Mostrar mensagens com a etiqueta 2012. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2012. Mostrar todas as mensagens

domingo, 1 de fevereiro de 2015

"Blood Letter" (Thien Menh Anh Hung, 2012)


Depois do massacre da família o jovem Nguyen Vu (Huynh Dong) é deixado num templo. Ele passa os anos seguintes escondido da civilização com um monge que o acolhe como a um filho e o inicia nos caminhos das artes marciais. Um dia o local é invadido por oficiais e Nguyen reconhece num dos homens, um dos mandantes do assassinato da sua família. O monge procede a revelar o trágico passado do clã do filho adoptivo: uma das concubinas do seu avô foi acusada de traição e a inflexível imperatriz Thai Hau (Van Trang), ordenou a morte da família inteira por associação à criminosa. Na sofreguidão de repôr a justiça ele acaba por ir espiar a corte real onde se depara com Hoa Xuan (Midu) que partilha do mesmo desejo de vingança que ele. Ela e a irmã Hoa Ha (Kim Tien) também testemunharam a fúria da imperatriz e tornam-se suas aliadas. Perante o rumor da existência de uma "carta de sangue" que poderá abalar o processo de sucessão real, ele e as irmãs embarcam numa aventura para a encontrar.

Aos primeiros segundos de filme, a estória aponta para um filme de vingança: entre mortos e feridos, Nguyen desmonta a cabala arquitectada contra a sua família e desmascara perante o mundo os malfeitores que entretanto destruiu com o domínio total e completo das artes marciais, qual filme de acção série B. Ao fim de uns minutos, a euforia acalma consideravelmente. Uma pessoa percebe que a mestria da arte da arte do combate não é a maior quando o melhor que o personagem principal é capaz de fazer é o kamehameha do “Dragon Ball”, num efeito digital embaraçoso. Isto não abona muito a favor de Johnny Tri Nguyen, o coreógrafo de acção de serviço, que aliado a uma edição tosca e uma câmara desinteressada fazem suspeitar que as cenas de combate não constituem de todo os melhores atributos de “Blood Letter”. O que a câmara procura isso sim é uma quantidade obscena de paisagens montanhosas, vegetação luxuriante e lagos de águas límpidas, cristalinas. Cenário remanescente de um filme wuxia qual “Crouching Tiger, Hidden Dragon” de início do milénio. Isto é fantástico mas um cinéfilo procura a paixão da estória e não apenas um postal animado de um país que de outra forma podia conhecer, através de publicidade institucional do Organismo Oficial de Promoção do Turismo: “Descubra as paisagens virgens do Vietname”. Pois que surge então uma rapariga bonita e afinal, “Blood Letter” inicia a trilhar os caminhos do romance. O herói descobre o sentimento mais precioso de todos e deverá querer tornar-se um homem melhor, acima do desejo de satisfação pessoal, que inclui o abandono completo do sentimento destrutivo da vingança.

“Blood Letter” é uma película muito interessante quando analisada do ponto de vista do cinema vietnamita, ainda pouco prolifico e amplamente influenciado pelo rumo político do país que dita até onde é que a inspiração dos cineastas poderá ir. Surge pois uma estória fantasiosa onde o herói não sobressai nem impressiona. A palavra que melhor o descreve é banal. O argumento é um mix dos filmes wuxia com filmes de série B e soma os defeitos de uns e de outros: peca por excesso de considerações filosóficas ou falas atiradas para o ar, sem convicção e desconexas de verdadeiras emoções. O actor principal sofre de uma mortal ausência de carisma e não consegue carregar o filme nos seus ombros. No início, Nguyen é ingénuo e altruísta como sempre convém. Depois torna-se um tolo apaixonado e pelo fim, pouco ajudado por uma edição desleixada, parece adquirir uma sabedoria que deve ter brotado do solo. Acordou um dia e teve uma epifania sobre o perdão e o que será melhor para o povo vietnamita. Desde quando é que ele, uma pessoa que sempre viveu num templo, nos confins da civilização e sem qualquer contacto social tem poder para decidir sobre os destinos dos outros? Se no papel a mudança já é demasiado brusca e despropositada, o facto de o actor não possuir a experiência necessária para a transmitir mata qualquer hipótese de aproximação ao seu dilema. De igual modo a sua amada no ecrã, a despeito de possuir um pouco mais de energia, age na maior parte do tempo como uma adolescente com a birra porque os pais não lhe compraram uns ténis caros. E assim por diante, incluindo vilões caracterizados com maquilhagem apatetada e esgares exagerados. Fica a ideia que “Blood Letter” foi realizado apenas com o intuito de ser bom o suficiente e nunca teve a excelência como alvo. Feito o balanço, nem é bom para figurar numa lista pessoal, quanto mais de melhor do ano. Duas estrelas

O melhor:
- Postal da beleza natural vietnamita
- Guarda-roupa

O pior:
- A representação
- Edição tosca. Sensação de frequente ausência de continuidade
- Já era altura de os vilões não terem maquilhagem exagerada para demonstrar que são os maus da fita!

Realização: Victor Vu
Argumento: Victor Vu
Huynh Dong como Nguyen Vu
Midu como Hoa Xuan
Khuong Ngoc como Tran Tong Quan
Minh Thuan como Su Phu
Kim Hien como Hoa Ha
Van Trang como Thai Hau

Próximo Filme: "Sleepwalker 3D" (Meng you 3D, 2011)


domingo, 28 de dezembro de 2014

"The Thieves" (Dodookdeul, 2012)


“The Thieves” faz-nos recuar ao formato antiquado do grupo de ladrões que se reúne para realizar um furto único esgueirar-se debaixo dos olhares de todos. É uma estória tantas vezes recontada que desperta ódios e paixões em igual medida. A cada novo ano aparece uma nova variação da fórmula que justifica a realização de sequelas (“Ocean’s Eleven”, 2001) e o surgimento de novos franchises (“Now you see me”, 2013). Para os amantes do género “The Thieves” será uma obra incontornável, apetite ainda mais aguçado por ter sido o maior sucesso de bilheteira na Coreia do sul do ano de 2012. “The Thieves” junta um elenco internacional (Coreia do sul, China e Malásia) de reconhecido talento e estrelato capaz de atrair as massas ao cinema e um realizador que já por duas vezes dirigiu projetos sob a mesma matéria sem perder o toque de midas. Os argumentos para o seu visionamento poderão significar muito pouco para desconhecedores do cinema sul-coreano mas quando enquadrados no devido contexto demonstram ser uma estratégia de marketing genial.

