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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Furie (Hai Phuong, 2009)

As 3 fúrias são 3 figuras da mitologia grega e, mais tarde romana, cuja estória de origem difere mas, no essencial, ligadas ao submundo, que perseguem com um espírito de justiça vingador as pessoas malévolas. Pretende-se, através do temor a estas que as pessoas não tenham atitudes condenáveis a nível moral e societal como o homicídio, ofensas contra os deuses, conduta pouco filial ou perjúrio.

Hai Phuong, interpretada por Veronica Ngo, mais conhecida a nível internacional pelo pequeno mas impactante papel de Paige Tico e, mais recentemente, como Quynn em The Old Guard é a Fúria titular. Algures um executivo considerou que manter o nome da personagem não traduziria bem para as audiências internacionais mas o que é que eu sei de marketing para cinema? Hai Phuong é uma ex-gangster que largou a vida do crime e mudou de cidade após descobrir que estava grávida. Nesta nova encarnação a pobreza e um trabalho legal, mas demasiado próximo para conforto da antiga vida que abandonou - faz a cobrança de dívidas -, valem-lhe a censura da filha Mai (Mai Cát Vi) e a desconfiança dos locais. Num raro momento em que questiona a inocência da filha, acusada de um roubo que não cometeu, esta foge e acaba por ser raptada por bandidos. Para Hai Phuong é impossível assistir de forma impávida e serena, promovendo uma perseguição implacável para reaver a sua filha antes que seja tarde demais.

Se Furie parece familiar é porque já vimos outros filmes de mães-coragem lutando, contra tudo e todos, para reaver a sua prole. Mas e se vos disser que a Veronica Ng já fez este filme antes e melhor? Em 2009, Ng fez o filme "Clash", cuja apreciação podem encontrar neste mesmo blog, com Johnny Tri Nguyen, um actor praticante do Vovinam (arte marcial vietnamita), em que Ng, que também integrava o submundo do crime tentou resgatar a filha das mãos de um barão do crime. As cenas de acção corpo-a-corpo eram pelo menos mais realistas e o final surpreende.

Furie, lamento dizê-lo, aparte uma perseguição de mota ao longo de um rio e da capacidade da actriz de nos bombardear com torrentes de água oriundas dos seus canais lacrimais - juro que pensei que ninguém conseguia fazer concorrência às actrizes coreanas -, é uma desilusão. Sim, há cenas em que o elenco pouco mais que secundário, além de Hai Phuong e de um polícia que decide apoiá-la dá mostras de atleticismo, no entanto, a coreografia fica aquém do que já se fazia em 2009. Com isto, não menosprezo a importância de uma arte marcial menos conhecida ter atenção no palco mundial, à semelhança do que sucedeu em 2011 com "The Raid: Redemption", para mais, quando esta demonstra um nível de realismo longe das encenações graciosas de kung fu de inícios do milénio que já cansam e se aproxima mais do fenómeno John Wick (2014) ou Atomic Blonde (2017). A violência é esperada e quase glamorizada, os golpes são vistos e quase sentidos, o argumento é muitas vezes mínimo, com pequenas pausas para respirar, ao encontro das expectativas das audiências dos novos filmes de acção de 2010 em diante.

O argumento de Furie, não é muito exigente, dando total enfoque à missão de Hai Phuong, sendo pontuado pelos clichés do bandido que surge das brumas de um passado tenebroso para se vingar de ofensa cometida e dos familiares que foram deixados para trás, a quem se pede auxilio em altura de desespero, como se preencher os pontos de uma checklist se tratasse. Por isso, fico também, muito surpreendida com a comoção em torno de Furie. Se a relativamente nova fama de Ngo atrair as atenções para o cinema vietnamita tanto melhor mas, não se enganem pensando que Furie constituirá uma obra superior. Duas estrelas e meia.


Realizador: Le-Van Kiet
Argumento: Kay Nguyen
Veronica Ngo como Hai Phuong
Mai Cát Vi como Mai
Thanh Nhien Phan como Capitã Vu Trong Luong
Pham Anh Khoa como Truc
Kim Long Thach como Huy
Khanh Ngoc Mai como Ngoc
Hoa Thanh como Thanh Wolf

domingo, 20 de maio de 2018

"Tracer" (Truy Sat, 2016)


“The Tracer” é um filme de acção e artes marciais vietnamita de 2016, que resulta em parte dos fundos bolsos da gigante produtora e distribuidora coreana CJ Entertainment que está cada vez mais interessada no cinema florescente daquele país. 
Esta película tem por foco uma agente policial, a Major An (Truong Ngoc Anh), implacável na sua perseguição aos bandidos e consegue manter uma aparência espectacular enquanto o faz. Ela é também irrequieta e irreverente o suficiente para ignorar as ordens do seu superior Minh (Vinh Tuy) e iniciar as hostilidades antes de chegarem reforços. Numa dessas ocasiões, a Major acaba por provocar a morte acidental de um elemento importante do gangue criminoso dos Lobos. O chefe dos criminosos Loc Sui (Lamou Vissay) e a sua irmã e noiva do falecido Phuong Lua (Maria Tran) iniciam então uma persecução a An, que só poderá cessar com a morte ou captura de uma das partes.
Assisti a este filme quando me encontrava a várias milhas de altitude. Encontrei alguns filmes que raramente se encontram por estas paragens e decidi dar-lhe uma hipótese. Quando acabei o visionamento tinha a forte sensação de déjà vu. Regressada a Portugal, fui pesquisar informação adicional sobre o filme e encontrei algumas alusões à qualidade e até inovação de “The Tracer”. Isso surpreendeu-me pois nada podia estar mais longe da verdade. Parecia até conversa de marketing.
Na verdade, tinha visto e escrito há uns anos sobre “Clash” (Bay Rong, 2009), com uma Veronica Ngo que estaria ainda longe de imaginar que iria entrar no Star Wars: Episode VIII - The Last Jedi (2017) e muito pouco mudou desde então. O argumento continua tão incipiente como na iteracção anterior e talvez até pior. A comparação entre os elencos também não deixa margem para dúvidas. Em 2009, existia, apesar de tudo, uma tentativa de elevar o material. “The Tracer” é toda uma série de erros atrás uns dos outros, a começar na personagem principal. Truong Ngoc Anh tenta interpretar uma espécie de agente do bem, fria e inamovível na sua busca por justiça mas provocar mais sensação pela incapacidade de representação enquanto as próprias acções da personagem também a tornam pouco simpática. A Major tem um irmão mais novo portador de deficiência a quem quer a todo o custo proteger mas a isso não a faz ter cuidado com a sua própria vida quando, se ela falecer, o jovem ficará sozinho no mundo. Existem ainda alguns outros agentes do seu lado, por curiosidade, todos homens, sendo que uma boa percentagem destes surge com alguma frequência de tronco nu. Não seria difícil adivinhar que dispõem de uma boa forma física, sendo um filme de artes marciais mas, isso só torna “The Tracer” gratuito. A tudo isto não é alheio o facto de o cinema do país estar sob o escrutínio de censores do regime mas enquanto “The Tracer” pouco terá de ofensivo para o regime tem tudo para as audiências. Para um filme do século XXI, financiado por um conglomerado gigante, a estória parece tirada a papel químico dos filmes de acção série B, dos anos 90. Isto parece deliberado: dá a impressão que o cineasta Cuong Ngo se limitou a seguir as referências que tinha enquanto subestima a audiência que entende por pouco sofisticada e capaz consumir com voracidade tudo o que tiver para lhe apresentar.
"Olhem só para a minha cara de acção!"
Os vilões continuam a ter a capacidade fantástica de disparar uma quantidade infindável de tiros sem acertar em ninguém – excepto na pontual perna ou braço dos heróis – para demonstrar que eles são de carne e osso e cenas. Há perseguições com motorizadas, lutas corpo a corpo com chapéus-de-chuva (bem giras até), combate entre mulheres com roupas sexy e alguma destruição de mobiliário. E mesmo assim, é uma grande seca. Desculpem o lapso de julgamento. Para a próxima tentarei selecionar melhor o cinema de alta altitude. Uma estrela e meia.
Realização: Cuong Ngo
Argumento: Nguyen Thi Nhu Khanh
Truong Ngoc Anh como Major An An
Thien Nguyen como Kien Lang Tu
Lamou Vissay como Loc Soi
Vinh Thuy como Truong Phong Minh
Cuong Seven como Ong Trum
Maria Tran como Phuong Lua
Hieu Nguyen como Dau Bac
Marcus Guilhem como Hai San Quyen

