domingo, 22 de março de 2015

MONSTRA a todo o vapor! - Parte 2


Gosto de pensar que a minha versão da “MONSTRA” foi parca em quantidade mas rica em termos de qualidade. De uma sexta-feira 13 de documentário, saltei para uma segunda-feira de “Pos-eso”, longa-metragem em stop-motion diretamente inspirada de um “The exorcist” e outros inúmeros filmes indissociáveis da evolução da história de cinema de terror (e não só) sem perder um travo caliente. Desde “Evil Dead” a “A trip to the Moon” de Méliès, passando por “The Omen”, nada escapa a Sam, e realizador e escritor com um sentido de humor caustico e, para mal dos pecados católicos, herege. A melhor bailarina de Flamenco do mundo, Trini (Anabel Alonso) tão fogosa na paixão quanto na dança, tem um casamento relâmpago com o melhor toureiro à face da terra. Uma relação que faz correr tinta pelas revistas cor-de-rosa espanholas que auguram o melhor para Damian (Santiago Segura), o filho de ambos. Após a morte do marido num acidente terrível, qual cruel partida do destino Trini entra numa espiral de depressão que a impede de reconhecer que há algo muito errado com o filho. Cabe pois ao padre Lenin (Josema Yuste) que enfrenta uma grave crise de fé salvar Damian do demo. Podia pôr-me a palrar sobre a falta de originalidade e apego demasiado aos filmes que o inspiraram. No entanto, a animação estava fantástica e nenhuma piada caiu no vazio. Não se ouviram grilos. Quando muito, houve espectadores mais atentos que solicitaram a outros que se calassem. As piadas auto-referênciais tendem a ter esse efeito. Sala cheia, ambiente excelente mas não foi filme para Grande Prémio.



De regresso ao Cinema Ideal e, em dia de “The Tale of The Princess Kaguya” no São Jorge, eis que a Sessão “Terror Anim – Amaldiçoados” esteve quase deserta. Com menos de metade da sala preenchida aparentava estarem presentes apenas os fãs do cinema de terror, ainda que em doses residuais. Sessenta e um minutos de sessão não se assemelha a muito, pois não? “Amaldiçoados” é um festival de curtas-metragens de terror que se realiza anualmente no Brasil. A MONSTRA teve a feliz sorte de apresentar 12 curtas entre prémios do júri e do público do festival da edição de 2014. Os resultados foram… mistos. Entre as melhores propostas as curtíssimas “Super Venus”, “The Zombie Survival Guide” que mais parecem uma crítica aos cânones de beleza do séc. XXI e um panfleto animado sobre como sobreviver ao impensável, respectivamente e “The Taxidermist” em que o homem que dava vida àquilo que morreu encontra ele próprio o Fado. “Unhudo” é um caso estranho, baseado numa lenda que terá merecido o voto mais pela proximidade do que pela estória ou animação e quanto menos se disser sobre ele melhor. Uma curta visualmente impressionante mas que me deixou ambivalente foi “The Obvious Child”. É uma curta espantosa, perturbadora, aquilo de que são feitos os pesadelos e difícil de digerir. Então que sentimento é este que me impede de avançar com algo mais do que um “não sei se gostei”? De entre as diversas sessões foi a que me deixou mais insatisfeita, pela diferença óbvia na qualidade entre as propostas, pela baixa qualidade de algumas, porque queria mais… Uma sessão que não ficará para a história. Já nas longas-metragens seguintes, conseguiria encontrar mais motivos para ficar contente. Mas para isso, terão de esperar.

PS: Entretanto fiquem com os vencedores.


sábado, 14 de março de 2015

MONSTRA a todo o vapor!


O certame arrancou dia 12 e, lá estava o Not a Film Critic, na sessão de abertura lotada da Sala Manoel de Oliveira no São Jorge, para fazer a sua cobertura completa e seríssima – not really. Houve mais do mesmo: “este ano vai ser mais melhor bom que o anterior”, momentos musicais de altíssima qualidade (fiquei fã da Mariana Abrunheiro e da Jacqueline Mercado) e algumas personalidades foram convidadas a ir ao palco, incluindo EGEACs, ICAs e realizadores estrangeiros, por entre muitos abraços e beijinhos e o Fernando Galrito (Director Artístico do Festival) falou, falou um pouco mais, falou bastante e por fim, lá se calou, deixando a sensação de que 10 dias são uma gota de água num oceano de cinema animado.

