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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Babang Luksa, 2011

Babang Luksa é uma tradição filipina com base na herança católica, na qual os familiares e amigos de um falecido se reúnem o primeiro aniversário após a sua morte para cessar o luto. É uma espécie de formalização do final do período de “pesar”, com o conforto de comida, onde os convivas decidem seguir com as suas vidas a despeito do falecimento de um ente querido. Este ritual abre as hostilidades e é o único momento genuíno em toda a trama.
Close-ups para que vos quero?

Soledad (Ces Quesada) convida Carlo (Luis Alandy) e Ana (Precious Lara Quingaman) para o Babang Luksa da sua filha Beatriz (Arya Valdez). Desde esse momento as vidas de todos ficam marcadas. Por quem ou o quê, não se sabe ao certo mas suspeito que as sombras e close-ups das caras assustadas do elenco signifiquem que existe uma assombração. Outra conclusão perfeitamente lógica é a de que Beatriz não partiu para o outro lado e prefere ficar na terra a atormentar quem lhe foi prestar homenagem. Porque parece que quem nos quer bem é a vítima ideal para estas coisas de assombrações. Pelo menos é essa a opinião de Ana que é a mais acossada pelas manifestações de Beatriz. Aliás, a amiga nem sequer teria qualquer motivo para estar zangada com ela. Alguma vez ela devia ficar chateada por Carlo que lhe foi apresentado por Ana a rejeitar por esta última? Beatriz nem sequer cortou os pulsos por despeito. Sim, ela era uma moça que estava de bem com a vida e que não guardava qualquer rancor da amiga por esta tomar o seu amado…Além disso, Ana deveria descansar como aconselham Soledad e Carlo. Deve ser por causa disso que ela está com uma imaginação demasiado activa. (Quando estou cansada dá-me assim para o sono ou até tonturas, não para ver fantasmas, mas isso sou eu que não percebo destas coisas). Assim ela toma o curso de acção mais sensato: faz uma sessão espírita para pedir à amiga para os deixar em paz. O que podia correr mal?
Um dos pormenores mais fantásticos é o facto de “Babang Luksa” ser uma produção independente. Normalmente uma obra é denominada independente quando não tem um estúdio por trás. Ora se a ausência de recursos é flagrante, o que não é tão imediato é entender como conseguiram atrair uma beauty queen e uma apresentadora de televisão conhecidíssimas para um filme que não ficará na estória do cinema independente, quanto mais filipino. Os críticos de cinema são massacrados por estarem sempre a falar da qualidade dos argumentos e Babang Luksa é um excelente exemplo disso mesmo. É vermo-nos obrigados a ver uma novela com a desculpa que é filme e sentirmo-nos desafiados nas nossas faculdades mentais porque os actores explicam a todo o momento o que se passa no ecrã. “É a Beatriz!”, “Tem de ser a Beatriz”, “Tu não tens culpa nenhuma do que sucedeu à Beatriz”, “Amo-te a ti e não à Beatriz”, “O que posso fazer para acalmar a Beatriz?”, “O que está a suceder?”, “Tem cuidado” e “Não temos a certeza do que se está a passar” repetem-se.
Não fosse a estupefacção por nos proporcionarem momentos destes e ainda somos brindados com cenas do quotidiano de Carlo e Ana. Ele anda muito stressado coitado, pois parece que os números da empresa (vendas?), não são o que deviam, conforme é indicado numa reunião de trabalho onde os colegas ostentam um ar seríssimo e de extrema preocupação. Já ela tem uma chefe horrível que a maltrata mas entretanto Ana demonstra que é uma profissional eficiente numa urgência apesar de perder o doente. Porque é que isso é importante também não sei. Se a ideia é demonstrar que eles são pessoas normais o argumentista, quem quer que seja, falha a partir do momento em que apresenta a hipótese da assombração ao fim dos primeiros cinco minutos de filme. Entre diálogos que não se assemelham de modo remoto à vida real que se tenta emular, problemas de continuidade que produzem a confusão e uma péssima caracterização do “monstro” a única questão que restará é se este filme era a única opção para visionamento nesse dia. A outra opção seria decerto melhor. Meia estrela



O melhor:
Curta duração do filme

O pior:
Argumento, incluindo diálogos saídos de uma novela
Continuidade
Caracterização horrível
Direcção horrenda
Suspense inexistente
O tempo de vida desperdiçado


Realização: Yuan Santiago
Precious Lara Quigaman como Ana
Luis Alandy como Carlo
Angelika Dela Cruz como Idang
Roselle Nava como Cathy
Helga Krapf como Kris
Ces Quesada como Tita Soledad
Joy Viado como Dra. Catacutan
Joshua Ocampo como Miguel
Arya Valdez como Beatriz
Rachael Chezka Marie Decena como Sigbin

