segunda-feira, 2 de março de 2015

Top 15: Música de Filmes de Terror




Mais uma lista, desta feita, focada na música, um dos argumentos mais importantes na criação de um bom filme de terror. Este é um dos géneros onde assegurar que a música e o som são irrepreensíveis constitui uma das maiores garantias que a película obterá sucesso (pelo menos na parte de assustar). É nos aspectos técnicos que as “academias” e júris por esse mundo fora são mais generosos com estes filmes, atribuindo-lhes normalmente os prémios de consolação que lhes costumam fugir nas categorias principais. Podia transformar este top num espancamento público dos tipos que só nomeiam os filmes de terror para as categorias que "não interessam a ninguém", se é que são nomeados de todo mas não tenho tempo nem energia. Conto convosco para isso.
Entretanto, faço notar que não adquiri do dia para a noite e, por artes mágicas, a capacidade de compreender boa música. Segui apenas três critérios: gosto pessoal, originalidade e a sua implantação na memória colectiva. Por isso, se alguém me tentar explicar por que o número um é vastamente superior ao número três o mais provável é esboçar um sorriso, responder: “Sim senhor. Tens toda a razão” e ignorar. Seguem-se as minhas sugestões:

1. “Psycho” (Bernard Herrmann, 1960) – Nada como apostar numa das composições mais consensuais e reconhecíveis de que há memória. Quantos de vocês, quando ouvem esta música não começam a gesticular feitos loucos, recriando o movimento de esfaquear alguém?! Não? Ok. Essa é a popular e tantas vezes parodiada cena da morte de Marion Crane (Janet Leigh), até àquele momento considerada a protagonista de “Psycho”. Se a morte por si só é considerada chocante (mataram a Marion?!), o efeito é exacerbado pela música inquietante mas subtil que a antecede e não fazia prever tal evento. A audiência tinha-se afeiçoado à personagem pelo que seria de esperar que ela fosse retirada com elegância e suavidade. Nada podia estar mais longe da verdade. Os violinos tornam-se golpes afiados, rápidos e furiosos e Marion tem uma morte bárbara, angustiante. Se Hitchcock nos fez afeiçoar à protagonista, Herrmann retirou-a de cena com ferocidade.

2. “Rosemary's Baby” (Krzysztof Komeda, 1968) – Em termos de construção, a música parece pouco complexa. O instrumental parece datado e apenas sobressai o canto de Rosemary. Mas haverá momento mais ternurento do que aquele em que uma mãe embala o seu bebé? É pouco importante que ela tenha um tom bonito ou sequer angelical. O factor de atracção é antes a inocência, ingenuidade até, quanto ao ser que carrega. Um momento que seria de extrema felicidade torna-se pois o exacto oposto e marca o tom dramático da estória pois a música brinca com o receio de todos os pais de que o seu filho possa não ser “perfeito”.

3. “The Exorcist” (Mike Oldfield, 1973) – “Tubular Bells” está para “The Exorcist” como “Lux Aeterna” está para “Requiem for a Dream”, sendo que curiosamente, a actriz Ellen Burstyn contracena em ambos. Qualquer das músicas é fenomenal por si própria e qualquer uma delas é reconhecível como “a música daquele filme que posso não me lembrar de imediato qual é, mas tenho a certeza que é do cinema”. No caso de “The Exorcist” apesar de parecer feito à medida, “Tubular Bells” do já editado álbum de Mike Oldfield foi apenas um dos temas que encontraram para colmatar a ausência de música. Ela é nota dissonante numa película onde a orquestra é predominante. Tal como é nota dissonante, a menina-criança que irrompe num comportamento destructivo, nada característico do que seria expectável de uma pessoa com aquela idade e muito menos de um ser humano.

4. “Jaws” (John Williams, 1975) – Uma rapariga desnuda, decide nadar à tardinha. Daí a pouco ela é sacudida como se de uma boneca de trapos de tratasse. Não vemos mais do que indícios do que a possa ter atacado abaixo da linha de água. Também não precisamos. Como é que se faz uma pessoa ter medo de estar dentro de água? Trauteia-se “Duuun dun duuun dun dun”. Se o som é erradamente considerado minimalista, o efeito é supremo. Contam os (mais) adultos que no verão após estrear “Jaws” as praias estavam vazias. O medo da água e do que está lá debaixo era tão grande que houve até quem tivesse medo de se sentar na sanita. Ora, como é que alguém acha que um tubarão seria capaz de chegar a uma sanita, quanto mais morder-lhe o traseiro naquele momento tão delicado, escapa-me. Mas e daí, o medo não é racional. É este o legado de “Jaws”.