Entre as tantas, demasiadas novidades, destaca-se o separador giríssimo “Rayuela – Jogo da Macaca” criado por Nico Guedes e pela Miss Suzie, dotada de uma brutal energia positiva, que contagiou sala inteira com o som dos seus passinhos rápidos e alegria nervosa. Made in Portugal, pois com certeza. Seguiram-se propostas da América Latina como um “La Gran Carrera” (1935), “Quinoscopio” (1987), “Hasta los Huesos” (2001) e “Llluvia en los Ojos” (2014), pois que este ano, o festival de cinema de animação de Lisboa homenageia a América Latina. Foi uma verdadeira viagem no tempo e pelas diferentes técnicas de animação, que fizeram recordar alguns “Grandes” como o Quino, mais conhecido pela eterna chica-esperta Mafalda; rir de “caixão à cova” ou provocar chuva nos olhos… A retrospectiva dedicada ao Japão quase passaria despercebida, não estivessem uns certos Isao Takahata e Hayao Miyazaki na programação. O único outsider é Mizuho Nishikubo com o seu “Giovanni’s Island (2014), na Competição Oficial de longas-metragens. As propostas remanescentes destes autores são: “The Wind Rises” (2013), “Pom Poko” (1994), “Only Yesterday” (1991), “My Neighours the Yamadas” (1999) e “The Tale of the Princess Kaguya” (2014) e que me levam ao documentário “The Kingdom of Madness and Dream” (2013).

Exibido no Cinema Ideal, na minha estreia nesta sala íntima (é mais bonito do que chamar-lhe pequena), e com lotação quase cheia, tinha as expectativas sem dúvida, por demais, elevadas.

domingo, 8 de março de 2015

"Ghost House" (Gwishini sanda, 2004)


Entramos naquela casa e é amor à primeira-vista. Esquecemos o que penámos, ao procurar em casas excessivamente pequenas, excessivamente caras, distantes da família e do trabalho a que pudéssemos chamar lar. É aquela. Todos os defeitos parecem menores ou de resolução fácil e as paredes falam connosco: “compra-me, compra-me”. Alguns dias depois da mudança ou ainda durante as inevitáveis obras chegamos à conclusão que existe uma infiltração ou a madeira tem bicho. A casa enganou-nos bem.
Pil-gi (Seung-won Cha) tem um problema parecido… mas com um fantasma! Depois de anos de itinerância que lhe tomaram toda a juventude, Pil-gi consegue cumprir a promessa de ser dono da sua própria casa, no leito de morte do pai. Esta é também uma boa notícia para a namorada Soo-kyung (Tae-young Son) que está ansiosa por oficializar a relação e quiçá viver para cuidar do lar de ambos. Quem não fica nada satisfeita com o assunto é Yeon-hwa (Seo-hee Jang) a anterior inquilina que não quer deixar um pormenor insignificante como a morte a impedir de expulsar o novo proprietário. Se a premissa soar a um filme que já viram é porque este existe. “Just Like Heaven” (2005) é a película americana com uma Reese Withersoon mais açucarada que o costume, que junta os elementos ainda mais saudosos de “Il Mare” (2000). O primeiro é uma comédia, o segundo é uma comédia dramática, o terceiro é um dramalhão e vale a pena assistir a qualquer um deles desde que aceitem a sua improbabilidade. Em “Ghost House” a situação insólita é aproveitada para gerar comédia situacional. Yeon-hwa tenta por exemplo, sabotar a organização da nova casa e Pil-gi responde com cerimónias religiosas para tentar expulsar o poltergeist. Todas as tentativas falham de forma miserável. Ele recorre até à ajuda de um psíquico. Fantástico como é sempre tão fácil encontrar alguém com um conhecimento tão… especializado. Além de que, como é habitual neste tipo de filmes, há toda uma série de ataques que geram reacções igualmente agressivas até que por fim, as partes se reúnem para discutir umas tréguas e descobrir que é bem mais o que os une que aquilo que os separa. Mais adiante, surge ainda um interesse pouco escrupuloso que está até acima dos proprietários para que se avance com a construção de um hotel naquele local. Que original.