Próximo Filme: "Ghost House" (Gwishini sanda, 2004) 

domingo, 11 de agosto de 2013

Tiyanaks, 2007


No Not a Film Critic lá vamos avisando que não existe número suficiente de filmes com bebés assassinos. As poucas experiências já realizadas encontram-se entre o jocoso incapaz de provocar o riso e uma seriedade artificial. As Filipinas, misto de sonho pagão com o mais fervoroso fanatismo religioso, possuem lendas suficientes para satisfazer os amantes de filmes de terror. Depois do Aswang, abordamos o Tiyanak, uma criatura da mitologia filipina que assume a forma e o choro de uma criança atraindo pessoas insuspeitas para a sua morte. Outras variações da lenda descrevem a criatura como um anão ou um pequeno velhote enrugado. De acordo com a população este é o espírito de uma criança cuja mãe faleceu antes de dar à luz, sendo que na versão mais recente, cristã, o Tiyanak é o espírito de um bebé que morreu antes de ser baptizado ou de um feto abortado.

Em “Tiyanaks” um grupo de amigos de escola e a professora Sheila (Rica Peralejo) decidem fazer uma viagem a um local paradisíaco durante o período de férias da semana santa. Cedo os planos começam a correr mal. Eles perdem-se na floresta e a carrinha que os transportava avaria. A somar à sequência de azares, a professora é acossada por uma série de pesadelos que pressagiam um final amargo para a viagem. Será que conseguirão regressar à civilização ou a floresta esconde um mal que não os deixará sair dali com vida?
Sheila é a única adulta em plena utilização das faculdades mentais. O motorista da carrinha mais parece um amador pois tem a seu cargo um grupo de jovens e deixa-se levar para um local que desconhece sem um mapa, sem alternativas e, perante a ausência de indicações toma a atitude menos inteligente possível: recorre à arte do palpite. Quanto à professora Sheila, ela é daquelas que ignoram o tão aclamado instinto feminino, metendo-se, a despeito de todas as reservas e sinais negativos, na boca do lobo. Já os jovens, eles só podem ser acusados de ser jovens, tal como eles são percebidos no cinema. Meio desmiolados, totalmente preocupados com questões frívolas e obcecados com sexo. Tudo actores conhecidos da telenovela local. Há um rapaz, há a rapariga, há um triângulo amoroso. Mas como tantos outros exemplos anteriores nos ensinaram, nada há a temer a esse respeito. Já nem se trata de vos estar a brindar com spoilers. As interacções dos primeiros minutos de filme são inequívocas. Os bons, os amigos brincalhões, os rebeldes… Quem vive e quem morre parece ter sido decidido pela mesma caneta há décadas. “Tiyanaks” é na essência um slasher que segue todas as regras do género e cuja novidade se encontra na escolha do perseguidor. Podem pois esperar todo o tipo de decisões estúpidas por parte dos personagens. Que seria um slasher sem pérolas do género: “vamos separar-nos?”. Os “Tiyanaks” são um elemento novo, quase como um cruzamento entre a criança, uma planta e um animal feroz. Engraçados à vista, nem por isso assustadores…
O aspecto mais negativo de “Tiyanaks” reside na interpretação mais polémica da lenda. Para as Filipinas modernas e cristãs, a proibição do aborto e os problemas morais advindos da religião são ainda mais ou menos consensuais. Como tal, nem sequer existe subtexto quanto ao facto do aborto ser impensável, é explícito. Sobretudo para as sociedades ocidentais, o conteúdo poderá ser, no mínimo questionável e até fazê-las recusar visionar o filme de todo. Quem é que estes pensam que nos vir dizer que o aborto é errado? Quem são estes para utilizar crianças como armas para defender um ponto de vista? (Notem que as sociedades ocidentais têm o mesmo tipo de comportamento indefensável). Assim, a única sugestão que posso apresentar, sem rejeitar pontos de vistas morais e religiosos alheios, que tentem apreciar “Tiyanaks”, concordando ou não com a propaganda (fé se quiserem), apresentada, como produto da História, cultura e religião local. Talvez a mais-valia deste filme se encontre em dar a conhecer ao mundo uma lenda regional, já que do ponto de vista cinéfilo, “Tiyanaks” não tem muito a oferecer. Uma estrela e meia.
Realização: Mark A. Reyes
Argumento: Mark A. Reyes, Fairlane Raymundo, Venjie Pellena e Roselle Y. Monteverde
Rica Peralejo como Sheila
Jennylyn Marcado como Rina
Mark Herras como Christian
J.C. de Vera como Kerwin
Lotlot de Leon como Mildred
T.J. Trinidad como Professor Earl
Nash Aguas como Biboy
Karel Marquez como Cindy
Ryan Yulo como P.J.
Jill Yulo como Hans
Alwyn Uytingco como Bryan

PS: Não encontrei trailer com legendas em inglês. No entanto, o filme encontra-se online, com legendas em inglês.

