Devil” que se resume a uma sucessão de cenas de tortura e que catapultou a jovem e bela actriz principal para o estrelato. Mais dois filmes se seguiriam e é o terceiro de que hoje se fala. Não existe a problemática da continuidade pois o primeiro filme é independente dos que o seguiram e o filme de 2008 é a prequela de “Art of the Devil 2”. Curiosamente o terceiro filme foi intitulado Long Khong 2. Confusos? Mas a questão da continuidade nunca seria problemática, uma vez que o foco do filme é a tortura e o que interessa é ter carne viva disponível para o efeito. Quem, pouco importa vai tudo a eito.
Panor (Nakpakpapha Nakprasitte) é a professora sexy que desde que chegou à terreola deixou todos em polvorosa, incluindo um homem que para se casar com ela, chega a envenenar a própria esposa Daun (Paweena Chariffsakul). A morte da mãe e o rápido casamento do chefe de família com a intrusa provoca a desconfiança de todos. Cedo, desenham um plano para ressuscitar Daun e fazer desaparecer Panor, que inclui religião, magia negra e bastante tortura. Está-se bem de ver onde isso vai dar, cenas bastante explícitas de sevícias cruéis. Ok, não são tão dolorosas como, digamos, um vídeo do David Guetta com a Rihanna como guest star mas ainda assim bastante más. E caracterização deixa muito a desejar. "Ora deixa-me cá cortar-te a língua que é um óbvio pedaço de plasticina"... Sem pretender desvendar demasiado, deixem-me só deixar bem claro que “Art of the Devil 3” não é de todo aconselhado a mulheres grávidas ou com enorme sensibilidade no que toca ao seu útero. Mais, há uma cena em particular em que (e eu considero-me já bastante dessensibilizada no que a cenas impressionantes diz respeito), me senti fisicamente doente. Não se metam com o útero de uma mulher. Tipo, essa cena é doentia. No que é que estavam a pensar? 
Bem, cumprem o objectivo de provocar o temor nos espectadores, ainda que por alusão a uma qualquer atrocidade cometida contra a nossa pessoa e não propriamente pelo suspense ou poder da sugestão. A saga “Art of the Devil” concretiza um dos maiores problemas dos filmes de terror do novo milénio. Nada é deixado para a imaginação. O triunfo de inúmeros filmes de terror deve-se à sugestão e não ao que de facto mostraram no ecrã. Mais do que devido à mestria da equipa técnica, o ónus é colocado na curiosidade mórbida do espectador. É ele que se questiona sobre o que se passará fora do alcance da lente. Posto isto, de notar que a bruxaria, se não é algo recorrente para aqueles lados, pelo menos parece que em toda a saga, descobrir um bruxo é tão fácil como ligar ao canalizador. E nem um é vigarista. Todos sabem o que fazer no caminho das artes mágicas negras e todos atingem com sucesso as metas que os clientes lhes pedem. E o melhor de tudo é que enquanto praticam actos perfeitamente questionáveis, vão avisando que lidar com a magia negra traz consequências devastadoras para quem invocou tais males. Não me digam? O que mais me surpreende nem é a facilidade com que se contratam bruxos mas o facto de haver tanta maldade no coração que se recorre por motivo nenhum a medidas tão extremas quanto essas. Processar não? Pintar as paredes do malfeitor com graffiti? No máximo, uma bofetada ou uma ameaça de morte? Não? Eles lá sabem. E depois, existindo ofensas tão graves contra a família é assustador que as pessoas não se importem de colocar os seus entes queridos em risco por algo que foi feito contra apenas um indivíduo. Um bocadinho egoístas ou retardados não? O que me leva à questão seguinte: não existe um único personagem digno de piedade! Todos são malvados. Todos merecem um mau fim e não é como se alguém se importasse. Se o objectivo é repugnar-nos, "Art of the Devil 3" sucede em todas as frentes: ele há sangue, vermes, agulhas enfiadas em sítios pouco naturais, orifícios penetrados e castigados de modo extremamente doloroso… Só não há argumento. Mas não é como se alguém fosse procurar as artes do demónio por causa da estória não é? Uma estrela e meia. 


Realização: Equipa Ronin (Pasith Buranajan, Kongkiat Khomsiri, Isara Nadee, Seree Phongnithi, Yosapong Polsap, Putipong Saisikaew e Art Thamthrakul)
Argumento: Kongkiat Khomsiri e Yosapong Polsap
Nakpakpapha Nakprasitte  como Panor
Sukaporn Kitsuwon como Dis
Paweena Chariffsakul como Daun
Kalorin Supaluck Neemayothin como Pan
Sammart Praihirun como Pravet

Próximo Filme: Roman Polanski: A Film Memoir, 2012

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"The Victim" (Phii khon Pen, 2006)