Popeye (Jung-jae Lee) é o líder de um grupo de ladrões especializados na realização de furtos de alta complexidade. O seu gangue reúne a sexy mas perigosa Yenicall, a veterana Chewingum (Hae-suk Kim) e o aprendiz da arte Zampano (Soo-yun Kim) Eles juntam-se, planeiam, realizam e desaparecem durante algum tempo. Quando após a última operação a polícia se aproxima demais, eles retiram-se para Hong Kong para deixar as pistas esfriar. Lá, Popeye é seduzido a juntar-se ao antigo chefe e associado Macao Park (Yun-seok Kim) para aquele que será o golpe mais lucrativo e intrincado da carreira de todos, o roubo do diamante "Lágrima do Sol". O trabalho exige um maior número de participantes, que inclui o gangue chinês liderado por Chen (Simon Yam). Como não bastasse o número de jogadores ser elevado, o que por si já significa a diminuição do quinhão de cada um e a desconfiança gerada pelo facto das equipas nunca terem trabalhado em conjunto, Popeye faz questão de adicionar ao grupo Pepsee (Hye-soo Kim) recém-libertada da prisão, depois do último trabalho que realizaram em conjunto com Macao ter corrido mal.
A cinematografia e as personagens ecoam as opções estilísticas e os estereótipos de filmes anteriores mas “The Thieves” encontra-se mais longe do esquema estudado e ensaiado ao pormenor de “Ocean’s Eleven” e antecessores, das reviravoltas dramáticas de “Mission Impossible” (1996). Dong-hoon Choi joga com a ambiguidade da moral dos seus personagens a todo o instante. Como grupo funcionam para atingir o seu objectivo questionável – eles não são nenhuns Robin dos Bosques –, procuram o lucro através de métodos ilegais para ganho próprio. Enquanto indivíduos examinados a um pormenor microscópico, compreende-se como o equilíbrio que os une é instável. Pepsee, Macao Park e Popeye estão unidos numa teia amorosa e de traições da qual nenhum quer sair a perder. Especialmente Pepsee pagou por isso com a prisão e tem agora em mente não só uma recompensa pelo tempo que perdeu encarcerada, como o motor da vingança. Yenicall que alia capacidades acrobáticas e raciocínio rápido ao sex-appeal não está feliz por ter perdido o foco de atenção para Pepsee que é de certo modo uma versão mais madura dela própria e de ter de repartir a sua parte com mais intervenientes. Chewingum já acusa o cansaço de tantos anos na corda bamba e deseja, aliás anseia uma reforma, se não tão rica, pelo menos feliz. Chen é outro veterano que alinha com os coreanos para a condução do golpe mas apenas até certo ponto e nos seus termos. Zampano não consegue resistir aos encantos da perigosa Yenicall, pondo até a sua sobrevivência no jogo em perigo. Em última análise, quando as coisas correm mal e, acreditem que vão correr muito mal, as máscaras caem e cada um actua de modo a salvaguardar aquilo que é mais importante para si. Com um grupo de actores tão talentoso a expectativa é a de que a luta pelo tempo de écrã levasse a melhor sobre a estória que se iria desintegrar à frente dos nossos olhos. O que sucede é o oposto. Cada subenredo permite aos personagens envolvidos brilhar. Por cada poucos minutos a mais concedidos, maior é o impacto do destino daqueles personagens. Como os seus personagens, a dupla de argumentistas é brutal. Todos têm um alvo nas costas e ninguém está livre de ser morto a qualquer instante. Subitamente é menos importante saber quem é que fica com o diamante do que quem sobrevive para gozar a recém-encontrada abastança. Três estrelas e meia.

Realização: Dong-hoon Choi
Argumento: Dong-hoon Choi e Gi-cheol lee
Yun-seok Kim como Macao Park
Jung-Jae Lee como Popeye
Hye-soo Kim como Pepsee
Ji-hun Jun como Yenicall
Simon Yam como Chen
Hae-suk Kim como Chewingum 
Dal-su Oh como Andrew 
Soo-hyun Kim como Zampano
Derek Tsang como Jonny 
Soo-jeong Ye como Tiffany 
Angelica Lee como Julie

O melhor:
- As cenas de acção
- O elenco sólido

O pior:
- Sensação de que é pouco tempo para tamanha exposição. Exploração das ideias em formato de série não seria um desperdício
- A velha estória... Se não gostam do género não é este que vos vai fazer mudar de ideias




Próximo Filme: "Marshland" (La Isla Mínima, 2014)

domingo, 20 de julho de 2014

Chanthaly, 2012


Chanthaly vagueia na própria casa como se de um fantasma se tratasse. Todos os dias se levanta para a lida da casa, a preparação de refeições e observar os poucos que a rodeiam a viver. Ela foi amaldiçoada com um coração fraco que a prende à medicação e à vontade de um pai ultra-protector. Para o homem, que perdeu a esposa quando Chanthaly nasceu, a doença da adolescente é quase uma bênção disfarçada. Saber que Chanthaly não irá viver muitos anos é a desculpa perfeita para a ter perto de si e a proteger de tudo quanto possa constituir uma má influência. Assim, poderá mantê-la pura e intacta do mal exterior. Uma preciosidade congelada no tempo. O que ele não podia prever é que a corrupção começou há muito tempo, logo que Chanthaly nasceu. A ausência de pormenores sobre a morte da mãe que nunca chegou a conhecer e de artefactos desse tempo atormentam-na. A adolescência e a chegada de uma maior percepção de si própria, aliadas a uma imaginação viva, que é estimulada pela impossibilidade de ultrapassar o portão de sua casa, levam-na a duvidar da estória que lhe foi contada como se de um disco riscado se tratasse. A mãe dela morreu durante o parto. Então que imagens são essas que lhe pululam a cabeça de uma mulher apertando-a contra si e brincando com ela? Entretanto, perante novos pedidos de repetição da história da família e de lembranças desse tempo o coração de Chanthaly começa a demonstrar sinais de fraqueza. O coração dela não consegue conter emoções fortes como o pesar de não saber a mãe perto de si e a suspeita de que não lhe estão a contar toda a verdade. Mas o maior sinal de que a verdade pode estar ao seu alcance é a crença de que se deixar de se medicar isto a permitirá estar mais próxima do mundo dos espíritos e, talvez, ouvir uma mensagem da falecida mãe.
Chanthaly conhece um fantasma
“Chanthaly” é um filme sobre a transição de uma menina para adulta disfarçado de filme de terror. A jovem protagonista inicia a demonstrar clareza sobre o que pretende. Ela sente a falta da mãe e, em última análise, que a estão a privar de algo mais. Os medicamentos ajudam-na a sobreviver mas a sua existência é triste. Ela limpa, cozinha, arruma a casa e trabalha para a lavandaria criada pelo pai para ela se ocupar. Todos os dias vê chegar a prima, sofisticada e maquilhada no seu próprio carro, com caixas de roupa para ela lidar. E depois das tarefas realizadas o portão fecha-se atrás dela e ela não vê além dele, mesmo que um amigo de infância espreite através dele. Não é de admirar que a jovem procure conforto noutro plano de existência e que comece a deixar de o destrinçar com o seu. Ela tem todo o apoio familiar que necessita mas encontra-se só. E quando, sozinha com o cão, se apercebe que a casa pode conter uma entidade de outro plano ela entrega-se à curiosidade com consequências devastadoras.
Há uma tendência no género de terror para o desenrolar furioso dos acontecimentos. Ao aparecimento do primeiro resquício de temor surge, os cineastas cedem à tentação de precipitar os acontecimentos. “Chanthaly” tem uma calma com que poucas vezes nos confrontamos. Neste filme somos introduzidos na vida íntima da rapariga como se fosse um documentário. Cada pormenor lento e tedioso das tarefas domésticas fazem parte da entidade de Chathaly. Quando vemos a casa dela, estamos dentro dela, com todas as qualidades e defeitos que lhe estão associados. Sem esta atenção ao pormenor seria difícil compreender o alheamento de Chanthaly. Ela não sofre fisicamente abusos. Não. A violência sobre ela é de outro cariz. Cada pedaço da sua existência é controlado e gerido até ao mais ínfimo pormenor. E não é como se além das grades do portão ela pudesse encontrar conforto, embora o jovem médico Keovisit (Souasath Souvanavong) seja uma pista mas, chega uma altura em que terá de dar o salto e enfrentar os seus próprios receios. O problema é a realização de que as respostas procuradas podem não existir. Quando isto sucede como é que aprendemos a coexistir com essa realidade? “Chanthaly” é um notável primeiro notável esforço da realizadora Mattie Do, que com poucos meios faz milagres. E é também um bom exemplo de um argumento sólido que mesmo sem recursos extrínsecos para melhor o apoiar resistirá o teste do tempo podendo "Chanthaly" orgulhosamente afirmar-se como o formidável primeiro filme de terror do Laos. Três estrelas e meia.