Próximo Filme: “The screen at Kamchanod”, 2007

Cliquem aqui se quiserem ver o Tiyanak. Não cliquem se não gostam de spoilers. E depois não digam que não avisei!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"The Road", 2011



O cinema filipino percorreu um longo caminho desde o conforto de estórias baseadas no folclore regional ao slasher clássico de terror. O aswang – figura mítica que alberga qualquer coisa entre o vampiro e o zombie, tem sido a escolha segura por muitos anos e, não posso dizer que censure os cineastas. O último filme que por aqui passou do género: “Corazon Ang Unang Aswang” (2012) bateu à data de estreia, “John Carter” e “The Hunger Games”. Por que se haveria de mexer em fórmula que resulta? E depois há pessoas como Yam Laranas, do tipo nervoso, que não se contentam com o fácil e querem, por via do difícil, demonstrar que o cinema de terror filipino não tem de se quedar pelas velhas estórias que agradam a audiências tradicionais. Ele próprio já entrou nesse território com “Patient X” (2008), com resultados mistos. A transição de subgénero parece natural, como se tivesse passado anos a estudar a audiência para ver até onde podia ir e dar o salto final.
“The Road” tem início em 2008, quando três adolescentes se escapam de casa durante a noite para treinar para o teste de condução de um deles. O medo de serem apanhados pelos adultos levam-nos a enveredar por uma estrada escondida. Má opção. A estrada não tem fim e rapidamente começam a ser assombrados por uma série de figuras fantasmagóricas. O pânico instala-se e, eis que está cada um por si (não há nada como testar os laços de amizade como colocá-los perante um perigo mortal). Recuamos dez anos e as duas irmãs Lara (Rhian Ramos) e Joy (Louise de los Reyes) ficam paradas nessa mesma estrada quando o carro fica sem gasolina. Sem outra solução, acabam por pedir ajuda a um transeunte. Repitam comigo: má opção. Passamos a 1988 e um casal com um filho parece lutar pelo prémio de pior família do ano. Chamar-lhes disfuncionais é estar a ser simpático.
“The Road” não oferece nada de novo em termos de conteúdo mas é na forma que antevê o talento do artista. As hostilidades são abertas com o aparente habitual trio de adolescentes irritantes: a miúda certinha que acha que sair a meio da noite é uma imprudência mas vai na mesma, a garota que procura um pouco de aventura na sua vida e o jovem com as hormonas aos saltos que só quer passar uns momentos a sós com a namorada, mas tem que levar com a amiga chata. Trio irritante só de aparência pois que passados uns minutos damos por nós a temer o pior pelos jovens. Realmente cometeram um erro, não pensaram antes de agir mas são bons miúdos e não queremos que lhes aconteça nada. E a sensação de pânico também não é difícil de engolir. São novos, escapuliram-se a meio da noite sem os pais saberem e dão por eles numa estrada desconhecida a ser atacados por uma força obscura. Se bem se recordam, com aquela idade não era preciso muito para as vossas mentes entrarem em estado de sítio… A segunda estória é a mais fraca e existe um erro flagrante quando uma das personagens decida investigar o desaparecimento de duas irmãs ocorrido 12 anos antes. Ora, se a memória não me falha estamos em 2008 e o segmento das jovens sucede em 1998. Escapou-me alguma coisa? O segundo capítulo é também o mais fraco do filme. Se as actrizes até podem ser mais capazes que os miúdos que introduzem a estória, não sabemos por que os papéis delas estão reduzidos a gritos e choro histérico, qual carne para canhão. Onde o prólogo é mistério sobrenatural, este é slasher puro. A última parte é a redenção de “The Road”. O terror dá lugar a um drama familiar tão poderoso que explica de modo convincente os primórdios de um degenerado homicida. A estória tem lacunas quanto baste, nomeadamente em termos temporais. O mesmo personagem rapaz que em 88 tem 12 anos, em 1998 teria 22 certo? Errado, pois foram contratar um jovem com uma aparência tão jovial que parece ter uns 16 no máximo. Agora, imaginem um rapaz de 16 anos a pôr fora de combate uma rapariga da mesma idade e outra mais velha ao mesmo tempo e a arrastá-las para dentro de casa. Não é muito verosímil pois não? O melhor é mesmo a fotografia e Laranas faz questão de juntar mais essa função à de realizador e escritor. E se ele pinta cenários? Ele aproveita todas as oportunidades para mostrar a estrada de diversas perspectivas. Ao nascer do sol, durante o crepúsculo, nas trevas da noite que vai longa... Por entre a folhagem virginal, através do campo de visão dos ocupantes da estrada. Quase tudo é estrada, momentos que alterna com a evolução de uma casa à medida que vai tendo diferentes ocupantes durante duas décadas. Como dissera antes, “The Road” salva-se pela forma e, não só apresenta momentos de grande beleza como apela a diferentes correntes de terror. Tem tudo para agradar a todos, se a narrativa não for um requisito essencial. Duas estrelas e meia.