Ficai a saber que não sou fã do fenómeno de “inception” dentro de um filme, à excepção do filme “Inception” (2010). Já o vimos antes, no igualmente tailandês (é um padrão?!), “Coming Soon” (2008). “The Victim” apresenta uma jovem aspirante a actriz que não consegue arranjar trabalho além da presença em talk e gameshows até que um dia um polícia a recruta para um papel diferente. Ting (Pitchanart Sakakorn) é contratada para fazer o papel de vítima na reconstituição de crimes. O papel assenta-lhe na perfeição e, nem os cenários mais macabros a assustam, desde que efetue os devidos rituais budistas em respeito pelos mortos e peça a sua bênção. É um trabalho é certo mas é mais fácil se a rapariga se convencer a si própria que o que está a fazer ajuda a apanhar assassinos e apazigua mortos. E à medida que Ting se vai tornando cada vez melhor parece que até os mortos ganham a capacidade de ressuscitar… Alerta reviravolta 50 minutos dentro do filme e a rapariga afinal é May, uma actriz que interpreta o papel de Ting e o cenário onde fazem as filmagens está assombrado por um fantasma que faz anunciar a sua presença através dos guizos que pertencem ao seu fato de interprete de danças tradicionais tailandesas.
A premissa inicial é interessante o suficiente para manter a audiência ligada. Quer-se dizer, uma mocinha que ganha a vida a representar cenas de homicídio no qual interpreta uma vítima? É preciso ter estômago. Não sabia que os tailandeses levavam a arte da reconstituição tão a sério. Talvez não mas a ideia é intrigante. Como se não fosse já suficientemente macabra esta ideia, os espíritos dos mortos começam a inquietar-se. Nesse momento, os cineastas pegam numa audiência já cativa e forçam-na a desligar-se de tudo o que conhece e voltar a apaixonar-se por uma nova estória. E isso não tem piada, a sério que não.

Eis que a pobre Ting vira a modelo rica May e o factor simpatia voa pela janela. Uma gaja boa, actriz de sucesso e ainda por cima rica? Raios e coriscos! Que ela arda no quinto dos infernos. A reviravolta na estória traz também a transição de uma classe pobre e imaginamos trabalhadora para uma classe rica e, fútil? Já viram o preconceito associado? Ora, se a narrativa inicial também era pobre em pormenores, podemos dizer que a última metade traz uma opulência de elementos que mais do que ajudar só confundem. Sou apologista de que a audiência pense um bocadinho e descubra por si própria o significado do filme, através de sugestões subtis. Mas levar à confusão, de tal modo que já não se sabe muito bem o que se está a ver e, muito menos, compreendê-lo é um exagero. Rapidamente, personagens que não conhecíamos e, com as quais, não podíamos sentir simpatia, conhecem um fim horrendo. E não nos podíamos interessar menos. A preparação para os sustos não é das piores e, para quem já viu outros filmes made in Thailand, é capaz de ficar agradavelmente impressionado com os efeitos digitais. Porventura, o elemento mais agradável de toda a assombração é o fato de dançarina tradicional. Será o momento mais genuíno dos 108 minutos. A fotografia, bem, julguem por vocês mesmos.
Are you scared yet?
Porque “The Victim” tenta ser tudo e mais alguma coisa, perde-se na ambição. Durante esses breves momentos, sabemos que não estamos a ver mais um filme de rapariga descabelada que bem podia ter sido criado em qualquer país a este e sudeste asiáticos, mas um filme do país livre (Thai). Como (quase), sempre digo e, já se torna tão repetitivo que qualquer dia torno a frase o lema deste blogue é: "na simplicidade que está o ganho”. Se há filmes que são tão simples que até um zombie conseguia perceber a sinopse outros há tão rebuscados que não havia necessidade. E tenho de admitir que os cineastas tailandeses, não são uns de fugir do risco, da Tailândia têm saído filmes bastante arrojados, mas por cada um que resulta, há três ou quatro que dão um tiro no pé. “The Victim” é mais uma “vítima” desta mentalidade kamikaze que proporciona uma experiência desigual pois, que qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade poderá pensar que está a ver uma colagem de dois filmes diferentes. Cada um deles tem os seus méritos mas como um todo não funciona. Que desperdício. Duas estrelas e meia.

Realização: Monthon Arayangkoon
Argumento: Monthon Arayangkoon, Shi-Geng Jian e Sompope Vejchapipat
Pitchanart Sakakorn como Ting/May
Apasiri Nitibhon como Meen/Oom
Kiradej Ketakinta como Tenente Te
Penpak Sirikul como Fai

Próximo Filme: "Natural City" (2003)


MINI SPOILER

domingo, 29 de janeiro de 2012

"Alone" (Fad, 2007)

Aviso: Contém spoilers!