“Ghost House” funciona num registo muito leve, tanto que poucos minutos após o filme todo o seu conteúdo já se terá evaporado da memória. Seung-won Cha está perfeito no papel de rapaz com bom coração que só quer que as coisas corram bem mas está sempre no lugar errado à hora errada. É, no entanto, perfeito para o fantasma que lhe advém pois é o seu coração de manteiga que irá permitir ao fantasma encontrar algum tipo de resolução. Apesar de um prólogo que demonstra as tribulações de Pil-gi e o pai, uma equipa unida contra o mundo não nos é dada a conhecer a luta de Pil-gi para comprar a casa. De súbito, ele é um homem com uma vida amorosa e trabalho bem-resolvidos. Então por que não haveria de ser dono da sua própria casa? Além disso, teria sido simpático perceber como Pil-gi se apaixonou por aquela casa em particular. Não escolhesse aquela habitação não teria de lidar com fantasmas inconvenientes. Quanto a Seo-hee Jang, ela não lhe fica atrás no que respeita a despertar sentimentos de empatia embora não tenha talvez tanto com que trabalhar, pois a sua presença gira em torno da sua preciosa casa e do amor que lhe está associado. A estória estende-se uns bons vinte minutos mais do que seria desejável. Se os gags funcionam bem na primeira metade do filme, passado o receio do fantasma o desfecho devia ter sido antecipado para evitar o cansaço. Duas estrelas.

O melhor:
- As tentativas da fantasma para expulsar Pil-gi da casa
- As galinhas

O pior:
- Longa Duração
- Os mauzões que querem destruir a casa com o objectivo de ali construir um empreendimento
- Efeitos especiais de qualidade duvidosa

Realização: Sang-jin Kim
Argumento: Hang-jun Jang e Jae-yeong Jang
Seung-won Cha como Pil-gi
Seo-hee Jang como Yeon-hwa
Hang-Seon Jang como Jang Kil-bog
Tae-yeong Son como Soo-kyung
Moo-sik Yun como pai de Pil-gi

Próximo Filme: "Lost on Journey" (Ren zai jiong tu, 2010)

segunda-feira, 2 de março de 2015

Top 15: Música de Filmes de Terror




Mais uma lista, desta feita, focada na música, um dos argumentos mais importantes na criação de um bom filme de terror. Este é um dos géneros onde assegurar que a música e o som são irrepreensíveis constitui uma das maiores garantias que a película obterá sucesso (pelo menos na parte de assustar). É nos aspectos técnicos que as “academias” e júris por esse mundo fora são mais generosos com estes filmes, atribuindo-lhes normalmente os prémios de consolação que lhes costumam fugir nas categorias principais. Podia transformar este top num espancamento público dos tipos que só nomeiam os filmes de terror para as categorias que "não interessam a ninguém", se é que são nomeados de todo mas não tenho tempo nem energia. Conto convosco para isso.
Entretanto, faço notar que não adquiri do dia para a noite e, por artes mágicas, a capacidade de compreender boa música. Segui apenas três critérios: gosto pessoal, originalidade e a sua implantação na memória colectiva. Por isso, se alguém me tentar explicar por que o número um é vastamente superior ao número três o mais provável é esboçar um sorriso, responder: “Sim senhor. Tens toda a razão” e ignorar. Seguem-se as minhas sugestões:

1. “Psycho” (Bernard Herrmann, 1960) – Nada como apostar numa das composições mais consensuais e reconhecíveis de que há memória. Quantos de vocês, quando ouvem esta música não começam a gesticular feitos loucos, recriando o movimento de esfaquear alguém?! Não? Ok. Essa é a popular e tantas vezes parodiada cena da morte de Marion Crane (Janet Leigh), até àquele momento considerada a protagonista de “Psycho”. Se a morte por si só é considerada chocante (mataram a Marion?!), o efeito é exacerbado pela música inquietante mas subtil que a antecede e não fazia prever tal evento. A audiência tinha-se afeiçoado à personagem pelo que seria de esperar que ela fosse retirada com elegância e suavidade. Nada podia estar mais longe da verdade. Os violinos tornam-se golpes afiados, rápidos e furiosos e Marion tem uma morte bárbara, angustiante. Se Hitchcock nos fez afeiçoar à protagonista, Herrmann retirou-a de cena com ferocidade.