5. “Suspiria” (Goblin, 1977) – Não sei o que dará um mix de sonhos, drogas, nostalgia, terror, idade média, rock e indiferença com o que outros poderão pensar, mas imagino que seja algo parecido com a banda-sonora de “Suspiria”. A produção da banda italiana Goblin é reconhecível, sem ser uma produção barata e aquilo que muitos compositores de filmes de terror gostariam de ser: livres. Se existe a sensação que um filme de terror está limitado na selecção de música e, a maioria das películas divide-se entre a orquestra ou o rock/pop com algumas escolhas dúbias, “Suspiria” demonstra que é possível juntar um sintetizador e murmúrios muito rock sem perder impacto ou se ser rotulado de zombaria.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Babang Luksa, 2011

Babang Luksa é uma tradição filipina com base na herança católica, na qual os familiares e amigos de um falecido se reúnem o primeiro aniversário após a sua morte para cessar o luto. É uma espécie de formalização do final do período de “pesar”, com o conforto de comida, onde os convivas decidem seguir com as suas vidas a despeito do falecimento de um ente querido. Este ritual abre as hostilidades e é o único momento genuíno em toda a trama.
Close-ups para que vos quero?

Soledad (Ces Quesada) convida Carlo (Luis Alandy) e Ana (Precious Lara Quingaman) para o Babang Luksa da sua filha Beatriz (Arya Valdez). Desde esse momento as vidas de todos ficam marcadas. Por quem ou o quê, não se sabe ao certo mas suspeito que as sombras e close-ups das caras assustadas do elenco signifiquem que existe uma assombração. Outra conclusão perfeitamente lógica é a de que Beatriz não partiu para o outro lado e prefere ficar na terra a atormentar quem lhe foi prestar homenagem. Porque parece que quem nos quer bem é a vítima ideal para estas coisas de assombrações. Pelo menos é essa a opinião de Ana que é a mais acossada pelas manifestações de Beatriz. Aliás, a amiga nem sequer teria qualquer motivo para estar zangada com ela. Alguma vez ela devia ficar chateada por Carlo que lhe foi apresentado por Ana a rejeitar por esta última? Beatriz nem sequer cortou os pulsos por despeito. Sim, ela era uma moça que estava de bem com a vida e que não guardava qualquer rancor da amiga por esta tomar o seu amado…Além disso, Ana deveria descansar como aconselham Soledad e Carlo. Deve ser por causa disso que ela está com uma imaginação demasiado activa. (Quando estou cansada dá-me assim para o sono ou até tonturas, não para ver fantasmas, mas isso sou eu que não percebo destas coisas). Assim ela toma o curso de acção mais sensato: faz uma sessão espírita para pedir à amiga para os deixar em paz. O que podia correr mal?
Um dos pormenores mais fantásticos é o facto de “Babang Luksa” ser uma produção independente. Normalmente uma obra é denominada independente quando não tem um estúdio por trás. Ora se a ausência de recursos é flagrante, o que não é tão imediato é entender como conseguiram atrair uma beauty queen e uma apresentadora de televisão conhecidíssimas para um filme que não ficará na estória do cinema independente, quanto mais filipino. Os críticos de cinema são massacrados por estarem sempre a falar da qualidade dos argumentos e Babang Luksa é um excelente exemplo disso mesmo. É vermo-nos obrigados a ver uma novela com a desculpa que é filme e sentirmo-nos desafiados nas nossas faculdades mentais porque os actores explicam a todo o momento o que se passa no ecrã. “É a Beatriz!”, “Tem de ser a Beatriz”, “Tu não tens culpa nenhuma do que sucedeu à Beatriz”, “Amo-te a ti e não à Beatriz”, “O que posso fazer para acalmar a Beatriz?”, “O que está a suceder?”, “Tem cuidado” e “Não temos a certeza do que se está a passar” repetem-se.
Não fosse a estupefacção por nos proporcionarem momentos destes e ainda somos brindados com cenas do quotidiano de Carlo e Ana. Ele anda muito stressado coitado, pois parece que os números da empresa (vendas?), não são o que deviam, conforme é indicado numa reunião de trabalho onde os colegas ostentam um ar seríssimo e de extrema preocupação. Já ela tem uma chefe horrível que a maltrata mas entretanto Ana demonstra que é uma profissional eficiente numa urgência apesar de perder o doente. Porque é que isso é importante também não sei. Se a ideia é demonstrar que eles são pessoas normais o argumentista, quem quer que seja, falha a partir do momento em que apresenta a hipótese da assombração ao fim dos primeiros cinco minutos de filme. Entre diálogos que não se assemelham de modo remoto à vida real que se tenta emular, problemas de continuidade que produzem a confusão e uma péssima caracterização do “monstro” a única questão que restará é se este filme era a única opção para visionamento nesse dia. A outra opção seria decerto melhor. Meia estrela


O melhor:
Curta duração do filme

O pior:
Argumento, incluindo diálogos saídos de uma novela
Continuidade
Caracterização horrível
Direcção horrenda
Suspense inexistente
O tempo de vida desperdiçado


Realização: Yuan Santiago
Precious Lara Quigaman como Ana
Luis Alandy como Carlo
Angelika Dela Cruz como Idang
Roselle Nava como Cathy
Helga Krapf como Kris
Ces Quesada como Tita Soledad
Joy Viado como Dra. Catacutan
Joshua Ocampo como Miguel
Arya Valdez como Beatriz
Rachael Chezka Marie Decena como Sigbin

Próximo Filme: 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Eu MONSTRO, Tu MONSTRAS, Nós MONSTRAMOS


A MONSTRA – Festival de Cinema de Animação de Lisboa regressa em 2015, de 12 a 22 de março, para celebrar os seus 15 anos. Nesta edição, o festival irá prestar homenagem ao cinema de animação da América Latina, com uma grande retrospetiva. Ao todo serão exibidos 75 filmes, 6 longas-metragens e 5 sessões de curtas-metragens destes países.