Costumo ser bastante crítica em relação às traduções de títulos de filmes que não raras vezes, nada tem que ver com o original. O título tailandês de “Alone” é fad que significa literalmente gémeo. Mas neste caso, pode-se dizer que “Alone” foi um toque de génio. Ser-se gémeo é não ter de estar sozinho. É uma partilha física, mágica, telepática. É um não precisar de espelhos pois que o nosso caminha connosco de mão dada. É uma partilha de dores e amores que poucos seres humanos podem almejar. Até que um dos gémeos desaparece. Aí terminam as brincadeiras, desejos, pensamentos secretos. Conhece-se a solidão.
Pim (Marsha Wattanapanich) está só desde os 15 anos. Ela tinha uma irmã gémea Ploy que estava ligada a ela pelo estômago. A sua morte fez com que a gémea sobrevivente fugisse para a Coreia. Um dia é informada que a sua mãe está muito doente e é obrigada a regressar à Tailândia com o namorado Vee (Vittaya Wasukraipaisan). Mal regressa, Pim começa a ver imagens da falecida irmã por todo o lado. Por mais que tente não consegue provar que o que vê é real e Vee começa a questionar a sanidade da namorada. Quer dizer, é natural não é? O stress de ver a mãe, a única familiar viva internada e regressar à casa onde vivia com a irmã Ploy que faleceu quando era apenas uma adolescente devem arrasar qualquer um. Pim deve estar a experienciar sentimentos de culpa. Mas para ela, é muito mais do que isso. A irmã gémea procura-a para que possam ficar juntas para sempre. Pim não pode quebrar a promessa que fez em menina à irmã de que estariam juntas para sempre. Mas elas tinham entendimentos diferentes. Pim era, em primeiro lugar, uma rapariga, que queria viver um amor profundo e todas as experiências gratificantes que a vida tinha para lhe oferecer. Para ela, estando fisicamente apegada à irmã, é impossível cumprir esse desejo, o que criou um natural foco de tensão sempre crescente, à medida que cresceram. É também esta divergência que permite separar as irmãs em termos de personalidade e identificar o ponto de ruptura no anterior laço forte que partilhavam.
“Alone” é o segundo filme da dupla de realizadores tailandeses Parkpoom Wongpoom e Banjong Pisanthanakun, depois do sucesso estrondoso de "Shutter" (2004). Mais uma vez acertam no alvo. A dupla repesca o hair movie e acrescenta-lhe elementos de originalidade que dão vitalidade a um género sobre explorado. De lamentar talvez o timing pois que o coreano “A Tale of Two Sisters” (2003) estreou uns anos antes, analisando precisamente a relação de duas irmãs com grande aclamação e sucesso comercial. A dupla de cineastas tailandeses levou esta relação a um patamar superior, penetrando a conexão tão especial entre irmãs siamesas. Um dado curioso é que a Tailândia é o antigo Sião, de onde eram dois irmãos gémeos tão famosos que deram origem ao termo "Siamês". "Alone" tem a vantagem de um elenco sólido, encabeçado por Marsha Wattanapanich uma cantora de ascendência tailandesa e alemã, que teve aqui o seu regresso bem-sucedido à celebridade depois de alguns anos de semiobscuridade. A sua personagem é também uma piscadela de olho dos cineastas à audiência já que a alcunha de Marsha é precisamente Pim. Alguém se lembrou do cliché “arte a imitar a vida real”? Não? Eu fui lá, deixem estar.
A banda-sonora é utilizada para provocar sobressaltos na cadeira nas alturas certas. Não que isso fosse preciso. Pelo meio há uma alusão aos filmes "Giallo" com um “lalala” de crianças demasiado conhecido mas sempre eficaz. Além de que a sua utilização em Alone faz todo o sentido: é o retrato da história de duas irmãs e a perda da inocência. Junte-se a uma banda-sonora vulgar mas eficaz, a câmara inteligente da dupla de realizadores que provam ter capacidade para uma carreira repleta de sucessos. O final é uma reviravolta que não será inesperada se observarem com atenção as pistas que os cineastas foram semeando durante a película. Verdade seja dita que só me apercebi da grande revelação a um quarto de hora do final. Dizer que me teria apercebido do final se tenho estado mais atenta é pois um pouco arriscado. Fica a nota. No entanto, fiquei agradavelmente surpreendida com os truques de câmara e jogos de sombra que apontavam para o óbvio se ao menos tivesse visto… “Alone” é menos centrado nos sustos do que nas relações entre as personagens e Marsha reflecte com mestria o tormento da sua personagem, ao mesmo tempo que interpreta duas gémeas, cada uma com uma personalidade muito própria. De enaltecer também a opção por uma actriz madura que soube exactamente o que fazer com a personagem e não uma qualquer starlet acabada de saír da adolescência cujos talentos se cingem a fazer beicinho e usar soutien push-up. Já o Vee de Vittaya Wasukraipaisan é a âncora perfeita para uma Pim que não sabe se está a enlouquecer. Apesar de não considerar  “Alone” um esforço tão bem concretizado como a obra de estreia dos cineastas,verifica-se uma maior maturidade a nível da narrativa e do desenvolvimento das personagens. Vejam “Alone” como um sucedâneo de outro filme ou como uma obra independente ele cumpre a função primordial: assustar. Três estrelas.


Realização: Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom
Argumento: Sopon Sukdapisit, Banjong Pisanthanakun, Parkpoom Wongpoom e Aummaraporn Phandintong
Marsha Wattanapanich como Pim / Ploy
Vittaya Wasukraipaisan como Vee
Ratchanoo Bunchootwong como Mãe de Pim e Ploy
Hatairat Egereff como Pim com 15 anos
Rutairat Egereff como Ploy com 15 anos
Namo Tongkumnerd como Vee com 15 anos

Próximo Filme: "Loft" (Rofuto, 2005)

domingo, 25 de dezembro de 2011

"Who are you" (Krai... Nai Hong, 2010)

