domingo, 17 de fevereiro de 2013

"Casshern" (Kasshan, 2004)


Se sobreviveram aos primeiros minutos de filme, os meus parabéns. Pertencem àquele grupo especial de pessoas com elevado grau de tolerância pelo que é “estranho”. “Casshern” é a adaptação de um anime dos anos 70, que cresce sobre o material original, em suma um super-herói e lhe acrescenta temas modernos como a destruição da biodiversidade pelo ser humano, a espiral de dor e morte como resultados inevitáveis da guerra, a desconfiança pelo que são as experiências laboratoriais em seres vivos e a inteligência artificial. E se isto já não parece pouco, polvilhe-se um pouco de romance para agradar a todos. Definitivamente, as palavras fácil e linear não se aplicam em “Casshern”. Agora, esplendor visual…
Com um orçamento de 6,6 milhões de dólares, Kiriya Kazuaki fez todo o tipo de experiências com o seu rato de laboratório, “Casshern”. Não há um momento aborrecido em termos estéticos nesta película: da cinematográfica, aos cenários e guarda-roupa, há sempre bastante para onde olhar. Ora, se esse truque é capaz de resultar em desviar o foco de atenção dos defeitos, não é menos verdade que tal nível de detalhe não é aconselhável com pessoas com deficit de atenção. Mas passemos à estória… Tetsuya (Yusuke Iseya) é um daqueles homens que não têm grande sorte na vida: o pai enlouqueceu, a mãe foi raptada e, mesmo antes de se casar com a bela Luna (Kumiko Aso) foi morto na guerra. Ah, esqueci-me de mencionar que ele morreu? Sim, o protagonista morre no início do filme. Não têm com que se preocupar, que o pai dele é um génio que criou as “neo células”, que lhe concedem o dom de uma nova vida e uma série de outros poderes. Antes de Tetsuya a experiência é testada em cadáveres cujo regresso à vida assusta os militares e conduz a um massacre da centena de mutantes. Boa. Como se não bastasse a vida no planeta Terra estar assolada por males como a Guerra, a poluição e as máquinas a revoltar-se contra os seus criadores, agora, existem também, mutantes assassinos. Tetsuya pertence a esta nova estirpe mas permanece ligado à Terra pelo mais provável dos sentimentos: o amor pela noiva que deixou. Ele torna-se Casshern, um Tetsuya melhorado que irá salvar a mãe das garras dos seus captores e no final ficar com a rapariga da sua vida. Pelo menos é esse o plano. Ou esboço de plano que o pobre Casshern, durante mais de metade do filme não sabe o que está a fazer. Assim como Luna, que surge sempre bela e um pouco alheada do que se passa à sua volta. Ela passeia-se pelo ecrã, conferindo mais um motivo de apreciação estética que uma personagem mais interessante que, digamos, um mosquito.
“Casshern” é sobretudo a estória do nascimento de um herói. Assistimos a relances de uma vida pré-guerra, à morte, segundo nascimento, a tomada de consciência de um valor sobre-humano completo com uma armadura especial e meia dúzia de vilões com agendas mais ou menos maléficas. E para que não subsistam dúvidas sobre quem são os vilões, a narrativa está pejada de simbologia nazi e da antiga URSS. Porque pronto, há alturas para ser subtil e outras para vago. Se há grande motivo de interesse, este não se encontra na narrativa. As possibilidades que o argumento apresenta são tão descabidas e exigem uma enorme tolerância e uma grande dose de imaginação que a recompensa está mesmo na imagem. Foram utilizadas diversas técnicas incluindo o recurso a técnicas de animação, sendo que os momentos de acção estão relegados, sobretudo para cores como o preto e o branco. Eis que saltamos de cena e temos cores em abundância, verdadeiro atentado aos epilépticos. São camadas e camadas de estilos, que se desdobram em cenas díspares das anteriores, com a coesão a residir sobre os ombros dos actores, cenários e uma banda-sonora que acredito, continuará a ser identificável por muitos anos. “Casshern” é um sonho artístico, uma obra de arte onde o estilo vence sobre o conteúdo. Mas mais do que lamentar uma estória que sofreu em detrimento dos efeitos especiais, urge reflectir sobre as fronteiras do cinema. Se elas praticamente já não existem, se quase tudo é possível por que é que tanto filme sofre uma desinspiração absoluta? Duas estrelas e meia.
Realização: Kiriya Kazuaki
Argumento: Kiriya Kazuaki, Dai Sato e Shotaro Suga
Yusuke Iseya como Tetsuya Azuma/Casshern
Kumiko Aso como Luna
Akira Terao como Kotaro Azuma
Kanako Higuchi como Midori Azuma
Toshiaki Karasawa como Burai

Próximo Filme: "Hello Ghost" (Hellowoo goseuteu, 2010)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

"The Wig" (Gabal, 2005)


