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sábado, 21 de novembro de 2020

"Shanghai Fortress" (Shang hai bao lei, 2019)



"Shanghai Fortress" é uma espécie de "Under the Dome" chinês, com um mix de muitos outros exemplares cinematográficos americanos (demasiados para contar mas não quer dizer que não tente!), em que a humanidade, após uma invasão alienígena, sobrevive sob uma espécie de cúpula, um escudo invisível que serve de campo de forças para repelir os aliens, usando como combustível "xiangteng", que foi descoberto e é detido pela população chinesa sobrevivente. A nave-mãe dos aliens, ataca ocasionalmente o escudo e a cada ataque este fica mais fraco e a humanidade mais vulnerável. Num universo em que "Shanghai Fortress" fosse um filme a sério, isto teria a sua piada dado que os alienígenas estão a atacar a humanidade para lhe retirar o recurso que é o que a está a proteger. Porquê insistir no tal combustível? Porque não cedê-lo simplesmente? Não é como se o Homem tivesse muito pudor na utilização de outros materiais fósseis...


De facto, "Shanghai Fortress" é tão inépto que podia ter saído de um daqueles livros da série "Para Totós", intitulado "Como fazer Ficção Científica chinês em poucos passos para totós". É que o filme nem sequer sofre da problemática de falta de material onde se basear. É a adaptação de uma obra de ficção com o mesmo nome, escrita pelo escritor chinês Jiang Nan, também conhecido pelo título altamente original e nunca antes ouvido "Once upon a Time in Shanghai". O orçamento, que se diz por essa internet fora ter custado 400 milhões de yuan, até serviu para contratar um elenco muito jovem (e talento duvidoso), com pelo menos um ou dois ídolos muito famosos para figurar como "eye candy". Destaque-se o ex-membro de uma boysband Luhan aqui como o protagonista Jiang Yang, um militar que além de padecer de dores de amor pela sua superior Lin Lan (Shu Qi), pilota drones, frequenta discotecas nos tempos livros e parece enfadado 100% do tempo e até um pouco inconsciente quanto À INVASÃO ALÍENEGINA E FINAL ANUNCIADO DA HUMANIDADE! 
O elenco tenta uma pose séria

As gentes do casting, tiveram pelo menos o bom-senso de contratar pelo menos um bom actor para conferir credibilidade - uma Shu Qi ("The Assassin", 2015) num papel em que a atriz parece contar os minutos para abandonar a rodagem e limpar a lágrimas com os muitos yuan que decerto ganhou para o fazer. Oh, como os grandes caem! 
"Homenagem" sempre é um nome mais fofinho que cópia descarada, portanto, digamos que esta produção foi buscar inspiração às seguintes obras: "War of the Worlds", recordam-se de referir que os alienígenas estão a atacar o planeta porque querem roubar os recursos da Terra? "Independence Day" (1996) dado que o design da nave-mãe é tirada a papel químico das naves gigantescas do filme americano, porque saem raios destruidores da nave, ou a inclusão do patriotismo que nos impõem pelos olhos adentro, o próprio final do filme... enfim, diria que reviram vezes sem conta esse filme fantástico e piroso, para ver onde o que podiam levar emprestado e como é que podiam "elevar" o material. Também achei curiosa a inserção de actores estrangeiros pelo simples facto de o serem para representar o resto do mundo. Também podemos falar do "Core", "The Day After Tomorrow", entre muitos outros filmes-catástrofe, por causa dos eventos atmosféricos anormais e pelo grau de destruição a que a cidade de Shanghai é votada. Os momentos dedicados a estes acontecimentos são, de forma infeliz, parcos, para um filme com a escala que prometia ter. Num festim de efeitos gerados por computador, esses são muito desiguais mas também os mais fugazes, havendo alturas em que os efeitos estão tão maus que temos, enquanto audiência, de nos questionar, o porquê da sua integração no filme se o resultado é tão misto. 
O mundo está em ruínas mas que importa? As discotecas ainda estão abertas!

Depois há o romance. Nada contra. Há quem considere que o romance confere um grau de urgência, de gravidade até, às películas. Por seu turno, as audiências chinesas adoram um bom romance delicodoce entre pessoas bonitas. Para mal de pessoas como eu, venderam-me um filme de ficção científica. A última coisa que quero ver num contexto de invasão alienígena e luta pela sobrevivência da humanidade é um romance que parece deslocado do próprio filme. Não há uma pitada de química entre os protagonistas. Ainda que tivesse algo contra a grande diferença de idades entre os protagonistas (Shu Qi e Luhan) ela uma quarentona e ele na casa dos vinte e poucos e, a diferença nem parece assim tão acentuada - ela está muito bem conservada -, já vimos muito mais creepy: Marlon Brando e Maria Schneider, cof cof. Só que até a porcaria do pseudo-romance está mal cozinhado. Lin Lan nunca dá mostras de corresponder à paixonite quase adolescente do Jiang Yang e, para mais, ela é superior dele. Confraternizar com subalternos?! 
Gostava muito de dizer que por muito desmiolado que "Shanghai Fortress" fosse, a experiência de visionamento tinha sido divertida mas não consigo. Com uma hora e quarenta e sete minutos consegue ser demasiado longo e um tédio de atravessar. É tempo das nossas vidas que não recuperamos. Tal como escrever este "texto". Suspiro.
Por fim, como piéce de resistance (se eles podem recorrer a tantos clichés eu também posso seguramente usar esta expressão), ia referir que os criadores deste filme deviam pedir desculpa pela trapalhada que fizeram mas parece que o realizador, o escritor/argumentista e o actor principal também já o fizeram. Depois do sucesso extraordinário de "The Wandering Earth" o género scifi parecia ganhar tracção na China. O estrondoso fracasso de "Shanghai Fortress", meros meses depois, pode ter sido o beijo da morte. Meia estrela.


Realização: Hua-Tao Teng
Argumento: Jinglong Han (argumento), Jiang Nan (autor do livro e argumentista)
Qi Shu como Lin Lan
Godfrey Gao como Yang Jiannan
Luhan como Jiang Yang
Sen Wang como Pan Hantian
Liang Shi como Shao Yiyun 
Vincent Matile como George Bradley
Jialing Sun como Lu Yiyi



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

"Kung Fu Yoga" (Gong Fu yu jia, 2017)


“Botched” é um programa americano exibido em Portugal no canal E!, de entretenimento entenda-se, que dá a conhecer sem censura starlets e outros cidadãos anónimos que contactam os cirurgiões de serviço para corrigir ou esconder a porcaria que outros cirurgiões fizeram nas suas mais diversas partes do corpo. A maioria das vezes os cirurgiões do programa conseguem fazer algo para conseguir resgatar a dignidade perdida ou apenas uma aparência estética mais agradável. Digamos que “Kung Fu Yoga” é um filme chinês submetido a uma cirurgia plástica para se assemelhar a uma verdadeira colaboração com o cinema de Bollywood mas a operação cosmética não correu muito bem.