2. “Rosemary's Baby” (Krzysztof Komeda, 1968) – Em termos de construção, a música parece pouco complexa. O instrumental parece datado e apenas sobressai o canto de Rosemary. Mas haverá momento mais ternurento do que aquele em que uma mãe embala o seu bebé? É pouco importante que ela tenha um tom bonito ou sequer angelical. O factor de atracção é antes a inocência, ingenuidade até, quanto ao ser que carrega. Um momento que seria de extrema felicidade torna-se pois o exacto oposto e marca o tom dramático da estória pois a música brinca com o receio de todos os pais de que o seu filho possa não ser “perfeito”.

3. “The Exorcist” (Mike Oldfield, 1973) – “Tubular Bells” está para “The Exorcist” como “Lux Aeterna” está para “Requiem for a Dream”, sendo que curiosamente, a actriz Ellen Burstyn contracena em ambos. Qualquer das músicas é fenomenal por si própria e qualquer uma delas é reconhecível como “a música daquele filme que posso não me lembrar de imediato qual é, mas tenho a certeza que é do cinema”. No caso de “The Exorcist” apesar de parecer feito à medida, “Tubular Bells” do já editado álbum de Mike Oldfield foi apenas um dos temas que encontraram para colmatar a ausência de música. Ela é nota dissonante numa película onde a orquestra é predominante. Tal como é nota dissonante, a menina-criança que irrompe num comportamento destructivo, nada característico do que seria expectável de uma pessoa com aquela idade e muito menos de um ser humano.

4. “Jaws” (John Williams, 1975) – Uma rapariga desnuda, decide nadar à tardinha. Daí a pouco ela é sacudida como se de uma boneca de trapos de tratasse. Não vemos mais do que indícios do que a possa ter atacado abaixo da linha de água. Também não precisamos. Como é que se faz uma pessoa ter medo de estar dentro de água? Trauteia-se “Duuun dun duuun dun dun”. Se o som é erradamente considerado minimalista, o efeito é supremo. Contam os (mais) adultos que no verão após estrear “Jaws” as praias estavam vazias. O medo da água e do que está lá debaixo era tão grande que houve até quem tivesse medo de se sentar na sanita. Ora, como é que alguém acha que um tubarão seria capaz de chegar a uma sanita, quanto mais morder-lhe o traseiro naquele momento tão delicado, escapa-me. Mas e daí, o medo não é racional. É este o legado de “Jaws”.

5. “Suspiria” (Goblin, 1977) – Não sei o que dará um mix de sonhos, drogas, nostalgia, terror, idade média, rock e indiferença com o que outros poderão pensar, mas imagino que seja algo parecido com a banda-sonora de “Suspiria”. A produção da banda italiana Goblin é reconhecível, sem ser uma produção barata e aquilo que muitos compositores de filmes de terror gostariam de ser: livres. Se existe a sensação que um filme de terror está limitado na selecção de música e, a maioria das películas divide-se entre a orquestra ou o rock/pop com algumas escolhas dúbias, “Suspiria” demonstra que é possível juntar um sintetizador e murmúrios muito rock sem perder impacto ou se ser rotulado de zombaria.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Babang Luksa, 2011

Babang Luksa é uma tradição filipina com base na herança católica, na qual os familiares e amigos de um falecido se reúnem o primeiro aniversário após a sua morte para cessar o luto. É uma espécie de formalização do final do período de “pesar”, com o conforto de comida, onde os convivas decidem seguir com as suas vidas a despeito do falecimento de um ente querido. Este ritual abre as hostilidades e é o único momento genuíno em toda a trama.
Close-ups para que vos quero?