Mais uma entrada para a molhada da brigada de cabelos negros certo? Errado. “The Wig” é mais uma versão do onryo (fantasma vingativo) que pulula o cinema asiático e muito mais. Quando o reinado de uma entidade de terror que vale por si própria termina, a película necessita de mais em que se apoiar e nesse aspecto “The Wig” tenta escapar à corrente dominante. Mais próximo de “A Tale of Two Sisters” (2003) do que um “Ringu” (1998), “The Wig” foca-se na relação de duas irmãs, enquanto aguardam pela morte de uma delas com cancro em estado terminal. Ji-yeon (Seon yu)é a irmã mais velha que vê a irmã mais nova, a decair a cada novo dia enquanto tenta preparar-se para o inevitável. Como boa irmã, tenta minorar a miséria de Su-yeon (Min-seo Chae), comprando-lhe uma peruca para cobrir a careca provocada pela quimioterapia e cedendo a todo o tipo de indulgências. Ji-yeon sofre com a morte precoce iminente que a roubará de experiências como viver um primeiro amor. Não bastasse o facto de a irmã mais nova estar prestes a falecer e sem nada poder fazer, Su-yeon vive ainda atormentada com o acidente de viação que lhe retirou a voz e um namorado que foi incapaz de lidar com a nova situação. Não fosse o Not a Film Critic um blogue que privilegia o terror e diriam estar perante um dramalhão. Também é. Mas isso não é propriamente novidade. No que dia em que o cinema coreano decidir apostar num cinema mais convencional, sem o habitual enfoque dramático, perde a identidade.
Filmes com objectos inanimados que subitamente adquirem vida são de alto risco. Ou apostam na risada assente na premissa absurda e levam o conceito até às últimas consequências ou são tão sérios que a ideia morre à nascença. “The Wig” encontra-se entre os dois extremos. A peruca nunca se torna um elemento autónomo, apenas o catalisador para o melodrama de terror (ou terror melodramático, este é complicado de classificar)! Lume brando é a expressão que melhor define “The Wig”. Os sustos são espaçados e nem sempre previsíveis.  O drama é uma constante. O que também é uma constante é a interrogação sobre o que se está a passar. Enquanto o estado de Su-yeon é bastante óbvio, a mudez de Ji-yeon é uma enorme fonte de distração. Nos primeiros minutos de filme uma pessoa pensa que os argumentistas são minimalistas, depois vem a possibilidade de Ji-yeon estar em estado de choque com a doença da irmã, seguindo-se a ideia de que afinal ela é uma mulher fria ou, se calhar, sempre foi muda mas… Porque é que não avisaram?! Então, vindo do nada surge um flashback que demonstra um acidente horrendo que explica como é que a irmã mais velha perdeu a fala e, consequentemente o namorado. Claro que depois, qualquer simpatia que se pudesse ter pelo naco de carne asiático é eclipsada. Ah! “Ele é um estupor, como pôde deixá-la naquele estado?” Tudo razões do coração que, bem vistas as coisas, de nada valem. Como reagiriam se a mulher amada perdesse a voz para todo sempre? Se bem que esse nem é o menor dos problemas do homem… Já que Su-yeon surge mais insinuante que nunca e deseja tê-lo, o mais possível. Último desejo de uma mulher moribunda? Ou possessão demoníaca pela cabeleira? Embora, alguém pode censurar uma mulher que sabe que vai morrer muito brevemente de ter uma aventura final?


O trabalho das actrizes é soberbo. Enquanto Ji-yeon fala com recurso ao olhar e à gestualidade, Su-yeon alterna entre uma fragilidade e força renovada que demonstra uma tremenda evolução na personagem. A sua actuação, além caracterização, permite-nos entender com clareza quando ela é a doente terminal e quando é a mulher sedutora com ânsia de prazer. A representação da dupla é negada por um argumento cobarde já que “The Wig” tem pelo menos dois finais. O primeiro incide no fenómeno sobrenatural que ninguém adivinha, já só mais de metade da duração do filme é que surgem as primeiras indicações sobre a peruca “assombrada” e o outro numa explicação racional, ilustrada vezes sem conta. O público, ao contrário, do que devem pensar, não é ignorante e consegue juntar as pistas até à conclusão óbvia. Tudo o mais são artifícios para uma película que já tinha terminado durar, durar, durar. O toque melodramático final, quando chega nada mais é do que uma tremenda irritação. Tanto quiseram fazer que perderam a beleza da simplicidade que lhe estava subjacente: duas irmãs e o seu modo de lidar com uma tragédia. Três estrelas.
Realização: Shin-yeon Won
Argumento: Sung-won Cho, Hyun-jung Do e Shin-yeon Won
Min-seo Chae como Su-hyeon
Seon yu como Ji-yeon

Próximo Filme: Casshern, 2004 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"The Road", 2011