Para comemorar os seus 15 anos, a MONSTRA vai lançar durante o festival um dvd que compila 15 filmes de animação para os mais novos. Ainda no âmbito destas celebrações, João Garção Borges, realizador do extinto programa da RTP2, Onda Curta, irá programar uma sessão dedicada aos melhores filmes apresentados na MONSTRA e neste programa televisivo. O programa de documentários da Monstra, Dokanim, irá apresentar filmes do Festival DokLeipzig que refletem os 15 anos da Monstra. Ainda para celebrar estes 15 anos, haverá uma sessão dos melhoresvideoclips feitos em cinema de animação e outra de cinema de animação experimental. Já na FNAC Chiado e Fábrica Braço de Prata, serão exibidos os 15 cartazes da Monstra, desde o nascimento do festival, em 2000. [Comunicado de imprensa]

Leram tudo até aqui? Lindos meninos. Se bem que esta pessoa não tem por hábito fazer copy & paste de comunicados de imprensa com mais de uma página. Ler a meios que cansa e, por muito interessante que o programa seja (e é!), mais vale ir directa ao assunto.

Em tempos que já lá vão (fins de novembro do ano passado e até meados de janeiro de 2015), fiz uma maratona de cinema de animação. Estava a meios que imbuída ainda de um espírito, quiçá natalício, que me incitou a ver Hayao Miyazaki, Satoshi Kon, Mamoru Hosoda e Isao Takahata de enfiada. Juro que não me estou a armar numa daquelas pessoazinhas arrogantes que se põe a citar nomes para se mostrarem imensamente cultas, até porque alguns, tive mesmo de os ir pesquisar, que tenho memória de peixe e esqueço os nomes dos realizadores mas quero, não… Insisto, que vão pesquisar as obras destes senhores e as visionem. Divago. Digamos que se quisessem uma lista de essenciais de animação japonesa, eu, que posso ou nada sei a respeito das idiossincrasias do género, recomendaria fortemente estes quatro senhores, sendo que, voilá, a MONSTRA, dedica a dois deles, precisamente uma secção. Ou melhor, ao cinema de animação japonês, homenageando Takahata e exibindo ainda a última longa-metragem concretizada de Miyazaki “Wind Rises”. Do primeiro serão exibidos: “The Tales of the Princess Kaguya” – baseado na fantástica lenda do Cortador de Bambu que ela própria já merece a vossa curiosidade –, “Pom Poko”, Only Yesterday” e “My Neighbors the Yamadas”. E qual cereja no topo do bolo figurativo, o documentário “The Kingdom of Dreams and Madness” que foca o trabalho destes dois senhores. E porque me alongo sugiro mesmo a consulta do website da MONSTRA claro!

Conclusão: esta pessoa vai tentar estar lá. E você?

PS: A não ser que sejam visitantes de outro país. Então que sejam muito bem-vindos a este blogue e… Roam-se de inveja.

PS 2: Diz que também uma secção de animação de terror. Calo-me já, já.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

"Sleepwalker 3D" (Meng you 3D, 2011)


Os sonhos são uns sacanas. Uma pessoa trabalha como uma escrava, tendo por vezes apenas por miragem o sonho de um banho quente e de uma refeição consistente, o mínimo que pode desejar é um sonho reconfortante certo? Nada disso. Os sonhos são a porcaria da recompensa mais inconsistente e desconfortante de todas. Diz que é o espelho do subconsciente, aquele bocadinho de matéria que jaz dormente que surge para nos dizer: “há questões dolorosas, mal resolvidas, que convém explorar neste preciso período em que estás especialmente cansado e angustiado”.
A vida de Yi (Angelica Lee) revolve à volta deste ciclo pernicioso. Ela tenta apanhar os cacos da sua existência após a morte da filha e falha todos os dias. À noite é assaltada por sonhos nos quais uma criança é enterrada num bosque. De manhã, acorda como se tivesse estado acordada durante toda a noite e com as mãos cheias de terra. Com o desaparecimento do ex-marido, Yi começa a temer que tenha tido algo a ver com o caso. Entretanto, Peggy (Charlie Young) está a enfrentar um pesadelo que Yi conhece demasiado bem, o filho desapareceu e com o tempo a passar a esperança torna-se ténue. Com o apoio da detective Au (Huo Sien), Yi compromete-se a dar apoio à investigação. Se os seus sonhos tiverem uma pista para o paradeiro da criança ela irá auxiliá-la ainda que isso possa significar que é culpada do rapto e possivelmente homicídio.