Próximo Filme "Annihilation", 2018

domingo, 21 de dezembro de 2014

"The Protector" (Tom Yum Goong, 2005)


Sejamos honestos, o Tony Jaa é um péssimo protector. No “Ong Bak” (2003) foi incapaz de evitar que roubassem a cabeça da estátua de um Buda apesar de esta ser tipo enorme, em “The Protector” ele consegue, não sei como, perder uma cria de elefante que era tarefa sua proteger. Mas se um vilão ofender o vosso irmãozinho pequenino ou raptar o vosso gato bebé ele é a pessoa certa para a tarefa. Para uma referência mais actual, considerem-no um Liam Neeson mais inepto nas palavras mas que executa na perfeição alguns dos espancamentos mais brutais a que já tiveram oportunidade assistir.

Tony Jaa é Kham, o último descendente numa linha de guardiões dos elefantes da família real Tailandesa. Durante as comemorações de um festival e aproveitando a confusão do grande afluxo de gente, uns malfeitores, com a conivência de um ilustre cidadão local aproveitam para roubar o membro mais novo da família de elefantes e atingem o pai de Kham com um tiro. Como podem imaginar o Tony Jaa fica muito zangado. Ao ponto de viajar até ao outro lado do mundo para ir resgatar o seu elefantezinho e vingar o ataque ao pai. Ele não viaja efectivamente até ao outro lado do mundo, até porque a Austrália é logo ali, mesmo ao pé da Tailândia (vá, quase), mas é bonito pensarmos que sim. Lá, ele depara-se com um estranho mundo novo, não só porque parece um peixe fora de água – ele fazia flexões nos dentes de um elefante afinal de contas –, mas é um país onde a língua é estranha e a confluência de novos estímulos é avassaladora. Para sua “alegria”, o mundo do crime mantém a conexão com a cultura que conhece ou não fosse o bandido, dono do restaurante “Tom Yum Goong” (um prato tradicional tailandês) e quem lhe dá guarida é Pla (Bongkoj Khongmalai) uma tailandesa atraída para as malhas da prostituição no exterior.

“The Protector” toca em tudo quanto são assuntos mas não se foca em nenhum: o tráfico de seres vivos e de arte; as dificuldades de adaptação dos imigrantes a uma nova cultura, sistema de justiça e religião; a prostituição forçada de mulheres estrangeiras… Kham apenas quer o seu elefante. Mas não se preocupem que a ligação de ambos é mais forte do que possam imaginar. É histórica e espiritual. Por isso, Kham encontra-se disposto a espalhar mortos e feridos por toda a Austrália se tal for necessário para chegar até ele. À boa maneira deste tipo de filmes, os bandidos não têm uma grande apetência para as armas de fogo se não, ao fim de dez minutos já não haveria estória para contar. É que Kham é um incómodo daqueles que mais valia recorrer a uma metralhadora do que ir contratar os lutadores mais brutamontes (e incompetentes e caricaturais) que já se viu. Na maior parte e a despeito de pontualmente se deparar com uns quantos adversários de valor, eles são francamente ineficazes contra o muay thai quebra articulações de Kham. Nm dos momentos mais fascinantes e brutais, para quem vê e para os duplos, Kham atravessa um edifício inteiro e, em particular, sobe uma escadaria num impulso decisivo e destruidor. Tudo quanto se atravessa no seu caminho é empurrado, esborrachado e, enfim, trucidado. Eu não queria ser um daqueles duplos! Esta cena providencia um instante espantoso se pensarmos na perfeição da coreografia que envolveu dezenas de intervenientes e a mestria de Prachya Pinkaew que optou por captar a cena num único take. O que pensando bem, poderá até ter constituído um dos momentos cinematográficos inspiradores do não menos superior “The Raid 2: Berandal” (2014). “The Protector” é igual a todos os filmes de artes de marciais remanescentes na medida em que temos de nos convencer com todas as nossas forças que o que estamos a assistir podia acontecer. No entato, é um deslumbramento admirar a destreza, o portento físico dos seus intervenientes. Denota-se um esforço real por parte da equipa em mostrar um produto excitante. Não é a acção chapa 5 de um “Kickboxer 33” ou um “Bloodsport 15”. Pretendem mesmo que apreciemos um filme onde o prato principal é pancada até mais não. Três estrelas.

Realização: Prachya Pinkaew
Argumento: Napalee, Piyaros Thongdee, Joe Wannapin, Kongdej Jaturanrasameee Prachya Pinkaew
Tony Jaa como Kham
Mum Jokmok como Inspector Mark
Xing Jing como Madam Rose
Johnny Tri Nguyen como Johnny
Bongkoj Khongmalai como Pla
Sotorn Rungruaeng como pai de Kham
David Asavanond como Rick

O melhor:
- Se gostam e esperam brutalidade no seu modo mais cru, da oferta moderna pouco existe de superior a “The Protector”
- Coreografia das cenas de artes marciais no seu melhor

O pior:
- A versão Weinstein conseguiu comprimir um bom filme de 110 minutos num de 85. A evitar.
- Mortos e feridos por um elefante poderá custar a engolir a alguns
- Tony Jaa não é propriamente um actor Shakespeariano. Encontra-se mais próximo do Arnie acabadinho de chegar aos EUA, oriundo da Áustria.

Próximo Filme: "The Thieves" (Dodookdeul, 2012)

domingo, 31 de agosto de 2014

"The Raid 2: Berandal", 2014


Em 2011 dava-se um dos primeiros momentos "Unicórnio Cor-de-rosa", entenda-se "todos sabem que não existe mas todos esperam secretamente que exista" e estreava "The Raid: Redemption". O melhor de filme de acção da última década disseram alguns, quiçá de sempre, disseram outros. Apresentava uma arte marcial inédita (silat) e adrenalina como há muito não se via. A sinopse era algo tão simples como: uma equipa SWAT que entra num edifício em Jacarta para combater o domínio de um barão da droga acaba encurralada e massacrada pelos mesmos que jurou destruir. Em 2014, surge "The Raid 2: Berandal" e volta a dar-se o fenómeno "Unicórnio Cor-de-rosa", daqueles que só se repetem uma vez em cada ciclo cinematográfico: a sequela ser superior ao filme que a antecede. Se não sentem o mesmo, lamento mas estão em negação que, bem dentro dos vossos corações, sabem que o que estou a dizer é verdade.