Quem és tu. Assim de repente não é muito fácil responder pois não? Para Nida (Sinjai Plengpanit) também não será fácil. É uma mulher madura, jovial, trabalhadora, espiritual, espirituosa, mãe. Nida esconde-se por detrás de um sorriso demasiado bem ensaiado, ou se calhar está mesmo, por via do culto em que está envolvida, convencida, de que é feliz. Tem o seu próprio negócio, uma banca de venda de DVDs, uns regulares e uns dos outros. Que mal faz um pouco de pecado? Quase consigo imaginar Nida a dizê-lo com um trejeito nos lábios enquanto pisca um olho, a marota. É esta alegria de viver que a faz revelar o seu segredo mais mal guardado. O filho Ton está fechado no quarto há cinco anos. O único modo de comunicar com ele é passando-lhe bilhetes por baixo da soleira da porta. Ele não sai porquê? Porque é viciado em jogos, porque é anti-social, porque ela é má mãe… Sabe lá ela, o motivo. O facto é que sente uma dor aguda, dor de mãe, que não vê o filho há vários anos.
Um produtor de TV (Pongpit Preechaborisutkhun), seu amigo/cliente ouve a história e considera Ton, o alvo perfeito para a sua próxima reportagem. Ele acredita que Ton sofre da síndrome Hikikomori, um termo japonês que designa um novo fenómeno de isolamento social da juventude. Perante uma sociedade repleta de agressão, seja pelo ruído, estímulos visuais ou a pressão social para sair de casa, trabalhar e enfim, ter filhos, muitos jovens desenvolvem uma fobia social que os leva a fechar-se dentro de casa a coberto de pais, muitas vezes, sobre protectores. O produtor convence Nida a deixá-lo entrar no seu mundo, que ele talvez possa ajudar Ton. Não é como se ela tivesse realmente obtido resultados quanto ao filho nos últimos anos. Ela deve ser afinal conivente e fraca e introduz o estranho na sua casa. O refúgio de Nida está recheado de animais empalhados, uma lembrança constante de um passado distante, a certeza de que a sua vida estagnou. Quem mal a conheça duvidará da existência de Ton. Cinco anos é tempo demais para ele não se dar a conhecer. A história dos bilhetes é demasiado rocambolesca. Será Nida uma mulher doente em busca de atenção? Será Ton, a corporização do seu pedido de ajuda? Afinal, ela anda metida com essas seitas esquisitas. Quem és tu. Alguém que não precisa da ajuda de um culto que provavelmente lhe leva todo o pouco dinheiro da venda de DVDs, a troco de um pouco de estabilidade emocional. No prédio em frente vive Pan (Kanya Rattapetch). Também ela não sai do quarto. E também ela tem uma mãe protectora. Mas ela não pode viver como gostaria por que ela sofre de alergias graves. Ela não chegou a completar a escola e não sai de casa, como o fazem outros, nem para dar um simples passeio. O único motivo de movimentação são as idas ao médico. Será que a sua condição se agravou?
Ao contrário de Ton, Pan vive atormentada pelo facto de não poder conhecer o mundo lá fora. Enquanto a mãe de Pan a vai protegendo no seu ninho, Nida deseja que o seu filho saia das amarras que ele próprio criou e viva a vida. Pan e Ton são dois seres indefesos por motivos distintos. Enquanto um se reclui voluntariamente, o outro anseia por extravasar. “Who are you” retrata com distinção dois dilemas terríveis do crescimento. Devemos ceder ao desejo de ficarmos para sempre numa Terra do Nunca e não crescermos ou efectuarmos o empurrão final para sairmos do ninho e tomarmos o destino pelas nossas próprias mãos? Crescer? Independência? Por outro lado, talvez seja altura de Nida se consciencializar que Ton cresceu e está na altura de o deixar partir. Nada dura para sempre. Podemos empalhar animais mas o que subsiste é o exterior. A essência, o que nos fez sentir afecto por eles, já se mudou para outro lugar. É a vida nunca em permanência, sempre em mutação que merece a nossa reflexão. Resulta pois que “Who are you” é uma peça original mas não totalmente inesperada de Eakasit Thairatana que escreveu a banda desenhada que seria a base de “13 Beloved” (2006), “Body #19” (2007) e o segmento “Tit for Tat” de “4bia” (2008). Tanto melhor, pois que “Who are you” transpira fulgor por todos os poros. Muito longe de ser o filme de terror sobrenatural sobre cabelo, “Who are you” parece mais centrado no desenvolvimento dos personagens, em particular, na actuação de Sinjai. “Who are you” teve uma participação discreta no MoteLx, em Setembro deste ano e como lamento não ter visionado esta pequena gema no grande ecrã. Este filme atesta o potencial que o cinema tailandês pode ter em diversas vertentes: argumento, direcção e representação. O único defeito é mesmo o final. Quando se aposta na reviravolta como um dado adquirido de todos os filmes de terror, o fôlego inicial perde-se. As expectativas que se criaram em torno das representações sólidas da dupla de actrizes e o argumento difícil mas, ainda assim credível, são destruídos quando se recorre ao choque com imagens geradas por computador. Como um lindo laço cujas pontas são mal atadas. Em todo o caso, “Who are you” é manifestamente superior ao cinema de terror tailandês típico. Se este é um pronuncio do cinema tailandês para a segunda década do século XXI, aguardam-nos uns próximos anos bastante excitantes. Três estrelas.

Realização: Pakphum Wonjinda
Argumento: Eakasit Thairatana
Sinjai Plengpanit como Nida
Pongpit Preechaborisutkhun como produtor de televisão
Kanya Rattapech como Pan

Próximo Filme: "13 Assassins" (Jûsan-nin no shikaku, 2010)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Three - Curta #2: The Wheel" (Saam Gaang, 2002)

