Mi-ju (Hyeon-a Seong) é uma antiga violoncelista que se dedica agora ao ensino na universidade onde se formou. Apesar dos incentivos para voltar a tocar, por colegas e pela própria família, Mi-ju recusa-se a tocar no instrumento e sente uma especial aversão por uma música em particular. A sua atitude fria face ao ensino e ao próprio instrumento granjeia-lhe o ódio de uma aluna que se sente injustiçada com as notas atribuídas por Mi-ju. Ela promete vingança e pergunta-lhe se “ela está feliz?”, como quem diz, que lhe vai tornar a vida um pesadelo. Entretanto, a luz dos olhos de Mi-ju, a sua filha Yoon-jin sofre de um tipo de autismo que condiciona de modo severo a interacção com os outros. Mi-ju sente um forte sentimento de culpa face à condição de Yoon-jin, apesar de não existirem provas de que o seu comportamento durante a gravidez tenha contribuído para a maleita da filha. Assim, a sua vida se divide entre a indiferença pela profissão e a cobrir de atenções Yoon-jin até que um dia esta demonstra interesse por um violoncelo. Mi-ju não hesita em comprar o instrumento. A partir do momento em que o adquire começam a acontecer uma série de acontecimentos estranhos no seu lar. Estes incluem uma obsessão pouco saudável de Yoon-jin pelo violoncelo e a sua insistência em tocar a música que Mi-ju não suporta ouvir.

Mi-ju é a protagonista dislikeable quanto baste. Ela tem uma relação fria com todos os que a rodeiam excepto a filha mais velha. Talvez ela sinta que ter uma filha autista seja o preço a pagar pelos actos do passado. Para quem tanto amava tocar violoncelo, a sua indiferença é surpreendente. Se por outro lado, o instrumento é causa de sofrimento, um lembrete constante dos erros cometidos, seria de pensar que ela preferisse o afastamento total da música. Parece que Mi-ju vive num mundo muito próprio, estéril quase, de aparências, guardando no subconsciente uma informação perigosa, à espera do momento certo para sair e destruir a vida que ela construiu com os cacos do passado.
“Cello” peca por ser qualquer coisa fora do extraordinário: o guião é vulgar, a cinematografia é vulgar, as actuações são regulares. Tirando a composição musical, inexoravelmente ligada ao violoncelo, a actriz principal e a pequena Jin Ji Hye como a filha mais nova de Mi-ju existe pouca ou nenhuma frescura na narrativa. “Cello” funciona num registo muito mediano. Até a reviravolta final é um lugar-comum. A moral da história, entrelaçada com o conceito milenar do karma revolve sobre a punição dos maus actos, mesmo que para tal, o universo tenha de pregar uma grande partida aos prevaricadores e os enleve num ciclo contínuo de dor. Não tenho sentimentos pessoais contra uma história sem fim, excepto quando é tão pouco arrebatadora quanto esta. Duas estrelas.
Realização: Woo-cheol Lee
Argumento: Woo-cheol Lee
Hyeon-a Seong como Mi-ju Hong
Da-an Park como Tae-yeon Kim
Ho-bin Jeong como Jun-ki
Jin Woo como Kyung-ran
Na-woon Kim como Sun-ae
Jin Ji Hye como Yoon-hye
Próximo Filme: "Battle Royale" (Batoru Rowaiaru, 2000)
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