Jackie Chan é Jack um professor de arqueologia do museu chinês de soldados de terracota que se junta uma especialista indiana, a professora Asmita (Disha Patani), para encontrar o fabuloso tesouro Magadha que se deve encontrar algures no Tibete. Ao chegar lá, eles e os seus assistentes, entre outros Jones Lee - Aarif Rahman numa homenagem ao famoso Dr. Jones –, Xiaoguang (Zhang Yixing) e Noumin (Miya Muqi) são surpreendidos por Randall (Sonu Sood) um indiano rico que pretende ficar com o tesouro para si.

Dizer que a homenagem aos filmes de “Indiana Jones” é flagrante é um eufemismo. A personagem de Aarif Rahman não só se chama Jones e utiliza um chicote como é um arqueólogo intrépido. No entanto, todos os indícios de que estariam grandes aventuras por vir não passam disso mesmo. Ele é apenas mais uma das personagens que se passeiam pelo ecrã na qualidade de eye candy e sem apresentar um contributo importante para a narrativa, ela própria pouco mais que perceptível. Por outro lado, não é uma grande novidade e mais uma vez fica bem expresso no ecrã que Jackie Chan já não é o atleta de outros tempos. Ora isso não tem mal nenhum e deixem assentar por um momento a informação de que Chan nasceu em 1954. À data deste filme e com 63 anos ele consegue fazer movimentos com o corpo que jovens com metade da sua idade são incapazes. O seu carisma permanece intacto e ele continua a ser quem tem o melhor timing cómico do elenco multicultural. Com tantos jovens atléticos incluindo novas esperanças do mandopop como Yixing Zhang que tem aptidão para coreografias complexas é surpreendente que este potencial nunca chegue a ser explorado para criativas cenas de acção que possam preencher as evidentes lacunas de Chan. As cenas de acção ficam pois aquém daquilo de que Chan já fez e o vasto elenco poderia fazer. Talvez. Nunca saberemos. Mais estranho ainda é o facto de “Kung Fu Yoga” constituir uma das reuniões menos felizes de Chan com Stanley Tong, depois de “Rumble in the Bronx” (1995) ou “The Myth” (2005). Quem não soubesse diria que não estiveram para despender muita energia. “Kung Fu Yoga” também representa um retrocesso na carreira de Chan que já demonstrou ter capacidade dramática e parecia estar a encaminhar a sua carreira para escolhas mais calmas para o seu físico. Ainda que sejam sempre um regalo para a vista as cómicas e complexas sequência de acção de Jackie Chan, ele já fez muito melhor e, na verdade, quem é que quer ver Chan tornar-se embaraçoso, numa carreira antes gloriosa enquanto artista de cinema e artes marciais?

Uma das cenas mais marcantes deste filme envolve ainda Chan e um animal virtual que é representativo do pior CGI de que o cinema chinês é capaz, como também sucedeu no recente “The Mermaid” (2016) de Stephen Chow, um dos filmes com maior sucesso de bilheteira no país de sempre, e que falha de forma tão arrasadora no campo dos efeitos gerados por computador. Também a colaboração entre a Índia e a China se revela desinspirada. De facto o filme parece adoptar uma perspectiva etnocêntrica que é claramente desvantajosa no que respeita ao retrato da Índia. De facto, todas as alusões ao país surgem sobre a forma de estereótipos chineses do que é o grande país. Algumas situações são retiradas quase a papel químico dos filmes dos anos 80 e 90 como o “Indiana Jones”. Um sucedâneo de qualidade inferior made in China que não o consegue disfarçar. Duas estrelas.
Realização: Stanley Tong
Argumento: Stanley Tong
Jackie Chan como Jack
Disha Patani como Ashmita
Amyra Dastur como Kyra
Aarif Rahman como Jones
Miya Muqi como Nuomin
Sonu Sood como Randall
Paul Philip Clark como Max
Yixing Zhang como Xiaoguang

Próximo Filme: "Annabelle: creation" (2017)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

"Black Coal, Thin Ice" (Bai ri yan huo, 2014)


Celebrado pela boa qualidade enquanto espécimen do neo-noir, assemelha-se a um dos mais próximos retratos da China industrial que se viu nos últimos anos em filme.

Esta é a China do segundo sector, do crescimento rápido e sem qualquer atenção pela qualidade de vida. Estamos em 1999, e é encontrado numa fábrica transformadora de carvão é encontrado um membro humano. Ali perto, é encontrada o documento de identificação que corresponde a Liang (Wang Xuebing), um trabalhador que não aparecia há algum tempo. O detective Zhang (Liao Fan) é destacado para o caso. Seguindo uma pista, ele em conjunto com outros colegas vai interrogar um suspeito mas a entrevista corre da pior forma possível. Misto de incúria e arrogância da polícia desenrola-se um tiroteio, ao qual apenas sobrevivem Zhang e o colega Wang (Yu Ailei). Com a carreira e casamento arruinados, Zhang entrega-se ao álcool e ao trabalho com segurança. À viúva de Liang, Wu (Lun Mei Gwei) são entregues as cinzas. O caso é enterrado. Eis que cinco anos depois, começam a surgir de modo idêntico, membros de corpos no meio de carregamentos de carvão por toda a região. Zhang alia-se ao colega para resolver em definitivo o caso e reavivar a chance de um regresso à carreira policial. Tendo ligação a Wu a misteriosa viúva de Liang, Zhang fica convencido que nela se encontra a resolução do caso e começa a segui-la.

“Black Coal Thin Ice” é um filme difícil já que ali nada há de sonho ou de encantador. Entre a aridez poluída da mina de carvão e o ar gélido com queda de neve constante, que se sente até às entranhas, não existe um único elemento de conforto. Nem ninguém é feliz. E se aparentar tal coisa, ainda mais rápido lhe cai a máscara. Subsiste uma aura de resignação e condenação. A ideia de que estas foram as cartas que o destino traçou e é com estas que os personagens terão de se governar está permanente durante todo o filme. Não existe nada mais do que a realidade que conhecem.
Para a viúva Wu, jovem, bonita e inteligente, não há a possibilidade de aspirar a mais do que a pequena lavandaria de bairro ou de pensar num segundo matrimónio. Não faz parte do seu plano de vida. Não dá para ver tão longe. Não dá para ver mais longe além da neve que cai. De igual modo Zhang era a profissão e a relação que tinha e lhe foram retirados. Sem eles sobrevive. Sem eles não há mais nada. A resolução dos casos encontra-se num segundo plano, abaixo das intenções egoístas dos seus protagonistas. Em particular, no caso de Zhang, um meio para um fim. “Black Coal Think Ice” não vai muito além do rótulo de neo-noir. Os papéis estão bem definidos. Wu é a femme Fatale, Zhang é o detective anti-herói. Esta última personagem é também a mais divisiva, já que ele comete demasiados erros, que vão desde o desleixo até uma incapacidade quase primitiva de juntar alguns factos. Ser polícia pode estar-lhe no sangue, as capacidades inquisitivas nem tanto. Digamos que não é nenhum Humphrey Bogart. Quanto ao mistério, esse, não é excessivamente complicado se retirarmos parte do jogo do gato e do rato entre os dois protagonistas e uma narrativa que tende a complexificar-se, para esconder o facto de que a verdade é afinal simples. Com 106 minutos de duração “Black Coal Thin Ice” consegue parecer tão longo quanto um filme que complete as duas horas. Aí reside porventura o seu maior problema, tentar parecer mais complexo do que o é ao invés de se focar naquilo que o tornou interessante desde o início, um descendente directo do género noir tendo por cenário a China industrializada do séc. XXI e as suas idiossincrasias. Três estrelas.