Rama (Iko Uwais) o polícia sobrevivente ao massacre do primeiro filme (e, também ele responsável por um) faz um pacto com os superiores: deverá assumir uma nova identidade e infiltrar-se no seio do crime organizado, de modo a chegar ao topo da cadeia e arranjar provas comprometedoras contra os grandes chefes. A alternativa não se avizinha a melhor: se recusar e regressar à família será perseguido pelos criminosos e colocará em perigo a vida de todos. Assim, Rama segue numa odisseia pelo crime que inclui ser preso para se tornar próximo de Uco (Arifin Putra) filho de Bangun (Tio Pakusodewo), um dos pais do crime de Jacarta. O resto é estória e sequências infindáveis de pancada não aconselháveis aos mais sensíveis. Isto, como quem diz, se forem sensíveis e, "The Raid 2: Berandal" não é, em definitivo, para os de estômago fraco fizeram a pior selecção de filme possível. Mas se forem, como eu, entusiastas de bom cinema de acção e de artes marciais sentem-se e apreciem a Mona Lisa do realizador Gareth Evans.
Uma das grandes victórias deste filme improvável é o facto de ser impossível apreciá-lo em silêncio absoluto. Os combates são a cereja no topo do bolo e Gareth, a esse nível, não nos poupou. Há mais e muito bons vilões incluindo o irascível e mimado Uco, a misteriosa “Hammer Girl”, Alicia (Julie Estelle) e o assassino por encomenda Prakoso (Yayan Ruhian). Estas cenas exigem uma tal fisicalidade dos actores e dos duplos que darão por vós a soltar muitos “ahs”,“uis” e até arfar com a falta de fôlego, para o ecrã, tornando a película interactiva de um modo positivamente inesperado. Mais, a audiência não é poupada ao cinema mais visceral: cada golpe é sentido e o sangue não é ocultado. Os actores, para o final parecem sombras de si próprios, como se tivessem sido espancados, física e psicologicamente. Não me tomem por sádica mas sabemos que estamos a assistir a algo especial quando os actores fingem tão complemente que a dor que ostentam parece real. Tais sequências de pancadaria selvática exibem uma graciosidade tal que se assemelham a um bailado. A coreografia é novamente dirigida pelo multifacetado Yayan Ruhian que não só regressa a este papel como volta a interpretar um papel sem qualquer ligação com o do filme anterior, demonstrando mais carisma que muitos actores veteranos. Pelo trabalho técnico, “The Raid 2: Berandal” merece o maior destaque e ser premiado; pela inovação, vagas sucessivas de audiências sem medo de experienciar o verdade cinema de acção. Coloquem de parte o preconceito por “ser um filme de artes marciais”. “The Raid 2: Berandal” é um bom filme e é apenas isso que necessitam saber. E é um filme tão imponente que é capaz de fazer homens adultos questionar a sua masculinidade e por empatia, fazer crescer pêlos no peito às mulheres. Ok, estou a exagerar mas acho que percebem a ideia.
“The Raid 2: Berandal” não está isento de falhas. Além de cenas que desafiam as leis da física, é incrível como certos personagens, com tal desgaste físico se aguentam ainda de pé. Pessoal, não tentem isto em casa, mas estou certa que se levarem um murro bem dado, não sei, digo eu, que perdem os sentidos. Quanto mais levar uma dezena e na cena a seguir estarem frescos como um pêssego. No entanto, onde é competente, é-o de tal modo que os defeitos, reais ou percepcionados quase desaparecem do nosso radar. Quatro estrelas.

O melhor:
- As sequências de combate, nomeadamente, a luta na lama (sem bikinis)
- O retorno de Yayan Ruhian
- Silat.

O pior:
- Improbabilidade de algumas cenas.
-  A estória deixa de fazer sentido para se tornar apenas uma desculpa para inúmeras sequências de confronto.

Realização: Gareth Evans
Argumento: Gareth Evans
Iko Uwais como Rama
Arifin Putra como Uco
Tio Pakusodewo como Bangun
Oka Antara como Eka
Alex Abbad como Bejo
Cecep Arif Rahman como “Assassino”
Julie Estelle como Alicia
Very Tri Yulisman como “Homem do bastão”
Ryuhei Matsuda como Keichi
Kenichi Endo como Goto
Yayan Ruhian como Prakoso

Próximo Filme: "71 into the Fire" (Pohwasogeuro, 2010)

PS: Este filme vai ser exibido no Motelx, dias 10 de setembro pelas 16h00 e 14, às 00h15. Não sejam uns meninos e apareçam!

domingo, 23 de março de 2014

"Kung Fu Hustle", 2004

Aquele momento em que se torna muito difícil negar o estereótipo de “todos os chineses praticam Kung Fu”. 

Agora que já consegui a vossa atenção com esta provocação, deixem-me contar-vos como “Kung Fu Hustle” foi realizado por Stephen Chow, o mesmo realizador do inesquecível “Shaolin Soccer” (2001). Mesmo aqueles que não apreciam futebol encontraram um motivo de encanto em “Shaolin Soccer”, onde monges empregam o seu talento extraordinário para o Kung Fu num jogo de futebol contra uma equipa de super-atletas dopados. Passada na cidade de Xangai dos anos 30,“Kung Fu Hustle”, apresenta uma dupla de pequenos criminosos liderados por Sing (Stephen Chow) que aproveita a recém-criada fama do gangue do Machado para tentar extorquir os moradores de um bairro ainda intocado pela chegada dos vilões. Oportunidade perfeita para dar um golpe certo? Errado, os moradores não só sabem defender-se como se revelam superiores aos capangas de Sum (Danny Chan), o líder do gangue e os dois pequenos criminosos vêm-se no meio de uma guerra com um resultado imprevisível.

Para quem viu “Shaolin Soccer”, “Kung Fu Hustle” é mais do mesmo no que toca ao humor a tempos, demasiado regional para audiências estrangeiras e nas artes marciais exageradas ao cubo. Os actores são capazes das manobras mais arriscadas, não tanto devido à formação na arte da luta como por todos os artifícios cinematográficos que podem ocorrer a quem deseja fazer dos confrontos uma hipérbole. Apenas não esperem cenários bucólicos ou sentimentais como as de “Hero” (2002) e “Crouching Tiger, Hidden Dragon (2000) que fizeram as delícias de audiências por todo mundo.