O cinema filipino percorreu um longo caminho desde o conforto de estórias baseadas no folclore regional ao slasher clássico de terror. O aswang – figura mítica que alberga qualquer coisa entre o vampiro e o zombie, tem sido a escolha segura por muitos anos e, não posso dizer que censure os cineastas. O último filme que por aqui passou do género: “Corazon Ang Unang Aswang” (2012) bateu à data de estreia, “John Carter” e “The Hunger Games”. Por que se haveria de mexer em fórmula que resulta? E depois há pessoas como Yam Laranas, do tipo nervoso, que não se contentam com o fácil e querem, por via do difícil, demonstrar que o cinema de terror filipino não tem de se quedar pelas velhas estórias que agradam a audiências tradicionais. Ele próprio já entrou nesse território com “Patient X” (2008), com resultados mistos. A transição de subgénero parece natural, como se tivesse passado anos a estudar a audiência para ver até onde podia ir e dar o salto final.
“The Road” tem início em 2008, quando três adolescentes se escapam de casa durante a noite para treinar para o teste de condução de um deles. O medo de serem apanhados pelos adultos levam-nos a enveredar por uma estrada escondida. Má opção. A estrada não tem fim e rapidamente começam a ser assombrados por uma série de figuras fantasmagóricas. O pânico instala-se e, eis que está cada um por si (não há nada como testar os laços de amizade como colocá-los perante um perigo mortal). Recuamos dez anos e as duas irmãs Lara (Rhian Ramos) e Joy (Louise de los Reyes) ficam paradas nessa mesma estrada quando o carro fica sem gasolina. Sem outra solução, acabam por pedir ajuda a um transeunte. Repitam comigo: má opção. Passamos a 1988 e um casal com um filho parece lutar pelo prémio de pior família do ano. Chamar-lhes disfuncionais é estar a ser simpático.
“The Road” não oferece nada de novo em termos de conteúdo mas é na forma que antevê o talento do artista. As hostilidades são abertas com o aparente habitual trio de adolescentes irritantes: a miúda certinha que acha que sair a meio da noite é uma imprudência mas vai na mesma, a garota que procura um pouco de aventura na sua vida e o jovem com as hormonas aos saltos que só quer passar uns momentos a sós com a namorada, mas tem que levar com a amiga chata. Trio irritante só de aparência pois que passados uns minutos damos por nós a temer o pior pelos jovens. Realmente cometeram um erro, não pensaram antes de agir mas são bons miúdos e não queremos que lhes aconteça nada. E a sensação de pânico também não é difícil de engolir. São novos, escapuliram-se a meio da noite sem os pais saberem e dão por eles numa estrada desconhecida a ser atacados por uma força obscura. Se bem se recordam, com aquela idade não era preciso muito para as vossas mentes entrarem em estado de sítio… A segunda estória é a mais fraca e existe um erro flagrante quando uma das personagens decida investigar o desaparecimento de duas irmãs ocorrido 12 anos antes. Ora, se a memória não me falha estamos em 2008 e o segmento das jovens sucede em 1998. Escapou-me alguma coisa? O segundo capítulo é também o mais fraco do filme. Se as actrizes até podem ser mais capazes que os miúdos que introduzem a estória, não sabemos por que os papéis delas estão reduzidos a gritos e choro histérico, qual carne para canhão. Onde o prólogo é mistério sobrenatural, este é slasher puro. A última parte é a redenção de “The Road”. O terror dá lugar a um drama familiar tão poderoso que explica de modo convincente os primórdios de um degenerado homicida. A estória tem lacunas quanto baste, nomeadamente em termos temporais. O mesmo personagem rapaz que em 88 tem 12 anos, em 1998 teria 22 certo? Errado, pois foram contratar um jovem com uma aparência tão jovial que parece ter uns 16 no máximo. Agora, imaginem um rapaz de 16 anos a pôr fora de combate uma rapariga da mesma idade e outra mais velha ao mesmo tempo e a arrastá-las para dentro de casa. Não é muito verosímil pois não? O melhor é mesmo a fotografia e Laranas faz questão de juntar mais essa função à de realizador e escritor. E se ele pinta cenários? Ele aproveita todas as oportunidades para mostrar a estrada de diversas perspectivas. Ao nascer do sol, durante o crepúsculo, nas trevas da noite que vai longa... Por entre a folhagem virginal, através do campo de visão dos ocupantes da estrada. Quase tudo é estrada, momentos que alterna com a evolução de uma casa à medida que vai tendo diferentes ocupantes durante duas décadas. Como dissera antes, “The Road” salva-se pela forma e, não só apresenta momentos de grande beleza como apela a diferentes correntes de terror. Tem tudo para agradar a todos, se a narrativa não for um requisito essencial. Duas estrelas e meia.

