domingo, 10 de julho de 2011

"My Ex" (Fan Kao, 2009)

Um filme com o nome "My Ex" nunca poderia augurar nada de bom. Relações passadas que só por si já são dignas de pesadelos só se tornam piores quando nem depois da morte os ex não nos largam. Yep, é um desses filmes.
Ken (Shahkrit Yamnarm) é um actor famoso e playboy cuja vida é ferozmente devassada nos tablóides. Mas isso não o detém de namorar qualquer rapariga que lhe apetece e se for preciso manter várias relações ao mesmo tempo. Por que ele é assim tão bom, o macho ideal das raparigas tailândesas.
Ken não se coíbe de as deitar fora como a um pedaço de lixo para passar à próxima. Como ele próprio diz nada como namorar várias para saber qual é a rapariga certa e ele é jovem, para quê comprometer-se tão novo? Será fácil de pensar a lista de ex descontentes não deve ser pequena. A sua última façanha amorosa foi trocar a namorada Meen (Navadee Mokkhavesa) por Ploy (Wanida Termthanaporn) a actriz com quem contracena no seu último filme. Os media entram num frenesi com esta nova relação e começa a circular a notícia de que o casal estará para casar. Entretanto, Ken e a sua namorada começam a ser perseguidos não se sabe bem por quem...
Os clichés começam cedo e logo uns atrás dos outros. Ex-namorada morta? Visto. Um fantasma a passar no corredor? Visto. Uma cena sexy na banheira? Visto. Longos cabelos negros que surgem do nada? Visto. Vou olhar para trás por que está algo atrás de mim? Visto. Torna-se um profundo bocejo.
Ainda agora me interrogo se a música que acompanha a cena na banheira pertence a um programa desses por cabo sobre jardinagem ou se será de algum filme pornográfico, de tão especial que foi. E meus amigos, acabar de ver um filme e esta ser das poucas preocupações que cá me ficaram diz muito da qualidade do filme. Dos actores não tenho grande coisa a dizer excepto que Ken é apenas um dos personagens principais mais detestáveis desde, desde... não me consigo recordar de nenhum. O que é que as moças vêem em Ken? Pois se não é mais do que um engatatão, egocêntrico em quem é impossível confiar excepto na sua constante mudança de ideias. E admitamos, na generalidade os actores sabem que a experiência cinematográfica da audiência está a ser tão penosa como a deles. Não se pode dizer que o argumento, com frases tão poderosas como "Prometo-te que serás a única e a última mulher da minha vida" contribua para o festival de falta de qualidade que é "My ex".
Acredito que qualquer coisa na linha de "Fatal Attraction" (1987), seria mil vezes melhor que a fantasmo-chachada que é esta película. É que infelizmente nem os "sustos" metem medo. Além de cópias baratas de outros filmes, incluindo de filmes tailandeses, que nem ao menos se deram ao trabalho de ir copiar fora do país, a sua previsibilidade e fraqueza são sobrecompensados com gore. Os cineastas lá deverão ter pensado que alguma coisa havia de resultar. Mas não, a música também não funciona. A música romântico-dramática é deplorável, belíssima talvez para uma novela de horário nobre, para um filme de terror não tanto. Já me esquecia, a câmara, céus, a câmara! Não sendo de estilo câmara ao ombro, parecia ter sido manobrada por alguém com a doença de Parkinson (que me perdoem as pessoas com este mal) mas a câmara tremia por demais. E querem saber o melhor? Escapa-se-me a compreensão disto mas fizeram uma sequela. Resultados de bilheteira ditam que seja feita toda a espécie de lixo. Enfim... A qualidade é comparável à de "Sacred" (Keramat, 2009) e não tenho a certeza se "My ex" não será inferior. Se quiserem pertencer àquela espécie muito em voga nos dias de hoje do "Cinéfilo Masoquista", força. Meia estrela.


Realização:  Piyapan Choopetch
Argumento: Adirek Wattaleela, Sommai Lertulan e Piyapan Choopetch
Elenco:
Shahkrit Yamnarm como Ken
Wanida Termthanaporn como Ploy
Navadee Mokkhavesa como Meen
Atthama Chiwanitchaphan como Bow
Bordin Duke como Nimit

Próximo Filme: "The Heirloom" (Zhai bian, 2005)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Plágio, coincidências, lapsos e afins

Durante algum tempo debative-me sobre se devia fazer este post ou não mas que as pessoas leiam muito e que depois ao escrever as ideias surjam similares ao que absorveram compreendo, agora, não acredito em cópia descarada e muito menos, em impunidade. Quando descobri esta situação estava a fazer a minha ronda diária de visitas aos blogues que sigo e os quais estão aqui linkados. Qual não é a minha surpresa quando reparo que copiaram, na íntegra, três frases de um dos meus textos iniciais. Ora, acredito em lapsos no julgamento e deixei um comentário no dito post, sabendo que este tem moderação de comentários e o seu autor acusaria o toque. Nada. Era perfeitamente escusado, tanto mais que era um sítio que visitava com alguma regularidade. Bastava perguntar...
Descubra as diferenças (ou não) entre este meu texto de Abril e este outro publicado em Julho. Esta será a última vez que abordo o assunto. O sítio será exluído da minha lista de seguimento e não lhes darei a satisfação de terem ainda mais visitas.