Soledad (Ces Quesada) convida Carlo (Luis Alandy) e Ana (Precious Lara Quingaman) para o Babang Luksa da sua filha Beatriz (Arya Valdez). Desde esse momento as vidas de todos ficam marcadas. Por quem ou o quê, não se sabe ao certo mas suspeito que as sombras e close-ups das caras assustadas do elenco signifiquem que existe uma assombração. Outra conclusão perfeitamente lógica é a de que Beatriz não partiu para o outro lado e prefere ficar na terra a atormentar quem lhe foi prestar homenagem. Porque parece que quem nos quer bem é a vítima ideal para estas coisas de assombrações. Pelo menos é essa a opinião de Ana que é a mais acossada pelas manifestações de Beatriz. Aliás, a amiga nem sequer teria qualquer motivo para estar zangada com ela. Alguma vez ela devia ficar chateada por Carlo que lhe foi apresentado por Ana a rejeitar por esta última? Beatriz nem sequer cortou os pulsos por despeito. Sim, ela era uma moça que estava de bem com a vida e que não guardava qualquer rancor da amiga por esta tomar o seu amado…Além disso, Ana deveria descansar como aconselham Soledad e Carlo. Deve ser por causa disso que ela está com uma imaginação demasiado activa. (Quando estou cansada dá-me assim para o sono ou até tonturas, não para ver fantasmas, mas isso sou eu que não percebo destas coisas). Assim ela toma o curso de acção mais sensato: faz uma sessão espírita para pedir à amiga para os deixar em paz. O que podia correr mal?
Um dos pormenores mais fantásticos é o facto de “Babang Luksa” ser uma produção independente. Normalmente uma obra é denominada independente quando não tem um estúdio por trás. Ora se a ausência de recursos é flagrante, o que não é tão imediato é entender como conseguiram atrair uma beauty queen e uma apresentadora de televisão conhecidíssimas para um filme que não ficará na estória do cinema independente, quanto mais filipino. Os críticos de cinema são massacrados por estarem sempre a falar da qualidade dos argumentos e Babang Luksa é um excelente exemplo disso mesmo. É vermo-nos obrigados a ver uma novela com a desculpa que é filme e sentirmo-nos desafiados nas nossas faculdades mentais porque os actores explicam a todo o momento o que se passa no ecrã. “É a Beatriz!”, “Tem de ser a Beatriz”, “Tu não tens culpa nenhuma do que sucedeu à Beatriz”, “Amo-te a ti e não à Beatriz”, “O que posso fazer para acalmar a Beatriz?”, “O que está a suceder?”, “Tem cuidado” e “Não temos a certeza do que se está a passar” repetem-se.
Não fosse a estupefacção por nos proporcionarem momentos destes e ainda somos brindados com cenas do quotidiano de Carlo e Ana. Ele anda muito stressado coitado, pois parece que os números da empresa (vendas?), não são o que deviam, conforme é indicado numa reunião de trabalho onde os colegas ostentam um ar seríssimo e de extrema preocupação. Já ela tem uma chefe horrível que a maltrata mas entretanto Ana demonstra que é uma profissional eficiente numa urgência apesar de perder o doente. Porque é que isso é importante também não sei. Se a ideia é demonstrar que eles são pessoas normais o argumentista, quem quer que seja, falha a partir do momento em que apresenta a hipótese da assombração ao fim dos primeiros cinco minutos de filme. Entre diálogos que não se assemelham de modo remoto à vida real que se tenta emular, problemas de continuidade que produzem a confusão e uma péssima caracterização do “monstro” a única questão que restará é se este filme era a única opção para visionamento nesse dia. A outra opção seria decerto melhor. Meia estrela


O melhor:
Curta duração do filme

O pior:
Argumento, incluindo diálogos saídos de uma novela
Continuidade
Caracterização horrível
Direcção horrenda
Suspense inexistente
O tempo de vida desperdiçado


Realização: Yuan Santiago
Precious Lara Quigaman como Ana
Luis Alandy como Carlo
Angelika Dela Cruz como Idang
Roselle Nava como Cathy
Helga Krapf como Kris
Ces Quesada como Tita Soledad
Joy Viado como Dra. Catacutan
Joshua Ocampo como Miguel
Arya Valdez como Beatriz
Rachael Chezka Marie Decena como Sigbin

Próximo Filme: 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Eu MONSTRO, Tu MONSTRAS, Nós MONSTRAMOS


A MONSTRA – Festival de Cinema de Animação de Lisboa regressa em 2015, de 12 a 22 de março, para celebrar os seus 15 anos. Nesta edição, o festival irá prestar homenagem ao cinema de animação da América Latina, com uma grande retrospetiva. Ao todo serão exibidos 75 filmes, 6 longas-metragens e 5 sessões de curtas-metragens destes países.