O melhor:
- Fazer-se tanto com tão pouco. Não somos merecedores.
- Calma inquietante
- Violência psicologia e a claustrofobia associadas à realidade de Chanthaly
- Mango (o melhor actor canino da Ásia)

O pior:
- E se... Tivesse tido um orçamento à altura da estória?
- Alguma indefinição no desenlace


Realização: Mattie Do
Argumento: Christopher Larsen e Douangmany Soliphanh
Amphaiphun Phimmapunya como Chanthaly
Douangmany Soliphanh como Pai de Chanthaly
Soukchinda Duangkhamchan como Thong
Khouan Souliyabapha como Bee
Souasath Souvanavong como Keovisit
Mango (actor canino) como Moo


Próximo filme: "Ragnarok", 2013

domingo, 29 de junho de 2014

"The Neighbors" (Ee-oot Salam, 2012)


O vizinho na verdadeira acepção da palavra é uma espécie em via de extinção. Longe estão os dias em que se conheciam todos os vizinhos no mesmo prédio ou das vivendas mais próximas. A cultura do indivíduo toma cada vez mais a primazia sobre as relações humanas, impedindo que se formem os laços de entreajuda que valiam aos nossos antepassados. Assim, muitos factos escandalosos escapam até ao olhar atento do vizinho mais atento...

Em “Neighbors” os residentes de um pequeno complexo de apartamentos  vêem a sua existência pacata em perigo quando uma série de homicídios sucedem dentro da sua área de conforto. A mais recente vítima, Yeo-seon (Sae-ron Kim) vivia no seu prédio. A despeito do acontecimento trágico, eles até podiam esquecer o sucedido e prosseguir com a vida normal não fosse o comportamento muito suspeito do novo vizinho Seung-hyuk (Sung-kyun Kim). Quase todos têm alguma interacção estranha com Seung-hyuk e cedo se estabelece que ele deve ser o assassino da criança. Levanta-se pois uma nova questão, com o comportamento cada vez mais descuidado do assassino e com novas vítimas a surgir, quem será capaz de denunciar o vizinho?

“Neighbors” faz recordar um fenómeno que alguns terão estudado em psicologia ou com o qual se terão cruzado se gostam de canais como o “Biography” denominado de Efeito Genovese. Este é assim denominado, após o estudo por psicólogos de um caso que chocou a América nos anos 60, quando Catherine Genovese foi atacada e esfaqueada até à morte, durante meia hora, os seus gritos e ataque inicial testemunhados por cerca de duas dezenas de pessoas. Ninguém foi capaz de a acudir e o telefonema para a polícia também foi realizado tardiamente. Genovese viria a morrer no hospital. “Neighbors” apresenta também uma panóplia de personagens que, por diversas razões se desresponsabilização da decisão que poderá levar à captura do criminoso, transferindo o ónus para qualquer outro que não eles próprios. Decisão ainda mais premente quando a polícia não possui ainda qualquer pista substancial que o leve a uma prisão.
Kyung-hee (Yun-jin Kim) encontra-se à beira da loucura, tal é a culpa que sente por não ter ido buscar a enteada à escola. Nesse dia a criança desaparecia para o seu corpo ser depois encontrado mutilado, numa mala de viagem. Agora, Kyung-hee vê o fantasma da enteada chegar todos os dias a casa. Entretanto, Sang-yoon (Ji-han Do) verifica um padrão peculiar num dos residentes do condomínio. Ele faz uma entrega de pizza na mesma casa sempre que desaparece uma pessoa. Yong-nam Jang (Tae-Seon Ha) é uma mãe com pouco que fazer e passa o tempo todo a fazer planos para o condomínio, mesmo que isso implique envolver o novo vizinho esquisito e reticente. Aliás, ela encontra-se tão ocupada que descura a própria filha, ela que é uma fotocópia da menina que foi encontrada morta (interpretada pela mesma actriz Sae-ron Kim). Quanto a vós não sei mas se fosse minha filha estaria muito preocupada.
Sang-young (Ha-ryong Lim) é o dono de uma loja de malas de viagem da qual um homem misterioso se tornou cliente assíduo. Jong-rok (Ho-jin Cheon) é um dos seguranças do condomínio que pretende passar despercebido. No entanto, ele sente afinidade pela filha da vizinha da associação de condóminos e não vê com bons olhos o interesse que um dos novos vizinhos parece tomar por ela. Hyuk-Mo (Dong-sok Ma) é um gangster e um bruto impiedoso com quem se atravessa nos seus planos, mesmo que isso signifique apenas não saber estacionar um carro. Todos absorvidos pela sua realidade de tal modo que não vêem ou fingem não ver o que é óbvio. Naquele microcosmos, mesmo que se conheçam não se relacionam além do superficial. Nem o desejam. Que quanto menos souberem melhor. O instinto de auto-preservação é superior à solidariedade. A seu tempo, vão formando uma ideia da realidade e entram num estado de dissonância cognitiva. Será que vão agir? Mais, será que vão agir a tempo? Apesar de ser um elenco vasto, os personagens são facilmente identificáveis e o argumento é excelente a veicular as suas motivações. Não querem perder o trabalho, não querem que sejam descobertos os seus segredos, acham que não é o seu papel… A força do elenco perde-se no tempo que demora a interligar as estórias individuais. Também o casting de Sae-ron Kim nas duas personagens menores é duvidoso. A jovem é talentosa e compreende-se o objectivo da parecença da vítima e de um alvo potencial, por um lado o humor instável da mãe e, por outro, despoletar os instintos homicidas do criminoso, mas bastava apenas que fosse uma actriz fisicamente semelhante. Além disso, o fantasma surge em demasia. Se a ideia era enfatizar o assombro de Yoo-jin com a sua própria culpa a ideia foi apresentada e repetida por demais pois que chega um momento em que nos questionamos se é um fantasma das mentes dos culpados ou o espectro é real. Aspectos sobrenaturais à parte, “Neighbors” é um thriller à boa maneira coreana: leva o seu tempo mas é eficaz. Três estrelas.

O melhor:
- Elenco
- Narrativa fragmentada permite ter insight sobre o que se passa na cabeça de cada um dos personagens sem alienar
- Suspense

O Pior:
- Elemento sobrenatural. Quando é que os argumentistas coreanos vão aprender que não precisam de acrescer elementos de outros géneros se estória inicial tem qualidade por si só?
- Demasiado tempo para interligar as estórias individuais


Realização: Hwi Kim
Argumento: Hwi Kim e Pool Kang (banda-desenhada)
Yun-jin Kim como Kyung-hee
Sung-kyun Kim como Seung-hyuk
Ji-han Do como Sang-yoon
Tae-Seon Ha como Yong-nam Jang
Sae-ron Kim como Yeo-Seon/Sooyeon
Ha-ryong Lim como Sang-young
 Ho-jin Cheon como Jong-rok
Dong-sok Ma como Hyuk-Mo

Próximo Filme: Jeritan Kuntilanak, 2009

domingo, 30 de março de 2014

"The Tower" (Tae-woo, 2012)



Em 1974 “The Towering Inferno” explodia nos ecrãs americanos e suscitava a curiosidade mórbida de audiências que experienciavam um dos grandes e primeiros filmes catástrofe da história do cinema. Em 2012 “The Tower” repete a fórmula de catástrofe e drama humano a rodos, com iguais resultados, na Coreia do Sul.