domingo, 3 de julho de 2011

Top 10: Revelações mais Chocantes

Listas. Eu adoro listas. Acho que nunca o tinha revelado antes mas adoro pesquisar listas nos motores de busca sobre tudo e mais alguma dentro do mundo dos filmes. Se existisse uma lista dos "10 Maiores Arrotos no Cinema", acreditem-me, eu saberia. Esta primeira lista, pois que se o "Top 10: Revelações mais Chocantes" correr bem vos trarei mais, obedeceu a alguns critérios: 1) Os filmes não têm de ser exclusivamente do sudeste asiático; 2) Só são considerados filmes de suspense / thriller / terror. Neste último, inclui-se o terror psicológico, nem tudo têm de ser braços e pernas a voar para pertencer ao género do terror; 3) A lista não está numrada por nenhuma ordem específica. Quando se entra no campo dos gostos, cada um sabe de si e não me interessa discutir as virtudes de uns filmes sobre outros. Como dizia o outro: "Os gostos não se discutem. Lamentam-se". Agora, aguentem-se. Ora, aqui está o resultado deste pequeno exercício de memória, imaginação e muita, muita pesquisa.

AVISO: SPOILERS GIGANTES ADIANTE. PROSSEGUIR COM CAUTELA.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

"Blood Rain" (Hyeol-ui nu, 2005)

Confesso que sou fã de mistérios de época. Nada como desvendar um crime à moda antiga. Não há cá pós de perlimpimpim para se encontrar impressões digitais nem testes de ADN à CSI. Aqui usa-se o velho amigo cérebro. "Blood Rain" passa-se no início do século XIX, durante a dinastia Joseon, na ilha Dongwha, onde se prepara o tributo anual de papel ao rei. Uma shaman é chamada para abençoar a oferenda e fazer com que esta chegue, literalmente, a bom porto, quando é possuída pelo espírito de um homem injustamente acusado de traição 7 anos antes. Entretanto, o barco incendeia-se com a carga e a população fica desesperada com a possibilidade de não entregar o tributo a tempo e recair sobre si a mão pesada do rei. Won-kyu Lee é designado para investigar o caso mas o que seria uma investigação quase banal complica-se quando os habitantes da ilha começam a aparecer mortos das maneiras mais horrendas.

"Blood Rain" recorda-me o já aqui publicado "Shadows in the Palace" (Goongnyeo, 2007) em diversos aspectos: mortes inexplicáveis, um mix de mistério criminal com elementos do sobrenatural e um elenco muito vasto com a excepção que em "Blood Rain" é predominantemente masculino. A shaman é só para disfarçar. Ah e para dar um alívio de tanta testosterona. Também o argumento é muito menos confuso e não é tão excessivo na alusão ao oculto. Infelizmente, Won-kyu é menos competente que a sua congénere feminina em "Shadows". O pathos, quando Won-kyu tem uma revelação sobre a sua própria vida é quando muito sofrível. Ele parece mesmo estar com prisão de ventre. Desculpem lá qualquer coisinha. Aparte isso, o seu vocabulário facial não é muito mais variado que o de um Keanu Reeves, se é que me entendem. Com isto, não pretendo dizer que Won-kyu não é uma personagem simpática mas que tinha potencial para mais lá isso tinha. As outras actuações estão dentro do espírito do filme que se impõe de medo e de suspeição. Quanto à shaman continuo a achá-la pouco mais que um bibelô. É para continuar a insistir no oculto e não nos esquecermos disso. Certíssimo.
À primeira vista, a solução do mistério não é previsível e com tantas personagens é uma verdadeira roleta russa descobrir quem é o assassino ou a próxima vítima. Tanto, que a dado momento o argumento insiste num certo sentido e afinal é o contrário. Ah, malandros! Um "pormenor" adorável é a música da película. Frequentemente, os filmes mais sombrios utilizam a música ao mínimo e um ou outro som mais intenso para provocar determinadas reacções na audiência. Aqui, temos o que podemos chamar de banda sonora, cujos trechos acertam de forma perfeita nos momentos críticos da narrativa. O clímax está um must. Sentimos tudo aquilo que devemos sentir, quando e como o devemos sentir. Só questiono o uso de uma banda sonora semi-ocidental. "Blood Rain" é um daqueles filmes de época que pedia o uso e abuso de sons tradicionais.Teria sido óptimo para penetrarmos no drama / mistério histórico.
Apenas os minutos finais provocam alguma frustração numa trama de outro modo envolvente. "Blood Rain" tem algumas mortes entusiasmantes para quem é fã de gore, o enredo cativa e aborda temas tão interessantes desde a luta de classes à religião. E tem chapéus. Muitos e giros. Três estrelas e meia.



