domingo, 22 de junho de 2014

"The Forbidden Door" (Pintu Terlarang, 2009)


Vamos lá supor por um momento, que queriam iniciar-se nos caminhos do terror indonésio. A julgar pelos filmes aqui abordados anteriomente, e à excepção dos filmes de artes marciais de São Gareth Evans, é difícil não ficar com a impressão que o cinema de terror oriundo deste país é terrível. E a verdade é... Faça-se suspense… Vá, um pouco mais… É que não estão muito longe da realidade. A produção em série no seu pior encontra-se nos cinemas deste arquipélago. O filme de terror, a comédia e o mix destes dois géneros dominou, durante muitos anos o panorama cinematográfico do país. A fórmula é a mesma: um grupo de jovens estupidamente giros (quase todos), uma conveniente viagem ou visita de estudo, a ausência de adultos e/ou de qualquer sentido de responsabilidade e um monstro baseado numa das muitas lendas locais disponíveis. Acompanhe-se a fórmula por uma péssima execução técnica, incluindo um elenco tão capaz de proferir falas memorizadas como o cidadão normal, argumento que parece ter sido escrito por um estudante de liceu, montagem horrível, banda-sonora que é uma cópia dos 39583957405 filmes anteriores, caracterização e efeitos digitais que mais valia não se terem esforçado. Ainda estão comigo? Agora imagem que “The Forbidden door”, é o oposto do que acabei de descrever.

Gambir (Fachri Albar) é um escultor cuja vida é radicalmente alterada quando a namorada Talyda (Marsha Timothy) engravida. Sem condições de criar um filho e ainda sem a bênção dos pais dela, ela faz um aborto. Enlouquecida pela dor, pede a Gambir que homenageie o filho morto, colocando o corpo numa das suas esculturas. Gambir acede e pouco tempo depois a situação é bem diferente. Eles encontram-se agora casados e as suas esculturas de mulheres grávidas fazem um sucesso tremendo. Mas por baixo da máscara de sucesso, Gambir tem o coração despedaçado. Ele nunca recuperou da perda do filho e isso trouxe-lhe problemas para a intimidade. É invejado por todos pela mulher linda e inteligente, mas impressiona-o a recém-formada frieza dele. Pior, é pressionado pela mãe para que lhe dê um neto. Como se não bastasse, ele começa a ver uma mensagem em todos os lugares de alguém a pedir socorro. Até onde o mistério o irá levar?

“The Forbidden Door” parece saído de um episódio da “Twilight Zone” para maiores de 18. A ajudar estão o décor retro e o ambiente artificial dos anos 50. O protagonista tem a cabeça num caos e age em conformidade. São todos à volta, e sobretudo Talyda, que se sentem demasiado seguros de si próprios. Os personagens instilam uma confiança que ninguém sente no mundo real. E se todos têm os seus problemas e frustrações, em “The Forbidden Door” tudo vai bem naquele aquário. O mundo deles é perfeito. E já que se fala em perfeição, a cinematografia é fora de série. As cores outonais são reminiscentes dos contos de fadas, com a dualidade que lhe é tão presente, de aparência bela mas esconde podridão. E não precisamos de ser confrontados com uma porta intrigante para chegar a essa conclusão. Aí reside um dos maiores pecados de “The Forbidden Door”, a previsibilidade. Curioso que filmes que estrearam em simultâneo que sofriam do mesmo mal obtiveram maior sucesso de bilheteira que “The Forbidden Door”. Outros dos problemas do filme são os vários finais que deixam a ideia de insatisfação ou pelo menos, a necessidade de um corte mais decidido assim como o tempo que demorou até chegar ao gore. Não sou de vender a minha verdade como incontestável e decerto que “The Forbidden Door” não agradará a todos, mas estranho que quando estreia um filme de execução e criatividade superiores seja deixado para trás, quando a qualidade média deixa muito a desejar. Custa mais pensar do que entregar-nos aos velhos vícios não é? Três estrelas.

Realização: Joko Anwar
Argumento: Joko Anwar e Sekar Ayu Asmara (livro)
Fachri Albar como Gambir
Marsha Timothy como Talyda
Ario Bayu como Dandung
Otto Djauhari como Rio
Tio Pakusodewo como Koh Jimmy
Henidar Amroe como Menik Sansongko
Verdi Solaiman como John Wongso
Putri Sukardi como Ibu


O melhor:
O elenco.
Cinematografia. O visual é fantástico.
Cenário.

O pior:
Vários Finais.
Rítmo lento.
Demora algum tempo até às primeiras gotas de sangue.

Próximo Filme: "The Neighbors" (Ee-oot Salam, 2012)

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