A ideia do sonambolismo é tão tentadora quanto atemorizante mas nas mãos dos irmãos Pang é igualmente excitante. A metade dos irmãos Pang conhecida por Oxide recruta caras conhecidas para mais uma aventura a solo: a sua eterna musa Angelica Lee e Decha Srimantra, cinematógrafo que o acompanhou em quase todos os filmes que realizou até ao momento. É uma garantia reconfortante saber que pelo menos uma das actuações será sólida e que nos aguarda um espectáculo visual, o que é mais que a maioria das películas nos oferece. Oxide diverte-se com as possibilidades de “Sleepwalker 3D” mas não existe um verdadeiro foco. O 3D, à semelhança de tantas outras experiências anteriores e já posteriores mais se assemelha a um acessório que nem era necessário, nem acrescenta um contributo válido para a estória e é escasso. Os motivos de interesse são outros, incluindo a técnica simples mas que sempre funciona da imagem a preto e branco com um toque de cor, matizes azuladas e breves animações nas sequências de sonho. Angelica é a melhor das três protagonistas e parece genuinamente afectada pela perda pessoal, a possibilidade de possuir uma faceta negra e… uma peruca terrível. Estou em crer que algumas das suas lágrimas se devem aquela coisa vermelha que lhe colocaram na cabeça no lugar de peruca e ninguém me convence do contrário.
Ela é uma alfaiate com um estilo pessoal alternativo pelo que não é como se o cabelo vermelho fosse uma opção estética fora de série. No entanto, a caracterização distrai em algumas cenas importantes. A sério que não tinham orçamento para dar à belíssima Angelica um penteado decente? A par com o cabelo estão uma série de desempenhos muito abaixo do nível de aceitabilidade para um grupo de teatro amador. As mulheres fazem o que podem com aquilo que têm. Os homens nem sequer tentam. Este é o calcanhar de Aquiles de qualquer dos irmãos Pang. Eles dedicam mais atenção às suas actrizes e, sobretudo, às que interpretam as protagonistas que ao resto da equipa de actores. Os primeiros filmes da sua carreira e o thrillers “The Detective” (2007) e “The Detective 2” (2011) constituem notáveis excepções. A aparente ausência de preocupação com o casting tem sido uma das críticas consistentes para não possuam uma reputação superior à que por ora possuem e as suas obras fiquem sempre aquém do potencial inicial. O segundo grande mal de “Sleepwalker 3D” é os subenredos que acompanham a narrativa principal que todos os juntos, não parecem fazer grande sentido: ex-maridos desaparecidos, irmãs com uma relação complicada, mulheres em coma… Uma grande série de nada, que não leva a nenhum lado em particular. A prova de que não têm relevância para a estória e apenas contribuem para gerar ruído é o habitual, dispensável, irritante e arrogante flashback para explicar os acontecimentos. Uma estrela e meia.

O melhor:
Os passeios nocturnos de Yi
Os sonhos
Cinematografia
Angelica Lee

O pior:
A peruca da Angelica Lee
A identidade do vilão é óbvia.
É mesmo para dormir… sem direito a sonambulismo.
3D, para que serves tu?


Realização: Oxide Pang Chun
Argumento: Oxide Pang Chun e Thomas Pang
Angelica Lee como Yi
Charlie Young como Peggy
Huo Sien como Detective Au
Li Zong Han como Eric

Próximo Filme: Babangluksa, 2011

domingo, 1 de fevereiro de 2015

"Blood Letter" (Thien Menh Anh Hung, 2012)


Depois do massacre da família o jovem Nguyen Vu (Huynh Dong) é deixado num templo. Ele passa os anos seguintes escondido da civilização com um monge que o acolhe como a um filho e o inicia nos caminhos das artes marciais. Um dia o local é invadido por oficiais e Nguyen reconhece num dos homens, um dos mandantes do assassinato da sua família. O monge procede a revelar o trágico passado do clã do filho adoptivo: uma das concubinas do seu avô foi acusada de traição e a inflexível imperatriz Thai Hau (Van Trang), ordenou a morte da família inteira por associação à criminosa. Na sofreguidão de repôr a justiça ele acaba por ir espiar a corte real onde se depara com Hoa Xuan (Midu) que partilha do mesmo desejo de vingança que ele. Ela e a irmã Hoa Ha (Kim Tien) também testemunharam a fúria da imperatriz e tornam-se suas aliadas. Perante o rumor da existência de uma "carta de sangue" que poderá abalar o processo de sucessão real, ele e as irmãs embarcam numa aventura para a encontrar.