Pior do que um enredo óbvio só uma narrativa sem direcção. Daquelas que disparam em todas as direcções, a ver se uma cai nas boas graças da audiência. Estão apresentados a “The Wheel”. É a segunda curta-metragem da antologia "Three"e está a cargo de um Nonzee Nimibutr, que teve sucesso com o filme de terror “Nang Nak” (1999). “The Wheel” é um anacronismo, é a peça que não pertence. As outras curtas focam as relações entre os personagens e exploram o sentimento de perda enquanto "The Wheel" é sobre a maldição de uma marioneta... Tem um feel muito diferente das outras curtas-metragens e deita por terra qualquer tipo de transição suave entre as obras de “Three”. Comparativamente, é um trabalho de amadores. “The Wheel” passa-se numa pequena aldeia onde falece um velho mestre criador de marionetas. Diz-nos a narração inicial que as marionetas estão imbuídas com o espírito do seu criador. Este é o único que se pode apropriar delas. Quem quebrar esta regra incorre numa grande maldição. Como é óbvio, há sempre um parvo com a mania que é esperto e ignora o bom senso, sofrendo, por isso, as consequências. 
Contra todos os avisos e conselhos de trabalhadores e família, o mestre Tong (Pongsanart Vinsiri) recusa-se a acreditar na existência de uma maldição e em separar-se dos valiosos bonecos. Guiado pela ganância, Tong vê as marionetas como um modo de melhorar o espectáculo da sua trupe de dança tradicional Khon e trazer-lhe riqueza. À sua volta, começam a haver acidentes e mortes mas nem assim ele se desvia dos seus objectivos. Temos direito a tudo: incêndios, afogamentos, possessões, paixões proibidas, homicídios… Então, os que o rodeiam reúnem-se para travar a maldição e destruir a marioneta. Pois… Era bom. Antes fosse assim. Nimibutr obriga-nos a assistir incrédulos a uma sucessão de acontecimentos evitáveis e ridículos que testam a paciência a um santo. E quando julgamos que a acção não podia piorar eis um balde de água fria, uma reviravolta que ninguém previa mas piora a experiência já de si penosa. Moral? É capaz de algo acerca de nos deixarmos cegar pela ganância e os outros à nossa volta sofrerem com isso, num ciclo vicioso de destruição - the wheel = roda. Lição: é o exemplo perfeito de quando um realizador decide fazer tudo sozinho e dá mau resultado. Pois Nonzee qual mestre de marionetas toma as rédeas da escrita, produção e direcção a seu cargo e o que resulta é uma obra banal, confusa e desinspirada. O tema dos bonecos assassinos não é novidade pelo que ao menos se esperava uma aprendizagem sobre as experiências anteriores. Decerto a experiência cinematográfica seria melhor se Nimibutr se estivesse rodeado por uma equipa competente e não se tivesse deixado guiar pelo narcisismo. A obra cinematográfica é um paralelo da vida real. Não é poético? "The Wheel" não é filme que faça falta numa antologia destas, muito menos em 40 minutos. Uma estrela.
Realização: Nonzee Nimibutr
Argumento: Ek Lemchuen, Nonzee Nimibutr e Nitas Singhamat
Suwinit Panjamawat como Gaan
Komgrich Yuttiyong como mestre Tao
Pongsanart Vinsiri como mestre Tong

Próximo Filme: "Bestseller" (Beseuteu Serreo, 2010) 

domingo, 23 de outubro de 2011

"Coming soon" (Program na winyan akat, 2008)

O título inglês "Coming soon" não podia ser mais apropriado, por todas as razões. Só nesta era é que se podia fazer um filme sobre um filme dentro do filme que ultrapassa a ficção e afecta os personagens no mundo real. Confusos? O título original da película é qualquer coisa como "este programa é o espírito vingativo". O tal filme que vai estrear brevemente no cinema onde Shane (Chantavit Dhanasevi) trabalha. Ele deve dinheiro a uns rufias devido ao seu vício de jogo e pensa que a melhor maneira de arranjar dinheiro é piratear o novo filme. O vício custou-lhe a namorada Som (Vookam Rojjanavatchra), está a afectar o seu trabalho e poderá trazer-lhe a morte! "Espírito Vingativo" é a história "baseada em factos reais de Shomba", uma velha decrépita que rapta crianças para substituir os próprios filhos que morreram num incêndio. Louca, esta predadora cega e tortura as crianças dos modos mais horríveis. A sua própria aparência é matéria de pesadelos: cabelo cinzento desgrenhado, olhar maléfico e uma perna aleijada que arrasta, devagar, como o som da morte a aproximar-se... Os pais das crianças mobilizam-se para encontrar as crianças mas quando as encontram deparam-se com um cenário de terror. Horrorizados, eles lincham Shomba. Nasce uma maldição. Ou será que não? Quando "Espírito Vingativo" perpassa a película e os corpos se começam a acumular, Shane alia-se a Som para descobrir o que está por detrás das mortes e como as deter.
O argumento é de Sopon Sukdapisit que emprestou o seu contributo a "Shutter" (2004) e "Alone" (2007) e se estreia pela primeira vez na cadeira de realizador. A narrativa é interessante com alguns dos laivos de originalidade que já lhe são reconhecidos. Infelizmente, "Coming Soon", tem alguns problemas. Para começar, "Espírito Vingativo" é mais assustador do que o filme no qual está inserido. Tem uma envolvência e uma atmosfera que "Coming soon" conseque alcançar apenas em momentos fugazes e nunca ao mesmo nível. Talvez o talento de Sukdapisit surja no trabalho de outros, fazendo-os brilhar e não quando toma as rédeas do projecto. Não é uma crítica afinal, o trabalho de um realizador sempre se baseia num argumento.  Além disso, quando um filme começa com um estrondo, depois abranda e parece que nunca mais recupera o fôlego inicial em 95 minutos de duração é mau sinal. Tudo o resto são truques gastos vistos inúmeras vezes: o personagem ouve um som estranho e vai verificar ou pensa que viu algo pelo canto do olho, etc.
Um pormenor que me dá sempre vontade de rir, à boa maneira dos slashers dos anos 80, é que a nossa assassina é uma velhinha que arrasta uma perna, no entanto, ninguém consegue correr mais do que ela nem superar a sua força. Dá vontade de lhe perguntar que vitaminas é que ela toma, que se chegar àquela idade quero ser rija como ela. De qualquer modo, "Coming soon" não é mau de todo. O cenário é pelo menos original. Fazer um filme de terror num cinema verdadeiro não é totalmente descabido. Salas enormes com duas ou três pessoas, um projeccionista sozinho, corredores escuros e compridos quando se acaba de sair de uma sessão de terror... Houve aí bastante material para explorar e o próprio merchandise do filme "Espírito Vingativo" podia pertencer a um filme verdadeiro em exibição. Por isso, é lamentável que a película não tenha respondido ao hype que se gerou em seu redor, que de resto é justificado com o currículo de Sukdapisit. "Coming Soon" pertence àquele tipo de terror descartável que entretém (mais ou menos), enquanto é visionado e cai no esquecimento horas depois. Duas estrelas.
Realização: Sopon Sukdapisit
Argumento: Sopon Sukdapisit
Elenco:
Chantavit Dhanasevi como Shane
Vookam Rojjanavatchra como Som

Próximo Filme: "Three - Memories" (Saam Gaang, 2002)

domingo, 9 de outubro de 2011

"Body #19" (Body sob 19, 2007)

Quando penso em "Body #19", duas palavras vêem-me à mente: espectáculo e grotesco. Espectáculo como em: "Esta cena até está porreira" e grotesco do género: "Que nojo!É horrível, é repugnante!" (digo, enquanto cubro os olhos).