Realização: Diao Yinan
Argumento: Diao Yinan
Liao Fan como Zhang Zili
Gwei Lun-Mei como Wu Zhizhen
Wang Xuebing como Liang Zhijun
Yu Ailei como Wang

Próximo Filme: "Haunted Universities" (Mahalai Sayongkwan, 2009)

domingo, 22 de novembro de 2015

"Diary" (Mon seung, 2006)


Winnie (Charlene Choi) encontra-se deprimida depois de mais uma relação falhada. Após Seth (Shawn Yue) a abandonar, Winnie passa os dias a fazer bonecos, a tratar da lida da casa e escrever no seu diário. A sua vida dá uma volta inesperada quando encontra Ray que é exactamente igual ao ex-namorado. Ela dá uma nova oportunidade ao amor e acaba por conquistar Ray que rapidamente se muda para a casa da nova namorada. Winnie dá por si a cometer erros do passado com o novo amor ou será que o ciclo vicioso nunca chegou a terminar?

“Diary” é uma viagem desorientadora e aborrecida pela mente de uma personagem que poderá ou não estar no pleno das suas faculdades mentais. A viagem desorienta devido às muitas repetições e mudanças de perspectiva mas também aborrece porque, afinal, quantas vezes é que tem de mostrar a mesma cena até ao público acusar cansaço?! Todos os sinais apontam para que Winnie não seja a pessoa mais estável em termos psicológicos. Entre os vários afazeres mundanos, apercebemo-nos que Seth fez as malas e deixou-a só. Outro indício bastante óbvio é o facto de Winnie procurar criar um relacionamento com um sósia do homem que lhe partiu o coração. A sério que não havia ali ninguém para lhe dizer: “Querida, esta é capaz de não ser uma das melhores ideias de já tiveste?” Por que se o homem é igual, a personalidade pode ser em tudo diferente. Aliás, a maior parte do tempo, Ray aparenta possuir uma personalidade submissa se não, como aguentaria suportar que Winnie o tratasse por inúmeras, demasiadas vezes, pelo nome do anterior namorado. Também Winnie se contenta com pouco. As suas relações chegam sempre a um ponto em que os companheiros não se dão à tão árdua tarefa de lhe responder ou sequer reconhecer a presença dela, na sua própria casa. Mas a câmara de Oxide Pang parece querer contar uma estória distinta. Eles podem não estar ali, podem nunca ter estado ali. Se calhar é tudo uma grande partida da mente de uma Winnie que tem visões e por vezes apresenta dificuldade em discernir o que é real e o que é sonho. Charlene Choi, uma estrela da cena cantopop prova que não é apenas uma carinha laroca e mostra que possui capacidades para a representação mais do que suficientes para a interpretação de uma mulher que poderá ou não ser desequilibrada. A Shawn Yue pouco mais é dado que fazer do que se assemelhar a um vegetal, enquanto Isabella Leong, num papel fulcral para o desenlace da trama não surge em quantidade suficiente para não ser eclipsada por Choi. O enredo é um puzzle complexo cuja revelação poderá escapar a alguns ou ainda conduzir a interpretações dissemelhantes. Uma dica: a profusão de cor ou a aposta na simples cinza pode ajudar a despistar o sonho do quotidiano. Mas a despeito de uma execução técnica exemplar o fracasso reside num argumento pobre. Choi parece arrastar-se pelo ecrã a todo momento, levando com ela a pouca atenção que ainda lhe é concedida após a realização de que “Diary” não é tanto um filme de terror como um thriller dramático. Pang cai na armadilha habitual no seu currículo cinematográfico, das reviravoltas e desenlaces que… não eram necessários e mais, dão a sensação de que só existem para aumentar o tempo de duração de um filme que ainda assim só tem uns meros 85 minutos.

“Diary” é um excelente recordatório das capacidades de Oxide Pang em criar películas espantosas em termos visuais e igualmente fracas em termos narrativos. Esta constante, desde inícios do milénio até ao final da primeira década do século XXI, comprova a incapacidade de qualquer dos manos Pang e, em particular, do mais talentoso Oxide, em aprimorar a sua arte. Isto é capaz de ter algo a ver com a quantidade de filmes que já criaram até ao momento e, como é por demais sabido, a quantidade costuma ser inimiga da qualidade. Duas estrelas.

Realização: Oxide Pang Chun
Argumento: Oxide Pang Chun e Thomas Pang
Charlene Choi como Leung Wing-na (Winnie)
Isabella Leong como Yee
Shawn Yue como Seth/Ray
Hin-Wai Au como Detective

Próximo Filme: "The House at the End of Time" (La casa del fin de los tiempos, 2013)

domingo, 26 de abril de 2015

"Missing" (Sam hoi tsam yan, 2008)


Trailer, poster e créditos iniciais vendem um mistério aquático. Com duas horas em excesso, a verdade revela-se bem menos interessante. 

Num dos mergulhos de rotina ao profundo azul, a Dra. Gao Jing (Angelica Lee) perde-se do amado Dave Chen (Xiaodong Guo). Ela acaba por emergir com Chen Xiao Kai (Isabella Leong), a irmã deste, mas nunca mais volta a vê-lo vivo. Quando um cadáver é recuperado Gao Jing recusa-se a acreditar que o corpo encontrado seja dele. Sem memória do que sucedeu debaixo de água, ela aceita submeter-se a uma sessão de hipnotismo com o Dr. Edward Tong (Tony Ka Fai Leung) para descobrir a verdade. Desesperada com a perspectiva de nunca mais ver Dave, Gao Jing decide deixar-se enredar na aura de mistério que envolve Simon (Chen Chang), um dos seus pacientes, convencido que é assombrado pela namorada morta. Esta descrição é uma súmula rápida e simplificada desta não descomplicada película. Podem agradecer-me mais tarde.