Aos primeiros segundos de filme, a estória aponta para um filme de vingança: entre mortos e feridos, Nguyen desmonta a cabala arquitectada contra a sua família e desmascara perante o mundo os malfeitores que entretanto destruiu com o domínio total e completo das artes marciais, qual filme de acção série B. Ao fim de uns minutos, a euforia acalma consideravelmente. Uma pessoa percebe que a mestria da arte da arte do combate não é a maior quando o melhor que o personagem principal é capaz de fazer é o kamehameha do “Dragon Ball”, num efeito digital embaraçoso. Isto não abona muito a favor de Johnny Tri Nguyen, o coreógrafo de acção de serviço, que aliado a uma edição tosca e uma câmara desinteressada fazem suspeitar que as cenas de combate não constituem de todo os melhores atributos de “Blood Letter”. O que a câmara procura isso sim é uma quantidade obscena de paisagens montanhosas, vegetação luxuriante e lagos de águas límpidas, cristalinas. Cenário remanescente de um filme wuxia qual “Crouching Tiger, Hidden Dragon” de início do milénio. Isto é fantástico mas um cinéfilo procura a paixão da estória e não apenas um postal animado de um país que de outra forma podia conhecer, através de publicidade institucional do Organismo Oficial de Promoção do Turismo: “Descubra as paisagens virgens do Vietname”. Pois que surge então uma rapariga bonita e afinal, “Blood Letter” inicia a trilhar os caminhos do romance. O herói descobre o sentimento mais precioso de todos e deverá querer tornar-se um homem melhor, acima do desejo de satisfação pessoal, que inclui o abandono completo do sentimento destrutivo da vingança.

“Blood Letter” é uma película muito interessante quando analisada do ponto de vista do cinema vietnamita, ainda pouco prolifico e amplamente influenciado pelo rumo político do país que dita até onde é que a inspiração dos cineastas poderá ir. Surge pois uma estória fantasiosa onde o herói não sobressai nem impressiona. A palavra que melhor o descreve é banal. O argumento é um mix dos filmes wuxia com filmes de série B e soma os defeitos de uns e de outros: peca por excesso de considerações filosóficas ou falas atiradas para o ar, sem convicção e desconexas de verdadeiras emoções. O actor principal sofre de uma mortal ausência de carisma e não consegue carregar o filme nos seus ombros. No início, Nguyen é ingénuo e altruísta como sempre convém. Depois torna-se um tolo apaixonado e pelo fim, pouco ajudado por uma edição desleixada, parece adquirir uma sabedoria que deve ter brotado do solo. Acordou um dia e teve uma epifania sobre o perdão e o que será melhor para o povo vietnamita. Desde quando é que ele, uma pessoa que sempre viveu num templo, nos confins da civilização e sem qualquer contacto social tem poder para decidir sobre os destinos dos outros? Se no papel a mudança já é demasiado brusca e despropositada, o facto de o actor não possuir a experiência necessária para a transmitir mata qualquer hipótese de aproximação ao seu dilema. De igual modo a sua amada no ecrã, a despeito de possuir um pouco mais de energia, age na maior parte do tempo como uma adolescente com a birra porque os pais não lhe compraram uns ténis caros. E assim por diante, incluindo vilões caracterizados com maquilhagem apatetada e esgares exagerados. Fica a ideia que “Blood Letter” foi realizado apenas com o intuito de ser bom o suficiente e nunca teve a excelência como alvo. Feito o balanço, nem é bom para figurar numa lista pessoal, quanto mais de melhor do ano. Duas estrelas

O melhor:
- Postal da beleza natural vietnamita
- Guarda-roupa

O pior:
- A representação
- Edição tosca. Sensação de frequente ausência de continuidade
- Já era altura de os vilões não terem maquilhagem exagerada para demonstrar que são os maus da fita!

Realização: Victor Vu
Argumento: Victor Vu
Huynh Dong como Nguyen Vu
Midu como Hoa Xuan
Khuong Ngoc como Tran Tong Quan
Minh Thuan como Su Phu
Kim Hien como Hoa Ha
Van Trang como Thai Hau

Próximo Filme: "Sleepwalker 3D" (Meng you 3D, 2011)


domingo, 25 de janeiro de 2015

"Macabre" (Rumah Darah, 2009)

Grupo de amigos dá uma boleia a uma mocinha. O que poderia correr mal?

Estreado em Portugal por ocasião do MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa em 2009, que se encontrava ainda apenas na 3.ª Edição, “Macabre” apresentou-se como uma das melhores obras saídas do prolífico cinema indonésio nesse ano. 

Em “Macabre” um grupo de amigos segue de carro para Jacarta para se despedir de dois deles: o casal Adjie (Ario Bayu) e Astrid (Sigi Wimala) grávida de 8 meses, que vão começar um novo projecto de vida na Austrália. A meio da viagem efectuam um desvio para convencer Ladya (Julie Estelle) a irmã de Adjie a colocar de parte as suas divergências antes de ele partir em definitivo para um novo país. O plano sofre um revés quando se deparam com Maya (Imelda Therrine) que lhes pede ajuda. Ela diz ter sido roubada e não tem boleia para casa. À chuva e na noite escura, o grupo oferece-se para a levar a casa. Agradecendo a generosidade, a jovem convida-os a tomar uma refeição com a família dela e refugiar-se do mau tempo. Apesar da relutância de alguns, eles acabam por aceitar e entrar. Lá dentro esperam-nos Dara (Shareefa Daanish) a mãe de Maya que parece não ter um dia mais do que 30 anos e os dois irmãos desta. Existe algo de desconcertante naquela família, algo que descobrirão muito em breve. É que a família de Maya gostou tanto deles, em particular da expectante Astrid que não tencionam deixá-los sair de casa… Nunca. Abriu a época de caça e os hóspedes são as presas!