Para comemorar os seus 15 anos, a MONSTRA vai lançar durante o festival um dvd que compila 15 filmes de animação para os mais novos. Ainda no âmbito destas celebrações, João Garção Borges, realizador do extinto programa da RTP2, Onda Curta, irá programar uma sessão dedicada aos melhores filmes apresentados na MONSTRA e neste programa televisivo. O programa de documentários da Monstra, Dokanim, irá apresentar filmes do Festival DokLeipzig que refletem os 15 anos da Monstra. Ainda para celebrar estes 15 anos, haverá uma sessão dos melhoresvideoclips feitos em cinema de animação e outra de cinema de animação experimental. Já na FNAC Chiado e Fábrica Braço de Prata, serão exibidos os 15 cartazes da Monstra, desde o nascimento do festival, em 2000. [Comunicado de imprensa]

Leram tudo até aqui? Lindos meninos. Se bem que esta pessoa não tem por hábito fazer copy & paste de comunicados de imprensa com mais de uma página. Ler a meios que cansa e, por muito interessante que o programa seja (e é!), mais vale ir directa ao assunto.

Em tempos que já lá vão (fins de novembro do ano passado e até meados de janeiro de 2015), fiz uma maratona de cinema de animação. Estava a meios que imbuída ainda de um espírito, quiçá natalício, que me incitou a ver Hayao Miyazaki, Satoshi Kon, Mamoru Hosoda e Isao Takahata de enfiada. Juro que não me estou a armar numa daquelas pessoazinhas arrogantes que se põe a citar nomes para se mostrarem imensamente cultas, até porque alguns, tive mesmo de os ir pesquisar, que tenho memória de peixe e esqueço os nomes dos realizadores mas quero, não… Insisto, que vão pesquisar as obras destes senhores e as visionem. Divago. Digamos que se quisessem uma lista de essenciais de animação japonesa, eu, que posso ou nada sei a respeito das idiossincrasias do género, recomendaria fortemente estes quatro senhores, sendo que, voilá, a MONSTRA, dedica a dois deles, precisamente uma secção. Ou melhor, ao cinema de animação japonês, homenageando Takahata e exibindo ainda a última longa-metragem concretizada de Miyazaki “Wind Rises”. Do primeiro serão exibidos: “The Tales of the Princess Kaguya” – baseado na fantástica lenda do Cortador de Bambu que ela própria já merece a vossa curiosidade –, “Pom Poko”, Only Yesterday” e “My Neighbors the Yamadas”. E qual cereja no topo do bolo figurativo, o documentário “The Kingdom of Dreams and Madness” que foca o trabalho destes dois senhores. E porque me alongo sugiro mesmo a consulta do website da MONSTRA claro!

Conclusão: esta pessoa vai tentar estar lá. E você?

PS: A não ser que sejam visitantes de outro país. Então que sejam muito bem-vindos a este blogue e… Roam-se de inveja.

PS 2: Diz que também uma secção de animação de terror. Calo-me já, já.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

"Sleepwalker 3D" (Meng you 3D, 2011)


Os sonhos são uns sacanas. Uma pessoa trabalha como uma escrava, tendo por vezes apenas por miragem o sonho de um banho quente e de uma refeição consistente, o mínimo que pode desejar é um sonho reconfortante certo? Nada disso. Os sonhos são a porcaria da recompensa mais inconsistente e desconfortante de todas. Diz que é o espelho do subconsciente, aquele bocadinho de matéria que jaz dormente que surge para nos dizer: “há questões dolorosas, mal resolvidas, que convém explorar neste preciso período em que estás especialmente cansado e angustiado”.
A vida de Yi (Angelica Lee) revolve à volta deste ciclo pernicioso. Ela tenta apanhar os cacos da sua existência após a morte da filha e falha todos os dias. À noite é assaltada por sonhos nos quais uma criança é enterrada num bosque. De manhã, acorda como se tivesse estado acordada durante toda a noite e com as mãos cheias de terra. Com o desaparecimento do ex-marido, Yi começa a temer que tenha tido algo a ver com o caso. Entretanto, Peggy (Charlie Young) está a enfrentar um pesadelo que Yi conhece demasiado bem, o filho desapareceu e com o tempo a passar a esperança torna-se ténue. Com o apoio da detective Au (Huo Sien), Yi compromete-se a dar apoio à investigação. Se os seus sonhos tiverem uma pista para o paradeiro da criança ela irá auxiliá-la ainda que isso possa significar que é culpada do rapto e possivelmente homicídio.

