O mês dos fantasmas fornece uma ampla fonte de inspiração para o cinema devido às suas imensas ramificações e ritos, consoante as diferentes regiões. “The Maid” (2005) é o filme mais aclamado sobre o tema e até já foi realizado um documentário sobre a época.
As curtas:



Sobre os filmes:
Assim à primeira vista, sobressai uma película no seu todo, muito masculina. Os papéis principais estão todos entregues a Eles. As mulheres, com uma única excepção, são a contraparte, unidimensional diga-se, Deles e quando se espera algo mais delas, são as vilãs. Demonização típica do género feminino. Mas no caso de “Where got Ghost” são maiores os argumentos a favor de um conjunto de curtas-metragens bem-intencionadas, do que resíduos de misoginia pouco disfarçados. “Where got Ghost” é uma realização conjunta de Jack Neo e Boris Boo, que também tiveram uma palavra forte no argumento. Também o vasto elenco é constituído na maioria, por actores que já trabalharam em conjunto ou com o realizador. O próprio Jack Neo protagoniza um dos papéis principais da terceira curta-metragem. Estes cuidados rendem um à-vontade no elenco que é visível no ecrã. Um inside job se preferirem. A moral dos segmentos nunca está muito longe da imaginação ou de um pouco de perspicácia: respeito pelos mortos, o crime não compensa, não atalharmos caminhos, o dinheiro não traz a felicidade e outros jargões do género. Como tal, o mês dos fantasmas acaba nunca se tornar uma realidade distante ou uma tradição demasiado rebuscada aos olhos de um ocidental. Existe sempre uma série de princípios comuns às culturas orientais e ocidentais que permitem seguir as narrativas a despeito dos ritos, rezas e superstições regionais.
A primeira curta é “Roadside got Ghost” onde os três personagens principais, em toda a sua aldrabice e portanto, os vilões, dificilmente não serão os preferidos do público. No meio da tragédia (a primeira e a segunda curta têm finais bastante abruptos), salvam-se os momentos de comédia resultante da dinâmica entre os três "reis". Já “Forest got Ghost” é mais previsível. Que melhor local para plantarmos fantasmas do que uma floresta. Mulher vestida de vermelho. A sério? Existirá referência mais batida no mundo dos fantasmas? O epílogo podia ser mais surpreendente não fosse a curta anterior demonstrar que não há regras. Vale tudo e tudo deverá ser esperado. Mais uma vez a química entre a dupla de actores principais é excelente e os momentos cómicos resultam melhor do que o último terço mais focado no terror. A curta final é a mais distinta. Isto não será difícil de explicar se pensarmos na manobra de marketing genial de Jack Neo. Ele realizou “House got Ghost” como sequela do filme “Money not Enough 2” também por ele realizado um ano antes, com a mesma fórmula de comédia/terror. Com certeza fica a questão se ele decidiu realizar uma antologia de filmes sobre o mês dos fantasmas ou se o utilizou como pretexto para lá enfiar um prelúdio para uma trilogia de “Money not Enough”. Ao contrário das histórias anteriores, onde os prevaricadores acabam por ser punidos pelos seus actos, “House got Ghost” concentra-se na redenção e mais parece um raspanete para levar à mudança de comportamentos que um mero exercício de “crime e castigo”. Se esquecermos algumas deficiências de narrativa e efeitos gerados por computador paupérrimos, “Where got Ghost” é uma obra mais divertida do que assustadora e uma óptima introdução ao mês dos fantasmas esfomeados. Três estrelas.
Realização: Jack Neo e Boris Boo
Argumento: Jack Neo, Sek Yieng Bon, Boris Boo e Hee Ann Ho
Curta #1: “Roadside got Ghost”
Richard Low como Cai
Curta #2: “Forest got Ghost”
John Cheng como Nan
Wang Lei como Lei
Tay Yin Yin como Yin Yin
Curta #3: “House got Ghost”
Henry Thia como Yang Bao Hui (irmão mais velho)
Jack Neo como Bao Qiang (irmão do meio)
Mark Lee como Bao Huang (irmão mais novo)
Mai Ling como Mãe
Próximo filme: "Lake Mungo", 2008
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