Realização: Yam Laranas
Argumento: Yam Laranas e Aloy Adlawan
TJ Trinidad como polícia
Carmina Villaroel como Carmela
Rhian Ramos como Lara
Barbie Forteza como Ella
Alden Richards como jovem Luís
Louise de los Reyes como Joy
Lexi Fernandez como Janine
Derick Monasterio como Brian

Próximo Filme: “The Wig” (Gabal, 2005)

domingo, 30 de setembro de 2012

Corazon: Ang unang aswang, 2012


No campo dos monstros lendários, o povo filipino não fica atrás dos seus vizinhos do sudeste asiático. Por entre mulheres despeitadas e mortos que regressam à vida, também há monstros que comem criancinhas. Por que não existe nada melhor para convencer o povo a não cometer actos moralmente condenáveis, do que afirmar que um monstro assassino virá atrás deles. O aswang é um monstro genérico, pode ser aplicável a qualquer contexto: “olha que a bruxa te vai apanhar”, “vê lá se o vampiro não vem atrás de ti”…
Por isso, inventar uma qualquer estória para o surgimento do Aswang quase que pode ser inscrita no imaginário popular. Corazon: Ang unang aswang, tem por base uma vila ficcional na qual Corazon (Erich Morales) vive com o marido Daniel (Ramsey). No pós 2ª Guerra Mundial, as pessoas estão amedrontadas e mais supersticiosas que nunca. “Faz aos outros, antes que te façam a ti”, parece ser a mentalidade geral, o que não abona muito a favor deles. Aliás, qualquer um que desafie o pensamento dominante é imediatamente afastado e são-lhe atribuídos os piores defeitos e acções. No meio de tanta insanidade, Corazon vive com Daniel um romance agridoce: por diversas vezes ficou grávida e nenhuma foi até ao fim. Com as pessoas a vê-la como um mau augúrio e praticamente sem apoio que não o marido, Corazon vê no nascimento de um filho o único modo de aplacar a população cada vez mais hostil e refugiar-se no mundo do amor incondicional entre mãe e filho. Desesperada, recorre mesmo a uma mulher tida como bruxa para preencher o vazio.
O que é tida como a última solução torna-se um pesadelo quando Corazon perde mais uma vez o feto. Amargurada com o facto de a população estar cada vez mais unida contra ela e a desilusão de Daniel por perder mais um filho, Corazon vira-se para as trevas dentro de si, seu único consolo. A doce, inocente Corazon passa de bestial a besta. Se Erich Morales é convincente em ambos os papéis, não deixa de ser a transição que mais choca. Como é que alguém se transforma numa besta comedora de criancinhas? Que ela virasse toda a raiva e dor contra os aldeões ignorantes a sua fúria implacável é mais provável e acessível do que magoar a sua descendência. Para os magoar? É capaz de ser um pouco extremo não?
Mais estranha é a incapacidade de Daniel, que durante metade do filme para inteligente e capaz, perceber que a mulher é a causadora do mal que assola a terra. E ainda mais surpreendente é a reacção de Daniel à verdade: aquela é a mulher que ama, daqui até ao fim do mundo. Um sentimento meritório, não fosse ela um monstro! Eis que Corazon: Ang unang aswang que até ao momento era um filme de terror passa a romance dramático e a audiência já não sabe o que fazer. Chorar lágrimas de crocodilo pelos apaixonados amaldiçoados? Clamar por vingança pela perseguição de crianças? Por muito boa vontade que se tenha é difícil não apoiar a segunda facção pelo que o argumento, defensor fervoroso dos amantes não tem senão apoiar-se no ridículo. Apesar de uma cinematografia irrepreensível e de uma dupla cuja química se sente fora do ecrã é impossível ignorar que “Corazon” não mete medo a ninguém. E mesmo quando está despenteada e de andrajos, Erich é daquelas mulheres que não ficam feias de modo nenhum. É nestas alturas em que nem a magia do cinema consegue fazer um dos seus milagres. Uma estrela e meia.
Realização:  Richard Somes
Argumento:  Richard Somes e Jerry Gracio
Erich Morales como Corazon
Derek Ramsay como Daniel
Mark Gil como Matias
Tetchie Agbayani como Melinda
Maria Isabel Lopez como Herminia