Chonlasit (Arak Amornsupasiri) é um estudante de medicina que começa a ter pesadelos horríficos, nos quais uma mulher é morta e esquartejada. Isto não seria nada demais se os sonhos não se estivessem a transpôr para a realidade e uma versão aviltante da morta não começasse a matar aqueles que Chon contacta. À medida que os eventos se começam a tornar demasiado perigosos, Chon começa a duvidar da sua própria sanidade mental e decide investigar a morte da mulher. Os posters do filme apresentam bons argumentos para se ver o filme: "Body #19" é do mesmo estúdio que nos trouxe Shutter (2004) e Alone (2007) e parece que é baseado no caso real de um médico ginecologista que matou a sua mulher, a esquartejou e mandou os seus restos pela retrete abaixo. Visão bonita, certo? De qualquer modo, a expressão "baseado em factos reais" sempre conseguiu levar muito boa gente a correr aos grandes écrãs. O realizador, Paween Purikitpanya não é nenhum novato aqui para os nossos lados. Ele esteve por detrás dos segmentos "Tit for Tat" e "Novice" em "4bia" (2008) e "5bia" (2009), respectivamente. Já o actor principal é o guitarrista de uma banda rock conhecida lá para os lados da Tailândia.
O grande problema de "Body #19" é o fracasso na concretização. A narrativa é muito complicada de seguir. O desejo de imprimir originalidade a uma velha história ao invés de tornar o filme refrescante só consegue confundir os espectadores. Mesmo com toda a atenção dedicada ao filme é demasiado fácil perder-se o fio à meada. Qual era o objectivo dos argumentistas? Explorar as motivações das personagens ou abordar o terror de modo brutal e sem censuras? Não se consegue perceber. A este problema fundamental acresce o facto de estarmos constantemente a saltar entre dimensões: ora passamos do sonho para o real e vice-versa, ora real e sonho se confundem ou afinal, não é uma coisa nem outra e o que estamos a ver são flasbacks! De resto não existe grande originalidade. É apenas a história do monstro destruidor que nos aponta o caminho para a solução. Em "Body #19", se seguirmos as pistas que nos são apresentadas e retirarmos as reviravoltas, com o que ficamos é um enredo que não tem nada de surpreendente. Mesmo as personagens não são likeable. Nunca se cria uma afinidade com Chon nem existe vontade de torcer por ele. As personagens passeiam-se no écrã, por que sim.
Onde "Body #19" sucede é na apresentação do macabro e do grotesco como o título e o poster desejam adivinhar. Apesar de as imagens geradas por conputador tenderem mais para o artificial do que para o realista, estão bastante fortes. Há cenas deliciosas para quem sabe lidar com o choque e o profundamente repugnante. Mas também fora do elemento digital a equipa técnica dá cartas: a cena do esquartejamento em particular, está maravilhosa em toda a sua glória perturbadoramente realista. A câmara desempenha ainda um papel importante na construção de uma atmosfera atemorizante: sempre que possível há uma perspectiva dos personagens vista de cima ou de baixo. Quando os sustos se aproximam, esta perspectiva ajuda a fortalecer ainda mais a visão do que vai acontecer. Noutras é somente acessória. Enfim, com uma história complicada de seguir, personagens com os quais não se consegue simpatizar e onde apenas sobressaem os méritos técnicos, "Body #19" torna-se dificil de apreciar, mesmo quando aposta no que há de mais perturbador. Duas estrelas.
Realização: Paween Purikitpanya
Argumento: Chukiat Sakveerakul e Paween Purikitpanya
Arak Amornsupasiri como Chonlasit
Ornjira Lamwilai como Ae
Kriteera Inpornwijit como Usa
Patharawarin Timkul como Dararai
Próximo Filme:  "The Lost Bladesman" (Guan Yun Chang, 2011)

domingo, 11 de setembro de 2011

"The Coffin" (โลงต่อตาย ou Lhong Tor Tai, 2008)