Os créditos iniciais brindam-nos com uma paisagem costeira fabulosa. De facto, se algum elogio é totalmente merecido é o de uma cinematografia maravilhosa. Atente-se à magnífica utilização do azul do oceano. As cenas de mergulho impecáveis parecem saídas de um documentário da National Geographic. Já fora de água e estas cenas estão em maioria, existe com frequência um apontamento de azul para fazer recordar a tragédia que agora se investiga. A paixão pelo mergulho e pela fotografia aquática foi o que uniu Gao Jing e Dave, acabando por ser também, por ironia do destino, aquilo que os separou.
“Missing” descreve na perfeição esta obra de Tsui Hark. Mais do que um desaparecimento, falta-lhe toda uma variedade de decisões que o podiam ter tornado bastante superior. Em primeiro lugar, a decisão da edição. Tsui Hark é enxergado com reverência por filmes como “Once upon a Time in China” (1991) que recuperaram os clássicos de artes marciais com um ainda jovem Jet Li ao leme. E parece ser neste género onde se encontra a sua área de conforto (veja-se “Detective Dee and the Mystery of the Phantom Flame” de 2010) e, com toda a fraqueza, o melhor local para empregar os seus talentos. Quando sai do género parece perder toda a confiança, caindo na armadilha do familiar. “Missing” também não tem problemas com uma linearidade excessiva do argumento. Antes pelo contrário. Peca por querer parecer mais perspicaz e complexo do que na realidade é. Anunciado como um mistério, deambula entre o thriller sobrenatural e o drama romântico até perto das duas horas em que estabiliza, por fim, na opção menos excitante das duas. Extirpado dos inúmeros subenredos que incluem Chen Xiao Kai, do Dr. Tong (Isabella Leong e Tony Leung Ka Fai inutilizados até à infelicidade) e de Simon, “Missing” seria de mais fácil compreensão e não perderia nenhuma qualidade. Fosse um mistério criminal, seria interessante explorar a vertente da amiga com uma paixão proibida, o terapeuta rejeitado ou o paciente com uma visão mais lúcida que a dos que o rodeiam. Faltam ideias, sejam elas quais forem!
 Já para Angelica Lee é mais do mesmo. Ela está habituada a ser a protagonista para as neuroses do marido Oxide Pang Chun em “The Eye” (2002), “Sleepwalker 3D” (2010), entre outros e, faz tudo o que lhe pedem, ainda que isso signifique observar o vazio durante segundos mais que o necessário. O que me leva à constatação óbvia, para quem já visionou quase toda a obra dos irmãos Pang, que “Missing” parece uma cópia descarada, da actriz principal às reviravoltas da dupla. O que em si, se não é completamente ético podia ao menos resultar numa experiência de visionamento agradável. Está presente a devida homenagem com a icónica cena do elevador assombrado (reinventada por Tsui Hark, claro), existe uma Angelica Lee chorosa (quantas lágrimas já ela verteu), o recurso à imagem gerada por computador com uma qualidade tão duvidosa e inesperada que é de bradar aos céus, e mais do que um final… Para quem almejou tanto, “Missing” é de um vazio atroz. A imagem é na maior parte impressionante, desde uns créditos iniciais que passeiam por entre escarpas costeiras ou a calmaria da fauna oceânica. A questão que se coloca é se estão dispostos a perder duas horas de vida para ver uma estória absurda a despeito das imagens bonitas quando há muito melhor oferta. Duas estrelas.

O melhor:
- Cinematografia e as paisagens naturais

O pior:
- O argumento
- Efeitos digitais
- Banda-sonora
- Os três desenlaces diferentes

Realização: Tsui Hark
Argumento: Tsui Hark e Ho Leung Tau
Angelica Lee como Dra. Gao Jing
Isabella Leong como Chen Xiao Kai
Chen Chang como Simon
Xiaodong Guo como Dave Chen Guo Dong
Tony Ka Fai Leung como Dr. Edward Tong

Próximo Filme: "The Second Sight", Chit sam phat 3D (2013)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

"Lost on Journey" (Ren zai jiong tu, 2010)


Ano novo, aquela altura maravilhosa em que muitos aproveitam para visitar a santa terrinha e rever os parentes que não viram durante todo o ano. Fruto da preguiça, comodismo ou se preferirem indiferença, há quem considere fazer uns meros 20 km um sacrifício e vá adiando a viagem. Ele há feriados católicos, nacionais, locais, um sem fim de oportunidades para visitar os parentes. Excepto se forem talvez cidadãos chineses. Muitos não se podem dar ao luxo de umas férias, outros não se permitem descansar e apenas resta apenas o período do ano novo. Trabalhar a milhares de quilómetros da terra natal nem sempre é opção e regressar é uma autêntica aventura. Todos os anos as filas de automóveis que ultrapassam inúmeras localidades, contos de viagens de comboio esgotadas fazem as manchetes dos jornais e ilustram o desespero de quem tem uma única chance para retornar a casa. Li Chenggong (Xu Zheng) e Niu Geng (Wang Baoqiang) encontram-se neste fluxo migratório gigantesco e fazem uma parelha improvável. Li é um homem de negócios arrogante que mantém uma vida dupla. Ele tem uma jovem amante perto de si, enquanto a mulher cuida da família na distante província de Hunan. Ele nunca sentiu remorso pelo seu comportamento até à data mas sente que deve regressar a casa nesse ano.  A paciente esposa Meili (Zuo Xiaoqing) começa a acusar o desgaste de um marido que pouco mais faz do que enviar dinheiro para casa e é estranho para a própria filha. Niu Geng é típico bom coração. Um pouco tonto, torna-se amigo de qualquer um e pela sua boa natureza é também de igual forma, enganado. O motivo da sua viagem é menos agradável. Também ele vai a Hunan mas para recuperar  dinheiro de um trabalho que lhe é devido. Dois percursos, um destino. As  suas personagens são as congéneres chinesas dos brilhantes Steve Martin e John Candy, este último e para infelicidade das audiências de todo o mundo já falecido em "Planes, Trains and Automobiles" (1987). O primeiro representa a classe alta, todo o pragmatismo e desafecto  pelas questões emocionais, o segundo possui a humildade descomprometida de uma classe social mais baixa e uma alegria pela vida e crença na sorte inabaláveis. Este último personagem perde algo da tragédia e da solidão tão evidentes no personagem do Candy. É mais indolor ser-se divertido e despreocupado certo? A película continua também presa aos lugares comuns do filme dos anos 80. Porque é que o rico tem de ser presunçoso e até degradável? Qual é o problema de se ter uma vida planeada e de possuir ambição? Por outro lado, custa a crer que ainda no século XXI se associe a pobreza de espírito a uma condição social mais baixa. Por outras palavras, Niu Geng surge como um pobre coitado que tem de ser ajudado pelo mais inteligente Li. No campo do amor e da vida familiar é o último que tem algo a aprender com simplório Niu Geng.

As aventuras por que passam são improváveis e confirmam até à última vírgula a "Lei de Murphy": tudo o que poderá ocorrer de errado irá acontecer. Assim, a parelha improvável consegue perder transportes, enfrentar desastres climatéricos,  encontrar acidentes e ser roubado. Os personagens vivenciam o desespero e impotência que milhões de pessoas atravessam durante o período da maior migração do mundo. Sem ser original, as situações são transportadas para a realidade chinesa de um modo credível e toca apenas ao de leve em alguns problemas sociais de modo a nunca perder a comédia de vista. "Lost on Journey" sobrevive da força da química de Xu Zheng e Wang Baoqiang e para quem recordar com nostalgia o filme de John Hughes. Três estrelas.
O melhor:
- Afinidade com a estória
- Excelente casting da dupla principal
- Factor Nostálgia
- Bom aproveitamento da cultura em que se insere.