Próximo Filme: "Pulse" (Kairo, 2001)

quarta-feira, 21 de março de 2012

"Tumbok", 2011

As superstições são parte integrante das nossas vidas e podem afectá-las em diversos graus. Podemos afirmar que não acreditamos nessas coisas, no entanto, não deixamos de entrar num novo ano com o pé direito e recusamo-nos a passar por debaixo de escadas. Alguns, levam-nas mais a sério e há países em que o número 13 foi erradicado das moradas e de serviços públicos. Até o facto de a garrafa de champanhe não se partir no batismo de um barco é considerado aziago. “Tumbok” é um dos maiores pesadelos dos supersticiosos tornado realidade. Reza a crença local que uma casa localizada no extremo de uma intersecção de ruas em T é o ponto focal de azar. De acordo com a corrente feng shui, uma intersecção em T é aziaga pois o Chi, a energia universal, flui muito rapidamente dos vários extremos para a casa ou pessoas no caminho, afectando negativamente a energia desse local. E pronto aqui termina a minha primeira tentativa como consultora habitacional de feng shui.
Grace (Christine Reyes) e Ronnie (Carlo Aquino) são um casal recém-casado cujas vidas parecem ser finalmente bafejadas pela sorte. Após a morte do pai de Ronnie, o jovem casal descobre que este possuía um apartamento em Manila. Por coincidência ou talvez não, foi para lá que Ronnie foi transferido por via de uma promoção dentro da força policial. Mas logo que chegam as coisas começam a correr mal. O casal é confrontado com Mark, o administrador demasiado simpático do prédio e um edifício praticamente vazio. Parece um negócio demasiado bom para ser verdade. E é. Entre os poucos vizinhos, encontram-se um grupo de estudantes barulhentos, um casal que se envolve em frequentes disputas domésticas e uma criança que vê coisas que não existem.Grace fica todo o dia em casa a efectuar as mudanças enquanto Ronnie vai trabalhar. Ela começa quase de imediato a ter visitas inesperadas. Durante o dia é assolada pela sensação de que não se encontra sozinha e durante a noite sonha que é molestada. Ela está assustada mas nega a impressão inicial a bem de uma vida melhor. Grace aguenta o que pode mas depressa o ambiente se torna opressivo. Ela prefere voltar a uma vida sem perspectivas no campo a permanecer naquele polo do mal. Ronnie pelo contrário torna-se inflexível e recusa-se a desistir da vida em Manila, afectado que está pela pressão do novo trabalho e sem dinheiro na conta. Será que estão a ser atingidos pelas más energias da intersecção em T? Ou não passará de uma obra do acaso e logo virá a mudança.
“Tumbok” é uma boa ideia com uma dupla de actores minimamente competente. Se não se deixarem levar no engodo de uma Christina Reyes em calções e com a roupa bem colada ao corpo, atente-se à sua vulnerabilidade e presença envolvente. A câmara enamora-se de Christine. Não é de admirar que Reyes seja uma das maiores sex symbol filipinas. Carto Aquino é a metade menos credível do casal. Só passada boa metade da película é que se descobre um passado negro na história de vida de Ronnie que poderá ter algo que ver com a má sorte que se abateu sobre o casal. Quando todos os sinais não apontam, GRITAM, que o melhor que ambos devem fazer é empacotar os haveres e voltar à aldeia Ronnie continua a negar-se a regressar. Pois, que o mais importante é o trabalho e não a sanidade mental e bem-estar físico da jovem mulher. Se os problemas financeiros são o motivo principal para não saírem dali não é como se não tivessem alternativas. Ronnie e Grace podiam vender ou alugar o apartamento. Enquanto não juntassem dinheiro Ronnie podia ir viver para um quarto enquanto Grace regressava para casa dos pais a titulo temporário. Mas pronto, o argumento não é meu. É suposto transmitir um momento de grandes contrariedades e dificuldades de cariz monetário que os forcem a permanecer num prédio com bad juju (leia-se azar). O prédio, esse sim, é a grande estrela da película com a sua fachada degradada imponente. As pessoas, os sons, o ruído, o mundo, tudo conflui para o prédio. A outra personagem digna de nota é a enorme escadaria, a qual é convenientemente secundarizada com um elevador sempre avariado. É o único toque de excelência na realização de Topel Lee por que o resto… Quem não o viu antes? Cenas no banheiro? Soa o alarme de fantasmas. Vultos a atravessar corredores? Soa novo alarme. Aumento súbito de volume do som? Es-pí-ri-tos! Agora, eis o que me aborrece deveras, por que é que tem de existir sempre uma espírita ou mulher supersticiosa para avisar os heróis sobre o mal que impende sobre eles? Haverá truque mais gasto? É que é a melhor amiga bonitinha ou a velhota estranha. E já agora há algum motivo para o Ronnie sacar do distintivo a toda a hora? Algo complexo de autoridade? Being a cop will get you places! Hmmmm… “Tumbok” consegue ser ligeiramente assustador vagamente original mas acredito que tenha superior impacto para o ocidental do que para o cidadão filipino acostumado a tais superstições. Topel Lee tem no currículo suficientes incursões no cinema de terror para fazer muito melhor. Não é nenhum Chito Roño ou um Yam Laranas. Temos pena. Duas estrelas e meia.
Realização: Topel Lee
Argumento: Topel Lee
Cristine Reyes como Grace
Carlo Aquino como Ronnie
Ryan Eigenmann como Mark
Ara Mina as Rita
LJ Moreno como Lumen