Realização: Yam Laranas
Argumento: Yam Laranas e Aloy Adlawan
TJ Trinidad como polícia
Carmina Villaroel como Carmela
Rhian Ramos como Lara
Barbie Forteza como Ella
Alden Richards como jovem Luís
Louise de los Reyes como Joy
Lexi Fernandez como Janine
Derick Monasterio como Brian

Próximo Filme: “The Wig” (Gabal, 2005)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Space Battleship Yamato, (Supesu Batorushippu Yamato, 2010)


Ah o espaço, alvo de ínfimas versões que pertencem aos sonhos molhados dos fãs mais ardentes da teoria de que existem seres inteligentes nas estrelas. Em quaisquer versões “eles” são mais inteligentes, embora, seja sempre o Homem que acaba por resolver os conflitos iniciados pelos alienígenas e a ter o ónus da superioridade moral. Vá-se lá perceber porquê. “Space Battleship Yamato” baseia-se na série anime dos anos 70 (74-75), que com apenas 26 episódios, conquistou um espaço no imaginário japonês e mundial, de tal modo, que ao longo dos anos proliferou o mercado de novas séries, filmes para TV, mangá e todo o tipo de merchandising que possam imaginar. Os ocidentais são capazes de reconhecer a série pelo nome “Star Blazers”. Se me pedissem para classificar “Space Battleship Yamato” diria que é um híbrido de “Star Trek”, “Battlestar Galactica” e “Star Wars”.
A versão japonesa possui um elenco fixo de notáveis, uma tripulação facilmente reconhecível e com a qual o fã desenvolve uma relação de quase dependência como sucedia com “Star Trek” e “Battlestar Galactica”. É muito complicado “matar” uma personagem sob pena de sofrerem a fúria dos fãs. Mas as semelhanças não se ficam por aí, focando-se num poderoso comandante, confiante na sua equipa, de raciocínio em tudo superior, side-kicks robóticos e personagens-tipo facilmente identificáveis entre as séries. Onde Susumu Kodai é James T. Kirk (William Shatner), Yuki Mori corresponde a uma Starbuck (Katee Sackoff). E onde o sentimento de aventura é apurado, tendo por pano de fundo paisagens e planos ofegantes, as relações humanas não podiam ser menos exploradas à boa maneira do subgénero de ficção científica tão odiado, space opera, qual “Star Wars”.
“Space Battleship Yamato” apresenta uma humanidade em decadência, forçada a viver debaixo de terra para escapar à radiação, que aposta numa viagem final da única nave de combate que resistiu ao ataque dos gamilas, uma espécie alienígena apostada em levá-la à extinção. A “Yamato”, comandada pela mão de ferro do experiente e respeitado Capitão Okita (Tsutomu Yamazaki), deixa a Terra com uma pista, uma capsula com as coordenadas para o planeta Iskandar, a base da espécie invasora. Quem sabe o que poderão encontrar por lá. Entre a tripulação encontra-se o cabeça-quente Susumu Kodai (Takuya Kimura) que acredita que o Capitão Okita é o culpado pela morte do seu irmão Mamoru e a temperamental Yuki Mori (Meisa Kuroki). Se a perspectiva do que se encontra no final da viagem é fascinante, o caminho para lá chegar é uma estopada. Na ideia de contentar os fãs da série que atravessa várias décadas, o argumentista demonstrou voracidade tremenda no sentido de apresentar todos os personagens queridos. Alguns não possuem mais do que segundos de ecrã e apenas servem para confundir quem não está integrado naquele universo. Meia dúzia de personagens inconsequentes desviam o foco da acção principal e não auxiliam o desenvolvimento dos que realmente conduzem o filme. Isso explica que em pouco mais de 130 minutos de filme, Susumu passe de intempestivo, a moderado e, finalmente, o herói que todos sabiam que ele tinha dentro dele, sem que exista um grande motivo para tal. Pior sorte tem a adorável Meisa Kuroki, cuja personagem parece uma feminista tal como é percepcionada por um machista. Eu explico melhor. Ela é toda fogosa e combativa porque tem falta de sexo. A sério. A partir do momento em que enceta um romance toda ela é cores rosadas e uma ternura que, minutos atrás, não imaginávamos que tivesse.
A acção é o que seria de esperar de um super-orçamento e é nas cenas de combate espacial entre os caças terrestres e as naves Gamilas que se encontram os momentos mais divertidos. Os miúdos, em particular, acharão um mimo. Apenas não esperem um argumento brilhante. O objectivo é agradar aos velhos conhecidos sem alienar novos espectadores. Mas, eu, céptica, aqui me confesso: por regra não apoio a existência de sequelas porque raramente fazem sentido. Em “Space Battleship Yamato”, com qualidade técnica e bons actores que tão-somente tinham papéis subdesenvolvidos, mais valia tem partido a estória em dois ou três filmes para explorar com calma o material que tinham entre mãos. Duas estrelas e meia.

Realização: Takashi Yamazaki
Argumento: Shimako Sato, Yoshinobu Nishizaki (estória) e Leiji Matsumoto (mangá)
Takuya Kimura como Susumu Kodai
Meisa Kuroki  como Yuki Mori
Tsutomu Yamazaki como Capitão Jūzō Okita
Toshirō Yanagiba como Shirō Sanada
Yusuke Santamaria como Yuji Oda
Naoto Ogata como Daisuke Shima, chief navigator
Reiko Takashima como Dra. Sado

PS: Créditos Finais - música pirosa do Steven Tyler. Mau flashback de 1998.