É véspera de Natal e o senhor Jo (Cha In-pyo), empresário megalómano dono de duas torres gémeas de 108 andares, que rasgam imponentes os céus de Seul, decide que a sua mais recente prova de exibicionismo e ostentação será brindar os habitantes dos edifícios com neve. Não há quaisquer vestígios de ocorrência do fenómeno nos boletins meteorológicos mas isso não é pormenor que o detenha. Dois helicópteros irão largar neve artificial do topo dos edifícios, ao seu sinal, contra todas indicações de rajadas de vento, vindas de pessoas bem mais sensatas que ele. Entretanto, prossegue a vida quotidiana nas torres, sendo apresentada a panóplia de heróis improváveis que irão enfrentar em breve, a prova mais dura das suas vidas. Dae-ho (Sang-kyung Kim) é o gestor altamente eficiente das torres mas que é incapaz de revelar os seus sentimentos por Yoon-hee (Yi-jin Son) a encarregada do restaurante VIP que também demonstra uma óbvia atracção por ele. Em cena entra Ha-na (Mi-na Cho), a filha de Dae-ho, demasiada esperta para a idade que os vai auxiliar a revelar aquilo que sentem um pelo outro. Nunca parece um processo mesquinho quando é despoletado por uma criança não é? Em simultâneo o Capitão dos bombeiros Young-ki (Kyung-gu Sol) prepara-se para usufruir da primeira folga em muito tempo e o jovem Seon Woo (Ji-han Do) apresenta-se para o primeiro dia de trabalho e aquele que será um baptismo de fogo… literalmente.

Passa-se uma boa meia hora depois das primeiras apresentações e inúmeras imagens de tirar a respiração das torres e paisagem adjacente a demonstrar porque aquela é uma catástrofe à espera de acontecer: a festa de natal tão ou mais importante que a segurança que faz os seus encarregados esquecer as suas responsabilidades, a indiferença desconcertante do dono das Torres perante regras básicas de protecção dos seus inquilinos e as inúmeras falhas de concepção na construção e sistemas desenhados para combater, sei lá, incêndios que consumam os edifícios por inteiro! Então, da forma mais previsível que se possa imaginar, já que a catástrofe foi sendo desenhada a par e passo, para até os menos perspicazes compreenderem o que se está a desenrolar à frente dos seus olhos, os helicópteros colidem contra as torres que irrompem num mar de chamas. Os residentes entram em pânico, os irresponsáveis tentam escapulir-se e heróis nascem. Podem esperar manifestações românticas melodramáticas, salvamentos impossíveis e cenas envolvendo a cristandade mais cómica de que há memória. Sim, uma pessoa tem a certeza que está a visionar um filme sul-coreano quando os momentos mais divertidos são proporcionados por um grupo de devotos cristãos.

“The Tower” carrega todos os pontos de pressão conhecidos, a sugestão de crianças em perigo, a ideia de amores nunca consumados, a morte de pessoas cujo mero aparecimento no ecrã causam boa disposição são mais do que suficientes para nos colocar numa pilha de nervos. Estes momentos, intermediados por chamas e fumos rápidos, furiosos e imperdoáveis, explosões e desabamentos, propiciam cenas de grande tensão que são depois estendidas até ao limite do razoável de modo a garantir que é impossível abandonar o visionamento do filme. Com um orçamento diminuto para os padrões de Hollywood, “The Tower” é um empreendimento notável e, em nada inferior aos filmes catástrofe da congénere americana. Com um argumento tão fraco quanto o filme mediano do género, revela ao menos um elenco sólido com muito mais do que dois ou três actores agradáveis à vista e capazes de verter um rio de lágrimas se solicitado. O apelo emocional é em tudo similar, com um punhado de personagens entre o simpático e o divertido a perecer mas segue as regras do jogo. Em alguma altura a audiência teria de se entristecer com um ou dois danos colaterais de personagens que ficaram a conhecer um pouco melhor para em seguir estremecerem com um salvamento tal, que minutos depois já se esqueceram do que aconteceu. A mais pura demonstração de domínio das artes do espectáculo visual combinada com o drama sacarino dominado por um vasto elenco não são uma novidade mas quem disse que para entreter era preciso modificar alguma coisa? Três estrelas.


O melhor:
- A sucessão de indícios de catástrofe iminente
- O elenco
- Os efeitos especiais
- O grupo de devotos cristãos

O pior:
- Personagens unidimensionais
- Cenas que se arrasssssssssssstammmmmmmmmmmmmm
- Os gritos. Meu Deus! Os gritos!
- A implausibilidade de algumas situações. (Sei que é um filme-catástrofe mas ainda assim…)

Realização: Ji-hoon Kim
Argumento: Sang-don Kim e Jun-seok Heo
Kyung-gu Sol como Capitão Young-ki Kang
Sang-kyung Kim como Dae-ho Lee
Ye-jin Son como Yoon-hee Seo
In-kwon Kim  como Sargento Byung-man Oh
Ji-han Do  como Seon-woo Lee
Min-ah Jo como Ha-na Lee

domingo, 2 de fevereiro de 2014

"Heaven and Hell" (Wong Jorn Pid, 2012)


Parece que ainda ontem “Dumplings” de “Three… Extremes” (2004) e “Phobia” (2008) pareciam recuperar o subgénero através de uma boa dose de arrojo, criatividade e imagens fortes. Esses eram os tempos… Seguiu-se uma sucessão de réplicas com personagens ostensivamente semelhantes, talvez com outros nomes e noutros cenários, essencialmente a mesmas estórias recontadas numa tonalidade diferente. “Heaven and Hell” apresenta tonalidades a preto e branco e às vezes cinzentas. As três estórias apresentadas apresentam uma única característica em comum: as imagens são captadas pelas câmaras de segurança instaladas nos edifícios respectivos. Em “Ghost Legacy” duas irmãs siamesas únicas herdeiras vivas que se conhece de Khun para conhecer a sua última vontade, expressa no testamento. Cedo percebem que o avô Khun, que mal conheciam era obcecado com a sua segurança, tendo instalado um sistema de vigilância em todas as divisões da casa. Enquanto não conhecem os conteúdos do testemunho torna-se óbvio que elas não são desejadas ali e que não é claro quem é que observa e quem está a ser observado. O velho Khun também não se mostra grandemente interessado em deixar que alguém fique com as suas possessões, ainda que já não se encontre neste mundo… “Ghost Legacy” é um enredo demasiado enredado para 20 minutos de filme e, que não abona a favor de quase nenhuma das personagens. As gémeas são demasiado reminiscentes da curta-metragem “Alone”(2007) desde a parecença das jovens actrizes ao pormenor dos acessórios. Uma tem óculos porque aparentemente há sempre uma intelectual num conjunto de gémeas. A diferença maior é pois no estilo, que “Ghost Legacy” é um filme mudo. Apenas não tem um acompanhamento sonoro mais do que esporádico, tornando a curta-metragem num visionamento longo e penoso. Existe ainda um contraste perturbador entre as expressões dos actores e as linhas de diálogo que estampadas no ecrã alimentam alguma esperança de seguimento da estória. Onde um actor deveria emular agressão há um olhar de complacência, onde uma actriz deveria demonstrar medo, surge desafio. Onde a pós-produção devia completar o processo, preencher os buracos, torna-se o seu maior fracasso. Elimina quaisquer propensões artísticas que o realizar pudesse ter.
“Heaven 11” passa-se numa menos glamorosa loja de conveniência. Dois novos empregados relatam como já faleceram ali quatro empregados antes. Uma maldição qualquer assombra aquele lugar e, se não tiverem cuidado eles poderão ser as próximas vítimas. Isso explica o pouco tempo de permanência de cada empregado. Um deles é Jick (Patcharee Tubthong), filha do patrão que se entretém durante as longas horas de plantão, em conversas telefónicas e na internet com as melhores amigas Noo e Sam. O que se segue são invejas e intrigas próprios da idade, que poderão ter consequências muito sérias, sobretudo se empurradas por fantasmas que não pretendem passar a eternidade sozinhos. Temas como romance, amizade, ciúme, bullying formam um compêndio de culpas e troca de acusações que podiam funcionar melhor se se tratasse de um filme independente ao invés de uma curta-metragem. Mas o melhor devem ser mesmo as breves cenas cómicas, como a imagem de um homem másculo que se transforma num medricas perante uma situação de morte iminente e uma empregada vesga pouco esperta que tem tiradas tão fabulosas como “Tenho ar de quem precisa de sexo telefónico?” Tais linhas de diálogo quebram a tensão crescente mas ajudam a elevar uma película que até ali se revelava meramente mediana.
Cara de poucos amigos
“Hell no. 8” foca um elevador assombrado e dois técnicos muito divertidos que se calhar é melhor despacharem-se a fazer a manutenção do dito. Ao que parece uma mulher foi ali esfaqueada pelo ex-companheiro e… ali ficou. É o segmento mais divertido e prova, mais uma vez que no que face a fantasmas de mulheres assassinadas, os homens encontram-se sempre em desvantagem. (Só é pena que elas só façam valer os seus argumentos depois de mortas). Misóginos, pervertidos e um pouco destravados, mas o absurdo torna-os tão divertidos que vê-los vítimas de uma mais uma descabelada parece é um desperdício. Enfase na palavra “parece” porque há mais estória do que as primeiras aparências podiam fazer crer. E sempre tem a vantagem do cameo da personagem mais engraçada do filme anterior. Mais uma antologia desigual, mais uma antologia desnecessária. Duas estrelas e meia.
O melhor:
- Homenagem ao cinema mudo
- Todas as falas da empregada vesga
- Alguém sabe onde foram desencantar os técnicos e a empregada vesga? São hilariantes.