Realização: Dae-seung Kim
Argumento: Won-jae Lee, Seong-jae Lim
Elenco:
Seong-won Cha  como Won-kyu Lee
Yong-woo Park como In-kwon Kim
Ji seong como Doo-ho
Ji-na Choi como Man-shin (Shaman)
Ho-jin Jeon como Comissário Kang

Próximo Filme: "My Ex" (Fan Kao, 2006)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

"The Maid", 2005

Já era tempo de nos chegar uma surpresa agradável de Singapura. O problema é ser também a primeira, que não há termo de comparação. Ainda assim fiquei bem impressionada. "The Maid" representa uma realidade bem mais negra que a ficção. Quantas vezes não se ouve falar de casos de jovens que são atraídas para outros países para trabalhar e acabam nas malhas da escravidão, prostituição e de tráfico de órgãos? Calma, que a película é inspirada no real mas prefere a rota do sobrenatural. Ora, "The Maid", pega precisamente na prática recorrente da contratação de jovens pobres para irem trabalhar como empregadas fora dos seus países de origem. Kelvin Tong mostra, desde logo, a banalidade do processo e da mercantilização de vidas humanas num álbum de fotografias de potenciais candidatas. Beleza, idade, postura corporal, peso... Selecção de gado? Rosa Dimaano (Alessandra de Rossi), de 18 anos é a jovem seleccionada que troca pela primeira vez a tranquilidade da sua localidade rural nas Filipinas pelos edifícios altos e trânsito ruidoso de Singapura. A sua reacção inicial é de fascínio, o que não é para menos, dado o meio de onde veio. Nas suas palavras, aquela é a sua oportunidade de conhecer o mundo. E bem diferente é o mundo em que vai entrar. Rosa será a empregada de um supersticioso casal chinês o que contrasta, profundamente, com a sua crença católica. Para mais, ela chega no primeiro dia do sétimo mês chinês, aquele em que (segundo se diz), os portões do inferno se abrem e os espíritos andam à solta para se vingar das ofensas cometidas contra eles em vida. À sua volta, todos parecem levar muito a sério esta mitologia e fazem oferendas para apaziguar os espíritos e mantê-los longe dos seus lares. Entretanto, Rosa fica a conhecer Ah Soon, o filho do casal, um homem com mente de criança que desde logo se afeiçoa à nova criadita.
"The Maid" é um pouco de "The Sixth Sense" (1999), e de filmes baseados em velhas superstições populares em partes iguais. Assim, dos mais recentes posso nomear o "Tali Pocong Perawan" (2008) da Indonésia e o "Sick Nurses" (2007), da Tailândia. Mas arranja força e originalidade pelo seu próprio mérito. A cinematografia é belíssima: as cores vibrantes das comemorações do sétimo mês chinês e o seu contraste com as cores frias da vida quotidiana de Singapura estão algo de especial. E o melhor é que vemos e sabemos tanto quanto Rosa pois o mundo dos mitos e ritos chineses é novidade para ela! Tanto que Rosa, logo à chegada, comete sem intenção uma grave ofensa aos espíritos, quando pisa a oferenda que o casal chinês tão encarecidamente lhes tinha feito. Rosa atrai sobre si azar e começa a ver coisas que não deveriam estar... O resto é história.
Kelvin Tong, volta a brindar-nos com algumas surpresas. O pormenor da narrativa de Rosa, o olharmos pelos seus próprios olhos inocentes é um toque brilhante. E o modo como esta se transforma mais para o final está um modo original de contar uma história sobre outra perspectiva. Como não podia deixar de ser, o elemento sobrenatural está muito presente e fornece alguns sustos eficazes. Houve alturas em que pulei da cadeira com Rosa e pensei: "eu teria sentido o mesmo". Numa reflexão final e porque tantos filmes insistem nos perigos do oculto, por vezes, urge questionarmos se o mal estará mesmo naquilo que desconhecemos ou no comportamento humano, que pode ser tão imprevisível e perigoso. No meio de tanta coisa igual, Kelvin Tong arrisca e apresenta-nos um final inesperado. Quatro estrelas em cinco.



Realização: Kelvin Tong
Argumento: Kelvin Tong
Elenco:
Alessanda de Rossi como Rosa Dimaano
Huifang Hong como Senhora Teo
Chen Shu Cheng como Senhor Teo
Benny Soh como Ah Soon
Zhenwei Guan como Wati

Próximo Filme: "Blood Rain" (Hyeol-ui nu, 2005)
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