Se “Macabre” parece a repetição de tantos outros slashers é porque não existe qualquer elemento surpresa. Os personagens são conhecidos na maior parte por constituírem os já habituais estereótipos do género como a sobrevivente final, o bom rapaz e o pervertido. Os vilões são maquiavélicos, aterrorizantes e são tão maus quanto seria de esperar de uma família de canibais! Eles gizam um plano para atrair as suas vítimas e quando a mãe Dara, qual chefe de um gangue organizado dá ordem para perseguir, atacar e dominar, vale tudo. A panóplia de armas utilizadas inclui armas como espadas samurai, serras eléctricas (uma homenagem a “The Texas Chainsaw Massacre” de 1974), jarros e tudo o mais que esteja espalhado pela casa que possa ser utilizado como arma mortal. E são ultra-resistentes. Para os eliminar é preciso nada menos que esfaquear, esquartejar, triturar, queimar, enforcar…

O cinema há muito que demonstrou que uma mulher grávida não está livre de perigo, vejam por exemplo “Inside” (2007) ou “Dream Home” (2010) e a pobre Astrid é prova disso mesmo com uma das cenas mais demoradas a deter-se na sua luta para defender a criança por nascer. Já Ladya é uma versão anterior da desenrascada Erin de “You’re Next” (2011), menos eficaz e mais dependente da sorte e dos seus amigos. Tanto ela como Arifin Putra que interpreta o psicopata Adam foram recentemente catapultados para a fama em “The Raid 2: Berandal” (2014) mas é Shareefa Daanish que rouba todas as atenções. Alguns poderão considerar a sua representação exagerada mas não irão ficar indiferentes.
Com olhos grandes, esbugalhados que sugerem a possibilidade de esta penetrar na alma das suas vítimas e extrair os pensamentos e desejos mais profundos da sua vítima e a pronunciação lenta, ponderada das palavras, Dara é inquietante. Aliás, cada aspecto desta personagem soa a uma nota dissonante logo a partir do momento em que a patriarca parece partilhar a idade da prole; vestimenta, cabelo e trejeitos de quem parece anunciar um estilo de vida antiquado; um olhar que não pestaneja e toda uma frieza e atitudes gélidas que sendo suspeitas, fariam visitantes “normais” atalhar caminho assim que tivessem oportunidade. Quando é apresentada a história da família, todos esses elementos desconcertantes encaixam no puzzle, incluindo as mais diversas peças e mobiliário espalhados pela casa.
“Macabre” é um autêntico banho de sangue. Imagino que se aquela casa tivesse sido palco de um massacre real, as pessoas que fazem a limpeza de tais cenários teriam muito trabalho pela frente. “Macabre” vem da Indonésia para provar que a tradição do slasher, ainda que possamos enumerar os lugares-comuns, continua a funcionar. Três estrelas.

Realização: Mo Brothers (Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto)
Argumento: Mo Brothers (Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto)
Shareefa Daanish como Dara
Julie Estelle como Ladya
Ario Bayu como Adjie
Sigi Wimala como Astrid
Arifin Putra como Adam
Daniel Mananta como Jimmy
Dendy Subangil como Eko
Imelda Therinne como Maya
Mike Muliadro como Alam
Ruly Lubis como Arman
Felicia A. Sumarauw como Bebé
Risdo Alaro Martondang como Sersan Syarief
Cansirano como Sony Samba
Roni Kribs como Petrus

Próximo Filme: "Blood Letter" (Thien Menh Anh Hung, 2012)

domingo, 18 de janeiro de 2015

"Body of Water" (Syvälle salattu, 2011)

Boa sorte para conseguir encontrar um trailer decente com legendas, pelo menos, em inglês.
Era uma vez um pobre moleiro que ao encontrar o rei exagera as qualidades da filha de modo a captar o interesse deste e chega a contar uma estória fantasiosa em como a moça consegue transformar palha em oiro. Decidido a dar uma lição ao moleiro, o rei manda fechar a jovem num quarto cheio de palha que terá de transformar em oiro, como declarado pelo pai, ou será executada. Durante a noite, a rapariga desesperada pela insensatez do pai e a expectativa de morte iminente, é visitada por uma criatura mágica que lhe propõe uma troca: ele fará a tarefa por esta, desde que ela lhe dê o seu colar. No dia seguinte, o rei fascinado perante a boa execução da tarefa dá-lhe ainda mais palha para fiar em oiro. À noite e perante novo apelo da rapariga chorosa o visitante continua o trabalho a troco de um anel. Pela manhã, o rei promete casar-se com ela, se esta transformar uma quantidade ainda maior de palha em oiro. Nessa noite, a rapariga, em pânico e sem mais nada com que negociar com o pequeno ser, acede a entregar-lhe o seu primeiro primogénito se ele a auxiliar uma última vez. Como bem saberão, a rapariga desta estória de encantar torna-se rainha e dona de grandes riquezas e o ser com quem firmou o pacto, Rumpelstilskin. Neste conto com final feliz, a rapariga aprende um ensinamento antigo mas sempre actual: ter cuidado com quem se faz um negócio e a não prometer aquilo que não se pretende dar em troca! “Body of Water” alia parte do imaginário dos irmãos Grimm ao folclore finlandês, em particular, do Nakki um espírito que atrai as crianças que se debruçam em parapeitos e margens demasiado próximas da água para a morte. Apenas mais uma estória criada como advertência para os perigos em que incorrem as crianças marotas que desobedecem aos pais.