O pior:
- Contraste entre a imagem e a legenda
- Falta de rítmo
- “Homenagem” a “Alone” (2007)
- “Heaven 11” ser uma curta-metragem
- Descabelada vingativa. Bocejo.

Realização: Yuthlert Sippapak e Tiwa Moeithaisong
Argumento: Kiattisak Sriratnonsung, Kosess Chalidtiporn, Taweewat Wantha e Kiradej Ketakinta
Natta Bangkhomnet como Siamesa 1
Nattaya Bangkhomnet como Siamesa 2
Akarin Akaranitimaytharatt
Theeradanai como Pricha
Patcharee Tubthong como Jick
Adirek "Uncle" Wattleela  como policia
Artir Wiboonpanitch
Panita Thumwattana

Próximo Filme: "Neighbour n.º 13" (Rinjin 13-gô, 2004)

domingo, 19 de janeiro de 2014

"Rurouni Kenshin" (Rurôni Kenshin: Meiji kenkaku roman tan, 2012)


“Rurouni Kenshin” é como um daqueles miúdos novos na escola que querem ser amigos de toda a gente e vai daí cedem à pressão dos pares. Entre o culto de seguidores da manga e o desejo do apelo a jovens fãs reside a fórmula para o filme “Rurouni Kenshin”. Mangas menores e com público infinitamente mais reduzido já foram adaptadas a outros meios pelo que o “Samurai X” não era uma questão de “se” mas de “quando”.
“Rurouni Kenshin” baseia-se na saga de Kenshin Himura, conhecido por “Hitokiri Battosai”, um assassino tão letal, que os guerreiros mais poderosos estremeciam à menção do seu nome. Tomado por uma súbita claridade, Kenshin (Takeru Sato) decide abandonar o caminho de morte que conduziu a sua vida e envenenou o seu espírito, optando por uma vida de mendiga expiação. Infelizmente, a nova opção de vida é vista com desconfiança por quem conhece a sua história e colocada em causa por toda uma série de vilões que se vão insurgindo. Kenshin vive assim num estado de dissonância cognitiva constante. A luta entre o desejo de largar as armas e a incapacidade de o fazer quando se cruza com a injustiça. A sua senda não é solitária e surgem amigos que lhe oferece a oportunidade da redenção e até felicidade, ainda que de curta duração.

“Rurouni Kenshin” ocorre dez anos após a tomada de decisão por uma existência pacífica do jovem samurai, quando chega a uma cidade tomada por políticos corruptos, traficantes de ópio e uma polícia semi-conivente. Sato é um “pretty boy” e transparece como tal mas exala o ar de “samurai torturado” e o (anti)herói que a estória exige. Ele acaba por ser acolhido com bondade e talvez sentimentos românticos por Kaoru Kamiya (Emi Takeda) que luta para manter o dojo da família a despeito dos interesses que a rodeiam. As suas ideias românticas de manutenção de uma escola de artes marciais de auto-defesa são maiores do que a sua capacidade para manter o lugar. Com a ajuda de apenas um órfão Tahiko Myojin (Taketo Tanaka) pouco conseguirá fazer. O rufia adorador de uma boa luta e, diga-se de passagem, uma espada gigantesca, Sanosuke Sakara (Munetaka Aoki) e a intrigante Megumi Takani (Yu Aoi) acrescem à família disfuncional. Em Teruyuki Kagawa, que interpreta o grande vilão Kanryu Takeda temos o peso pesado do elenco e a sua maior desilusão. O argumentista demonstrou grande cuidado com os personagens já queridos do público mas descurou o vilão, que padece do mal da unidimensionalidade como tantos outros que lhe antecederam. Uma grande injustiça, já que parte do encanto do “Samurai X” é o facto de os vilões serem tão memoráveis quanto ele. Aqui, Takeda soa a uma diva histriónica, um miúdo que faz birras quando não lhe fazem as vontades. Entre os seus apetites, encontram-se a morte indiscriminada e a utilização de armas grandes.
Quem disse que o Kenshin não podia ser bem-parecido?
“Rurouni Kenshin” é uma espécie de mulher de César, é séria e parece séria. Talvez demasiado para conforto. A linha temporal, acontecimentos e personagens são apresentados sem grandes desvios da manga. Escolhas demasiado seguras no entanto. Ao contrário de adaptações como “Death Note”, que tomou decisões arriscadas para o bem e para o mal. “Rurouni Kenshin” parece demasiado interessado em parecer inofensivo, como se quisesse agradar aos já fãs da saga japonesa e quisesse apelar a novos, sem espantar ninguém. Mas fácil de seguir para quem nada conhece deste universo. Resulta como interessante testemunho de uma época na qual os samurais eram extirpados dos seus antigos poderes e reputação e subjugados a uma nova ordem. Mudar ou desaparecer é o paradigma actual, mas, como bem se sabe, os momentos de transição não se perfeitos e criam-se vazios, que devem ser ocupados por alguém. Kenshin não é perfeito, mas nenhum dos outros personagens o é. Kaoru é romântica mas ingénua, Megumi sensual mas possuidora de uma moral questionável e assim por diante. O elenco é jovem, mas a representação não sofre por este motivo, todos são perfeitamente capazes de assumir o fardo. Atentem os fãs, por este constituir um primeiro momento de apresentação, as cenas de luta, que consumiam largos episódios da série televisiva “Samurai X” são ainda limitadas. A aceitar-se as ansias dos fãs mais fervorosos, “Rurouni Kenshin” será para a trilogia (sim que já estão completos pelo menos mais dois filmes) o que “The Fellowship of the Ring” (2001) foi para “The Lord of the Rings”. Conduzido com mais competência que o usual filme manga, suficientemente eficiente para qualquer fã de cinema. Três estrelas e meia.

O melhor: 
-Fiel ao espírito da Manga; 
- Não conhecem a estória? Não faz mal. A narrativa fácil de seguir e não está inundada de referências obscuras

O pior:
- Já faziam um vilão menos cartoonesco.