O pior:
- Alguns momentos "Lost in Translation"
- Um desvio para ajudar os mais necessitados

Realização: Wai Man Yip
Argumento: Juan Wen
Baoqiang Wang como Geng Niu
Zheng Xu como Chenggong Li
Zuo Xiaoqing como Meili
Li Man como Manni

Próximo Filme: "Audition" (Ôdishon, 1999)

domingo, 30 de novembro de 2014

"Rigor Mortis" (Geung Si, 2013)

Aviso: O trailer tem spoilers

Chin Siu-ho é um actor acabado que decidiu alugar um apartamento para pôr termo à vida de modo tranquilo. O seu plano é prejudicado quando se apercebe que o apartamento já tem a sua própria assombração e esta tem um plano muito próprio sobre o que fazer com ele. Yau (Anthony Chan) é o dono do restaurante do rés-do-chão cuja fachada descontraída (ele anda a passear pelos corredores de robe), esconde um caçador de vampiros retirado mas ainda atento a manifestações sobrenaturais. A tia Mui (Nina Paw) é uma costureira e boa samaritana, que passados tantos anos de matrimónio continua ainda profundamente apaixonada por Tung (Richard Ng). A sua morte vai obrigá-la a tomar uma decisão que vai contra todos os princípios por que sempre se regeu. Gau (Chung Fat) é um perito no oculto que a despeito dos anos de experiência decidiu enveredar pelo caminho das artes negras de modo subreptício.  Yeung Fang (Kara Hui) é uma vizinha que poderia passar por um fantasma pois vagueia pelo prédio destroçada por uma dor invisível. O seu filho albino Pak (Morris Ho) entra e sai dos vários apartamentos com a aquiescência dos vizinhos que o reconhecem já como parte integral da vida do prédio.

“Rigor Mortis” é uma homenagem aos filmes de fantasia e comédia sobre vampiros saltitantes produzidos em Hong Kong nos anos 80. Juno Mak, se calhar mais conhecido no ocidente pela interpretação arrepiante em “Revenge: A Love Story” estreia-se como realizador e ó, se impressiona. Ele terá aproveitado todos os bons contactos e as excelentes críticas advindas de “Revenge: A Love Story” do qual também foi argumentista e captou grandes artistas dos filmes que homenageia (Chin Shiu-ho e Richard Ng) e ainda lendas como Nina Paw e Kara Hui, esta última se calhar injustamente mais conhecida pela habilidade no Kung Fu do que pelas fortes qualidades dramáticas. Os aspectos técnicos de “Rigor Mortis” são qualquer coisa de fantástico. A fotografia é belíssima, os efeitos digitais idem, a banda-sonora pejada de notas dissonantes (ainda que exageradas uns quantos decibéis) demonstram a inquietação que perpassam aqueles corredores e a câmara e actores parecem unidos no objectivo de comum de fazer daquele prédio um local perturbador. A luz é inexistente. Apenas existem as paredes e as estórias que lá se passam. Qualquer alusão ao mundo lá fora não é mais do que uma memória dolorosa: divórcios, morte, abuso... Ficar ali é a escolha de um falso conforto. Daí os filtros azuis e cinzentos. Mas a “vida” ali assenta num equilíbrio instável. A quebra da falsa ilusão de segurança pode advir da fonte mais improvável. Quando a violência ocorre, quase sempre é sem censura. Ainda assim é mais comedido que outros filmes que têm saído de Hong Kong nos últimos anos como o “Tales from the Dark –Part 1” (2013). As imagens digitais mais parecem composições de artistas que forem eles próprios influenciados pela vaga de filmes tailandeses à semelhança de “Body #19”. Filmes esses que não se transcendendo na qualidade do storytelling ficam na retina pelas imagens fabulosas que geram. Estas similitudes também não são alheias ao facto de Takashi Shimizu (“Ju-on”, 2000) ser produtor do filme. Atente-se às duas irmãs capazes de rivalizar com as gémeas assustadoras de “The Shining” (1980).
O Este encontra o Oeste
Mais adiante, somos brindados com artes marciais, herança dos filmes que Juno tentou homenagear, pondo Kara Hui e Chin siu-ho a mostrar que o tempo não fez esquecer a mestria no kung fu, em breves mas brutais sequências de luta. A dada altura Chin sui-ho e o seu oponente mais parecem soldados de terracota, cobertos que estão por lama e pó. Soldados rígidos, resistentes ao tempo. No entanto, a sensibilidade artística não transborda na estória. “Rigor Mortis” como o corpo cadavérico leva o seu tempo até adoptar uma forma rígida. As estórias não se entrecruzam por completo até transposto metade do filme. Então, fica a sensação de que se tentou fazer demais. Seriam precisos todos aqueles personagens? Algumas das suas estórias não acrescentam nada ao cerne da questão, arrastando-se mais do que o necessário. Em última análise, “Rigor Mortis” reduz-se à admiração pelo espectáculo visual pontuados aqui e ali pelas interpretações fantásticas de uma parte do elenco. Duas estrelas e meia.

O melhor:
- Recuperação dosubgénero esquecido do “Vampiro Saltitante”.
- Fotografia, efeitos gerados por computador
- Interpretação fabulosa de Nina Paw
- O realizador é inexperiente? Não dei por nada.

O pior:
- Ritmo lento
- Desfecho
- Estória demora a arrancar
- Cenas de artes marciais poderão parecer desenquadradas do filme que vinham a acompanhar

Realização: Juno Mak
Argumento: Lai-yin Leung e Philip Yung
Chin Siu-ho como Chin Siu-ho
Anthony Chan como Yau
Kara Hui como Yeung Feng
Nina Paw como Tia Mei
Ricard Ng como Tio Tung
Morris Ho como Pak
Chung Fat como Gau

Próximo Filme: NAFF 2014 (vários)

domingo, 23 de março de 2014

"Kung Fu Hustle", 2004

Aquele momento em que se torna muito difícil negar o estereótipo de “todos os chineses praticam Kung Fu”. 

Agora que já consegui a vossa atenção com esta provocação, deixem-me contar-vos como “Kung Fu Hustle” foi realizado por Stephen Chow, o mesmo realizador do inesquecível “Shaolin Soccer” (2001). Mesmo aqueles que não apreciam futebol encontraram um motivo de encanto em “Shaolin Soccer”, onde monges empregam o seu talento extraordinário para o Kung Fu num jogo de futebol contra uma equipa de super-atletas dopados. Passada na cidade de Xangai dos anos 30,“Kung Fu Hustle”, apresenta uma dupla de pequenos criminosos liderados por Sing (Stephen Chow) que aproveita a recém-criada fama do gangue do Machado para tentar extorquir os moradores de um bairro ainda intocado pela chegada dos vilões. Oportunidade perfeita para dar um golpe certo? Errado, os moradores não só sabem defender-se como se revelam superiores aos capangas de Sum (Danny Chan), o líder do gangue e os dois pequenos criminosos vêm-se no meio de uma guerra com um resultado imprevisível.

Para quem viu “Shaolin Soccer”, “Kung Fu Hustle” é mais do mesmo no que toca ao humor a tempos, demasiado regional para audiências estrangeiras e nas artes marciais exageradas ao cubo. Os actores são capazes das manobras mais arriscadas, não tanto devido à formação na arte da luta como por todos os artifícios cinematográficos que podem ocorrer a quem deseja fazer dos confrontos uma hipérbole. Apenas não esperem cenários bucólicos ou sentimentais como as de “Hero” (2002) e “Crouching Tiger, Hidden Dragon (2000) que fizeram as delícias de audiências por todo mundo.