Julia Mannerla (Krista Kosonen) é uma advogada que foi contratada para deter a destruição de um lago que deverá dar lugar a uma central de energia. Há muitos anos Julia morou naquele local com os pais antes de se mudar para Helsínquia. As memórias de infância não são agradáveis pois coincidem com o período em que a mãe adoeceu, dando lugar a uma mulher instável que nem reconhece os familiares a melhor parte do tempo. Julia tem ainda uma relação difícil com o pai mas ela é obrigada a apoiar-se neste pois está a divorciar-se e o filho Niko (Viljami Nojonen) ainda não tomou real consciência das consequências da separação dos pais. Como é de imaginar, o timing para a defesa de uma causa ambiental, num sítio que lhe traz memórias de eventos tristes, em pleno Verão e a braços com um filho menor não poderia ser pior. Ademais, a recepção dos habitantes do lago Hallow é hostil. Eles recordam-se de uma antiga família Mannerla que morou ali antes e da qual não guardam nem saudades nem simpatia mas se calhar, a chegada de uma advogada da capital que vem de repente dizer-lhes como viver, quando o lago nunca constituiu uma fonte de riqueza é demasiado atrevimento. Quanto a eles o lago pode desaparecer para todo o sempre, a protecção do ambiente é totalmente secundária perante a possibilidade de uma indemnização e um emprego estável. Para aumentar o stress de Julia, o local onde está alojada de modo temporário com o filho é a antiga escola primária, agora degradada e cuja canalização tem vontade própria. Entre o risco de uma inundação e infiltrações que colocam em causa a própria qualidade do ar que respiram, o lago não faz muito pela sua defesa. Niko encontra-se no seu estado mais desobediente e desafiante e insiste em aproximar-se dele, a despeito das ordens da mãe.
As semelhanças de “Body of Water” com o mais recente “The Babadook” (2014) quedam-se pelo desespero de um mãe cujo mundo ruiu à sua volta, com ela a assistir e sem nada poder fazer para o deter. A maior riqueza, a única que lhe resta é o filho. E a sua perda fará desabar o que resta das suas forças e sanidade. “Body of Water” tem um desenlace cuja explicação só é possível se considerarmos o receio dos argumentistas de que a audiência pudesse ficar de algum modo angustiada e, por outro lado, a manutenção do status quo da “existência de uma reviravolta” somente porque hoje em dia, já não é cinematograficamente aceitável que a narrativa seja linear. Como se a existência de uma reviravolta garantisse o efeito choque. Além disso, “Body of Water” sofre com uma personagem principal que tem uma história de fundo muito bem desenvolvida mas depois toma as decisões mais idiotas que se possam imaginar. Quando se realiza o teste da empatia, na pele de Julia poucos tomariam as decisões desta personagem. Restam os aplausos para a cinematografia que apoia a hipótese fantástica que é colocada em cima da mesa sem nunca esquecer as agruras da vida real. Duas estrelas e meia.

Realização: Joona Tena
Argumento: Pekka Lehtosaari, Joona Tena e Mikko Tenhunen
Krista Kosonen como Julia
Kai Lehtinen como Leo
Viljami Nojonen como Niko
Peter Franzén como Elias
Risto Aaltonen como Lantto
Kari Hietalahti como Koskela
Terhi Panula como Saara

O melhor:
- A personagem de Júlia
- Inspiração no folclore local
- A banda-sonora


O pior:
- Previsibilidade da estória mata o potencial e a possível excitação da audiência

Próximo Filme: "Macabre" (Rumah Darah, 2009)