Próximo Filme: "The Road", 2011

domingo, 27 de janeiro de 2013

Kirasagi, 2007



Os momentos fantásticos de cinema só acontecem duas, três vezes num ano. Isto, se tivermos sorte. Quando se vêem filmes à velocidade da luz – estão disponíveis em todo o lugar, a qualquer altura, eles desaparecem, como memórias sem importância das mentes sobrepovoadas. Com actores magníficos à disposição, argumentistas dignos das maiores honras, realizadores com “a visão” e rios de dinheiro para gastar sumptuosamente em todos os aspectos técnicos é fascinante descobrir que a futilidade e o desperdício não só não diminuíram como aumentaram. E depois há aqueles pequenos filmes que só conseguem acertar num dos membros da equação e eclipsam os meses terríveis que lhe antecederam.
Kisaragi é um desses pequenos milagres. Para este milagre acontecer só foram precisos cinco actores, um cenário e um realizador capaz de transformar a visão de Ryota Kosawa numa possibilidade. 
Um ano após a morte de Miki Kisaragi uma pin-up de série C, cinco fãs que mantêm um fórum online de homenagem à modelo falecida de modo de precoce num incêndio, decidem fazer uma festa comemorativa da vida e trabalho dela. À medida que os cinco homens “Yuji Oda” (Yusuke Santamaria), “Strawberry Girl” (Teruyuki Kagawa), “Snake” (Keisuke Koide), “Iemoto” (Shun Oguri) e “Yasuo” (Muga Tsukaji) exploram o material que lhe sobreviveu começam a suspeitar que a morte de Miki poderá não ter sido um acidente.
O argumento explora de modo divertido os grupos de fãs das celebridades, as suas ansiedades e psicoses escondidas sobre aparências normais. Um rapaz bonito que poderia ser considerado uma pessoa capaz de estabelecer e manter relações com facilidade, dedica-se, afinal, à obsessão com um estranha tendo chegado a enviar-lhe 200 cartas. Outro, esconde-se por trás de uma alcunha de mulher e revela um conhecimento profundo da celebridade que roça a perseguição. No vazio das suas vidas entregaram-se à veneração de uma rapariga bonita com poucos talentos. Ela era uma celebridade apenas nas suas cabeças. Antes de se tornar famosa, se é que alguma vez isso iria suceder, morreu de modo trágico. A linha de jornal mais importante da sua vida, foi o seu óbito! Enquanto os homens discutem sem pudor os pormenores de uma vida semi-pública, eles analisam a fome de fama, a importância de uma família estruturada, os managers sem escrúpulos, a necessidade de se possuir talento real para se ser famoso, os fãs que exigem demais de pessoas normais. Miki era uma rapariga divertida mas teria ela uma face oculta? Ela tinha uma vontade de vencer no mundo das pinups femininas a todo o custo sob uma aparência inocente? Ela era a rapariga inocente que estava mal aconselhada? O que levou à sua queda. A depressão por saber que a fama nunca iria chegar? A solidão? Os falsos amigos? O manager exigente? O que matou Miki? Se calhar foi ela própria. A reunião redunda numa caça ao culpado, que pode muito bem ser um dos cinco homens.
Entre momentos divertidos nos quais os fãs se tentam ultrapassar na quantidade de conhecimento da modelo e o humor de casa de banho que até diverte, há todo um mistério policial subjacente que faria um escritor do género orgulhoso. Mas Kisaragi não é nem uma comédia, nem um drama, nem um thriller. É tudo junto e com sucesso. Se quisermos recorrer a outras referências cinematográficas e literárias, “Twin Peaks”, 1990-91 e “Rebbeca”, 1940 estarão no topo da lista. Eles são uma súmula de tudo quanto Kisaragi apresentou com sucesso: uma personagem principal que faz as delícias da audiência masculina e comanda a narrativa a despeito de surgir em breves flasbacks, a maioria das vezes, sem sequer vermos a sua face. Não precisamos na verdade. A despeito do mistério que a envolve ela é uma personagens mais transparentes e mais dissecadas que se viu em ecrã. A apoiar Miki está um elenco fantástico, de realçar o “Strawberry Girl” que alterna entre o assustador e um homem digno de piedade. Quatro estrelas.