A ideia do sonambolismo é tão tentadora quanto atemorizante mas nas mãos dos irmãos Pang é igualmente excitante. A metade dos irmãos Pang conhecida por Oxide recruta caras conhecidas para mais uma aventura a solo: a sua eterna musa Angelica Lee e Decha Srimantra, cinematógrafo que o acompanhou em quase todos os filmes que realizou até ao momento. É uma garantia reconfortante saber que pelo menos uma das actuações será sólida e que nos aguarda um espectáculo visual, o que é mais que a maioria das películas nos oferece. Oxide diverte-se com as possibilidades de “Sleepwalker 3D” mas não existe um verdadeiro foco. O 3D, à semelhança de tantas outras experiências anteriores e já posteriores mais se assemelha a um acessório que nem era necessário, nem acrescenta um contributo válido para a estória e é escasso. Os motivos de interesse são outros, incluindo a técnica simples mas que sempre funciona da imagem a preto e branco com um toque de cor, matizes azuladas e breves animações nas sequências de sonho. Angelica é a melhor das três protagonistas e parece genuinamente afectada pela perda pessoal, a possibilidade de possuir uma faceta negra e… uma peruca terrível. Estou em crer que algumas das suas lágrimas se devem aquela coisa vermelha que lhe colocaram na cabeça no lugar de peruca e ninguém me convence do contrário.
Ela é uma alfaiate com um estilo pessoal alternativo pelo que não é como se o cabelo vermelho fosse uma opção estética fora de série. No entanto, a caracterização distrai em algumas cenas importantes. A sério que não tinham orçamento para dar à belíssima Angelica um penteado decente? A par com o cabelo estão uma série de desempenhos muito abaixo do nível de aceitabilidade para um grupo de teatro amador. As mulheres fazem o que podem com aquilo que têm. Os homens nem sequer tentam. Este é o calcanhar de Aquiles de qualquer dos irmãos Pang. Eles dedicam mais atenção às suas actrizes e, sobretudo, às que interpretam as protagonistas que ao resto da equipa de actores. Os primeiros filmes da sua carreira e o thrillers “The Detective” (2007) e “The Detective 2” (2011) constituem notáveis excepções. A aparente ausência de preocupação com o casting tem sido uma das críticas consistentes para não possuam uma reputação superior à que por ora possuem e as suas obras fiquem sempre aquém do potencial inicial. O segundo grande mal de “Sleepwalker 3D” é os subenredos que acompanham a narrativa principal que todos os juntos, não parecem fazer grande sentido: ex-maridos desaparecidos, irmãs com uma relação complicada, mulheres em coma… Uma grande série de nada, que não leva a nenhum lado em particular. A prova de que não têm relevância para a estória e apenas contribuem para gerar ruído é o habitual, dispensável, irritante e arrogante flashback para explicar os acontecimentos. Uma estrela e meia.

O melhor:
Os passeios nocturnos de Yi
Os sonhos
Cinematografia
Angelica Lee

O pior:
A peruca da Angelica Lee
A identidade do vilão é óbvia.
É mesmo para dormir… sem direito a sonambulismo.
3D, para que serves tu?


Realização: Oxide Pang Chun
Argumento: Oxide Pang Chun e Thomas Pang
Angelica Lee como Yi
Charlie Young como Peggy
Huo Sien como Detective Au
Li Zong Han como Eric

Próximo Filme: Babangluksa, 2011

domingo, 1 de fevereiro de 2015

"Blood Letter" (Thien Menh Anh Hung, 2012)


Depois do massacre da família o jovem Nguyen Vu (Huynh Dong) é deixado num templo. Ele passa os anos seguintes escondido da civilização com um monge que o acolhe como a um filho e o inicia nos caminhos das artes marciais. Um dia o local é invadido por oficiais e Nguyen reconhece num dos homens, um dos mandantes do assassinato da sua família. O monge procede a revelar o trágico passado do clã do filho adoptivo: uma das concubinas do seu avô foi acusada de traição e a inflexível imperatriz Thai Hau (Van Trang), ordenou a morte da família inteira por associação à criminosa. Na sofreguidão de repôr a justiça ele acaba por ir espiar a corte real onde se depara com Hoa Xuan (Midu) que partilha do mesmo desejo de vingança que ele. Ela e a irmã Hoa Ha (Kim Tien) também testemunharam a fúria da imperatriz e tornam-se suas aliadas. Perante o rumor da existência de uma "carta de sangue" que poderá abalar o processo de sucessão real, ele e as irmãs embarcam numa aventura para a encontrar.