Mas “Kung Fu Hustle” não é uma completa paródia. Estreia-se com cenas de violência gratuita e morte, onde os ricos e poderosos tudo podem contra aqueles que nada têm. São meros veículos para a obtenção de mais riqueza e cujo sofrimento é indiferente. E contra poucas ou nenhumas perspetivas de melhoria de vida, juntar-se ao gangue, soa, apesar de tudo a uma hipótese viável e mais segura para obtenção de algum tipo de estatuto. Não é como se os bandidos fossem muito diferentes do empresário de inícios do século XXI, a questão é que a sua acção, violenta e condenável como é, sempre se realiza às claras, por contraste com uma grande mão invisível que tudo destrói, através de manobras de bastidores alheias ao capital alheio.
O que eles talvez não esperassem foi que encontrassem oposição num pequeno bairro suburbano. Estas questões sucedem nas entrelinhas, pois o cenário é dominado por sequências tão díspares quanto uma senhoria de rolos na cabeça (Yuen Qiu) e cigarro soldado ao canto da boca que espanca o marido (Yuen Wah) por causa das suas escapadelas românticas. E quando falo em espancar não digo estas palavras com leveza. Mas a maioria das cenas têm uma tal leveza de espirito que é impossível levar a sério os confrontos entre os moradores. Aliás, “Kung Fu Hustle” funciona melhor dentro do perímetro do bairro, no qual, os habitantes se encontram mais preocupados com a sua vidinha do que no se passa lá fora. Revelar mais seria tirar a piada a “Kung Fu Hustle”, por isso, sentem-se, encostem-se e desfrutem de fantásticas cenas coreagrafadas por Yuen Woo-ping, o mestre milagreiro por trás do cinema de kung fu de Hong Kong desde finais dos anos 70 e “Matrix” (1999) assim como a referências tão fantásticas como a esses filmes que poderão ou não conhecer, velhos golpes de artes marciais reimaginados no séc. XII e… os “Looney Tunes”. Três estrelas.
O melhor:
- O casal de senhorios
- Recriação dos anos 40,
- A coreografia das cenas de artes marciais

O pior:
- Demasiado artificialismo em algumas das lutas
- Cartoon autêntico. Ainda indecisa sobre se isso será bom ou mau.

Realização: Stephen Chow
Argumento: Stephen Chow, Huo Xin, Man-keung Chan e Kan-cheung Tsang
Stephen Chow como Sing
Danny Chan como Sum
Yuen Wah como Senhorio
Yuen Qiu como Senhoria
Bruce Leung como “A Besta”
Xing Yu como Coolie
Chiu Chi-ling como Fairy
Dong Zhihua como Donut
Lam Chi-chung como Bone
Eva Huang como Fong

Próximo Filme: "Tower" (Ta-weo, 2012)

domingo, 24 de novembro de 2013

"Ong bak 2: The Beginning" (Ong bak 2, 2008)


O Tony Jaa é o mais próximo de uma marca que o cinema tailandês de artes marciais possui. Quando se assiste a um filme deste lutador de Muay Thai já se sabe o que vai acontecer: pancadaria de quebrar ossos, ínfimas sequências de acrobacias fantásticas em slow motion, diálogos pouco a nada elaborados e a inexistência de uma espécie de estória coerente.

Uma dezena de filmes passados, Jaa ainda parece uma criança a quem os pais compraram pela primeira vez uma câmara de filmar e não sabe se agir de um modo natural ou representar (o que quer que isso signifique), em frente à objectiva. Uma inocência que contrasta com o físico invejável de um homem adulto, muito além de algumas horas de trabalho intensivo e da ida ocasional ao ginásio. E se bem que a sua face projecta boa vontade, perante a ameaça o corpo já de si tonificado transfigura-se, avoluma-se e enrijece. À semelhança de um dos seus ídolos, Bruce Li, que de homem franzino a máquina destruidora de homens bastava a ofensa de um vilão. O menino não brinca em serviço.
“Ong bak 2: The Beginning” é uma “falsa” sequela, nada tendo em comum com a película anterior, à excepção do actor principal. Nessa obra, Jaa interpretava um jovem aldeão que parte para a cidade em busca do “ong bak” uma estátua sagrada intimamente ligada à vitalidade da aldeia, roubada por traficantes pouco escrupulosos. “Ong bak 2: the Beginning” ocorre no século XV no momento em que várias facções lutam pelo poder do território. Os pais do jovem príncipe Tien (Tony Jaa) são traídos e assassinados por Rajasena (Sarunyoo Wongkrachang), um nobre sedento de poder, para quem aqueles últimos constituíam apenas um empecilho na sua luta por domínio absoluto. Tien escapa à morte mas vê-se nas mãos de traficantes de escravos que, entre outras coisas, o atiram para um fosso com um crocodilo. Chernang (Sorapong Chatree) o líder de um grupo guerrilheiro compadece-se de Tien e acaba por criá-lo como seu próprio filho. No seio de um grupo de homens perigosos, Tien mune-se das armas necessárias a uma vingança implacável. O tempo é seu amigo.
A mudança radical de perspectiva não oferece nenhuma melhoria face ao “Ong bak” original. A narrativa era simples, mas facilmente se criava empatia com a aldeia em desespero e se torcia pelo único homem responsável pela operação de resgate. Com as mãos na realização, argumento e papel principal, Jaa assume demasiado controlo e dispersa-se daquilo que as audiências querem ver dele: cenas de luta altamente intricadas. Se extraímos um confronto no qual um elefante é um figurante involuntário da acção que Jaa utiliza a seu aproveito para defesa e contra-ataque ao seu oponente. Como o elefante se manteve sereno perante a acção é um mistério. Menos impressionante é o facto de os confrontos de Jaa recorrerem mais à magia do cinema do que à fisicalidade dos seus interpretes. Onde a acção de “Ong bak: The Thai Warrior” era crua e dura, nesta encarnação é mais graciosa e mais dada a proezas impossíveis sem o recurso a artefactos externos. Se considerarmos que a plausibilidade e dureza do primeiro filme que o tornavam original, por oposição ao exército de filmes de artes marciais exportados de Hong Kong foi o que atraiu tantos e tantos cinéfilos por este mundo fora, não deixa de existir um sentimento residual de traição. Também o humor é deixado para trás. Nada há de slapstick que tornava Jaa tão encantador em primeira instância. Um jovem tão ingénuo e predisposto a acreditar na bondade que dos que o rodeavam que tal redundava em ser sucessivamente enganado até que alguém, derretido pelo seu bom coração o auxilia a recuperar o ong bak.  E bem que necessitava dessa dose de simpatia pois sem ela, Jaa não é o que se possa denominar carismático, necessita absolutamente de aulas de representação e também é o que se possa chamar de palmo de cara.

Mas se há acusação que ninguém pode levantar contra “Ong bak 2: The Beginning” é o de que o cenário histórico e natural da Tailândia não é bem utilizado. Existem confrontações nas clareiras das densas florestas, por entre os monumentos e em águas infestadas de crocodilos. Por tudo isto, fica a triste sensação que “Ong bak 2: The Beginning” nunca chegou aos calcanhares daquilo que poderia ter sido não chegando sequer ao patamar da homenagem que o predecessor merecia. Dos fracos não reza a história… Duas estrelas e meia.
Realização: Tony Jaa e Panna Ritikrai
Argumento: Tony Jaa, Panna Ritikrai, Ek Iemchuen e Nothakorn Thaweesuk
Tony Jaa como Tien
Sarunyoo Wongkrachang como Rajasena
Sorapong Chatree como Chernang
Primorata Dejudom como Pim
Nirut Cirichanya como Mestre Bua

Próximo Filme: "Kiss me, Kill me" (Kilme, 2009)

PS: O Tony Jaa e o seu físico impressionante.

quinta-feira, 14 de março de 2013

"Clash" (Bay Rong, 2009)