Realização: Yuichi Satô
Argumento: Ryota Kosawa
Shun Oguri como Iemoto 
Teruyuki Kagawa como Strawberry Girl/Musume Ichigo 
Keisuke Koide como Snake
Yusuke Santamaria como Yuji Oda
Muga Tsukaji como Yasuo
Kanako Sakai como Miki Kisaragi




Próximo Filme: Space Battleship Yamato, 2010

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mononoke (2007)


“Mononoke” é uma série de 12 episódios que segue as aventuras do misterioso viajante vendedor de remédios depois de uma primeira aparição em “Bakeneko”, o terceiro capítulo de “Ayakashi – Samurai Horror Tales”. “Mononoke” é um espírito ou espectro que assombra um local específico ou persegue alguém. Alberga intenções malévolas ligadas aos objectos de assombração. Desta feita, a animação está dividida em cinco estórias independentes cuja única ligação é o vendedor nómada (Takahiro Sakurai) com a capacidade esplêndida de surgir sempre no local certo, à hora certa.



Capítulo I (Episódios 1-2)
“Zashiki-warashi” – Shino, uma mulher grávida roga que a deixem pernoitar num albergue a pretexto de que a vida do seu bebé corre perigo. Inicialmente contrariada, a dona do albergue deixa-a entrar e atribui-lhe o quarto mais distante. Cedo Shino começa a ouvir risos de crianças e a encontrar brinquedos espalhados por todo o lado. Só há um pormenor: naquela noite não havia nenhuma criança lá instalada.

Capítulo II (Episódios 3-5)
“Umibozu” – Durante uma viagem de barco o vendedor de remédios e os restantes passageiros são atraídos para o Triângulo do Dragão, um mar que, diz o folclore, estar repleto de espíritos prontos a atrair os navegadores incautos para a morte. Com o barco a ser atacado pelos espíritos inquietos, o vendedor de remédios terá de encontrar entre pessoas tão diferentes como Kayo ex-serva na casa dos Sakai (“Bakeneko” da série “Ayakashi”), dois monges budistas, um samurai, um menestrel ou o ganancioso dono do barco, sobre qual impede a maldição do espectro, antes que sejam todos arrastados para o fundo do mar.

Capitulo III (Episódios 6-7)
“Noppera-bo” – Ochou está prestes a ser executada por ter assassinado toda a família do marido. O abuso de que foi alvo pela nova família não a deixa ver senão a possibilidade de ter sido ela a cometer o acto hediondo apesar de não se recordar de nada. Será que ela foi alvo de um encantamento e o verdadeiro culpado do crime foi um Mononoke?


Capítulo IV (Episódios 8-9)
“Nue” – Três homens disputam a mão da dama Ruri, a única herdeira da escola de incenso Fuenokouji. Ela desafia-os a entrar numa competição de incenso para desempate. Aquele que conseguir identificar o maior número de aromas será o escolhido para a desposar. À medida que a competição se desenrola, os pretendentes começam a revelar as verdadeiras razões por trás da pretensão. É motivo suficiente para despertar o ressentimento de um espírito malévolo?


Capítulo V (Episódios 10-12)
“Bakeneko” – Em jeito de homenagem ao episódio que deu origem à série “Mononoke”, este capítulo junta uma série de desconhecidos num comboio, unidos por um segredo sórdido. Durante a viagem inaugural são encurralados na última carruagem, começando a ser colhidos um a um, pelo Bakeneko. Para não serem a próxima vítima deverão revelar o seu pecado mortal.