Realização: Keishi Otomo
Argumento: Kiyomi Fujii, Keishi Ohtomo e Nobuhiro Watsuki
Takeru Sato como Kenshin Himura
Emi Takeda como Kaoru Kamiya
Yu Aoi como Megumi Takani
Yosuki Eguchi como Saito Hajime
Munetaka Aoki como Sanosuke Sagara
Teruyuki Kagawa como Kanryu Takeda
Taketo Tanaka como Yahiko Myojin
Kôji Kikkawa como Jine Udo

Próximo Filme: "23:59", 2011

Le bónus

domingo, 5 de janeiro de 2014

"Deranged" (Yeongasi, 2012)


A humanidade adora uma boa calamidade. Natural ou provocada é alvo da curiosidade mais mórbida de que se é capaz. Documentários sobre o extermínio do povo judeu por nazis, o maremoto mortífero que abalou o este/sudeste asiático e parte da Oceânia, o fenómeno do suicídio em massa da aparente calma floresta Aokigahara, ou os esquadrões da morte na Indonésia, não são mais do que desculpas para uma sessão de masoquismo colectiva. Se por um lado, os acontecimentos são trágicos e, qualquer pessoa, fora de psicopatias se deverá envolver em termos emocionais com as histórias, por outro lado, há uma sensação de dignidade e vitória contida, de que o Homem é capaz de ultrapassar todos os obstáculos. E sim, egoísmo, pelos afectados serem outros que não nós. Imaginem pois que no centro da civilização pessoas que até ali nunca demonstraram sintomas depressivos começam a ser acometidas de uma loucura que as leva ao suicídio. Une-as um misto de sintomas tão estranhos como avassaladores para quem assiste e nada pode fazer: um apetite insaciável, seguido de uma sede que não parece esgotar-se se não, perto da morte…
Jae-hyuk (Myeong-min Kim) é um homem que vê a vida entrar em colapso quando a mulher e os filhos menores manifestam os sintomas da estranha maleita. Ele irá juntar-se ao irmão Jae-pil (Dong-wan Kim) um detective da polícia com quem tem tido uma relação afastada para descobrir como os salvar.
“Deranged” é tão excitante, veloz e assustador quanto uma montanha russa. O argumento é tão rápido e furioso quanto a propagação da pandemia. E quando o desconhecido encerra o perigo mortal, a sociedade exige respostas do Governo. Sem estas, a ordem social é abalada e as pessoas viram-se para si próprias. Mortíferas como só o Homem consegue ser. Cada um por si. O lucro fácil e à custa das vítimas não é uma casualidade, torna-se um acto consciente. É neste clima de histeria que um homem procura, a todo o custo, encontrar uma solução para salvar o que lhe é mais sagrado. Na verdade uma estória que deverá espelhar tantas outras.
Mas não é só no drama humano que “Deranged” demonstra ser superior a tantos outros filmes de pragas que lhe sucederam. Por trás dos eventos encontra-se uma conspiração tão maléfica e que poucos poderiam acreditar na sua plausibilidade. Ou melhor, que tal conspiração pudesse existir, não há a menor dúvida (e é onde reside o ultraje), que esta se pudesse concretizar na realidade já possuo maiores reservas. “Deranged” apresenta um argumento inteligente, que se foca tanto nos “porquês” como no “o quê”. Não é apenas o voyeurismo casual de uma tragédia. A trama familiar é envolvente e capaz de levar às lágrimas: o pai em desespero, a mãe impotente e a corrida contra o tempo que não perdoa. E que corrida, as pessoas choram copiosamente, insultam, agridem, espezinham, fogem, atacam… Estão a ver como é fácil perder o fôlego? Mas podem esperar muitas acções estúpidas. Começo a resignar-me às personagens idiotas e/ou acções sem qualquer tipo de lógica nos filmes catástrofe e de terror. Se conseguirem lidar com isso, muito bem. Se não, recomendo uns minutos de meditação prévia pois, “Deranged” é daquelas películas que ENERVAM! Podem dar por vós em momentos de agitação a dizer pérolas como: “Então mas ele nunca mais lá chega?!” e “Corre! Corre! CORRE (inserir vernáculo preferido)!”, assim como experienciar eventuais dores no peito. “Deranged” resulta pois num thriller daqueles que se esperaria ver no ocidente mas sem o americanocêntrismo e com o ónus da geração de reflexão, nomeadamente, no quão maquiavélico o Homem pode ser. É filme pipoca mas sem ofender a inteligência de quem assiste. Três estrelas.

Realização: Jeong-woo Park
Argumento: Jeong-woo Park
Myeong-min Kim como Jae-hyuk
Jung-hee Moon  como Gyung-seon
Dong-wan Kim como Jae-Pil
Ha-nui Lee como Yeon-joo
Ji-seong Eom como Joon-woo
Hyun-seo Yeom como Ye-ji
Shin-il Kang como Doutor Hwang
Deok-hyeon Jo como Tae-won

Próximo Filme: "Marianne", 2011

PS: Não recomendado a pessoas com tensão arterial elevada.

PS 2: Se calhar um XANAX uma hora antes de iniciar o visionamento não é má ideia.


domingo, 15 de dezembro de 2013

"V/H/S", 2012


Quem acompanhou o ruído gerado em torno de “V/H/S”, quase poderia pensar que esta antologia de terror trouxe algo de novo ao já testado género. Quase. Outros exemplos podem ser amplamente verificados neste blogue, através da etiqueta criada para o efeito. Quando muito, um estilo amador de câmara no ombro prevalente a todas as curtas e a surpresa por alguém ainda utilizar as bem velhinhas cassetes VHS (Video Home System). O mesmo país que gerou o brilhante “Creepshow” (1982) tem memória curta e é de modas pelo que o mais certo é V/H/S transformar-se noutro milagre da multiplicação de redundâncias à la “Saw” ou “Paranormal Activity”. Podem esperar, no mínimo, por uma terceira e quarta entradas (já existe uma sequela).

“Tape 56”
Um grupo de bandidos que gosta de filmar as façanhas criminosas que incluem o vandalismo e o assédio sexual e disposto a qualquer atividade que lhes dê a ganhar o próximo troco, é agora contratado para entrar numa casa e recuperar uma cassete VHS. Lá encontram um velho morto e em frente um leitor de cassetes. Enquanto o resto do bando se dedica a recolher todas as cassetes que encontra, um deles fica para trás e decide visionar uma delas sozinho…


“Amateur Night”
Shane, Patrick e Clint são três amigos pouco espertos que decidem alugar um quarto de hotel para uma noite de loucuras e filmá-las (claro). O grupo acaba por retornar com duas jovens, Lisa que está demasiado alcoolizada para levar os avanços sexuais de Shane até ao fim e Lily uma estranha rapariga que não faz segredo de admirar Clint. À medida que a noite avança os acontecimentos revelam-se inesperados e perigosos para o grupo de foliões.

“Second Honeymoon”
Sam e Stephanie são um casal que se faz à estrada para uma segunda lua-de-mel. Num parque de atracções Stephanie recebe a previsão astral de que irá brevemente reencontrar um amor perdido. Uma noite, uma estranha bate à porta do motel onde alugaram quarto a pedir boleia. Sam recusa e fecha-a do lado de fora. Nessa noite alguém entra no quarto do jovem casal e além de os roubar, prega-lhes umas partidas muito feias…


“Tuesday, the 17th”
Um grupo de amantes da natureza decide acampar. Apenas Wendy não parece estar muito entusiasmada com a aventura, recordando-se a cada nova atividade que encetam de acidentes ocorridos há algum tempo que vitimaram outros amigos. Então, qual estória saída de um conto de terror Wendy conta-lhes como um assassino matou os seus amigos numa excursão de campismo o ano passado. A ficção torna-se realidade quando alguém começa a persegui-los com intenções malévolas.

“The Sick Thing That Happened to Emily When She Was Younger”
Emily conversa com o namorado James que se encontra noutro país através de webchat. Ela está sozinha e cada vez mais enervada. Barulhos, portas a ranger e a silhueta de uma criança a atravessar corredores levam-na a crer que a casa está assombrada. A somar aos truques de uma mente hiperactiva e assustada juntam-se as memórias de um acontecimento de infância que a deixou traumatizada. À distância James nada pode fazer para a ajudar.