Caso não saibam o Vietname é uma das pérolas perdidas do oriente. Em mais sentidos do que um. Ainda muitos anos virão antes que este país não seja sinónimo de guerra e de uma muito mal sucedida invasão americana. Mas começa a dar passos importantes, nomeadamente na 7ª Arte, cujos esforços começam a ser reconhecidos como a nova vaga do cinema vietnamita. Ultimamente começam a surgir grandes épicos, enquanto os filmes de artes marciais se vão tornando cada vez mais sofisticados. Ainda não chegaram ao absurdo de Hong Kong que quase já não sabe coreografar sem recurso ao arame e ao ecrã verde. Aqui a acção é bruta e crua. Um dos grandes impulsionadores do género é Johnny Tri Nguyen, duplo, actor, sex symbol e especialista em diversos estilos de artes marciais como o vovinam e lien feng kwon. A acompanhá-lo em “Clash” está a belíssima Veronica Ngo que ostenta um ar de anjo ferido que a torna uma Phoenix (Trinh) perfeita.
Trinh é ameaçada por Dragão Negro (Hoang Phuc Nguyen), o mestre do crime que a retirou do mundo da prostituição infantil para a transformar na assassina perfeita. Isto é, até ela ter uma filha e desejar abandonar o ciclo de morte e destruição. Ele "convida-a" a realizar um último trabalho. Se o cumprir terá a tão desejada liberdade e a filha de volta. O objectivo é resgatar um portátil com informação importante. Não que isso conte muito para a estória, o que interessa são as diversas oportunidades de confronto entre a equipa de mercenários criada pela Phoenix e os vilões que constituem, invariavelmente, estrangeiros tais como franceses e chineses. A maior parte dos actores safa-se nas cenas de luta, a pontaria é que continua um desastre. É preciso disparar várias centenas de tiros até se acertar em alguém? Onde eles foram buscar armas com capacidade para tal carregamento é que gostaria mesmo de saber. Ah e as típicas cenas de confronto a três metros de distância em que sofás e cadeiras continuam a ser bons objectos de protecção contra projécteis...  Melhor mesmo só quando os vilões partem garrafas na cabeça da rapariga e ela nem pestaneja porque ela é assim tão boa. Bem, ninguém disse que “Clash” era perfeito, nem que o desfecho não se visse a milhas mas é divertido. E dá para perceber que os cineastas viram filmes de Hollywood e de Hong Kong, que depois “poliram” e caracterizaram com motivos vietnamitas. A cena entre a Phoenix e Quan (Nguyen) é tão “True Lies” (1994) que dói. Claro que há cenas universais como a boazona a fazer golpes de um qualquer estilo de luta que não sabemos qual é, nem queremos saber porque ela tem um decote que mostra uma parte generosa de pele. Também não se pode acusar os senhores de não saber o que estão a fazer.
O problema é que as cenas entre as lutas não são suficientemente ricas para suster a atenção. Veronica Ngo é boa o suficiente mas o vilão é tão ridiculamente mau e exagerado que as cenas entre os dois nunca ganham a seriedade dramática para dizer que “Clash” é um filme de artes marciais com densidade. O inevitável romance também não tem sumo para pôr a audiência a fazer mais do que suspirar pelo facto de se ter criado um dos casais mais estupidamente atraentes de sempre. Já era hora de um juntarem um homem maravilhoso a uma feia. Já era hora de a mulher mais bonita do escritório se apaixonar pelo careca gordo. Mas não, é impossível. Tudo, desde as relações ao cenário deve ser artificialmente bonito: a Phoenix deve perder tempo para colocar sombra para criar aquele efeito esfumado no olhar e o Quan deve aproveitar a primeira oportunidade para abrir a camisa e nos fazer contar os seus abdominais firmes e rijos. O único aspecto não fabricado de “Clash” consiste no cenário selvagem e virginal vietnamita. Se há coisa que me deixa furiosa é o facto de os artistas terem matéria-prima rica e não a saberem aproveitar, “Clash” deixou a vontade de os ver desbravar mais território, de ir mais além. Os actores não são nulidades, os cenários são maravilhosos e há ali pequenos apontamentos, nomeadamente, naqueles momentos em que a história dos personagens se cruza com a história simultaneamente rica e trágica do país. Isso e as artes marciais mistas. Duas estrelas.

Realização: Le Thanh Son
Argumento: Johnny Nguyen e Le Thanh Son
Thanh Van Ngo (Veronica Ngo) como Trinh/Phoeniz
Johnny Nguyen  como Quan
Hoang Phuc Nguyen como Hac Long
Lam Minh Thang como Cang
Hieu Hien como Phong
Truong The Vinh como Tuan


Próximo Filme: “Mad Detective” (San Taam, 2007)

domingo, 25 de novembro de 2012

“Flashpoint” (Dou fo sin, 2007)



Diz que as coisas boas vêm aos pares. É mentira. Tudo é melhor em trios. Nunca foi tão evidente num filme. Um dos melhores trios do cinema de acção constituído por o realizador Wilson Yip, o argumentista Kam-yeun Szeto e o actor Donnie Yen, ainda que não no melhor registo daquilo que já demonstraram (“Kill Zone, 2005), conheceu o seu fim este ano com a morte precoce de Szeto vítima de cancro do pulmão. Morrer antes do 50, é um atentado contra a humanidade. Quantas mais estórias de acção não ficaram por escrever? “Flashpoint” é mais uma entrada na longa série de filmes baseados em Hong Kong, no perigo mundo das tríades e polícias infiltrados. “Infernal Affairs” (2002) vem rapidamente à mente e o seu remake “The Departed” (2006) também, mas a nova reencarnação não tenta sequer chegar aos calcanhares destas obras. É antes mais um motivo para ver Donnie Yen a arregaçar as mangas e espancar o mauzão mais mau de todos. E a malta aplaude por que enfim, apesar de o actor ter um sorriso pepsodent e um abdómen híper desenvolvido, falta-lhe a altura e outros encantos para ser considerado um sex symbol. Louis Koo está muito melhor entregue nesse papel. Não. O que a malta quer é ver Donnie Yen dar pancada, minutos ínfimos para deixar a assistência tão cansada como se ela própria tivesse acabado de completar uma aula de pump no ginásio. A dada altura ele até tira o casaco de cabedal, depois de uma longa sequência, para demonstrar que o vilão vai dar um pouco mais trabalho do que os outros estão a ver?
Donnie Yen é Jun Ma o típico polícia que não acata ordens de ninguém e cuja população terá sérias duvidas se o remédio não será pior que o mal. Por onde passa deixa um rasto de feridos. Brutalidade policial? Pfff, não o façam mas é perder tempo. O tempo que não está nas ruas é tempo para mais um criminoso cometer um crime (e ele não custar centenas se não, milhares, ao erário público). Louis Koo é Wilson, um polícia que já se cruzou antes com o caminho do crime e graças a esse passado, conseguiu tornar-se com sucesso no capanga de serviço de uma nova tríade de irmãos vietnamitas que querem entrar no “mercado”. Não que eles precisem de um capanga, talvez mais um condutor de serviço. Eles dominam Artes Marciais Mistas ou (MMA) e destroem todos os que se atrevem a cruzar-se no seu caminho. O chefe é Tony (Collin Chou) que decide entrar em guerra aberta com uma tríade local. Collin Chou é mais conhecido como o Seraph de “Matrix Reloaded” (2003) mas a carreira nunca deslocou a ocidente, onde também Donnie Yen pode relatar uma experiência similar. Está relegado para papéis que envolvem toda a sua destreza física no cinema de acção de Hong Kong, não que isso seja mau e segundos planos para os “Infernal Affairs” deste mundo. Repito, não é como isso também fosse mau. Tudo parece correr bem até que Tony, o irmão com maior número de neurónios, junta as peças e descobre o segredo de Wilson. Jun Ma terá de utilizar toda a sua destreza física, já que não é a carta mais inteligente do baralho para conseguir salvar Wilson de um final trágico.
Uma dos pormenores refrescantes que, de resto, já vimos antes é a irmandade policial. Normalmente há sempre um sargento maldisposto, uma outra dupla de detectives que tem animosidade para com os heróis, no caso estamos perante uma equipa unida, disposta a dobrar as regras para deixar o caminho livre para o senhor que resolve os problemas onde eles existirem, Jun Ma. São precisos pelo menos 50 minutos até que a acção a sério tenha lugar e quando vem é rápida e furiosa, empacotado em estilos combinados de artes marciais: kung fu, muay thai, jiu jitsu, boxe… É só pensar num estilo que provavelmente algum dos elementos dessa forma de luta terão sido inseridos. O que me leva à questão premente. A extraordinária exibição física demonstrada pelos actores/lutadores fazem de “Flashpoint” um bom filme? Não mas tem elementos bastante bons, desde a coreografia das sequência sde acção às perseguições de carros e o desempenho de Koo. Mas lá está, se vão ver um filme cujo trailer promete cenas fantásticas de luta, tudo o que disse antes são apenas balelas. Redunda nas vossas expectativas.  Duas estrelas e meia.
Realização: Wilson Yip
Argumento: Kam-yuen Szeto e Lik-kei Tang
Donnie Yen como Jun Ma
Louis Koo como Wilson
Collin Chou como Tony
Ray Lui como Archer
Fan Bingbing como Judy
Yu Xing como Tiger