Bem-vindos ao maravilhoso mundo das superstíções. Se, como eu vaidosamente gosto de pensar, já leram alguma crítica no Not a Film Critic, decerto saberão como os tailandeses são dados a rituais insólitos até para as mais abertas mentes ocidentais. "The Coffin", segue as histórias de Chris (Ananda Everingham) e de Sue (Karen Mok), ambos apanhados pela desgraça. Mariko (Aki Shibuya), namorada de Chris encontra-se em coma profundo e sem grandes probabilidades de alguma vez vir a acordar e Sue, uma dietista de Hong Kong descobre que tem cancro nos pulmões. Numa tentativa desesperada de mudar a sua sorte eles acedem a participar num ritual tailandês que consiste em deitarem-se dentro de caixões e lá permanecerem por algum tempo, orando, para reverter a roda da fortuna.
O plano parece correr melhor do que o esperado. Mariko desperta e Sue, além de escapar ilesa de um violento acidente de automóvel descobre que o cancro desapareceu. Esta seria a altura em todos batíamos palminhas, soltavamos sorrisos e íamos para casa contentes. Mas há um twist, há sempre um twist. Chris e a namorada começam a ser assombrados por um fantasma e Sue recebe a notícia de que o seu noivo morreu num acidente rodoviário. Não se consegue mesmo enganar a morte pois não? É um pouco de "Final Destination" (2000) mas sem as mortes requintadamente planeadas e um pouco mais de história. Pena. As mortes é que lhe davam piada. Não me considero de compreensão lenta mas só a meio de filme é que entendi o que se estava a passar. Tipo, o que é que Chris e Sue têm em comum, excepto o fetiche de se enfiarem em caixões? Com diálogos atrozes e um enredo a um passo de ser incompreensível, não há muito que se possa fazer. A cena em que finalmente Chris e Sue se encontram é forçada. Bem que dava para fazer da narrativa fragmentada dois filmes: "The Coffin 1" e de "The Coffin 2". Considerando que a película se estreou na bilheteira em primeiro lugar, não seria muito mal pensado.
O Ananda Everingham estava em muito melhor forma em "Shutter" (2004), do que em "Coffin" onde tirando uma cena mais tocante, roça a banalidade. Quanto a Karen, lamento mas não senti ali grande coisa. Pouco sofrida para quem tem cancro, ainda menos sofrida para quem perdeu o amor da sua vida. Culpa? Medo? Não aparece. Ela lá faz umas caretas faciais mais simpáticas mas nada em que se preveja algum tipo de identificação com a personagem.
O melhor são mesmo os benditos filtros azuis. A cena de abertura em que se tem um longo plano geral é belíssima. Marca um tom vencedor que é pouco recuperado em cenas posteriores. Damn it. Notem que ainda não referi os elementos de terror. Pois. Viram o trailer? Et voilá. Aí têm os momentos mais assustadores do filme. Se me perguntarem se mete medo, respondo que nem por isso. No entanto, a espaços, as cenas dentro do caixão conseguem ser claustrofóbicas. Embora, nisto seja suspeita: eu sou aquela que tremeu com as cenas subterrâneas de "The Descent" (2005). Se não acharam este filme minimamente claustrofóbico, não têm o mínimo motivo para temer "The Coffin". Já a música é tão, tão aborrecida que se não estivesse a ver um filme de terror adormecia. Até pan pipes, e não sou fã do género encaixariam melhor que o minimalismo deprimente que resolveram imprimir ao filme. Há uma diferença entre melancolia e aborrecimento que claramente não foi entendida. Quanto à classificação não é preciso pensar muito. Eles meteram-se no caixão e pregaram-se lá dentro. Uma estrela.


 
Realização: Ekachai Uekrongtham
Argumento: Jin Han
Elenco:
Ananda Everingham como Chris
Karen Mok como Sue
Florence Vanida como Nan
Aki Shibuya como Mariko
Napakapapa Nakaprasitte como May

Próximo Filme: "Suicide Club" (Jisatku sâkuru, 2001)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"5bia" aka "Phobia 2" (ห้าแพร่ง ou Ha Phrang, 2009)



Um ano volvido o sucesso estrondoso de "4bia", chega-nos "5bia", a sequela que volta a reunir três dos quatro realizadores da primeira película. Desta feita, aumentou a dose de terror com Songyos Sugmakanan autor do aclamado "Dorm" (Dek Hor, 2006) e Visute Poolvaralaks, produtor executivo de "Alone" (2007) na sua estreia directorial a juntarem-se à equipa. Nesta sequela não há o bónus extra da ligação entre as curtas. Não se sente a sua falta. "Phobia 2" só fez 64,4 milhões de baths na primeira semana de exibição, o que representou a melhor estreia de sempre no cinema tailandês. E se ainda duvidam da sua qualidade, figura na lista dos 10 melhores filmes de 2009 do Wise Kwai's Thai Film Journal, muito provavelmente o melhor blogue sobre cinema tailandês que existe por aí.

As curtas:

"Novice"

A primeira curta foca-se em Pey (Jirayu La-ongmanee) que após cometer um crime é forçado pela mãe a juntar-se a um grupo de monges na selva para evitar a prisão já que de acordo com a lei, os monges não podem ser presos. Pey não mostra compreensão do resultado das suas acções e revolta-se por ter sido deixado naquele lugar. Enquanto a lei não o encontra Pey permanece sobre o olhar vigilante dos espíritos que venera. Como Pey irá descobrir, ele pode escapar da civilização mas o Karma pode encontrá-lo em qualquer lugar...



"Ward"
Arthit (Danuwong Worrawech) teve um acidente de bicicleta que lhe deixou as pernas partidas e obrigou a pernoitar no hospital. Nessa noite, Arthit é deixado no quarto com um velho em coma. Este é um líder de um culto e estão à espera que os últimos familiares o vão visitar para poderem desligar o suporte de vida. Confinado à cama, Arthit cedo percebe que pode existir mais vida naquele quarto do que inicialmente julgava.


"Backpackers"

Um casal de turistas japoneses apanha boleia de um camionista num zona inóspita da Tailândia. O camião é conduzido por um homem de aspecto sujo e pouco afável e um jovem que o exorta a deixar os jovens na estrada. A viagem é conturbada, com o homem a ficar furioso com uma chamada e a existência de sons vindos da zona de carga. Acontece que esta não é uma carga normal e quando o condutor pára o camião para verificar a carga depara-se com uma montanha de corpos. Mas nem tudo é o que parece e quando os corpos regressam à vida, o que era uma simples boleia torna-se uma corrida mortal.