“10/31/98”
Um grupo de amigos veste-se a rigor para uma festa de Halloween. O problema é que não sabem onde é. Sem querer entram numa casa onde pensavam que se ia realizar a festa e exploram-na para encontrar os foliões. Nada os podia preparar para o que iriam encontrar no seu lugar.



domingo, 3 de novembro de 2013

"Dark Flight 407 3D", 2012


A ideia de uma centena ou mais de pessoas desconhecidas despenderem várias horas dentro de um passaroco gigante com um mínimo de liberdade de movimentos já é desconfortável. Se a isso juntarmos a possibilidade de uma ave entrar por uma das turbinas do aparelho, de ocorrer uma situação de negligência ou indisposição súbita dos pilotos que estão por trás de uma porta da qual nem um vislumbre ou de um tarado qualquer passar-se a meio da viagem, eis a vontade de viajar parece tornar-se subitamente mais reduzida. Demasiado pode correr mal… No ar, ninguém pode correr, ninguém escapar. Qual caixinha de surpresas, onde qualquer factor levado ao extremo pode gerar uma situação explosiva. Está-se à mercê de quaisquer circunstâncias imprevistas e da capacidade da tripulação e do apoio técnico, distante, produzir soluções. Posto isto, o avião parece o cenário ideal para um thriller de terror, certo?
Regressar ou não regressar ao trabalho, eis a questão.

New (Marsha Wattanapanich) é uma hospedeira de regresso ao trabalho após um acidente terrível que vitimou bastantes pessoas e a conduziu a anos de terapia intensa. Ela sente-se preparada para voar novamente mas, vítima do destino ou uma dose brutal de azar, este avião é demasiado reminiscente daquele que a traumatizou. Os mortos regressaram do além e querem arrastar os passageiros com eles. Será que alguém acreditará nela antes que seja tarde demais?
Ai tanto medo que nós temos. Uhhhhhhhhhh!
Acredito que falecer num acidente do género não seja a experiência mais agradável deste (e do outro) mundo mas, a sobreviver sob a forma espectral, não estou a ver onde é que atrair gente inocente para a morte provocasse algum tipo de alívio ou satisfação, pela condição de espírito. Uns exagerados estes fantasmas. A justificação prende-se com o facto conveniente do avião ter sido construídos com as peças do avião do acidente anterior. Ah e com o desejo de levarem New com eles. Como se atreveu ela a sobreviver? Felizmente, as suas acções extremadas quase são perdoadas pela circunstância de grande parte dos passageiros actuais serem de maus a horríveis. Há a mulher que faz do marido um capacho e utiliza a filha como moeda de troca para os caprichos do momento, a miúda de Hong Kong extremamente sexy porque pelos vistos tem de haver lá alguém com ar de meretriz sem que o público refile, um monge (últimos ritos e coisas do género, dão sempre jeito), o comissário de bordo efeminado, o jovem másculo que há uns anos teve um romance com New e ficou acidentalmente fechado no compartimento de bagagem, uns estrangeiros, um rastafariano... E pouco mais, que o voo 407 vai quase vazio. São mais os lugares vazios que os ocupados. Na Tailândia deve ser difícil arranjar figurantes, não?
E o prémio de melhor cena do filme vai para...

“Flight 407 3D” apresenta dificuldades que custam a aceitar ou o marketing não o apresentasse como o primeiro filme tailandês em três dimensões. Se isso é verdade… Diz que em 2012 estreou “Mae Nak 3D” e não teço mais comentários sobre esse assunto. Marsha Wattanapanich não tem nem o destaque nem o desempenho que merece. A sua personagem é apresentada como a principal mas a espaços é deixada de lado para dar lugar ao impacto da assombração sobre os outros passageiros. E quando surge, ela alterna entre o pensativo e a apatia. Como se ela tivesse desistido antes mesmo de começar. O argumento é tão mau que Marsha faz os possíveis por passar despercebida quando não está a efetuar um desempenho digno de uma daquelas actrizes que são descobertas em centros comerciais. Depois de participar no brilhante “Alone”, “Flight 407 3D” é um erro atroz. A grande mácula deste filme encontra-se precisamente na utilização da tecnologia 3D que não se justifica e apenas serve de engodo para apelar aos mais distraídos. O potencial do cenário é descartado por oposição à crença de que o 3D faz tudo mas não serve de desculpa para uma película sem quaisquer méritos e que sucede no hilário, ao invés do medo que o marketing prometia inspirar. Uma estrela e meia.

Realização: Isara Nadee
Argumento: Kongkiat Khomsiri, Chanin Panthong, Nattamol Peanthanom e Nattapot Potchumnean
Marsha Wattanapanich como New
Peter Knight como Bank
Paramej Noiam como Jamras
Patcharee Tubthong como Gift
Anchalee Hassadeevichit como Phen
Thiti Vechabul como Prince
Namo Tongkumnerd como Wave
Sisangian Sihalath como Ann
Jonathan Samson como John
Kristen Evelyn Rossi como Michelle´

Próximo Filme: "Phone" (Pon, 2002)

domingo, 20 de outubro de 2013

"Dead Sushi" (Deddo Sushi, 2010)


Noboro Iguchi, realizador de títulos tão improváveis e absurdos como “RoboGeisha” (2009), regressa com “Dead Sushi” uma séria concorrente ao lugar cimeiro de um Top 5 de Objectos Inanimados com Institutos Assassinos do Cinema. 

Keiko (Rina Takeda) é uma jovem aprendiz de chefe e karateca que foge da disciplina imposta pelo próprio pai, um chef especialista em sushi ultra-rígido, para se tornar servente numa estalagem. Lá, é alvo das constantes humilhações do chefe e do pessoal negligente até que perante o ataque de sushi assassino (sim, leram bem), Keiko se torna única pessoa capaz de deter a ameaça. Um ex-cientista de uma farmacêutica pouco escrupulosa deseja vingar-se do tratamento de que foi alvo e cria um vírus zombie que infecta o sushi servido aos convivas na estalagem. O sushi torna-se, (naturalmente?), uma criatura mutante com o intento de devorar todos quantos se encontram à sua frente. Por entre mortos e feridos alguém há-de escapar. Certo?

Entre as cenas memoráveis encontram-se a da assistente irritante que é “trincada” por um destes zombies, aquela em que duas jovens se tornam a mesa e o prato principal da comida que serviam, ou quando um dos atacados é alvo de uma “plástica” facial extrema… Mas a piada não fica por aí já que a personagem principal é uma karateca que foge do mundo altamente competitivo e exigente dos chefes de sushi para combater os rolos assassinos, tendo por sidekick um chef com fobia de facas. Quem é que inventa cenários destes?
“Dead Sushi” enquadra-se na categoria sobejamente conhecida de “estes japoneses devem estar loucos”. Há os filmes “normais”, i.e., que podiam ser criados em qualquer parte do mundo e depois há os outros, os criados pelos nipónicos que se baseiam nas premissas mais extraordinárias e, estranhamente funcionam. A palavra de ordem é: “não há limites”. A improbabilidade e impossibilidade presente nestas películas surge em grande quantidade e em rápida sucessão formando uma relativa coesão. Se a audiência estiver predisposta a aceitar tudo quanto sucede no ecrã, “Dead Sushi”, “Tokyo Gore Police”, “Meatball Machine”, entre muitos outros, funcionam como um novo subgénero de cinema que apresenta rasgos de genialidade. Regra geral, as personagens são do sexo feminino e existe tanto de acção como de comédia, de preferência em conjunto. Adicionem uma pitada de terror et voilá. Características: os close-ups de seios e roupa interior feminina são um must. Cenas como uma protagonista perder um botão da blusa ou cair e ficar com as cuecas expostas não serão novidade. De notar que o aparecimento de personagens mutiladas, com um ou mais membros mecânicos tais como metralhadoras ou lâminas não deve ser inesperado. A contagem de mortos não deve ficar abaixo de uma dezena. De preferência, acompanhados de salpicos de sangue, esguichos de sangue, banhos de sangue ou todas as opções anteriores. Neste aspecto, o Robert Rodriguez com os seus esforços grindhouse, vêm à mente como o equivalente de Hollywood mais aproximado. A compor o ramalhete, estão slogans tão exagerados como o próprio filme: “O Sushi contra-ataca” ou “Acção Quente do Wasabi”. Pensem em “Dead Sushi” como uma reinterpretação de um “Airplane” (1980), ou um "The Naked Gun” (1988) com bolinha vermelha.
“Dead Sushi” pode ser um gosto adquirido, mas não me parece que quem não apreciasse sushi anteriormente se vá tornar fã. Aliás, se forem um dos infelizes comtemplados com fobia a sushi esta é a pior alternativa possível a não ser que estejam a considerar submeter-se a terapia a longo prazo. Duas estrelas e meia.