Mas “Kung Fu Hustle” não é uma completa paródia. Estreia-se com cenas de violência gratuita e morte, onde os ricos e poderosos tudo podem contra aqueles que nada têm. São meros veículos para a obtenção de mais riqueza e cujo sofrimento é indiferente. E contra poucas ou nenhumas perspetivas de melhoria de vida, juntar-se ao gangue, soa, apesar de tudo a uma hipótese viável e mais segura para obtenção de algum tipo de estatuto. Não é como se os bandidos fossem muito diferentes do empresário de inícios do século XXI, a questão é que a sua acção, violenta e condenável como é, sempre se realiza às claras, por contraste com uma grande mão invisível que tudo destrói, através de manobras de bastidores alheias ao capital alheio.
O que eles talvez não esperassem foi que encontrassem oposição num pequeno bairro suburbano. Estas questões sucedem nas entrelinhas, pois o cenário é dominado por sequências tão díspares quanto uma senhoria de rolos na cabeça (Yuen Qiu) e cigarro soldado ao canto da boca que espanca o marido (Yuen Wah) por causa das suas escapadelas românticas. E quando falo em espancar não digo estas palavras com leveza. Mas a maioria das cenas têm uma tal leveza de espirito que é impossível levar a sério os confrontos entre os moradores. Aliás, “Kung Fu Hustle” funciona melhor dentro do perímetro do bairro, no qual, os habitantes se encontram mais preocupados com a sua vidinha do que no se passa lá fora. Revelar mais seria tirar a piada a “Kung Fu Hustle”, por isso, sentem-se, encostem-se e desfrutem de fantásticas cenas coreagrafadas por Yuen Woo-ping, o mestre milagreiro por trás do cinema de kung fu de Hong Kong desde finais dos anos 70 e “Matrix” (1999) assim como a referências tão fantásticas como a esses filmes que poderão ou não conhecer, velhos golpes de artes marciais reimaginados no séc. XII e… os “Looney Tunes”. Três estrelas.
O melhor:
- O casal de senhorios
- Recriação dos anos 40,
- A coreografia das cenas de artes marciais

O pior:
- Demasiado artificialismo em algumas das lutas
- Cartoon autêntico. Ainda indecisa sobre se isso será bom ou mau.

Realização: Stephen Chow
Argumento: Stephen Chow, Huo Xin, Man-keung Chan e Kan-cheung Tsang
Stephen Chow como Sing
Danny Chan como Sum
Yuen Wah como Senhorio
Yuen Qiu como Senhoria
Bruce Leung como “A Besta”
Xing Yu como Coolie
Chiu Chi-ling como Fairy
Dong Zhihua como Donut
Lam Chi-chung como Bone
Eva Huang como Fong

Próximo Filme: "Tower" (Ta-weo, 2012)

domingo, 27 de outubro de 2013

"8 Immortals Restaurant: The Untold Story" (Bat sin fan dim ji yan yuk, 1993)


Wong Chi Hang está bem dentro do negócio do restaurante. É ele que prepara os bolinhos de carne que fazem as delícias dos clientes. A preparação do porco não é complicada desde de que se disponha de força e de facas bem fiadas. A prática, essa, ele já tem. Ele esventra o animal e retira-lhe os miúdos. Com o focinho decepado e o corpo despojado de órgãos pode então fazer um corte longitudinal profundo desde a traqueia até ao ânus. A seguir vem o trabalho mais difícil. Tem de cortar através de osso para o cortar em dois. Conseguido isto, torna-se mais fácil desmembrar e separar as peças de carne para os diversos pratos a confeccionar. A frieza com que realiza estes actos apenas reforça a ideia de que provocá-lo pode constituir o maior e último erro que cometemos em vida.


 A sua personalidade sociopata pode ser identificada na sequência inicial, onde Wong reconhecido como aldrabão por um parceiro de jogo, solta a fúria da pior maneira, assassinando-o de forma brutal. Depois de provocar um incêndio para apagar os indícios do crime, evade-se de Hong Kong por Macau, assumindo uma nova entidade. A estória avança até 1986, com a ilha em polvorosa após a descoberta de membros humanos numa praia. Após a realização de diversas diligências a polícia chega à conclusão que os restos humanos pertencerão à mãe do antigo dono do restaurante “Oito Imortais” que é dado como desaparecido juntamente com a mulher e os cinco filhos. Com sucessivas pistas a apontarem a ligação do restaurante ao crime e o comportamento cada vez mais bizarro de Wong, nada podia preparar a força policial para uma estória com contornos tão perversos. “8 Immortals Restaurant” interessa-se mais pelos crimes que a investigação policial, sendo sobre esta que recaem os momentos de alívio cómico. Excentricidade dos cineastas, um momento de revelação de restos humanos, acaba por ser uma das oportunidades para injectar um pouco de humor num instante de tensão.

O argumento baseia-se em crimes reais que chocaram Macau durante os anos 80, pelos requintes de malvadez com que Wong Chi Hang assassinou duas famílias desconsagrou os seus cadáveres. E na maior parte, estes factos são apresentados tal como sucederam. A película introduz elementos muito interessantes que têm vindo a ser propagandeados atualmente sob a forma de “inédito”, nomeadamente, uma narrativa conduzida em grande parte pelo ponto de vista do assassino com todos os detalhes grotescos que isso implica. Pertence à “Categoria III”, um sistema de rating vigente em Hong Kong que postula que apenas pessoas com 18 anos de idade ou superior podem visionar, alugar ou assistir em sala de cinema aos filmes com essa classificação. Conhecido pela violência extrema e cenas de sexo explícitas, é um género muito procurado e ao qual, os cineastas locais não procuram fugir pois, sobretudo em casos onde o orçamento é reduzido e a qualidade bastante baixa, pode servir de chamariz. “8 Immortals Restaurant” é conhecido como um dos exemplos superiores desta classificação mas não poupa o espectador.  Anthony Wong apresenta um desempenho assombroso. O seu Wong Chi Hang é vil, é asqueroso, é aterrador. Tido pelo público como um homem simpático e acessível, que também encarna ocasionalmente em cinema, ele transfigura-se totalmente nesta personagem. Sem próteses ou qualquer outro acrescento para modificar as suas feições, a sua entrega é de tal modo impressionante que a sua fisionomia se altera para a de um homem desagradável e perigoso. As cenas em que Wong esquarteja as suas vítimas, seja um porco ou um ser humano, são arrepiantes. Atentem sobretudo à cena em que Wong elimina uma família inteira. Há algo de tão perigosamente amoral naquele personagem que corremos o risco de confundir a ficção com o real. E sem restrições de classificação, pouco ou nada é deixado para imaginação. Mesmo filmes que se afirmam de “extremos” e “irreverentes” não são capazes de gerar imagens tão provocantes ou obscenamente repulsivas como este. Para o aficcionado de terror “8 Immortals Restaurant – The Untold Story” é a prova de fogo. Ideal para apaixonados por estórias verídicas e viciados em desafiar os seus limites de tolerância. Três estrelas e meia.

Realização: Danny Lee e Herman Yau
Argumento: Wing-kin Lau e Kam-Fai Law
Anthony Wong como como Wong Chi Hang
Danny Lee como Chefe Lee
Emily Kwan como Bo
Julie Lee como Pearl
Fui-On Shing como Cheng Poon
Parkman Wong como Bull

Próximo Filme: 407 Dark Flight 3D, 2012

domingo, 7 de abril de 2013

"Riding Alone for Thousands of Miles" (Qian li zou dan qi, 2005)



Quanto quilómetro é necessário percorrer até se obter perdão? Até onde somos capazes de ir para sermos perdoados? O “para sempre” apenas existe até que uma das partes teimosas em oposição decidir que a dor da inexistência de relacionamento é mais penosa que a existência de uma relação complicada.