Próximo Filme: Pecadilhos das Horas Vagas #2

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Don't turn Away" (Wag Kang Lilingon, 2006)


Existe maior golpe publicitário do que juntar duas das actrizes que mais atraem os espectadores ao cinema? Foi exactamente isso que a Star Entertainment e a Viva Films, duas produtoras filipinas fizeram em 2006, quando juntaram as duas maiores sex symbols do país. Na altura, Anne Curtis e Kristine Hermosa competiam entre si para ver qual das duas era a rainha das bilheteiras até que em 2010, Hermosa se retirou (vamos ver até quando), para se dedicar à família. Como se não bastasse, recrutaram dois cineastas para realizar cada um dos capítulos do filme. O resultado é tão desigual que se não soubéssemos, diríamos que estávamos a ver dois filmes diferentes.

“Lullaby” (Uyuayi)
Melissa (Anne Curtis) é enfermeira no hospital do Anjo da Misericórdia que está envolto em controvérsia. Os pacientes do sexo masculino internados no hospital estão a ser afectados por uma aflição que culmina com a sua morte durante a madrugada. Os órgãos de comunicação social estão obcecados com o evento e James (Marvin Agustin), o namorado jornalista de Melissa, aproveita a oportunidade para conseguir um exclusivo. Contra os desejos de Melissa que suspeita do sempre indisposto Dr. Carl (Raymond Bagatsing) faz-se internar. Todas as noites, às 3 da manhã, o hospital parece entrar numa outra dimensão e Melissa, que está no turno da noite, testemunha fenómenos que a fazem temer por James.

“Mirror” (Salamin)
Rosing (Cherry Pie Picache) muda-se com as duas filhas Angel (Kristine Hermosa) e Nina (Celine Lim) para um velho casarão após o marido a ter trocado pela amante. A penúria obriga-as a mudar-se e a antiga mansão com poucas condições de habitabilidade é o melhor que as suas poupanças podem custear. Um dia, enquanto Angel e a sua irmã mais nova exploram a casa, deparam com um espelho e acidentalmente invocam espíritos. Os dias passam e a somar aos fenómenos paranormais que se apoderaram da casa, elas não se conseguem entender com os homens das suas vidas. Além dos inúmeros problemas existentes irão descobrir que a casa guarda o seu próprio segredo terrível.

Entra o hospital assombrado, tema recorrente e pouco rebuscado. É típica historieta, “escrita de argumentos para totós” ou pelo menos recém-licenciados. Um dos grandes argumentos a favor do terror é o medo da morte. Que lugar mais próximo da morte que um hospital? Filmes de terror ocorridos num hospital não são novidade para as audiências ocidentais, nem sequer para as orientais as quais podem escolher entre muitos outros títulos como “Infection” (2005) e “Haunted Changi” (2010). Felizmente, o primeiro capítulo, realizado por Quark Henares funciona bem por si próprio. Podia ser apresentado em qualquer festival como uma curta-metragem. Se ao menos tivessem ficado por ali… Anne Curtis, a morena de traços regulares mas suaves está perfeita no papel de anjo branco. E Marvin Agustin como jornalista demasiado curioso para ser próprio bem é a contra-parte adequada à suavidade que Curtis transporta para o ecrã. Melhor, só a química entre os dois, que proporciona momentos de descontração e fornece um retrato realista de um parzinho apaixonado. Quark Henares sabe tirar partido do cenário através de longas sequências dos corredores do hospital durante as horas de pouco movimento. Mas o argumento não está isento de problemas. Para começar, um internamento, meus amigos, não é a decisão mais fácil deste mundo. Uma pessoa não é internada por que tem uma dor de barriga e, mesmo assim, levava com uma carrada de medicamentos caros para o bucho e era mandada para casa. Em segundo lugar, nunca se admite a possibilidade de que os acontecimentos têm uma explicação racional. A bem do suspense, seria interessante identificar sugestões de paranóia colectiva, imaginação hiperactiva ou até, sei lá, uma fuga de um gás ou qualquer coisa que pudesse provocar alucinações nos pacientes. Ademais, a morte num hospital não é propriamente de estranhar. E se apenas sucede nos pacientes masculinos… Uma predisposição genética talvez?! Dispensável de todo era o vídeo à la “Ring” (1998) que é mostrado a dada altura e o qual nunca é repescado. Não passa de uma pista errada, de um erro de amador que não está para se chatear ainda que o efeito seja tão perturbador quanto o pretendido. Por fim, e perante a hipótese de um assassino, fica por explorar a sua psique como se de um Jack Torrence se tratasse. A transição é demasiado radical e como tal, pouco impactante.
Por fim, a Hermosa e que fermosa ela é. Beleza etérea, clássica mesmo, uma paixão à primeira vista para a câmara. Pois que a direcção de Sineneng retira partido da sua beleza com close-ups constantes. Um das poucas mais-valias da sua realização. Passamos então do lugar-comum hospital assombrado para a casa assombrada, com menor eficácia. A câmara muda repentina e temo dizê-lo, também a direcção de actores. O que Anne Curtis fez de bem em “Lullaby” como a enfermeira suave é perdido no exagero de “Mirror”, onde passa por todos os tiques irritantes de actriz estreante num filme de terror. O capítulo dirigido por Sineneng dá origem a um final inglório para “Don’t Turn Away”. Desde a câmara mais vulgar ao cenário insipido, introdução de personagens várias que nada fazem para a história avançar e algumas opções de montagem duvidosas. Tenho sérias dúvidas que os realizadores tenham visto o trabalho do outro e que o filme não seja mais do que uma obra remendada. Quando se dá a reviravolta e as pontas soltas são atadas, não é como se não existisse já uma suspeita da verdade. Face à insuficiência do argumento, é difícil não nos questionarmos por que é que o estúdio optou por ter dois realizadores e retirar coesão a um produto já de si deficitário. É um daqueles casos em que as manobras de marketing são mais importantes para a obtenção de receitas de bilheteira do que o incentivo à qualidade do produto. Duas estrelas.