Próximo Filme: “The Good, the Bad, The Weird” (Joheunnom nabbeunnom isanghannom, 2008)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"Shaolin" (Xin shao lin si, 2011)


O grande general Hou Jie (Andy Lau) evoca todas as características de um tirano: cruel e déspota que vê a compaixão como uma fraqueza e apenas encontra um breve sentimento de conforto na persecução das ideias paranoicas. Ele é tão bom no seu papel que até os subordinados têm medo da sua admoestação e aliena aqueles, dos quais depende a sua segurança e a da sua família. Como um mestre camaleão Hou Jie alterna o papel de senhor da guerra com o de marido dedicado e pai extremoso, algo que esconde convenientemente do exterior. Ele sabe que é este afinal, o seu grande ponto fraco, aquele que conduzirá à sua queda. Ao seu engenho escapam as maquinações de Cao Man (Nicholas Tse), o subordinado leal que tratava como de um animal se tratasse. Com a queda do pedestal e a perda do que lhe é mais querido Hou Jie descobre o perdão no local onde menos esperaria, no seio daqueles que tanto ridicularizou e maltratou.
A acção tem lugar nos anos 20, uma altura em que os senhores da guerra e os “invasores” estrangeiros faziam negócios altamente lucrativos para si e, totalmente ruinosos para as populações. Tal período histórico abre espaço para uma estória de redenção centrada na filosofia budista. Ademais, compreende aqueles temas de redenção e de crime e castigo que as audiências tanto gostam e tanto sucesso deu ao cinema de Hong Kong já em Hollywood no final do século XX e no início do século XXI. Se a isto se juntarem a superestrela asiática Andy Lau, o super prometedor Nicolas Tse, o sempre fiável e rei das artes marciais além-mar Jackie Chan, com a beleza exótica da Fan Bingbing, temos êxito certo.
“Shaolin” só falha no campo das expectativas. Com 131 minutos, a estória podia ter sido facilmente contada em pouco mais de uma hora. E, no entanto, falta-lhe algo, o que me leva a questionar a edição do filme. A conversão de Hou Jie a um monge, no próprio templo que vitimizou quando possuía um poder que lhe parecia inesgotável, alimentado na própria miséria dos seus alvos. Pode um homem mau tornar-se bom sobretudo depois de ser vítima do maior ataque que alguém pode sofrer? Não seria antes um motivo para uma investida implacável contra os maiores opositores? O percurso de Hou Jie mais se afigura a uma obrigação, visto que ele perdeu tudo, do que o desejo consciente e tomado de coração de um homem que opta por perder. Sem alternativas, não pode agir muito além de um templo onde tem a garantia de protecção e de uma disciplina rígida que servirão de guias ideais à preparação de um contra-ataque brutal. Céus, mais depressa soa a manipulação industrial qual lavagem cerebral fora do ecrã, no sentido de as massas recolherem às suas casas calmas e submissas, sobe a égide dos preceitos. A velha revenge que é francamente mais apetitosa mas essa é a minha opinião. O conceito de perdão e compaixão não está ao alcance de todos os mortais.
Falta ardor no Hou Jie, aquele que de todo o elenco, se esperaria mais. Quanto aos monges, para o título “Shaolin”, não têm o tempo de antena suficiente. Eles encarnam a mensagem que o argumento almeja transmitir: nos ideais budistas e na acção corporal, coreografada de modo impressionante por Corey Yuen. Nesse campo podemos aguardar o melhor, em particular nas cenas do cozinheiro Wudao (Jackie Chan igual a si próprio). Num pequeno aparte e, isto fascina-me deveras, conseguem colocar a única personagem feminina importante, com mais do que duas ou três falas como “esposa de alguém”. A pobrezinha é assim tão insignificante que não tem direito a um nome? Acrescentar um (!) nome gasta muito papel no argumento?
“Shaolin” tem bastantes pontos a seu favor em termos técnicos, mas não é visualmente tão interessante como os últimos filmes da fábrica de épicos de Hong Kong. Uma injustiça que o tempo irá, (espera-se), superar. Além disso e, com uma longa duração e um argumento que não vai a lado nenhum durante bastante tempo, “Shaolin” perde para os mais próximos concorrentes. Para o interesse que a menção da palavra Shaolin suscita em torno do rigoroso código moral e religioso, do estilo de vida austero e, claro, o esforço extremo do corpo até aos seus limites, “Shaolin” é maçador. Talvez seja altura de pegar em papel e lápis e começar de novo. Duas estrelas e meia.

Realização:  Benny Chan
Argumento:  Alan Yuen, Chi Kwong Cheung, Quiyu Wang, Kam Cheong Chan e 
Andy Lau como Hou Jie
Nicholas Tse como Cao Man
Fan Bingbing como esposa de Hou Jie
Jackie Chan como cozinheiro Wudao
Jacky Wu como Jing Neng
Yu Xing como Jing Kong

Próximo Filme: "Loner" (Woetoli, 2008)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

"Ong Bak: The Thai Warrior" (Ong bak, 2003)



Levar uma cotovela na cabeça não deve ser lá muito agradável. Pensado melhor, uma joelhada no abdómen também não. Mas é assim a meios que espectacular de observar, sobretudo se o realizador recorrer à técnica de “vamos repetir esta cena quatro vezes em slow motion, de ângulos diferentes”. Com estes artifícios existe a forte possibilidade do filme ser equiparado a um “série B” mas e, daí, também pode ser comparado ao John Woo (“Face off” e “Red Cliff”), o que, como podem imaginar, não deve ser lá muito aborrecido.