Takata (Ken Takakura) é um velho casmurro que apenas põe o orgulho de lado quando a nora Rie (Terajima Shinobu) lhe diz que Kenichi (Kiichi Nakai), o filho dele, se encontra doente. O rancor de muitos anos de desavenças e anos sem qualquer contacto ainda não abandonou Kenichi e este recusa-se a ver o pai que veio de propósito a Tóquio para o ver. Quando Rie diz a Takata que Kenichi sofre de cancro em estado terminal ele agarra-se ao único objecto que tem do filho, um documentário que ele realizou na vila remota de Lijian, na China. Kenichi filmou Li Jiamin, um cantor de ópera local que lhe prometeu que na sua próxima visita lhe cantaria uma obra pela qual tinha especial interesse. Com a vida do filho por um fio, Takata toma a inesperada decisão de viajar pela China rural para encontrar o cantor e filmá-lo a cantar a obra que Kenichi nunca terá oportunidade de assistir em pessoa.
“Riding Alone for Thousands of Miles” é uma desilusão para quem espera um filme grandioso de Zhang Yimou. Na verdade ele tornou-se tão conhecido nos últimos dez anos pelos épicos wuxia como “Hero” (2002) ou “The House of the Flying Daggers (2004) que muitos esqueceram obras como “Raise the Red Lantern” (1991), existindo até casos em que há uma cisão declarada entre os preferem a filmografia de cariz mais espectacular e os que preferem a sua câmara mais comedida. A grandiosidade de “Riding Alone for Thousands of Miles” reside nas paisagens de tirar o fôlego e na representação dos actores que envolve longas sequências de momentos “Lost in Translation”. É que Takata chega a uma altura da viagem em que é acompanhado por um guia que sabe muito pouco japonês para o compreender e todos os outros não o compreendem de todo. Por isso, as cenas alternam entre o falar sem ser compreendido ou apenas em parte e as tentativas de explicação ao estranho senhor japonês que veio à China ver um simples cantor rural. Takata é um homem sem tempo e quanto mais se embrenha na paisagem chinesa mais terá de lidar com pessoas que estranham as suas intenções e que se refugiam nas burocracias para não ferir as leis e sensibilidades locais. E os processos atrasam e Takata, sem conseguir fazer-se entender, tem de recorrer à lisonja e ao suborno para conseguir obter algum tipo de consentimento, que ainda há valores universais.
As expressões de incompreensão, frustração e cansaço constituem os momentos mais realistas da película, os viajantes mais do que todos decerto compreenderão. No entanto, Yimou recusa-se a que a população chinesa se aproveite de Takata. A sua viagem não é de roubo ou decepção, é uma viagem de muitos quilómetros na China e no interior de um homem.
“Riding Alone for Thousands of Miles” é uma estória intimista, simples. A narrativa conta a aventura de um pai que redescobre um modo de se ligar ao filho e que embarca numa viagem que o faz repensar as acções dos dois e, com a maturidade da idade perdoar e ser perdoado. Yimou escapou ao cliché da “mudança nos sentimentos por causa de um evento grave”. A personalidade não muda. Takata continua tão teimoso como nos instantes iniciais da película, os motivos é que se alteraram grandemente. Enquanto há vida não há urgência e agora, que Kenichi está prestes a desaparecer do mundo dos vivos, Takata dedica-se com o mesmo fervor de quem evitou o filho durante anos, a estabelecer um ligação emocional com ele. Mas esta estória não é apenas a de Takata e de Kenichi, é também a estória de um pai e um filho chineses, cujas vidas são tocadas quando o cidadão senior japonês decide visitar uma aldeia remota, aproximando também os dois países. Três estrelas e meia.

Realização: Zhang Yimou
Argumento: Zhang Yimou, Jingzhi Zou e Bin Wang
Ken Takakura como Takata
Kiichi Nakai como Kenichi (voz)
Terajima Shinobu como Rie
Jiamin Li como Li Jiamin
Jiang Wen como Jasmine
Lin Qiu como Lingo
Zhenbo Yang como Yang Yang

Próximo Filme: "Gantz", 2010

domingo, 17 de março de 2013

"Mad Detective" (San Taam, 2007)



Quando se pensa que o conceito de detective já se esgotou eis que surgem cavalheiros como Johnny To (“Election, 2005), Ka-fai Wai (Fulltime Killer, 2001) e Ching Wan Lau para dar um brutal acordar à minha parva ilusão. Filmpuff Maria, ainda não vistes nada.
“Mad Detective” é um conceito simples: é um detective… que é louco. Ponto. Quer-se dizer, quando o superior se reforma o pessoal vai tomar uns copos com ele, ou prega uma daquelas partidas que nunca mais irá esquecer. Não é assim tão normal cortar-se a orelha e oferecê-la ao chefe como prova de afeição. Digo eu. O infeliz detective Bun (Ching Wan Lau) é forçado a abandonar a carreira até ali brilhante e enclausura-se em casa com a mulher May (Kelly Lin). Até ao dia em que um caso insolúvel bate à porta e Ho (Andy On) o polícia inexperiente recorre ao veterano. O que ele vê é um homem ainda mais desligado da realidade mas que ainda tem os instintos aguçados. Poderá ele forçar Bun a embrenhar-se de novo numa investigação policial a custo da pouca sanidade que lhe resta? O que vos parece?
Como se costuma dizer, há um método para a loucura e a de Bun não parece totalmente desprovida de sentido. Bun entra na pele dos criminosos e replica todos os seus passos de modo a reconstituir os seus crimes mas o mais fascinante é a sua capacidade de ver as personalidades dos que o rodeiam. Imaginem o suspeito rodeado de pessoas que parecem nada ter em comum com ele, excepto o facto de serem uma das partes da sua psique fracturada. Cada atributo forte corresponde a um “corpo” diferente que pode ser desde uma criança a um bruto de 1,90m de altura. Quem sabe se não tenho uma sueca loura e alta dentro de mim? Parvoíces à parte “Mad Detective” é interessante estudo da psique humana. Dos outros e da Bun, sendo que a deste último está muito mais próxima do ponto de ruptura do que a dos “normais”. Apesar dos momentos cómicos gerados por tal improbabilidade, a figura de Bun nunca é alvo de paródia. Piedade talvez mas é impossível rir de Bun. Ele é um homem só. Tem uma capacidade que o torna capaz de grandes feitos, impossíveis para outras pessoas mas que o afastam cada vez mais da humanidade e o torna um recluso da sua própria mente. Como não compreender a tristeza e o sentimento de impotência dos que o amam pela sua inevitável descida à loucura? O foco não é a investigação cuja conclusão linear, apenas o caminho, esse sim, exige atenção redobrada. E o novato que o acompanha tem a complexidade suficiente para não ser abafado de cada vez que Bun surge em cena e esperamos mais um dos seus desvarios. As actuações de ambos são impressionantes, particularmente de Lau que não recorre aos maneirismos habituais de quando se interpreta uma personagem do género. O recurso ao corpo para enfatizar os estados mentais tem por base a realidade mas hoje em dia é um lugar-comum e admitamos que nem todas as pessoais agem desse modo.