Todos os episódios apresentam a animação característica de “Bakeneko” e que constituiu, em grande parte o seu êxito. A animação está repleta de influências num estilo que já tinha apelidado anteriormente de “pesadelo de um unicórnio”. A colocação de cores pode parecer aleatória mas existe, como em tudo o resto um sentido de causalidade. As influências incluem desde a animação japonesa tradicional baseada nos antigos manuscritos do país até motivos externos desde o surrealismo à Art Nouveau, cores com textura misto de técnicas tradicionais e modernas, existindo mesmo, em “Umibozu”, um quadro que é uma inspiração óbvia de “O Beijo” de Klimt. O capítulo menos ousado em termos da utilização da cor é “Nue”, o qual, durante a maior parte da acção sucede em tons de cinzento que, como perceberão mais adiante não está desligado dos acontecimentos. A estética mais singular pertence a “Bakeneko” que ocorre durante os loucos anos vinte. Aí, numa estação de comboios repleta de gente, os ilustradores decidiram retirar tudo o que era acessório e todos os que não intervêm directamente na estória, não são senão, despojados manequins. Também aqui a explosão de cor é mais contida mas, por oposição apresenta algumas das personagens com maior densidade emocional da série. Pergunto-me também, se estas opções ousadas não foram também motivadas para marcar diferenciação do “Bakeneko” de 2006, ocorrido durante o Japão feudal e que tanta admiração causou. Entre as narrativas mais interessantes encontram-se “Noppera-bo” e “Nue”, o primeiro por a acção ocorrer mais num plano pessoal e introspectivo, como numa conversa interior e o segundo, não só por arriscar num estilo de animação diferente dos episódios anteriores como por ser um dos episódios que mais penetram na cultura japonesa e nesse sentido se demonstrar refrescante. “Umibozu” é o episódio mais representativo do “pesadelo do unicórnio” e, mais que não seja, vale pela ilustração. Podíamos ver o filme sem som e sem legendas e sair fascinado do visionamento. Já “Zashiki-warashi” e “Bakeneko” puxam pelos instintos de protecção da mulher, como ser frágil. E se isto já era verdade em “Ayakashi - Samurai Horror Tales”, continua a ser verdade em “Mononoke”, as tragédias que se abatem sobre a mulher têm sempre uma maior proximidade com a realidade que as restantes.
Mas dizia antes que em “Mononoke” nada é obra do acaso e, de facto, a série está pejada de momentos de simbolismo da vida, da morte e dos pecados do homem que levam à sua queda prematura. No entanto, esta moralidade é momentaneamente esquecida quando à representação da mulher diz respeito. A pele alva e comportamento comedido correspondem à pureza de espírito e inocência, enquanto a pele escura e o atrevimento são característicos da insolência que é vista com desaprovação. O vendedor de remédios, a única constante da série, a despeito do mistério que envolve, passado algum tempo torna-se maçador pois não existe evolução da personagem. A audiência é perpetuamente fascinada pelo vendedor de remédios que tem o condão de surgir sempre que há um espirito maléfico presente, pelo seu humor negro e, fundamentalmente, lacónico, mas a série termina como começou. Nada se sabia do vendedor no início e terminamos sem qualquer resolução nesse aspecto. O seu discurso, episódio após episódio é idêntico: forma (katachi), verdade (makoto) e kotowari (razão) e o modo de combate ao mal, aterrador, por vezes, também. Mas a grande lamentação e o maior elogio que se pode fazer a “Mononoke”, foi o facto de Hashimoto (animação) e Nakamura (realizador) não terem brindado o público com mais material original sobre o vendedor de remédios que combate o mal. Um dos melhores mistérios sobrenaturais de animação que já vi. Quatro estrelas.
Realização: Kenji Nakamura, Kouhei Hatano, Masayuki Matsumoto, Nama Uchiyama e Sumio Watanabe
Argumento: Chiaki J. Konaka, Ikuko Takahashi, Manabu Ishikawa e Michiko Yokote
Designer de Animação Takashi Hashimoto


Próximo Filme: Kisaragi (2007)

domingo, 20 de janeiro de 2013

"The Cabin in the Woods", 2011


Poucas coisas são uma constante nesta vida. Como aquela piada que tão bem nos recorda dessa realidade quando diz que a seguir à 3ª Guerra Mundial só vão restar as baratas e a Cher. Aqui no Not a Film Critic acrescentaria, vão restar as baratas, a Cher e… o Joss Whedon. Por entre séries que ninguém admitia ver mas eram um sucesso de audiências, séries que eram vistas por todos mas cujas estatísticas, revelavam afinal, um fracasso, qual Gloria Gaynor, ele foi sobrevivendo. Ele sempre teve um je ne sais quoi de ousado que apelava a uma parte da audiência e alienava a outra parte. Há quem precise tanto de ver um filme com o nome de Whedon associado como de trepanação. Pensem na Diablo Cody sem as drogas e o strip (sim, definitivamente sem strip, que a visão do Whedon nu não deve ser uma experiência agradável).
Mas enfim, algures lá no meio do seu jeitinho descarado do género, “sou um génio incompreendido”, ele tem umas ideias fixolas. “The Cabin in the Woods” é um desses momentos.
Todos os anos estreia pelo menos um filme onde um grupo de jovens adultos pouco abonados de massa cinzenta vão para o meio de um bosque onde acabam por a) ser assassinados à facada, b) comidos, c) abusados ou d) todas as alíneas anteriores. Whedon decidiu juntar-se este ano à corrida com um twist apesar de o trailer aparentar mais do mesmo. E de facto estão lá todos: o atleta, a loura burra mamalhuda (como convém), o drogado, a virgem e o bom rapaz. Escusado será dizer que com Whedon nada é o que parece e ele lança-se numa senda desesperada para quebrar convenções enquanto nos dá mais do mesmo. Até certo ponto funciona. Whedon não é o primeiro a brincar com esta ideia mas é o primeiro a usá-lo neste contexto. Aí recolhe algum mérito mas depois faz o que não devia. Cai na tentação de ser tão megalómano como os que lhe precederam e comete os mesmos erros. Os personagens revertem nos estereótipos que Whedon começou por criticar. Acabam por cumprir os destinos que lhes estavam destinados, passe a redundância. Existirá maior anticlímax?
O filme “morre” não quando percebemos que o jogo está viciado mas quando compreendemos que o argumentista nada faz para contrariar a cadeia de acontecimentos trágicos. E o pior de tudo é que o Whedon parecia ser aquele que iria contrariar a tendência e não teve coragem. Ainda não será desta que ele vai conquistar a audiência mainstream que há muito se anuncia. “The Cabin in the Woods” é tão pouco consensual que é presença comum em listas de melhores e piores do ano. Melhor pela desconstrução do género do terror. Pior por não atingir as alturas que anunciava. Aquele poster inspirado pelo M.C. Escher é qualquer coisa de extraordinário, artístico até. Fica a promessa por cumprir. Resta saber se Whedon ainda tem mais dentro dele.
E não digam o contrário por que não é verdade. Ele acobardou-se. Quem tem coragem faz pequenas gemas como “Tucker & Dale vs. Evil” (2011) e “Shaun of the Dead” (2004). Quem não tem acaba com “The Cabin in the Woods”. Três estrelas.