domingo, 11 de janeiro de 2015

TCN Blog Awards 2014: A tradição ainda é o que era


Esta pessoa nunca irá escrever uma das primeiras reacções aos prémios mais badalados da blogosfera de cinema nacional. Elas desmultiplicam-se pore com superior qualidade mas a “cobertura” dos TCN Blog Awards constitui a única tradição anual no mundo da 7.ª Arte que não posso falhar. Nem com os Óscares, indiscutível maior evento cinematográfico mundial, consigo manter tal compromisso (desculpem lá qualquer coisa, mas essa cerimónia de entrega de prémios é uma seca). Também se diga de passagem, que é o único dia do ano em que me posso reunir com a maioria dos meus heróis escritores de cinema e dizer-lhes qual groupie maníaca, que sou sua fã e continuarei a seguir muito atentamente os seus blogues pelo que, por favor, não parem, enquanto aproveito para cravar um ou dois autógrafos. Também ainda não perdi a esperança de um dia, um fã vir ter comigo pedir-me um autógrafo, para depois se apoiar no meu ombro e chorar copiosamente porque era fã do “Alien” e ainda hoje está a tentar retirar sentido do “Prometheus”. Isso, ou vir ter comigo e dar-me um abraço porque, coitada, não sei o que escrevo e mais vale dar-me coragem para um dia vir a escrever alguma coisa de jeito. Não sou esquisita. Além disso, já descobri que sou verdadeiramente importante e que a minha opinião importa pelo que aproveito desde já para dar a conhecer que no próximo ano conto ter uma passadeira vermelha e paparazzi à minha espera… Quanto à cerimónia propriamente dita, este ano descobri que estou velha. Além dos recém-descobertos papos, rugas e cabelos brancos que um penteado alternativo já não é capaz de esconder, descobri que a média de idades dos nossos bloggers desceu drasticamente. Alguns até podem ter surgido em anos anteriores mas só este ano é que dei pela coisa. Não é um ponto negativo, nem poderia ser. Sou apologista de sangue novo, tal como eu própria já o fui, ainda que tenha ainda poucos anos disto em comparação com alguns dinossauros – o Not a Film Critic faz apenas 4 primaveras a 31 de março! E não podia, à altura, ter-me sentido melhor acolhida. Mas se houve muito cara nova, chocou-me talvez a quantidade de ausências de alguns bloggers mais antigos. Faltou o Jorge, o Samuel, o Pirata, a Inês, o Tiago, o Aníbal e o Hugo, (etc.), alguns dos quais, justificam a mera existência destes prémios. Outra novidade foi a mudança do local da cerimónia de uma sala de cinema/auditório para o Deliart Caffé, sendo que se, se lamenta a perda do cenário onde a magia acontece, se podem acomodar algumas das necessidades identificadas em anos anteriores. A cerimónia deste ano foi ainda mais criativa que o ano anterior, se é que tal era possível e o Manuel Reis esteve na sua melhor interpretação de Neil Patrick Harris (aquele tipo que a maioria das pessoas não consegue detestar) duns prémios. Este presente a celebérrima Tuxa; o Francisco Oliveira que irá ser daqui a 15 anos o maior galã das televisões portuguesas e quicá, oscarizado; o Brain Mixer que disponibilizou os seus “Posters Caseiros” que ganharam vida própria e o TCN para Melhor Rúbrica de 2014 para o leilão mais divertido (e único) da estória dos prémios, tendo havido até lugar a copos partidos e mousse espalhada pelo chão, tal era o entusiasmo do licitador e, essa lenda viva do cinema xunga que é o Pedro Cinemaxunga! Quanto aos momentos mais especiais tenho de dar destaque à primeira exibição em directo para a plateia dos TCN Blog Awards, dos podcasts do VHS e do TVdependente e a estreia exclusiva e mundial de “Um Conto de Natal na Trafaria”. E que não nos falte o humor que vimos a descobrir que um certo blogger fica mais inspirado na semana antes da submissão das candidaturas aos prémios; que alguém queria mesmo MUITO que um poster do Crime do Padre Amaro com uma erecção figurasse sobre a sua lareira; que a falta de bateria na câmara de filmar é lixada; que alguém tem uns olhos provocadores e boca de apito (alguém me explique o que é!); que o debate cinema/televisão se mantém mas agora o que está a dar é “atacar” a malta da banda-desenhada (alguém se acusa?)... E agora, aquilo que sei que todos vós estavam mortinhos por saber: não, não foi desta que o Not a Film Critic arrecadou um Prémio, no caso, na categoria de “Melhor Artigo de Cinema” com o  "Top 12: Final Girls". Mas asseguro que o Prémio ficou em boas mãos. Quero ainda referir que o Prémio de Melhor Iniciativa foi atribuído a “Já vi(vi) este Filme” do blogue Hoje Vi(vi) um Filme na qual tive o prazer de participar e deixo uma curiosidade para quem mais passe por aqui. Desde 2012, que este Prémio tem sido entregue às iniciativas nas quais o Not a Film Critic participou. Fixolas. É claro que se falássemos em desejos pessoais, gostaria que mais algumas das minhas páginas favoritas tivessem sido reconhecidas mas as coisas são o que são e, ainda bem que as vontades da maioria se sobrepõem às do individuo. Alguém ficaria muito satisfeito mas o conceito de justiça sairia prejudicado. Como digo ano após ano, para os meus 3 leitores, um evento que é organizado por e em prol de bloggers, quando estes 99% das vezes não obtêm qualquer vantagem financeira ou reconhecimento, com a susceptibilidade de verem o seu trabalho a ser repescado ou copiado por outrem deve constituir uma festa e um momento de partilha de experiências e criação de mais e melhores projectos. A todos os vencedores felicitações. Da minha parte, enquanto escrever continuar a ser divertido, por aqui continuarei. E porque a tradição também é importante, até para o ano.
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