To e Wai não trataram “Mad Detective” com abandono, como se “Mad Detective” estivesse destinado a ser mais um daqueles filmes de investigação policial que se perdem no limbo do esquecimento. Não. Permanece bem depois de ter terminado como todos os e se’s que acompanham as questões apresentadas de modo mais ou menos explícito. O nosso comportamento é conduzido pela personalidade que toma conta de nós naquele momento? Existe apenas um “eu” ou o nosso “eu” é constituído por diversas entidades que guerreiam entre si, numa luta constante pelo controlo até à nossa morte? Até que ponto é que devemos controlar as nossas habilidades extraordinárias para nos inserirmos no padrão? Apenas não esqueçamos uma questão: na sua loucura, Bun nunca esquece o motivo pelo qual persegue o criminoso. A despeito do comportamento errático distingue o bem do mal, talvez até melhor que os que não sofrem de maleitas da mente. Três estrelas e meia.
Realização: Johnny To e Ka-fai Wai
Argumento: Ka-fai Wai e Kin-yee Au
Ching Wan Lau como Detective Bun
Andy On como Inspector Ho
Kelly Lin como May
Flora Chan como May
Ka Tung Lam como Ko

Próximo Filme: "Dark Water" (Honogurai mizu no soko kara, 2002)

domingo, 28 de agosto de 2011

"The Matrimony" (Xin zhong you qui, 2007)

Are you “in a mood for love”? Pois que eu estou e não, este filme não é do Wong Kar Wai, foi apenas menção aleatória que me ocorreu para vos despertar a atenção. Bem, a referência não é assim tão disparatada pois que vos trago uma história de amor. Uma história bela, trágica e quase assustadora de Hua-Tao Teng. Passada na China nos anos 30, a história gira em torno da desventura amorosa do cinematógrafo Shen Junchu (Leon Lai) que vê morrer à sua frente a sua amada Xu Manli (Fan Bing Bing). Destroçado, Shen fecha-se sobre si próprio e aceita fazer um casamento arranjado pela sua mãe com Sansan (Rene Liu) apenas para a descansar. Sansan é a típica rapariguinha apaixonada que tudo faz para agradar ao marido, mas que falha a todos os níveis. Rejeitada, ela não desiste de tentar obter as suas boas graças. Porquê? Não se percebe visto que na primeira meia hora de filme, Shen é taciturno e desagradável, roçando o odioso. Um dia Sansan encontra a chave para uma sala onde Shen a proibiu de entrar e não resiste à curiosidade. Lá, dá de caras com o fantasma de Manli que lhe sugere fazerem um pacto aparentemente satisfatório para ambas as partes. Se Sansan deixar Manli possuir o seu corpo esta poderá tocar novamente em Shen e Sansan poderá ser finalmente aceite. Claro que se estão à espera um filme de miúdas a formarem uma amizade além das fronteiras metafísicas, estão muito enganados. Manli é um espírito e se prestarem atenção aos filmes de fantasmas, os espíritos vestidos de vermelho, normalmente, não são os entes mais agradáveis deste mundo e do outro (“Rattle, Rattle” 2006, pessoal?). Além disso, elas partilham o mesmo objecto e amoroso e sejamos honestos, são mulheres. Onde é que alguma vez as mulheres se deram bem? “The Matrimony” recorda-me a novela “Rebecca” da Daphne Du Maurier também passada nos anos 30, na qual mesmo depois da morte, o fantasma de uma mulher persiste em não desaparecer da memória e em marcar a vida daqueles que lhe sobrevivem.
Quem me conhece saberá que não gosto de dramalhões nem de romances dignos de fazer chorar as pedrinhas da calçada. Sou da opinião que quem quer verdadeiro entretenimento vai ao cinema e quem quer chorar tem a vida real. Ora, como não sou fã de ir pagar 5 euros para chorar no cinema, evito as demonstrações melodramáticas ao máximo. Atenção, que concedo (quando o vejo), o mérito nos desempenhos dramáticos, ou não fossem a esses que 99,9999999999999% das vezes, aquela grande instituição que é a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas atribui os Óscares. Acontece que “The Matrimony” é um casamento feliz entre drama e o horror, sem se inclinar em demasia para um dos lados da balança. Segue o manual dos filmes de terror com “jovens de longo cabelo negro vingativas e/ou injustiçadas em vida” à risca. Mas tem qualquer coisa de original. Para começar, o suspense não é o prato forte da película. Hua-Tao Teng poupa-nos a um crescendo de tensão até à grande revelação do fantasma e ao invés, tira essa sugestão do caminho o mais cedo possível. Também, admitamos que a Fan Bing Bing tem uma carinha laroca, não faz lá muito sentido estar a escondê-la.
Adiante, a primeira cena em que se nota a magia do computador, durante a morte de Manli, é das coisinhas mais amadoras que andam por aí, o que 1) reforça a necessidade de se afastarem da utilização dos efeitos especiais apenas porque sim e 2) estabelece um triste contraste com a qualidade geral da película. De resto, o filme é tão envolvente e com uma atmosfera muito bem conseguida. Nomeadamente, a cinematografia, (uma grande vénia a Mark Lee), a recriação dos anos 30 e a palete de cores está bem apelativa. Visualmente está catita.
Quanto à narrativa, tem momentos de originalidade entre os habituais lugares-comuns do filme de fantasmas. Dá um pouco mais que fazer aos actores e permite um desenvolvimento das personagens. Não há uma procura do susto fácil, este apenas surge como desenvolvimento natural da narrativa. Quanto às actuações, Liu está excelente tendo direito a um background decente conquanto, de início, não seja mais do que uma peça de imobiliário que se intromete na história de amor de Shen e Manli. Quanto a esta última, encarna um espírito com motivações que vão além da superfície, afastando-se do habitual espírito unidimensional. Talvez a grande diferença entre este e outros filmes de fantasmas é que aqui o espectro não é uma mera coisa inserida para provocar o próximo susto, antes tem sentimentos e emoções com as quais sentimos empatia. Já Shen, é uma florzinha de estufa muito magoada, muito sofrida e deprimida, cujos encantos, tirando breves flashbacks, dificilmente se encontram para explicar o amor das duas mulheres. O que poderá ser considerada a maior fraqueza do filme é mesmo o final. Pode ser encarado de dois modos: se gostam de finais que fujam a clichés e que exijam reflexão deverão gostar se, pelo contrário, procuram uma solução satisfatória, o habitual final feliz que não dê que pensar é melhor apostarem noutro registo. “The Matrimony” não assusta muito, mas assusta bonito. Três estrelas e meia.
Realização: Hua-Tao Teng
Argumento: Qianling Yang e Jialu Zhang
Elenco:
Leon Lai como Shen Junchu
Fan Bing Bing como Xu Man li
Rene Liu como Sansan
Songzi Xu como Rong Ma

Próximo Filme: "5bia" aka "Phobia 2" (ห้าแพร่ง ou Ha Phrang, 2009)
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