“Ong Bak: The Thai Warrior” decorre na longínqua Tailândia. Não naquela das praias paradisíacas e vida de reis mas na pobre vida rural onde a devoção pode (acredita-se), fazer toda a diferença. Tal como por terras portuguesas, os pescadores rezam pela santinha para que o mar não os engula e lhes permita trazer sustento para as famílias, na Tailândia, ora-se pelo “Ong Bak”, para que este os abençoe com uma terra fértil. Curioso mundo onde, de uma Europa ocidental a um sudeste asiático, as orações a diferentes divindades revelam a esperança de um destino similar. Tudo depende da bênção dos deuses e, quando a cabeça do Buda (“Ong Bak”) é roubada, a aldeia cai em desgraça. Sem uma divindade a quem prestar o culto os terrenos irão tornar-se inférteis e toda a vida morrerá. Ting (Tony Jaa) um jovem simples e devoto promete seguir os ladrões devolver o “Ong Bak” aos seus legítimos donos. O resto é história, quer dizer, não há grande estória, ele vai para a cidade, tropeça numa rede de tráfico de antiguidades, os ladrões descobrem que se meteram com o homem errado e o mundo (re)descobre o Muay Thai. 
“Ong Bak: The Thai Warrior” surge numa altura de relativa acalmia face ao mundo das artes marciais. Tirando os mais conhecidos como Jet Li e Jackie Chan e, com o desaparecer das velhas glórias dos anos 80, “Ong Bak: The Thai Warrior” surge extraordinário e supera as expectativas dos mais fervorosos fãs do cinema de acção. Tony Jaa é um grande atleta, como atestam as inúmeras cenas de luta e perseguição pelas ruas da cidade de Banguecoque. Ele são corridas desenfreadas, nas quais Jaa faz mortais como quem respira e, vejam só a coincidência, aterra em torneios de luta livre clandestinos. Mas ele não se desvia um milímetro do seu objectivo, nem pensar. Apenas uma questão o motiva: recuperar a cabeça do Buda e trazer de novo a prosperidade para a aldeia. Ele não luta à mínima provocação. Ele evita ao máximo demonstrar as suas habilidades atléticas excepto se vir situações de injustiça. Ele não suporta ver mulheres a ser fisicamente atacadas. Seria até de pensar que ele não fuma, não bebe e evitará até perder a virgindade antes do casamento. Tal é a pureza. Claro que depois dá pontapés, joelhadas, cotoveladas, murros incapacitantes e mortais mas só em último caso. Por muito agradável o pensamento que um homem que domina tal disciplina não é um vicioso. Não se deve estar mais longe da verdade. Ninguém é perfeito e, custa-me, mais uma vez, fazer de um homem tal modo superior em termos físicos, a todos os outros, um puro. É assustador pensar que uma pessoa com tal poder não é boa de coração mas, o inverso seria sempre mais interessante e, uma escapadela aos facilitismos de argumento. E já que menciono facilitismos, Ting tem um número de falas só comparável ao Arnold Schwarzenegger. Para apimentar um pouco a estória, visto que Jaa não prima pelo carisma, o seu personagem reencontra George (Petchtai Wongkamlao), um velho conhecido da aldeia que foi para a cidade ganhar a vida de um modo não tão honesto quanto isso. Ele conhece ainda uma miúda que é capaz de ter a voz mais irritante que já se ouviu em película. Imaginem o som de unhas a riscar um quadro… Agora, imaginem que estão a ouvi-lo num cinema com a melhor qualidade de som… Mas a mocinha, Muay Lek (Pumwaree Yodkamol) é praticamente inofensiva, uma santa de boca fechada. O melhor actor do trio improvável é, provavelmente Wongkamlao, que deve ter o maior número de falas no argumento. Face às limitações de Jaa como actor, hey o homem já é sobrehumano, que mais querem?! E à voz de Yodkamol, nem seria de esperar outra coisa. 
O que a audiência pode esperar são: cenas de acção intensas sem cablagem à vista, muito estremecer pelos pobres duplos e uma perseguição de “Tuk Tuk” (táxis de três rodas), pela cidade. Toma lá John Woo! E ainda um jovem com uma capacidade de reacção explosiva reminiscente (sim, eu atrevo-me a proferi-lo), de um Bruce Lee. Três estrelas.


Realização: Prachya Pinkaew
Argumento: Prachya Pinkaew, Panna Rittikrai e Suphachai Sittiaumponpan
Tony Jaa como Ting
Petchtai Wongkamlao como George
Pumwaree Yodkamol como Muay Lek

Próximo Filme: "Don't be afraid of the Dark", 2010

domingo, 15 de julho de 2012

"Merantau Warrior" (Merantau, 2009)


Os ritos de passagem da adolescência à condição de adulto são qualquer coisa de extraordinário que só as culturas que os possuem podem compreender na totalidade. Nos países ocidentais, o mais parecido com “tornar-se homem” é capaz de ser a perda de virgindade. Entre as mulheres é mais ou menos consensual a identificação do surgimento da menstruação com uma superior maturidade emocional. De facto, é curioso verificar noutras culturas a existência de práticas temerárias como saltar sobre bois desencabrestados ou fazer tatuagens dolorosas em todo o corpo, com a afirmação da masculinidade. Na ilha de Sumatra, vinga, entre o povo Minangkabau a tradição do “Merantau”, que leva a que os rapazes abandonem o conforto do lar, à procura de experiência e sucesso que possam depois trazer para a comunidade. A ideia não é uma diáspora sem retorno, mas a importação de conhecimento que contribua para o crescimento e bem-estar da população Minangkabau.
No meio rural, entre os criadores de plantações de tomate, Wulan (Christine Hakim)  despede-se do filho mais novo, Yuda (Iko Uwais). Ela recorda-se bem das adversidades que o filho mais velho enfrentou e pede a Yuda que não siga a tradição. Ela acredita que o filho não precisa de cumprir o “Merantau” para demonstrar o seu real valor mas ele está decidido. Ele quer seguir as passadas do irmão que tanto admira e passar pelo mesmo que os seus antepassados antes de si. É um dever.O teste de Yuda inicia-se logo que chega a Jakarta. O sítio onde iria pernoitar foi demolido. Sem um tecto sobre a sua cabeça, com pouco dinheiro no bolso e pouco mais que a comida que a mãe embalou, a aventura ainda mal começou. Yuda é incapaz de permanecer impassível perante a injustiça então, quando vê Astri (Sisca Jessica), ser atacada por bandidos ele intervém. Sem o saber, intromete-se no caminho de uma rede tráfico de escravas sexuais e os criminosos não vêm com bons olhos interferências no seu ganha-pão.
Segue-se uma luta implacável entre um gangue e o jovem lutador de silat (artes marciais) pela rapariga. O gangue quer fazer de Yuda um exemplo e ele, só pretende resgatar Astri das garras dos criminosos. A narrativa é bastante standard: rapaz conhece rapariga; rapariga está envolvida com uns vilões e, qual cavaleiro andante, ele vai resgatá-la e vivem felizes para sempre. Mas “Merantau” não é uma estória com um final feliz. Certos pormenores revelam que por trás de uma estória simples se encontra uma boa direção de actores e coreografia de acção.
Christine Hakim, a veterana e galardoada actriz que interpreta Wulan, traz ao seu curto papel uma doçura maternal, estimável em qualquer parte do mundo. O Eric de Yayan Ruhian funciona como uma espécie de anjo negro. É ele, quem na viagem para a selva urbana de Jakarta, desfaz as ilusões de Yuda e o prepara para o duro choque com a realidade. É muito difícil vingar na capital, ainda mais sendo um jovem provinciano que desconhece a vida da cidade. Já a espevitada Astri é a vítima perfeita para o tipo de crime que é retratado. Abandonada pelos pais e com o irmão pequeno para cuidar, dança num clube duvidoso para se poderem alimentar. Sem alguém para a proteger, pouco faltará para a forçarem a prostituir-se e o irmão Adit (Yusuf Alia), acabar nas ruas a mendigar. Os bandidos dividem-se em dois tipos: os estrangeiros que pretendem “exportar” mulheres do arquipélago e os indonésios que as vendem. Destes, quais os piores?
Na verdade, Yuda é o único ser humano, em todo o filme, que se opõe a tal prática. Os que só vêm cifrões à frente não se compadecem do sofrimento alheio. Os restantes ignoram o que se está a passar ou fecham os olhos ao que está à vista… Qualquer dos três: o “louco” Yuda, Astri e Adit, podiam desaparecer que ninguém iria à sua procura. Resta desvendar se “Merantau Warrior” é um conto caucionário sobre a presença dos estrangeiros no país, se uma crítica à ausência de valores da selva urbana. É um jovem provinciano, ainda por corromper, que se insurge contra o crime e tenta salvar inocentes. É nesta reflexão que se encontra o assombro de uma estória aparentemente banal e na força explosiva do silat, a sua espectacularidade. As cenas são dotadas de um realismo impressionantes cuja edição é depois limada na colaboração seguinte de Uwais e Evans, “The Raid – Redemption”. Se intencional ou não, atentem, em particular, ao confronto final, que parece uma homenagem a “Who Am I” (1998), no qual, Jackie Chan defronta dois lutadores, no topo de um arranha-céus. A acção e o desenvolvimento da narrativa acabam por resultar como as mais-valias de “Merantau Warrior”, uma lufada de ar fresco que deverá agradar a fãs do género e a iniciados. Quatro estrelas.