Capítulo #1
Realização: Quark Henares
Argumento: Ricky Lee
Anne Curtis como Melissa
Marvin Agustin como James
Raymond Bagatsing como Dr. Carl

Capítulo #2
Realização: Jerry Lopez Sineneng
Argumento: Ricky Lee
Kristine Hermosa como Angel
Cherry Pie Picache como Rosing
Celine Lim como Nina
Soliman Cruz como Nestor
Anne Curtis como Nina
Marvin Agustin como James


Próximo Filme: "Hansel & Gretel" (Henjel gwa Geuretel, 2007)

A questão impõe-se: Curtis ou Hermosa?

domingo, 2 de outubro de 2011

"Visit" (Dalaw, 2010)

Tenho de admirar um filme que usa e abusa de visco/ranhoca/nhanha/gosma azul e pretende ser levado a sério. É fofinho. E tenho absolutamente de louvar um produto cinematográfico que dá emprego a um belo naco de homem e o junta a uma mulher bonitinha mas vulgar. Faz-me pensar que afinal as mulheres reais até têm alguma hipótese (a isto chama-se aparte).
A qualidade de "Visit" é fraca, fraquinha mas só pelos dois pormenores acima mencionados, esta apreciação não será demolidora na totalidade. "Visit" é protagonizado por Kris Aquino filha da ex-presidente filipina, Corazon Aquino e irmã do actual presidente Benigno. Querem cunhas melhores que estas? Cof cof. Estava a brincar. De certeza que é pelas suas enormes qualidades dramáticas que Kris foi seleccionada para o papel principal em "Visit"... Seja como for, Kris é cotada como a rainha do terror filipino ou não tivesse ela protagonizado "Feng Shui" (2004) e Sukob" (2006), dois dos maiores êxitos do cinema de terror de sempre nas bilheteiras filipinas. Kris Aquino é tão-somente genérica: uma careta para aqui, um grito para ali e pouco mais. Já vai pior, não afugenta. Melhor, só mesmo Diether Ocampo. As suas capacidades de representação só têm um grande defeito: não o vi em tronco nu! Vá, num registo mais sério, o seu personagem Anton é sofrível.
"Visit" segue a história de Stella (Kris Aquino), uma viúva com um filho que decide casar três anos decorridos da morte do marido. Vítima de violência doméstica às mãos do marido Danilo, Stella ainda se culpabiliza pela sua morte acidental. No entanto, deseja dar um pai ao seu filho Paolo (Maliksi Morales) e a estabilidade que ele merece. Stella reencontra na velha paixão Anton (Diether Ocampo), a quem abandonou por pressão dos pais para desposar Danilo, um novo recomeço. Contra os seus próprios receios e os conselhos da sua prima metediça Trina (Alessandra de Rossi), Stella prossegue com o casamento. A partir desse momento, uma força que parecia aguardar na sombra surge para a assombrar e aos que mais ama.
Esta sinopse até podia ser interessante mas a concretização é no mínimo dúbia. Nem os encantos de Anton, nem todo o esforço de Kris em representar chegam para compensar as falhas no argumento. Os erros de continuidade, os sustos fáceis do género "ai que este guarda-fatos está assombrado" e a história que é tão prevísivel que ao fim de 15 minutos já desvendámos o mistério não ajudam. Com alguns bons actores como é o caso da Alessandra de Rossi que já vimos em "The Maid" (2005) e Susan Africa que interpreta uma mulher vítima de uma trombose de modo bastante razoável, as falhas tornam-se demasiado óbvias. Custa-me dizer isto mas fosse o elenco igualmente medíocre e mal daríamos pelos problemas do argumento. Por exemplo, Gina Pareño que interpreta a habitual mulher com um sexto sentido e que é uma verdadeira enciclopédia sobre como lidar com fantasmas, é o caso clássico de não se perceber se está ali para fornecer o alívio cómico ou para imprimir um tom dramático à película. Com cenas de terror involuntariamente cómicas e outras de extremo drama, "Visit" é mais uma oportunidade desperdiçada, de um argumento que nunca soube o que queria ser, actores que não sabiam o que fazer com o material que lhes foi dado e uma direcção provavelmente tão confusa quanto eles. "Visit" é mais do mesmo e mais do mesmo mal feito. Uma desilusão. Meia estrela.