Realização: Noboro Iguchi
Argumento: Noboro Iguchi, Makiko Iguchi e Jun Tsugita
Rina Takeda como Keiko
Shigeru Matsuzaki como chef
Kentaro Shimazu como Yamada
Takamasa Suga como Nosaka
Takashi Nishina como Senhor Hanamaki
Asami como Yumi Hanamaki
Yui Murata como Misse Enomoto

Próximo Filme: "Chaw" (Chau, 2009)

domingo, 4 de agosto de 2013

3 A.M. 3D (2012)


O que é que faz falta ao cinema de terror asiático? Antologias não são com certeza. Mas perdoe-se 3 A.M. desse pecado e julgue-se pela qualidade. Então o que é que 3 A.M. tem para oferecer? Apenas o artificio para gerar dinheiro mais irritante dos últimos anos? Adivinharam, tecnologia 3D. Acrescenta algo às curtas-metragens? Isso é o que vamos ver a seguir…

“Wig Shop”
May (Focus Jirakul) e Mint (Apinya Sakuljaroensuk) são duas irmãs que, não fosse o facto de pertencerem à mesma família nada teriam em comum. May é calma, modesta e trabalhadora, Mint é a vida da festa, sofisticada e preguiçosa. Rebenta uma discussão séria entre ambas quando Mint leva uns amigos para a loja de perucas dos seus pais e estes se põem a brincar com elas. Conseguirão elas esquecer as divergências quando uma aparente anterior dona do cabelo de uma peruca decide assombrar o grupo de amigos?

“Corpse Bride”
Tod (Tony Rakkaen) é um mortuário novato contratado para velar um jovem casal que faleceu uma semana antes do casamento. Ele deverá efetuar ritos para apaziguar os seus espíritos, não espreitar para dentro dos caixões e não tocar nos pertences do casal até ao seu descanso final. Mas ele não consegue deixar de cometer um erro primordial, ele olha para dentro do caixão da noiva Cherry (Karnklao Duaysianklao). Linda, parece estar viva…

“Overtime”
Karan (Shahkrit Yamnarm) e Tee (Ray MacDonald) são dois chefes brincalhões que adoram pregar partidas aos seus funcionários durante o período da noite. Desta feita Bump (Prachakorn Piyasakulkaew) e Nging (Kanyarin Nithinaparath) são as próximas vítimas mas será que eles não estarão a preparar um contra-ataque.



O fio condutor entre estas curtas-metragens é as três da manhã, o período, no qual sucedem acontecimentos que poderíamos classificar de paranormais. Tradicionalmente, para quem estuda tais eventos, o período entre as três horas da manhã e as quatro considera-se a hora dos mortos. Esta hora está ligada à morte de Jesus Cristo, uma vez que é a hora diametralmente oposta àquela em que o profeta faleceu (três da tarde) e é o período em que será mais fácil estabelecer contacto com o outro mundo. Meninos não tentem isso em casa! Infelizmente para os protagonistas, os contactos com os espíritos no outro lado não são positivos. (Ainda estou para ver um filme em que esses encontros sejam simpáticos). 3 A.M. é um verdadeiro “quem-é-quem” do cinema de terror tailandês. Isara Nadee, realizadora de “Overtime” é dos elementos da equipa de argumentistas “ronin”, notória pelos filmes do gorefest “Art of  the Devil” e ainda do terrível “407 Dark Flight 3D”. Apinya Sakuljaroensuk e Ray MacDonald são presenças recorrentes no cinema local e Shahkrit Yamnarm é a grande estrela do elenco, tendo inclusive contracenado ao lado de Nicolas Cage (sei que hoje em dia não é grande motivo de orgulho), em “Bangkok Dangerous”. Que podia pois correr mal?
A abrir as hostilidades está “Wig Shop” que, para quem viu filmes como o coreano “The Wig” ou o japonês “Exte: Hair Extensions” é um conceito já testado e cansado, para não dizer totalmente exausto. A curta tenta emular em poucos minutos o que os filmes anteriores conseguiram realizar em pleno durante quase duas horas. E se um recorria ao bom velho drama coreano o outro apresentava como grande arma um realizador de peso. “The Wig Shop” vale-se de duas carinhas bonitas que não conseguem salvar um argumento em veloz trajecto descendente.  Ah e alguém reparou na triste ausência de 3D? Não se preocupem que o sua utilização desnecessária ainda agora começou.
Nestes projectos há sempre um momento de insanidade e “Corpse Bride” encarrega-se da bizarria da antologia. “Corpse Bride” é capaz de fazer mais jus ao nome do que a animação de Tim Burton mas é um exemplo clássico de ausência de direcção. Drama? Mistério? Terror? Seria de pensar que com tanta variedade “Corpse Bride” exaltasse algum tipo de entusiasmo mas é tragicamente, o mais aborrecido dos três. Pior ainda, parece uma curta-metragem demasiado longa. Quando os personagens são desprezíveis ou provocam, no mínimo indiferença o que mais desejamos é despachá-los o mais rápido possível e não prolongar a tortura. “Corpse Bride” tem uma reviravolta final mas, por essa altura, já estaremos tão dormentes que não importa. Acabem com a nossa miséria!
“Overtime” é o grande desperdício da antologia. Mesmo que aguentem o visionamento até à última curta-metragem será difícil não ficar com a sensação de que o tom da mesma está totalmente desligado do das anteriores. Curiosamente é o que melhor representa o cinema tailandês. Assim como os sul-coreanos adoram misturar drama e comédia, os tailandeses parecem adorar os seus filmes de terror com um pouco de comédia. Querem melhor exemplo que o estreado este ano “Pee Mak” que se tornou o filme mais rentável da história do cinema tailandês? A grande crítica a “Overtime” é parecer-se mais com um conjunto de gags colados para efeito cómico do que um argumento sólido. No entanto, é a descontração dos actores e o sentimento de que a estória não está a ser levada demasiado a sério que deve conquistar os corações das audiências. Os efeitos digitais são maus? Terríveis, na verdade. Mas questionem-se, onde das películas falharam em assustar uma teve sucesso em divertir. Quem é o vencedor? Duas estrelas.
“Wig Shop”
Realização: Pussanont Tummajira
Focus Jirakul como May
Apinya Sakuljaroensuk como Mint

“Corpse Bride”
Realização: Kirati NakIntanont
Tony Rakkaen como Tod
 Karnklao Duaysianklao como Cherry
Peter Knight como Mike


“Overtime”
Realização: Isara Nadee
Shahkrit Yamnarm como Karan
Ray MacDonald como Tee
Prachakorn Piyasakulkaew como Bump
Kanyarin Nithinaparath como Nging

Próximo Filme: "Swing Girls" (Suwingo Gâruzu, 2004)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...