Realização:  Gareth Evans
Argumento:  Gareth Evans
Iko Uwais como Yuda
Sisca Jessica como Astri
Christine Hakim como Wulan
Mads Koudal como Ratger
Yusuf Alia como Adit
Alex Abbad como Johni
Yayan Ruhian como Eric
Laurent Buson como Luc

Próximo Filme: "The Eye", (Gin Gwai, 2002)

domingo, 8 de julho de 2012

"The Raid - Redemption" (Serbuan Maut), 2011

Querem conhecer a estrela do cinema de acção da próxima década? Não precisam procurar mais longe que na Indonésia. O realizador galês Gareth Evans apresenta Iko Uwais. Giro? Um rapaz normal diria. Excelente actor? Isso ainda está por se ver. Intenso Carisma? Nem por isso. Mas ai se ele sabe lutar… Ele domina o contacto físico como poucos. Bem, o Yayan Ruhian, ou “Mad Dog” em “The Raid - Redemption” é melhor lutador e mais espectacular só que a natureza não foi simpática para com o senhor. Ele não é abonado em termos de beleza e de altura. Mas também não é o tipo de pessoa que gostaria que lesse este último comentário. Digamos que as suas capacidades atléticas impõem respeito e este não é um individuo que se deseje ver chateado… “The Raid – Redemption”, é o epitome máximo da expressão: “location, location, location”! Recordam-se da saga “Diehard”, na qual um Bruce Willis, ainda jovem, domina cenários desde um arranha-céus a um aeroporto? Lembram-se do negrume que escondia uma entidade do outro mundo, na nave Nostromo em Alien? Ou talvez estejam familiarizados com a gruta, imprópria para quem tem medo do escurso em “The Descent”. Gareth Evans fez o trabalho de casa e demonstra uma das invasões mais brutais e, porventura, mais espectaculares na história do cinema. Notem que esta é a segunda afirmação ousada que faço na sequência de um só filme! Interessados?
Vinte polícias de elite dão chamados a cumprir missão complicada: capturar e prender um senhor do crime da sua fortaleza criminosa, um edifício de 30 andares, a partir do qual opera as suas operações criminosas e que se encontra guardado por centenas de bandidos dispostos a lutar pelo seu quinhão. A eficácia da missão policial depende da velocidade e descrição mas com olhos vigilantes em cada esquina, tal revela-se impossível. Os polícias vêem-se apanhados numa emboscada e, alerta cliché: o caçador torna-se a presa. Para escapar com vida terão de deixar atrás de si um rasto de corpos. Daí resultam quase 100 minutos de acção ininterrupta, nua e crua. A arte marcial silat, na sua essência, um mecanismo de auto-defesa, é brutal e há que reconhecer o trabalho irrepreensível dos duplos. Por vezes, torna-se difícil não imaginar que eles se terão magoado a sério. Ser atingido por cadeiras, arrastado com um trapo e projectado contra móveis e tijolos não é para qualquer um. E quando não há materiais de arremesso, os personagens são amplamente armados com pistolas, espingardas, metralhadoras e catanas! “The Raid – Redemption”, assegura uma fonte inesgotável de cenas de ameaça à integridade física dos personagens, aos fãs inveterados de artes marciais! E, apesar, da eventual comicidade que o facto de se levar uma dezena de murros e pontapés em zonas sensíveis do corpo e, mesmo assim, os personagens se manterem de pé, podia ter, “The Raid – Redemption”, consegue escapar ao absurdo. Este festim de pancada, não deixa de ter meia de dúzia de papéis bem definidos, por entre as hordas de criminosos com uma motivação que não ultrapassa o desejo de assassinar os invasores. Existe Tama (Ray Sahetapy), o senhor do crime que não admite uma “infestação” na sua casa; Andi (Donny Alamsyah), o braço-direito pragmático, “Mad Dog”(Yayan Ruhian), o psicopata que encontra a maior diversão no confronto corpo-a-corpo, Jaka (Joe Taslim), o jovem comandante que nem por isso deixa de ostentar medo nos olhos; Wahyu (Pierre Gruno), um polícia com uma agenda obscura, o jovem herói numa primeira missão que não pode deixar de regressar a casa para a mulher grávida…
Há uma sensação de perigo iminente enquanto os sobreviventes da guerra que se abateu sobre eles vagueiam pelos corredores. E não é menos claustrofóbico que um filme de terror assumido pois não se sabe o que se esconde por trás de cada porta, ou no contorno de cada esquina.
Ah, já mencionei que a banda-sonora de “The Raid – Redemption” inclui o Mike Shinoda dos Linkin Park? As batidas do seu sintetizador estão perfeitamente ajustadas à acção implacável. Pois, o que resulta menos bem na película? Se a acção está próxima da perfeição houve aspectos mais básicos que escaparam à mesma análise clínica da coreografia. Por exemplo, os polícias parecem bonecos de teste. Para uma equipa de elite, seria de pensar que exercessem maior resistência. Além disso, quem é que, sabendo que há atiradores furtivos se vai colocar à frente de uma janela? Sabendo por fim, das verdadeiras intenções perversas de algumas personagens, quem é que, mesmo assim, coloca a sua confiança e, vida nas suas mãos? São pormenores como este que fazem de “The Raid – Redemption”, apenas um filme muito bom. Mas agora que já detectámos os erros há espaço de manobra para melhorar na sequela. Quatro estrelas.

Realização:  Gareth Evans
Argumento:  Gareth Evans
Iko Uwais como Rama
Joe Taslim como Jaka
Donny Alamsyah  como Andi
Yayan Ruhian como Mad Dog
Ray Sahetapy como Tama
Tegar Satrya como Bowo

Próximo Filme: "Lady Vengeance" (Chinjeolhan geumjassi, 2005)
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