Aos primeiros segundos de filme, a estória aponta para um filme de vingança: entre mortos e feridos, Nguyen desmonta a cabala arquitectada contra a sua família e desmascara perante o mundo os malfeitores que entretanto destruiu com o domínio total e completo das artes marciais, qual filme de acção série B. Ao fim de uns minutos, a euforia acalma consideravelmente. Uma pessoa percebe que a mestria da arte da arte do combate não é a maior quando o melhor que o personagem principal é capaz de fazer é o kamehameha do “Dragon Ball”, num efeito digital embaraçoso. Isto não abona muito a favor de Johnny Tri Nguyen, o coreógrafo de acção de serviço, que aliado a uma edição tosca e uma câmara desinteressada fazem suspeitar que as cenas de combate não constituem de todo os melhores atributos de “Blood Letter”. O que a câmara procura isso sim é uma quantidade obscena de paisagens montanhosas, vegetação luxuriante e lagos de águas límpidas, cristalinas. Cenário remanescente de um filme wuxia qual “Crouching Tiger, Hidden Dragon” de início do milénio. Isto é fantástico mas um cinéfilo procura a paixão da estória e não apenas um postal animado de um país que de outra forma podia conhecer, através de publicidade institucional do Organismo Oficial de Promoção do Turismo: “Descubra as paisagens virgens do Vietname”. Pois que surge então uma rapariga bonita e afinal, “Blood Letter” inicia a trilhar os caminhos do romance. O herói descobre o sentimento mais precioso de todos e deverá querer tornar-se um homem melhor, acima do desejo de satisfação pessoal, que inclui o abandono completo do sentimento destrutivo da vingança.

“Blood Letter” é uma película muito interessante quando analisada do ponto de vista do cinema vietnamita, ainda pouco prolifico e amplamente influenciado pelo rumo político do país que dita até onde é que a inspiração dos cineastas poderá ir. Surge pois uma estória fantasiosa onde o herói não sobressai nem impressiona. A palavra que melhor o descreve é banal. O argumento é um mix dos filmes wuxia com filmes de série B e soma os defeitos de uns e de outros: peca por excesso de considerações filosóficas ou falas atiradas para o ar, sem convicção e desconexas de verdadeiras emoções. O actor principal sofre de uma mortal ausência de carisma e não consegue carregar o filme nos seus ombros. No início, Nguyen é ingénuo e altruísta como sempre convém. Depois torna-se um tolo apaixonado e pelo fim, pouco ajudado por uma edição desleixada, parece adquirir uma sabedoria que deve ter brotado do solo. Acordou um dia e teve uma epifania sobre o perdão e o que será melhor para o povo vietnamita. Desde quando é que ele, uma pessoa que sempre viveu num templo, nos confins da civilização e sem qualquer contacto social tem poder para decidir sobre os destinos dos outros? Se no papel a mudança já é demasiado brusca e despropositada, o facto de o actor não possuir a experiência necessária para a transmitir mata qualquer hipótese de aproximação ao seu dilema. De igual modo a sua amada no ecrã, a despeito de possuir um pouco mais de energia, age na maior parte do tempo como uma adolescente com a birra porque os pais não lhe compraram uns ténis caros. E assim por diante, incluindo vilões caracterizados com maquilhagem apatetada e esgares exagerados. Fica a ideia que “Blood Letter” foi realizado apenas com o intuito de ser bom o suficiente e nunca teve a excelência como alvo. Feito o balanço, nem é bom para figurar numa lista pessoal, quanto mais de melhor do ano. Duas estrelas

O melhor:
- Postal da beleza natural vietnamita
- Guarda-roupa

O pior:
- A representação
- Edição tosca. Sensação de frequente ausência de continuidade
- Já era altura de os vilões não terem maquilhagem exagerada para demonstrar que são os maus da fita!

Realização: Victor Vu
Argumento: Victor Vu
Huynh Dong como Nguyen Vu
Midu como Hoa Xuan
Khuong Ngoc como Tran Tong Quan
Minh Thuan como Su Phu
Kim Hien como Hoa Ha
Van Trang como Thai Hau

Próximo Filme: "Sleepwalker 3D" (Meng you 3D, 2011)


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