Próximo Filme: Mononoke (2007)

domingo, 13 de janeiro de 2013

“Zatoichi” (Zatôichi, 2003)



É difícil levar uma pessoa a sério quando a primeira memória que temos dela é de a ver pular e vociferar na série “Takeshi’s Castle”. Em Portugal a série foi transmitida no 3 canal com o nome “Nunca Digas Banzai”. O nome profissional do Takeshi Kitano à época era Beat Takeshi. Repito, como podia uma pessoa levá-lo a sério?

Eis que uma pessoa cresce, torna-se adulta, busca filmes a oriente e descobre que Takeshi reservava o lado sério para as actividades de representação e realização, onde optou por material mais taciturno. “Zatoichi” é uma obra revivalista da série de filmes imortalizada entre os anos 60 e 70 pelo actor Shintaro Katsu. A série tinha como herói Zatoichi, um massagista cego, que escondia uma aptidão para a luta com espada que só revelava quando se encontrava perante situações de injustiça. Kitano recuperou o personagem tomando para si os papéis de realizador, actor e argumentista. Ao invés de tentar emular o Zatoichi mais clássico de Shintaro, Kitano empresta-lhe a sua visão própria, o motivo mais notório, um cabelo curto de um louro platinado contrastante com as longas melenas negras tradicionais.
“Zatoichi” inicia-se com o personagem deambulando por entre uma localidade pobre, na qual os aldeões são explorados até ao último centavo por gangues mafiosos que não hesitam em destruir, pilhar, expropriar e matar para atingir os seus fins. Zatoichi cruza-se com Oume (Michiyo Ohkusu), uma aldeã que luta para sustentar a casa, já que o sobrinho Shinkichi (Taka Gadarukanaru) estoira os escassos recursos no jogo. O massagista cego ajuda-a a carregar um fardo e a mulher deixa o desconhecido pernoitar na sua casa, pela gentileza. Numa localidade acossada Oume confia na bondade do massagista. Ele é um homem de poucas palavras mas rapidamente provoca impressão na comunidade, a habilidade para o jogo e os reflexos de fenomenais de samurai não escapam ao olhar dos vilões que se prestam a dar-lhe uma lição. Mas Zatoichi esconde mais do que a vista alcança. Depois de uma vintena de filmes bem cotados, a última coisa que Kitano necessitava era de copiar o que já existia e foi isso mesmo que evitou. A palavra que melhor descreve o seu Zatoichi é subtileza. Há um afastamento consciente do protagonista da acção. Ele só serve para atar as pontas. A narrativa flui naturalmente sem a influência de Zatoichi, como se por algum motivo predestinado os dados já tivessem sido lançados. Ele só intervém quando parece já não existir resolução para os problemas que o rodeiam. Porque apesar da aparência indiferente ele preocupa-se com os desamparados, a marca de um samurai honrado, com ou sem visão. O samurai Hattori (Tadanobu Asano) é um samurai que aceita um trabalho para pagar os medicamentos da mulher doente. Asano surge também ele comedido no papel de antagonista com uma aura tão dual quanto a de Zatoichi e irá revelar-se o seu adversário. Zatoichi apesar de herói oculta um lado negro, enquanto Hattori, apesar da bondade intrínseca não pode evitar trilhar o caminho que escolheu. Mas assim que são tomadas determinadas decisões não há como lhes escapar.
Os problemas, onde eles existem encontram-se no ritmo lento deliberado e na utilização do computador para recrear os efeitos de sangue. Tendo por base tempos antigos e uma história antiquada salpicos de sangue apenas soam a preguiça. A intenção poderá ter sido, à semelhança do cabelo dourado, conferir um toque de modernismo à partitura. Esse momento está guardado para o momento musical final. É também possivelmente uma estória demasiado clássica. Já a vimos antes em “Seven Samurai” (1954) e “13 Assassins” (1963 e 2011) e em bastantes outros filmes desde então. No entanto, resulta. “Zatoichi” é mais um sinal de que por vezes menos é mais. Quatro estrelas.

Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Michiyo Ohkusu como Oume
Tadanobu Asano como Hattori Gennosuke
Taka Gadarukanaru como Shinkichi
Daigoro Tachibana como Geisha Osei
Yuuko Daike como Geisha Okinu



Próximo Filme: “The Cabin in the Woods”, 2011
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