Realização: Dondon S. Santos
Argumento: Joel Mercado, Enrico Santos, Jerry Lopez Sineneng, Lawrence Nicodemus e John Paul Abellera
Elenco:
Kris Aquino como Stella
Diether Ocampo como Anton
Gina Pareño como Oga
Maliksi Morales como Paolo
Susan Africa como Milagros
Alessandra de Rossi como Trina
Karylle Padilla como Lorna

Próximo Filme: "Julia's Eyes" (Los Ojos de Julia, 2010)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Whisper" (Bulong, 2011)

Já se falou aqui de filmes de dar a volta ao estômago mas de vómito projectável não. Até agora. Das Filipinas vêm o muito recente "Whisper", uma mistura de horror e comedy. Será Horredy? "Whisper" não deixa grandes dúvidas quando o trio principal de actores se chama: Conan, Oprah e Ellen. Uma pergunta impõe-se. Serão os argumentistas da "Team Conan"? E, mais importante, será que o talk-show do Jay Leno não é transmitido nas Filipinas? Fora de brincadeiras, "Whisper" é um filme agradável, funciona como um mix de terror com comédia, mas mais no campo da comédia.
A história é sobre o enfermeiro Conan (Vhong Navarro) que está apaixonado pela colega de profissão Ellen (Bangs Garcia), que mais parece interessada em mantê-lo pelo beicinho apenas para a concretização de pequenos favores. Desesperado com a falta de atenção de Ellen, Conan recorre ao "Bulong", uma antiga surpestição filipina que diz que se sussurrarmos um desejo ao ouvido de um morto, este é obrigado a conceder-nos esse desejo a partir do mundo do sobrenatural. Creepy, não é? Conan, que como se verá ao longo da película, não tem sorte nenhuma, escolhe o morto errado... e um simples desejo depressa se torna numa maldição. Para se livrar desta terá de recorrer ao apoio da sua amiga e médium Oprah, interpretada pela engraçadíssima Angelica Panganiban, já que sozinho se torna perito em enredar-se cada vez mais no problema. Entretanto, "Whisper" é um filme com possessões demoníacas, zombies e Lucífer, cujos efeitos especiais não são grande coisa. Fraquinhos mesmo. No entanto, estes são largamente compensados pelo excelente timing cómico de Navarro e Panganiban. Mais do que isso, "Whisper" é um filme sobre darmos atenção às coisas erradas e a não reconhecermos o verdadeiro valor quanto o temos à nossa frente. E também a não nos metermos com os mortos. Se é que precisaríamos de o aprender. Conan, pelos vistos, falhou essa parte da aula. É bem-parecido, muito engraçado, talvez um pouco crédulo e burro. Quanto a Oprah, surge-nos uma mulher esperta e expedita, muito segura de si e da sua feminilidade, que em momentos de solidão nos revela a sua vulnerabilidade. E o nosso fantasma Paula (Angie Ferro), é um dos mais cómicos que já se viu. Uma delícia portanto. "Whisper" não é uma maravilha do cinema, mas a história tem picos de originalidade. Cenas sem ligação aparente, no fim do filme, demonstram uma relação surpreendente. "Whisper" é despretencioso. Abraça o humor cheesy com sucesso e os maus efeitos especiais tornam-se perdoáveis. É bom de ver para distraír, não é bom de ver para saltarmos da cadeira. Duas estrelas em cinco.

Realização: Chito S. Roño
Argumento: Chito S. Roño e Roy Iglesias 
Elenco:
Vhong Navarro como Conan
Angelica Panganiban como Oprah
Bangs Garcia como Ellen
Angie Ferro como Paula
Próximo Filme: "Three...Extremes - Dumplings" (Saam Gaang Yi - Gaau ji 2004)
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