"Salvage"
Nuch (Nicole Theriault) é uma vendedora de carros pouco escrupulosa que manda arranjar carros acidentados para depois os vender como novos. Numa noite em que está sozinha no stand com o seu filho Toey (Peeratchai Roompol), o passado trágico dos carros acidentados irá regressar para a assombrar...

"In The End"

Os quatro amigos Ter (Nattapong Chartpong), Aey (Kantapat Permpoonpatcharasuk), Shin (Wiwat Kongrasri) e Phueak (Pongsatorn Jongwilat) fazem parte da equipa de filmagens do filme "Alone 2". Durante a gravação da última cena Gade (Phijitra Ratsameechawalit), a actriz que desempenha o papel de fantasma sente-se mal e é levada para o hospital por Aey. Ela regressa novamente para terminar a última cena. Entretanto, Aey é informado que Gade faleceu e informa os amigos do facto. Se ela está morta, quem é que está ali com eles?

Sobre os filmes:
Paween Purijitpanya, autor de "Tit for Tat", a segunda curta-metragem de "4bia" abre desta vez e com chave de ouro. Num registo quanto a mim superior ao anterior, Paween deslumbra mais uma vez com uma cinematografia e um rítmo muito próprios numa película de curtissíma duração. Jirayu La-ongmanee que desempenha o papel principal é muito bom a fazer o papel destestável de Pey, nem quando as consequências dos seus actos chegam até ele (e que consequências!), conseguimos sentir compaixão pelo jovem vilão. A segunda curta, do estreante Visute Poolvoralaks é o registo mais fraco. O que começa com uma boa premissa depressa se torna previsível. Quem é que passados alguns minutos não tinha já compreendido o que iria acontecer? Valha-nos a forte tensão que é montada num curto espaço de tempo. "Backpackers" também não é exactamente original com a premissa de "casal apanha boleia da pessoa errada" mas tem momentos verdadeiramente perturbadores. E vá lá, ao menos não temos o já típico fantasma de cabelos negros a pairar sobre os actores ou a aparecer nos sítios mais improváveis. "Backpackers" é também uma curiosa reunião: a de Songyos Sugmakanan com Charlie Trairat, o actor que dirigiu em Dorm, agora irreconhecível num corpo de homem. A próxima paragem é no stand de Nuch (Nicole Theriault) e diria eu, uma das curtas mais injustiçadas deste "5bia". O tormento de mãe de Nuch é muito provavelmente o medo mais real de todos os que estão retratados nesta sequela. É surpreeendente verificar que mesmo no outro lado do mundo, também persiste a ideia de que os vendedores de automóveis são uns intrujões. Quem é que não se identifica com isto? Excepto, talvez, os vendedores de carros. A história tem imagens geradas por computador q.b. e uns sustos bem proporcionados. A cena final, é de arrepiar a espinha de qualquer mãe. "In The End", atesta mais uma vez, a excelente capacidade de Banjong Pisanthanakun de não se levar demasiado a sério e de se rir do seu próprio trabalho [vejam as referências a "Alone" (2007) e Shutter (2004)]. Este realizador permite-se fazer troça do overacting nos filmes em geral e ao cliché em que se tornaram os fantasmas e banaliza-os, reduzindo ao absurdo o peso que as audiências lhes atribuem. Somos ainda brindados com a excelente química do quarteto de actores que tivemos oportunidade de conhecer na curta do primeiro filme, "In the Middle". Mais do que um filme de terror é uma crítica bem humorada ao cinema de terror em que as situações cómicas se seguem umas após as outras. "Phobia 2" não desilude, é uma sequela com o seu próprio mérito, em nada inferior ao título que lhe deu origem. Apresenta valores de produção tão bons ou superiores a "4bia" e os novos realizadores não comprometeram. Posto isto, só permanece uma questão: para quando "Phobia 3"? Quatro estrelas.



Curta
#1: "Novice"
Realização: Paween Purijitpanya
Argumento: Paween Purijitpanya e Nitis Napichayasutin
Elenco:
Jirayu La-ongmanee como Pey
Ray MacDonald como monge
Chunporn Theppitak como monge mais velho
Apasiri Nitibnon como mãe de Pey

Curta #2: "Ward"
Realização: Visute Poolvoralaks
Argumento: Parkpoom Wongpoom e Sopon Sukdapisit
Elenco:
Danuwong Worrawech como Arthit
Chartpawee Treechartchawanwong como enfermeira

Curta #3: "Backpackers"
Realização: Songyos Sugmakanan
Argumento: Songyos Sugmakanan e Sopana Chaowwiwatkul
Elenco:
Charlie Trairat como Joi
Sutheerush Channukool como condutor do camião
Akiko Ozeki como turista japonesa
Teerneth Yuki Tanaka como turista japonês

Curta #4: "Salvage"
Realização: Parkpoom Wongpoon
Argumento: Parkpoom Wongpoon e Sopon Sukdapisit
Elenco:
Nicole Theriault como Nuch
Peeratchai Roompol como Toey

Curta #5: "In The End"
Realização: Banjong Pisanthanakun
Argumento: Banjong Pisanthanakun, Chantavit Dhanasevi e Mez Tharatorn
Elenco:
Marsha Wattanapanich como Marsha
Nattapong Chartpong como Ter
Kantapat Permpoonpatcharasuk como Aey
Pongsatorn Jongwilat como Phueak
Wiwat Kongrasri como Shin
Phijitra Ratsameechawalit como Gade
Nimitr Lugsameepong como Realizador

Próximo Filme: "Lawang Sewu Dendam Kuntilanak", 2007
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